De onde vem a língua que você vai aprender, por que ela está mais perto do português do que parece, e como pronunciá-la desde o primeiro dia.
Neste capítulo você vai
Situar o latim no tempo: períodos, autores e por que ele nunca "morreu" de verdade.
Reconhecer o parentesco entre latim e português e usar isso a seu favor.
Conhecer o alfabeto latino e as duas pronúncias em uso (restaurada e eclesiástica).
Dividir uma palavra em sílabas, dizer se a penúltima é longa ou breve e aplicar a regra do acento.
Ler em voz alta, com o acento certo, uma frase autêntica curta.
história da língua latinalatim e portuguêsalfabetoi/j e u/vpronúncia restaurada e eclesiásticadivisão silábicaquantidade vocálica e silábicaacento tônicoleitura em voz alta de frase autêntica
Antes deste capítulo: Nenhum. Este é o primeiro capítulo.
O latim é a língua do Latium, a região da Itália central onde fica Roma. Começou como o falar de uma cidade pequena e, com a expansão romana, tornou-se a língua de todo o Mediterrâneo ocidental: da administração, do exército, das escolas e, mais tarde, da Igreja. Durante mais de dois mil anos foi escrito sem interrupção, e é por isso que se costuma dividi-lo em períodos.
Os grandes períodos do latim escrito. As datas são aproximadas: as mudanças foram graduais.
Latim clássico (Cícero, César, Virgílio, Ovídio, Tito Lívio): o latim literário que as gramáticas tomam como modelo. É o padrão que você estuda, mas não é o único latim.
Latim tardio e patrístico (Jerônimo, Agostinho, a Vulgata): o latim da Igreja antiga, de frases mais curtas e vocabulário mais próximo do que viria a ser o português.
Latim medieval (Beda, Anselmo, Tomás de Aquino): a língua internacional das universidades, da filosofia e das crônicas. Simples na sintaxe, técnico no vocabulário.
Neolatim (Erasmo, Descartes, Newton): o latim dos humanistas e da ciência moderna, que imita de propósito o modelo clássico.
Nenhum desses latins é "pior" ou "mais difícil" que outro. Nesta biblioteca, as etapas VI (Latinitas Christiana) e VII (Sapientia Mediaevalis) são caminhos paralelos ao clássico, não degraus acima dele.
O latim morreu?
Não exatamente: ele mudou de nome. O latim falado pelo povo (sermo vulgaris) continuou se transformando até virar o português, o espanhol, o italiano, o francês, o romeno e outras línguas. O português é, literalmente, o latim de Portugal depois de dois mil anos de mudanças. Ao aprender latim, você está lendo a versão mais antiga da sua própria língua.
Para quem fala português, o vocabulário latino é a parte mais fácil. Boa parte das palavras mais frequentes do latim tem um parente direto em português, muitas vezes transparente:
Parentes diretos: o som mudou com regularidade
Latim
Português
Observação
aqua
água
terra
terra
vīta
vida
t entre vogais virou d
lūna
lua
o n entre vogais caiu
pater
pai
do acusativo patrem
māter
mãe
fīlius
filho
li + vogal virou lh
amīcus
amigo
c entre vogais virou g
nox (noctem)
noite
ct virou it
octō
oito
ct virou it
caelum
céu
manus
mão
dīcere
dizer
facere
fazer
venīre
vir
bonus
bom
Repare nas regularidades: t entre vogais vira d (vīta → vida, rota → roda); c entre vogais vira g (amīcus → amigo, lacus → lago); ct vira it (noctem → noite, factum → feito); l e n entre vogais costumam cair (cael(um), lū(n)a). Quando você souber essas correspondências, muitas palavras novas vão se "traduzir sozinhas".
Cuidado com os falsos amigos. Nem toda semelhança é sinônimo: vīlla é uma casa de campo, não uma vila; hostis é inimigo (hóspede é hospes); virtūs é coragem antes de ser virtude; familia inclui os escravos da casa. Você vai conhecer os principais ao longo do curso.
A dificuldade do latim não está nas palavras, mas na forma delas: a mesma palavra muda de terminação conforme a função na frase. É disso que tratam os próximos capítulos.
O alfabeto latino clássico tinha 23 letras: A B C D E F G H I K L M N O P Q R S T V X Y Z. Não havia J, U nem W: a letra I servia tanto para a vogal quanto para a consoante (Iūlius = "Júlio"), e V para a vogal u e para a consoante (VENI = venī). As edições modernas costumam escrever u para a vogal e v para a consoante; algumas também usam j. K é raríssimo; Y e Z só aparecem em palavras gregas. (Algumas gramáticas escolares, como a do Pe. Ravizza, contam 24 letras porque já incluem o U moderno; a diferença é de convenção, não de língua.)
Hoje existem duas maneiras correntes de pronunciar o latim. As duas são legítimas; escolha uma e seja consistente.
Pronúncia restaurada (ou clássica): a reconstrução de como se falava em Roma no século I a.C. É o padrão nas universidades e nos áudios de textos clássicos.
Pronúncia eclesiástica (ou romana): a da Igreja Católica, muito próxima do italiano. É a da liturgia, dos hinos e de muitas gravações de textos cristãos. Soa natural para brasileiros.
As diferenças que importam entre as duas pronúncias
Grafia
Restaurada
Eclesiástica
Exemplo
c
sempre /k/, como em "casa"
/tch/ antes de e, i, ae, oe; /k/ nos outros casos
Cicerō: "Kíkero" · "Tchítchero"
g
sempre /g/, como em "gato"
/dj/ antes de e, i; /g/ nos outros casos
genus: "guénus" · "djénus"
v
/w/, como o u de "quase"
/v/
vīta: "uíta" · "víta"
ae, oe
ditongos "ai", "oi"
/e/ aberto
Caesar: "Káissar" · "Tchéssar"
ti + vogal
/ti/
/tsi/ (exceto após s, t, x)
grātia: "grátia" · "grátsia"
gn
/gn/ (como em "digno")
/nh/
agnus: "ágnus" · "ánhus"
h
aspirado leve, como em inglês
mudo (exceto em mihi e nihil: ver abaixo)
homō: "hómo" · "ómo"
sc + e, i
/sk/
/ch/
scientia: "skiéntia" · "chiéntsia"
qu
/ku/
/ku/
aqua: "ákua" nas duas
r
vibrante, como o "r" de "caro"
igual
Rōma: "Rôma" (nunca como o "r" carioca)
Uma exceção da pronúncia eclesiástica merece nota. Nas regras do Liber Usualis, o livro de canto da liturgia romana editado pelos monges de Solesmes, o h é mudo em toda parte, menos em mihi ("a mim") e nihil ("nada"), que se pronunciam "míki" e "níkil". As grafias medievais michi e nichil, frequentes nos manuscritos, refletem essa pronúncia. É a norma da tradição romana tal como a codificaram os livros litúrgicos do século XX, não uma regra universal: muitos cantores e escolas dizem simplesmente "mi-i" e "ní-il". Na pronúncia restaurada, o h dessas palavras é só uma aspiração leve.
Nas duas pronúncias, as vogais são "puras", como no espanhol: e e o não se fecham em ditongo, e as vogais átonas não se reduzem como no português brasileiro (e final não vira "i"). E as consoantes dobradas se pronunciam dobradas: em puella e terra você ouve os dois l e os dois r.
Cada vogal latina pode ser longa ou breve. A diferença é de duração: uma longa dura cerca do dobro da breve. Os romanos não marcavam isso na escrita de modo sistemático, mas os livros para estudantes marcam as longas com um traço, o macron: ā ē ī ō ū. Vale a pena aprender com eles, por duas razões:
A quantidade distingue formas: puella (a menina, sujeito) e puellā (com a menina, ablativo) só diferem pela duração do a final.
A quantidade determina o acento tônico, que é o que faz a palavra soar certa.
Primeiro passo: dividir em sílabas
Uma palavra latina tem tantas sílabas quantas são as suas vogais e ditongos. Uma consoante isolada entre vogais vai com a vogal seguinte (pa-ter, a-mī-cus); consoantes dobradas se separam (pu-el-la, ter-ra); nos outros grupos de consoantes, a primeira fica com a vogal anterior (ma-gis-ter). A exceção é o grupo de uma consoante oclusiva (p, b, t, d, c, g) seguida de l ou r, que vai inteiro para a sílaba seguinte: a-gri-co-la, pa-tris.
A regra do acento
Em palavras de mais de uma sílaba, o acento latino não cai na última (as raríssimas exceções, como illīc, vêm da perda de uma sílaba final). A regra é simples:
Palavras de duas sílabas são acentuadas na primeira: Rō-ma, a-qua, pa-ter.
Palavras de três ou mais sílabas são acentuadas na penúltima se ela for longa; se a penúltima for breve, o acento recua para a antepenúltima.
Uma sílaba é longa quando tem vogal longa ou ditongo (a-mī-cus, Rō-mā-nus) ou quando a sua vogal, mesmo breve, é seguida de duas consoantes ou de x, que vale por duas (pu-el-la, ma-gis-ter, sax-um). Aqui também vale a exceção: oclusiva + l ou rnão torna longa a sílaba anterior na prosa, e é por isso que agricola se acentua em gri e tenebrae em te. Uma vogal seguida imediatamente de outra vogal é breve (vi-a, fī-li-us): esse detalhe decide o acento de muitas palavras em -ia e -ius.
A regra do acento em ação
Palavra
Sílabas
Penúltima
Acento
amīcus
a-mī-cus
longa (ī)
a-mī-cus
dominus
do-mi-nus
breve (i)
do-mi-nus
puella
pu-el-la
longa (vogal seguida de duas consoantes)
pu-el-la
fēmina
fē-mi-na
breve (i)
fē-mi-na
nātūra
nā-tū-ra
longa (ū)
nā-tū-ra
magister
ma-gis-ter
longa (vogal seguida de duas consoantes)
ma-gis-ter
fīlius
fī-li-us
breve (vogal antes de vogal)
fī-li-us
Os ditongosae, oe e au formam uma só sílaba e são sempre longos: Cae-sar, poe-na, au-rum. Já i e u seguidos de vogal costumam ser consoantes no início de palavra (Iū-li-us, vī-ta).
Não é preciso decorar a quantidade de cada vogal agora. Lendo com macrons e em voz alta, o ouvido aprende sozinho: é exatamente o que fazem os métodos recomendados abaixo.
Para juntar tudo, leia uma frase que gerações de brasileiros já ouviram, o começo do Pai-Nosso na tradução de São Jerônimo. Por enquanto não importa a gramática: o objetivo é pronunciar cada palavra com as sílabas, as quantidades e o acento certos.
Pater noster, quī es in caelīs, sānctificētur nōmen tuum.
Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. (Mt 6,9, Vulgata)
O acento palavra a palavra. As maiúsculas marcam a sílaba tônica.
Mt 6,9, palavra a palavra (pronúncia)
Palavra
Dicionário
Análise
Função
Pater
pater, "pai"
pa-ter; as duas vogais são breves
dissílaba: acento na primeira, PA-ter. Nas duas pronúncias, "páter".
noster
noster, "nosso"
nos-ter; o o é breve, mas a sílaba é longa (vogal + duas consoantes)
dissílaba: NOS-ter. Pronuncie o o fechado e curto, sem ditongar.
quī
quī, "que" (relativo)
uma sílaba; qu conta como uma consoante; ī longo
monossílabo: "kuí" nas duas pronúncias.
es
es, "(tu) és, estás"
uma sílaba, vogal breve
monossílabo átono, apoiado na palavra vizinha.
in
in, "em"
uma sílaba
monossílabo: forma uma unidade com caelīs, "in-CAE-līs".
caelīs
caelum, "céu"
cae-līs; ditongo ae + ī longo
dissílaba: CAE-līs. Restaurada: "káilīs"; eclesiástica: "tchélis" (c antes de ae soa "tch").
sānctificētur
sānctificāre, "santificar"
sān-cti-fi-cē-tur (das três consoantes nct, só a primeira fica com a vogal anterior, como em ma-gis-ter e no exemplo mōn-strum de Bennett, § 4.3; quem divide sānc-ti- chega ao mesmo acento); penúltima cē longa
cinco sílabas, acento na penúltima longa: san-cti-fi-CĒ-tur. Restaurada: "sanktifikétur"; eclesiástica: "sanktifitchétur".
nōmen
nōmen, "nome"
nō-men; ō longo
dissílaba: NŌ-men, com o o fechado e longo.
tuum
tuus, "teu"
tu-um; o primeiro u é breve porque vem antes de vogal
dissílaba: TU-um, duas vogais distintas, sem fundi-las.
Repare em três coisas. Primeiro, as palavras de duas sílabas nunca dão trabalho: o acento vai sempre na primeira. Segundo, numa palavra longa como sānctificētur basta olhar a penúltima: é longa, então leva o acento. Terceiro, a diferença entre as duas pronúncias aparece só em poucas letras (aqui, o c antes de ae e de e); o acento é o mesmo nas duas.
O Elementa Linguae Latinae ensina a gramática na ordem em que ela aparece nos textos, sempre com exemplos em latim e exercícios curtos com resposta. Cada capítulo termina com leituras do catálogo para praticar o que foi visto. Você não precisa de nada além do navegador, mas um método completo ao lado (como o Familia Romana ou o Latine loqui, em português) multiplica o rendimento.
Três hábitos desde o primeiro capítulo: ler em voz alta tudo o que estiver em latim, não traduzir palavra por palavra (o próximo capítulo explica por quê) e anotar pouco, mas com a frase inteira. O percurso de leitura detalha o método.
Por quê, e como evitar: O macron marca só a duração. Em Rōmānus há duas vogais longas e o acento cai apenas em mā; em puellā o ā final é longo, mas o acento fica em el. Para achar a tônica, aplique a regra da penúltima.
Erro: Acentuar a palavra latina como a palavra portuguesa que veio dela.
Por quê, e como evitar: Muitas vezes coincidem, mas não sempre: o português diz "filosofia", com tônica em "fi", e o latim diz philosophia, porque a penúltima (phi, com vogal antes de vogal) é breve. Na dúvida, divida em sílabas e examine a penúltima.
Erro: Pronunciar o latim com as vogais reduzidas do português brasileiro.
Por quê, e como evitar: O e final latino não vira "i" nem o o final vira "u": ave soa "áve", não "ávi"; Cicerō termina em "o" mesmo. As vogais latinas são sempre pronunciadas por inteiro, como no espanhol ou no italiano.
Erro: Misturar as duas pronúncias na mesma leitura.
Por quê, e como evitar: Dizer "Kíkero" e logo depois "tchélis" é incoerente: ou o c é sempre /k/ (restaurada), ou vira "tch" antes de e, i, ae, oe (eclesiástica). Escolha uma das duas e use-a em todo o texto.
Erro: Considerar longa toda sílaba seguida de duas consoantes.
Por quê, e como evitar: Oclusiva + l ou r (br, cr, gr, pl, tr...) não alonga a sílaba anterior na prosa: a-gri-co-la se acentua em gri, e te-ne-brae em te, porque co e ne continuam breves.
Erro: Pronunciar as consoantes dobradas como simples.
Por quê, e como evitar: Em latim, ll, rr, ss, tt soam dobradas (pu-el-la, ter-ra), e isso importa: a consoante dobrada é o que torna longa a penúltima de puella e leva o acento para el.
Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.
Prática guiada 1 · Achar o acento de uma palavra nova
Descubra, passo a passo, a sílaba tônica de Ītalia e de senātor.
Divida Ītalia em sílabas.Ver o passo
Ī-ta-li-a: quatro vogais, quatro sílabas. O i antes do a final é vogal, não consoante, porque não está no início da palavra.
A penúltima, li, é longa ou breve?Ver o passo
Breve: a vogal i vem imediatamente antes de outra vogal (a), e vogal antes de vogal é breve. Não há ditongo nem duas consoantes.
Onde cai o acento?Ver o passo
Na antepenúltima: Ī-ta-li-a. Note que o macron do Ī inicial não atrai o acento: ele só diz que aquela vogal é longa.
Agora senātor: sílabas e penúltima.Ver o passo
se-nā-tor; a penúltima nā tem vogal longa (macron), logo é longa.
Onde cai o acento?Ver o passo
Na penúltima: se-nā-tor. O português "senador" tem a tônica em outra sílaba porque vem de outra forma da palavra, o acusativo se-nā-tō-rem, que perdeu a sílaba final.
Prática guiada 2 · Uma frase de César em voz alta
Prepare a leitura em voz alta da primeira frase dos Comentários de César sobre a Guerra da Gália (BG 1.1.1): Gallia est omnis dīvīsa in partēs trēs. ("A Gália, em seu conjunto, está dividida em três partes.")
Quais palavras não exigem cálculo?Ver o passo
Os monossílabos est, in, trēs, e as dissílabas omnis (om-nis) e partēs (par-tēs), sempre acentuadas na primeira.
Divida e acentue Gallia.Ver o passo
Gal-li-a: a penúltima li é breve (vogal antes de vogal), então o acento recua: Gal-li-a. E o ll soa dobrado.
Divida e acentue dīvīsa.Ver o passo
dī-vī-sa: a penúltima vī tem vogal longa, então leva o acento: dī-vī-sa.
Leia a frase inteira nas duas pronúncias.Ver o passo
Restaurada: "GÁL-li-a est ÓM-nis di-UÍ-sa in PÁR-tēs trēs" (o v soa como "u"). Eclesiástica: "GÁL-lia est ÓM-nis di-VÍ-sa in PÁR-tes tres". O acento é o mesmo; muda só o som do v.
Moral: as palavras de duas sílabas resolvem-se sozinhas; nas mais longas, olhe só a penúltima.
Faça por escrito ou em voz alta; abra "Ver resposta" só depois de tentar. A explicação da resposta faz parte da lição.
Exercício 1 · Parentes em português
Sem dicionário, diga o que significam estas palavras latinas. Use as correspondências de som que você viu.
scholaVer resposta
escola. O português acrescentou um e antes do sc inicial, como em spīritus → espírito.
vēritāsVer resposta
verdade (do acusativo vēritātem: t entre vogais virou d).
stellaVer resposta
estrela.
lupusVer resposta
lobo (p entre vogais virou b, como em sapere → saber).
lībertāsVer resposta
liberdade.
portaVer resposta
porta. Nem tudo muda!
Exercício 2 · O acento tônico
Divida em sílabas e marque a sílaba tônica. As vogais longas estão marcadas.
RōmānusVer resposta
Rō-mā-nus: a penúltima tem vogal longa.
oculusVer resposta
o-cu-lus: a penúltima (cu) é breve, o acento recua.
CaesarVer resposta
Cae-sar: duas sílabas, acento na primeira; ae é ditongo.
agricolaVer resposta
a-gri-co-la: a penúltima (co) é breve, o acento recua para gri. O grupo gr fica inteiro na sílaba seguinte (oclusiva + r).
MinervaVer resposta
Mi-ner-va: a vogal da penúltima é seguida de duas consoantes (r + v), logo a sílaba é longa.
philosophiaVer resposta
phi-lo-so-phi-a: a penúltima (phi) é breve, porque o i vem antes de outra vogal; o acento recua para so. Não há macron em nenhuma vogal desta palavra. Compare com o português "filosofia", acentuado em outra sílaba.
Exercício 3 · Duas pronúncias
Pronuncie em voz alta na pronúncia restaurada e na eclesiástica.
Diga se a penúltima sílaba é longa ou breve, explique por quê e marque a tônica.
fenestra (janela)Ver resposta
fe-nes-tra. A penúltima nes é longa: a vogal é seguida de s + t (o grupo str começa com s, que não é oclusiva). Acento: fe-nes-tra.
tenebrae (trevas)Ver resposta
te-ne-brae. A penúltima ne é breve: br é oclusiva + r e vai inteiro para a sílaba seguinte. Acento: te-ne-brae.
mīlitēs (soldados)Ver resposta
mī-li-tēs. A penúltima li é breve (vogal breve + uma só consoante). Acento: mī-li-tēs. O macron de tēs não importa: a última sílaba nunca é tônica.
Athēnae (Atenas)Ver resposta
A-thē-nae. A penúltima thē tem vogal longa. Acento: A-thē-nae. O th é uma só consoante (letra grega).
saxum (rochedo)Ver resposta
sax-um: o x fica com a vogal anterior. Duas sílabas, logo acento na primeira, sax-um. A primeira sílaba é longa de qualquer modo, porque x vale por duas consoantes (cs); numa palavra mais longa, isso bastaria para atrair o acento.
Exercício 5 · Da inscrição à edição moderna
Os romanos escreviam em maiúsculas, sem distinguir I/J nem U/V. Reescreva em letras minúsculas, com u para a vogal e v para a consoante (os macrons não se deduzem da escrita antiga; as respostas os acrescentam para você).
IVLIAVer resposta
Iūlia: o primeiro I é consoante (antes de vogal, no início da palavra) e o V é vogal. Pronúncia restaurada: "Iúlia", com o i inicial soando como o "i" de "iate".
VENI VIDI VICIVer resposta
vēnī, vīdī, vīcī: cada V inicial vem antes de vogal, logo é consoante (v).
IVVENISVer resposta
iuvenis (jovem): I consoante, V vogal, V consoante, depois e, i. Em edições que usam j: juvenis.
VVLTVSVer resposta
vultus (rosto): o primeiro V é consoante, o segundo, entre consoantes, é vogal, e o último também (-tus).
Leituras recomendadas
Para começar a ouvir latim desde já: o Latinitium tem um arquivo gratuito de áudios curtos, e os métodos indicados trazem a pronúncia explicada nas primeiras páginas. Na Vulgata, leia em voz alta o Pai-Nosso inteiro (Mt 6,9–13) aplicando a regra do acento; a gramática do Pe. Ravizza (cap. 1) resume a pronúncia em português.
Etapa I · Prima VerbaDificuldade 1 · ElementarDidáticoCom notas
Latine loqui: curso básico de latim, volume I
Leni Ribeiro Leite
Curso básico de latim em português, da Universidade Federal do Espírito Santo (EDUFES, 2021), em PDF de acesso aberto. O primeiro volume cobre os fundamentos da língua com textos, exercícios e explicações em português. O único método universitário brasileiro gratuito e legal que localizamos; licença CC BY-NC-ND, por isso só link.
Método · Moderno (material didático) · alguns meses · Repositório UFES (EDUFES)
Etapa I · Prima VerbaDificuldade 1 · ElementarDidáticoComercial
Lingua Latina per se Illustrata, Pars I: Familia Romana
Hans H. Ørberg
O método de latim mais recomendado hoje: 35 capítulos inteiramente em latim, com ilustrações e notas marginais que explicam cada palavra nova pelo contexto, sem tradução. Narra a vida de uma família romana. Livro comercial da Hackett Publishing; aqui, apenas a referência oficial.
Método · Moderno (material didático) · alguns meses · Hackett Publishing
Etapa I · Prima VerbaDificuldade 1 · ElementarDidático ÁudioCom notas
Latin for Beginners
Benjamin L. D'Ooge
Curso completo de primeiro ano (1911), em inglês: 79 lições curtas com explicação, frases para traduzir, pequenas narrativas e vocabulário, com macrons. Gratuito e de domínio público, é a melhor alternativa aberta ao método Ørberg para quem lê inglês. As três primeiras lições têm gravação no LibriVox (coleção de aprendizado de línguas, vol. 4).
Método · Moderno (material didático) · alguns meses · Project Gutenberg
Site de latim falado com artigos e vídeos em latim, arquivo gratuito de áudios de textos curtos, dicionários online pesquisáveis e curso por e-mail. Parte do conteúdo é paga; aqui indicamos só o acesso gratuito. Sem licença de reúso.
Gramática latina completa em português, usada por gerações nas escolas brasileiras, com um compêndio de história da literatura latina. Nona edição (1940), em domínio público (autor falecido em 1941). Fac-símile em PDF no Internet Archive.
Gramática · Moderno (material didático) · consulta · Internet Archive
Etapa VI · Latinitas ChristianaDificuldade 2 · BásicoOriginal Áudio
Biblia Sacra Vulgata (editio Clementina)
Hieronymus Stridonensis (Vulgata)
A Vulgata Clementina completa, do Gênesis ao Apocalipse, livro a livro. Comece por Marcos, Gênesis ou os Salmos: frases curtas, vocabulário repetitivo e um texto que você já conhece em português. A leitura cristã fundamental e, para muitos, a primeira obra longa lida em latim. No LibriVox há, por ora, só o Salmo 22 gravado.
Escritura (Vulgata) · Tardio e patrístico · anos, um capítulo por dia · Vicifons (Latin Wikisource)
Bibliotheca Latina. Conteúdo original com trechos de obras em domínio público; licença CC BY 4.0.
Fontes consultadas
Allen and Greenough's New Latin Grammar, J. H. Allen e J. B. Greenough (no catálogo) · domínio público · § 1 (alfabeto), §§ 2–5 (classificação dos sons; i e u consoantes), § 7 (divisão silábica), § 8 (pronúncia restaurada), §§ 9–11 (quantidade da vogal e da sílaba), § 12 (acento)
New Latin Grammar, Charles E. Bennett (no catálogo) · domínio público · Introdução, § 3 (períodos da língua); §§ 1–3 (alfabeto e pronúncia), § 4 (sílabas), § 5 (quantidade), § 6 (acento)
Vox Latina: a guide to the pronunciation of classical Latin, W. Sidney Allen · obra de referência sobre a pronúncia restaurada (não está no catálogo; edição comercial)