Em português, a ordem das palavras diz quem faz o quê. Em latim, quem diz isso são as terminações. Entender essa diferença é a chave de tudo o que vem depois.
Neste capítulo você vai
Entender que o latim marca a função das palavras pela terminação, não pela posição.
Reconhecer sujeito e objeto direto numa frase simples pelas terminações.
Saber o que o latim não tem (artigos, pronome sujeito obrigatório) e como compensa isso.
Começar a ler na ordem latina, da primeira à última palavra, sem reordenar.
Usar o número do verbo e o raciocínio por exclusão para decidir quem é o sujeito numa frase autêntica.
flexão e casosnominativo e acusativoordem das palavrasênfaseausência de artigosujeito ocultoconcordânciapresente do indicativo (prévia)leitura na ordem latinaraciocínio por exclusãoanálise de frase autêntica
Antes deste capítulo: Capítulo 1 (pronúncia e acento), para ler os exemplos em voz alta. · capítulo 1
Compare estas duas frases em português: Marco ama Júlia e Júlia ama Marco. As palavras são as mesmas; o que mudou foi a ordem, e com ela o sentido. Em português, a posição da palavra diz se ela é sujeito ou objeto.
Em latim, não. Veja:
Mārcus Iūliam amat.
Marco ama Júlia.
Iūliam Mārcus amat.
Marco ama Júlia. (a mesma coisa!)
Amat Mārcus Iūliam.
Marco ama Júlia. (ainda a mesma coisa)
Mārcum Iūlia amat.
Júlia ama Marco.
As três primeiras frases significam exatamente o mesmo, porque em todas Mārcus termina em -us (a terminação de quem faz a ação) e Iūliam termina em -am (a terminação de quem recebe a ação). Na quarta frase, as terminações trocaram de lugar: Mārcum agora é o objeto e Iūlia é o sujeito. A ordem ficou igual à da primeira; o sentido inverteu.
É isso que se chama de língua flexional: a palavra "se flexiona", muda de forma, para indicar sua função. Cada forma diferente de um nome é um caso. No próximo capítulo você verá os seis casos; por enquanto, bastam dois:
Os dois casos de que você precisa hoje
Função
Nome do caso
Terminação (palavras como Iūlia)
Terminação (palavras como Mārcus)
quem faz a ação (sujeito)
nominativo
-a (Iūlia, puella, rosa)
-us (Mārcus, servus, amīcus)
quem recebe a ação (objeto direto)
acusativo
-am (Iūliam, puellam, rosam)
-um (Mārcum, servum, amīcum)
Pense na terminação como um crachá. Cada palavra chega à frase dizendo o que veio fazer: "-us: sou o sujeito", "-am: sou o objeto". Por isso o romano podia espalhar as palavras na ordem que quisesse, e você precisa ler os crachás antes de ler a ordem.
O latim não tem "o, a, um, uma". Puella pode ser a menina, uma menina ou simplesmente menina; o contexto decide. Ao traduzir, escolha o artigo que o português pede.
Puella cantat.
A menina canta. / Uma menina canta.
Rosa pulchra est.
A rosa é bela.
O sujeito pode ficar dentro do verbo
Como em português, o latim não precisa de pronome sujeito: a terminação do verbo já diz a pessoa. Amat significa "ele ama" ou "ela ama"; amō, "eu amo". Veja as seis formas do presente de amāre (amar), só para reconhecê-las por enquanto (o capítulo 6 apresenta o presente de todos os verbos):
Presente do indicativo de amāre (prévia)
Pessoa
Latim
Português
Terminação
1ª do singular
amō
eu amo
-ō
2ª do singular
amās
tu amas / você ama
-s
3ª do singular
amat
ele, ela ama
-t
1ª do plural
amāmus
nós amamos
-mus
2ª do plural
amātis
vós amais / vocês amam
-tis
3ª do plural
amant
eles, elas amam
-nt
Repare que as terminações do verbo também são "crachás": -t diz "uma pessoa faz isso", -nt diz "várias pessoas fazem isso". Isso permite um primeiro teste de leitura: o sujeito de um verbo em -nt tem de estar no plural.
Puellae cantant.
As meninas cantam. (verbo em -nt, sujeito no plural: puellae)
Puella cantat.
A menina canta. (verbo em -t, sujeito no singular)
Se a ordem não muda o sentido, ela é livre? Quase. A ordem latina é flexível, mas tem preferências, e conhecê-las ajuda a antecipar o que vem.
Na prosa, o verbo tende a ficar no fim da frase: Mārcus Iūliam amat. Isso significa que você muitas vezes só descobre "o que aconteceu" na última palavra. Aguente a expectativa.
O sujeito costuma vir primeiro, e o objeto antes do verbo. A ordem "neutra" é sujeito, objeto, verbo.
Palavras que dependem uma da outra ficam normalmente próximas: o genitivo ("de alguém") perto do nome a que se refere, o adjetivo perto do substantivo.
Mudar a ordem serve para dar ênfase. O lugar de maior destaque é o começo da frase: a palavra deslocada para lá chama atenção. O fim também pode receber ênfase, mas com bem menos frequência. Os poetas exploram essas possibilidades ao máximo.
Dois exemplos autênticos, para ver as tendências em textos reais:
Gallia est omnis dīvīsa in partēs trēs.
A Gália está, toda ela, dividida em três partes. (César, BG 1.1.1)
In prīncipiō erat Verbum, et Verbum erat apud Deum…
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus… (Jo 1,1, Vulgata)
Na frase de César, Gallia (sujeito, -a) abre a frase como o assunto de que se vai falar, omnis ("toda") concorda com ela e in partēs trēs ("em três partes") fecha com a informação nova. A gramática de Allen e Greenough (§ 597) lê aí uma ênfase em dīvīsa: a Gália que os romanos chamavam por um só nome, na verdade, está dividida. Na frase de João, o verbo erat ("era, estava") vem antes do sujeito Verbum: a ordem muda, o sentido não.
Se a terminação é um crachá, as palavras que andam juntas usam crachás combinando. O verbo concorda com o sujeito em número; o adjetivo concorda com o substantivo em gênero, número e caso. Observe os pares:
puella bona
a boa menina
puellae bonae
as boas meninas
servus bonus
o bom escravo
servum bonum
o bom escravo (como objeto)
Puella bona servum bonum laudat.
A boa menina elogia o bom escravo.
Na última frase, mesmo se as palavras estivessem embaralhadas (bonum puella laudat bona servum), as terminações diriam quem combina com quem: -a com -a, -um com -um. É assim que a poesia latina consegue afastar o adjetivo do seu substantivo, às vezes com várias palavras no meio, sem perder a clareza.
A tentação de quem começa é "caçar o verbo", depois procurar o sujeito, depois reordenar tudo para o português. Funciona com frases curtas e desaba nas longas. A técnica que vale a pena aprender desde já é outra: leia da primeira à última palavra, registrando o crachá de cada uma e criando expectativas.
Lendo em ordem: Agricola fīliam magistrī laudat = O agricultor elogia a filha do mestre.
Agricola: termina em -a, nominativo. Já sei quem faz a ação: o agricultor. Espero um verbo no singular.
fīliam: termina em -am, acusativo. Alguém recebe a ação: a filha. Filha de quem?
magistrī: terminação -ī, o genitivo ("de"), caso que você conhecerá no próximo capítulo (a terminação -ī das palavras como magister e Mārcus é estudada no capítulo 5). Responde à pergunta: do mestre.
laudat: verbo em -t, singular, "elogia". Combina com o sujeito singular. Frase fechada.
Note que em nenhum momento foi preciso reordenar. A frase foi se montando palavra a palavra, como um romano a ouviria. Com a prática, as expectativas ficam automáticas: um nominativo pede um verbo; um acusativo pede um verbo que o receba; um genitivo procura um substantivo vizinho.
Regra de ouro do iniciante: antes de perguntar "o que esta palavra significa?", pergunte "qual é a terminação desta palavra?". O sentido vem do dicionário; a função, só da terminação.
Você já tem tudo o que precisa para analisar um provérbio que os romanos repetiam e que chegou até o português. Na comédia Phormio (Formião), de Terêncio, um escravo esperto anima o jovem patrão desesperado com estas três palavras:
… fortīs fortūna adiuvat.
A sorte ajuda os corajosos. (Terêncio, Phormio 203)
Leia na ordem latina. Fortīs é uma forma que você ainda não conhece: é o adjetivo fortis ("forte, corajoso"), de outro grupo de palavras, que você estudará no capítulo 10. Fortūna termina em -a, como Iūlia e puella: nominativo, um candidato a sujeito. Adiuvat ("ajuda") termina em -t: o sujeito é uma só pessoa ou coisa. A frase está resolvida, mesmo com uma palavra desconhecida.
Terêncio, Phormio 203, palavra a palavra
Palavra
Dicionário
Análise
Função
fortīs
fortis, forte (adjetivo), "forte, corajoso"; aqui usado como substantivo: "os corajosos"
acusativo plural masculino; -īs é uma variante de -ēs (Bennett § 67.a); a edição de César citada por Allen e Greenough (§ 597) também escreve partīs trīs; já a edição de Terêncio de E. St. J. Parry (1857) traz aqui a forma em -ēs, fortes
objeto direto: quem recebe a ajuda
fortūna
fortūna, -ae (f.), "sorte, fortuna"
nominativo singular (terminação -a, como Iūlia)
sujeito: quem ajuda
adiuvat
adiuvō, adiuvāre, "ajudar"
presente do indicativo, 3ª pessoa do singular (-t)
verbo; concorda com o sujeito singular fortūna
O raciocínio que decide a frase é de exclusão, e vale a pena guardá-lo. O verbo em -t pede um sujeito singular. Fortūna é um nominativo singular e preenche esse lugar. Então fortīs, seja qual for a sua forma, não pode ser o sujeito: um lugar já ocupado não se ocupa duas vezes. Como adiuvāre pede alguém que seja ajudado, fortīs é o objeto. Quem lê só pela ordem traduziria "os fortes, a fortuna ajuda" ou, pior, "a fortuna forte ajuda", o que não faz sentido em latim nem em português.
Repare também na ordem: objeto, sujeito, verbo. O objeto foi para o começo, o lugar de destaque: não é qualquer pessoa que a sorte ajuda, são os corajosos. E o verbo ficou no fim, como de costume. O som também ajuda a memorizar: fortīs fortūna começa duas vezes por fort-.
Erro: Tomar a primeira palavra da frase como sujeito.
Por quê, e como evitar: Em Iūliam Mārcus amat, a primeira palavra é o objeto: o -am diz isso. Antes de decidir quem faz a ação, leia a terminação de cada palavra; a posição, em latim, indica ênfase, não função.
Erro: Traduzir conservando a ordem latina.
Por quê, e como evitar:Mārcum Iūlia amat não é "Marco Júlia ama", frase que em português ou é estranha ou diz o contrário. Identifique as funções na ordem latina e, ao escrever em português, use a ordem que o português exige para essas funções: "Júlia ama Marco".
Erro: Ignorar a terminação do verbo.
Por quê, e como evitar: O -t e o -nt são a melhor prova do sujeito. Em Rosae puellam dēlectant, o verbo plural confirma que o sujeito é rosae, e não puellam, que além disso tem crachá de objeto.
Erro: Procurar um sujeito escrito em toda frase.
Por quê, e como evitar: Como em português, o sujeito pode estar só no verbo: Rosam amat é "(ele, ela) ama a rosa". Não transforme rosam em sujeito só porque falta um nominativo; o -am continua dizendo "objeto".
Erro: Pensar que concordar é ter as mesmas letras.
Por quê, e como evitar: O adjetivo concorda em gênero, número e caso, e as letras às vezes não coincidem: nauta (marinheiro) é masculino e se diz nauta bonus, não nauta bona. O capítulo 4 explica esses nomes.
Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.
Prática guiada 1 · O objeto na frente
Leia na ordem latina e traduza: Fīliam agricola laudat. Vocabulário: fīlia, filha; agricola, agricultor; laudat, elogia.
Fīliam: que crachá é esse, e o que ele faz esperar?Ver o passo
Terminação -am: acusativo, o objeto. Alguém vai fazer algo com "a filha"; falta saber quem e o quê.
agricola: e agora?Ver o passo
Terminação -a: nominativo, o sujeito. Já sabemos quem age: o agricultor.
laudat: o verbo confirma?Ver o passo
Sim. Termina em -t, singular, e combina com o sujeito singular agricola. "Elogia".
Monte a tradução portuguesa.Ver o passo
"O agricultor elogia a filha." Em português o sujeito vem antes; em latim, a filha estava em destaque no começo. Se quiser preservar a ênfase: "É a filha que o agricultor elogia."
Prática guiada 2 · Decidir por exclusão
Traduza Magistrum puerī audiunt. Vocabulário: magister, mestre; puer, menino; audiunt, ouvem. A forma puerī ainda não foi ensinada: descubra a função dela pelo resto da frase.
Qual é a função de magistrum?Ver o passo
Terminação -um: acusativo, o objeto. O mestre é quem recebe a ação.
O que audiunt exige?Ver o passo
Termina em -nt: o sujeito tem de ser plural, "eles ouvem".
Então, o que é puerī?Ver o passo
O objeto já está ocupado por magistrum, e o verbo plural precisa de um sujeito plural. A única palavra que sobra é puerī: só pode ser o sujeito, no plural, "os meninos". (O capítulo 5 confirma: -ī é o nominativo plural desse grupo.)
Monte a tradução.Ver o passo
"Os meninos ouvem o mestre."
É o mesmo raciocínio da frase de Terêncio: quando uma função já está ocupada, a palavra desconhecida fica com a função que sobra.
Faça por escrito ou em voz alta; abra "Ver resposta" só depois de tentar. A explicação da resposta faz parte da lição.
Exercício 1 · Quem faz, quem recebe
Em cada frase, diga qual palavra é o sujeito e qual é o objeto direto, olhando só as terminações. Depois traduza. Vocabulário: videt = vê; audiunt = ouvem; timet = teme; amant = amam.
Mārcus Iūliam videt.Ver resposta
Sujeito Mārcus (-us), objeto Iūliam (-am): Marco vê Júlia.
Iūliam Mārcus videt.Ver resposta
As mesmas terminações, a mesma frase: Marco vê Júlia. Só a ênfase muda (Júlia em primeiro plano).
Puerī magistrum audiunt.Ver resposta
Sujeito puerī (plural, combinando com audiunt em -nt), objeto magistrum (-um): Os meninos ouvem o mestre.
Dominum servus timet.Ver resposta
Sujeito servus (-us), objeto dominum (-um): O escravo teme o senhor. A ordem "objeto primeiro" dá ênfase ao senhor.
Puellae rosās amant.Ver resposta
Sujeito puellae (plural; o verbo está em -nt), objeto rosās (acusativo plural, -ās): As meninas amam as rosas.
Exercício 2 · Troque os crachás
Mude só as terminações necessárias para inverter quem faz e quem recebe a ação.
Servus dominum videt. → "O senhor vê o escravo."Ver resposta
Dominus servum videt.
Puella amīcam exspectat. (exspectat = espera) → "A amiga espera a menina."Ver resposta
Amīca puellam exspectat.
Magister puerum laudat. → "O menino elogia o mestre."Ver resposta
Puer magistrum laudat. Repare que o nominativo de puerum é puer, sem -us: algumas palavras do grupo de Mārcus têm o nominativo em -er, e você as verá no capítulo 5, sobre a segunda declinação.
Exercício 3 · Traduza lendo em ordem
Leia palavra a palavra, anotando a função de cada uma, e só então traduza. Vocabulário: terra = terra; dēlectant = encantam, agradam; vīlla = casa de campo; ōrnant = enfeitam; dominae = da senhora; cantant = cantam; nautae = os marinheiros; lūnam = a lua; spectant = contemplam.
Agricola terram amat.Ver resposta
Agricola (sujeito), terram (objeto), amat (verbo): O agricultor ama a terra.
Rosae puellam dēlectant.Ver resposta
Rosae (sujeito plural, confirmado por -nt), puellam (objeto), dēlectant: As rosas encantam a menina. Cuidado: a primeira palavra não é "a menina".
Servī vīllam dominae ōrnant.Ver resposta
Servī (sujeito plural), vīllam (objeto), dominae (genitivo, "da senhora", ligado a vīllam), ōrnant: Os escravos enfeitam a casa da senhora.
Nautae lūnam spectant et cantant.Ver resposta
Nautae (sujeito plural), lūnam (objeto), spectant, et ("e"), cantant: Os marinheiros contemplam a lua e cantam. Nauta termina em -a, mas é masculino: há algumas palavras assim.
Exercício 4 · Mude a ordem ou o número
Faça a transformação pedida, mudando só o que for necessário.
Escreva Mārcus Iūliam videt em duas outras ordens, sem mudar o sentido.Ver resposta
Por exemplo, Iūliam Mārcus videt e Videt Mārcus Iūliam (também Iūliam videt Mārcus, Mārcus videt Iūliam...). Qualquer ordem serve, porque as terminações -us e -am não mudam; o que muda é a ênfase.
Ponha o sujeito no plural: Puella rosam amat.Ver resposta
Puellae rosam amant. O sujeito passa a puellae e o verbo, que concorda com ele, passa de -t a -nt. O objeto não muda.
Ponha o sujeito no plural: Nauta lūnam spectat.Ver resposta
Nautae lūnam spectant. Mesma operação: nauta → nautae, spectat → spectant.
Ponha o sujeito no singular: Agricolae terram amant.Ver resposta
Agricola terram amat. O verbo volta a -t.
Ponha o objeto no singular: Rosās puella amat.Ver resposta
Rosam puella amat. Só o objeto muda (-ās → -am); o verbo continua em -t, porque concorda com o sujeito, não com o objeto.
Exercício 5 · Do português para o latim
Traduza para o latim, usando o vocabulário deste capítulo (amat, laudat, spectant, timet, cantat; agricola, lūna, servus, dominus, puella). Não há artigos em latim.
Júlia ama Marco.Ver resposta
Iūlia Mārcum amat. Sujeito em -a, objeto em -um. Outras ordens (Mārcum Iūlia amat) dizem o mesmo, com outra ênfase.
Marco elogia o agricultor.Ver resposta
Mārcus agricolam laudat.Agricola recebe a ação, por isso vai para o acusativo agricolam.
As meninas contemplam a lua.Ver resposta
Puellae lūnam spectant. Sujeito plural, verbo em -nt.
O escravo teme o senhor.Ver resposta
Servus dominum timet.
Uma menina canta.Ver resposta
Puella cantat. O latim não distingue "a menina" de "uma menina": a mesma frase serve para as duas traduções.
Leituras recomendadas
Os leitores graduados abaixo começam exatamente com frases como as deste capítulo: sujeito, objeto e verbo, repetidos até virarem naturais. Leia em voz alta. A lista do DCC serve para consultar as palavras mais frequentes.
Etapa II · Primae FabulaeDificuldade 1 · ElementarDidáticoCom notas
Ora Maritima: a Latin story for beginners
E. A. Sonnenschein
Uma história contínua para iniciantes absolutos (1902): as férias de um menino na costa de Kent, com gramática e exercícios em inglês. Começa com a primeira declinação e avança devagar; muito usado com o Familia Romana. Fac-símile em PDF no Internet Archive.
Leitor graduado · Moderno (material didático) · algumas semanas · Internet Archive
Etapa I · Prima VerbaDificuldade 1 · ElementarDidáticoComercial
Lingua Latina per se Illustrata, Pars I: Familia Romana
Hans H. Ørberg
O método de latim mais recomendado hoje: 35 capítulos inteiramente em latim, com ilustrações e notas marginais que explicam cada palavra nova pelo contexto, sem tradução. Narra a vida de uma família romana. Livro comercial da Hackett Publishing; aqui, apenas a referência oficial.
Método · Moderno (material didático) · alguns meses · Hackett Publishing
Etapa I · Prima VerbaDificuldade 1 · ElementarDidáticoCom notas
Lingua Latina: Primus Annus
W. L. Paine e C. L. Mainwaring
Curso de primeiro ano pelo método direto (Oxford, 1912): lições em latim, com macrons, exercícios e vocabulário, e apenas o prefácio em inglês. Aprende-se latim em latim, como no Ørberg, um século antes.
Método · Moderno (material didático) · alguns meses · Project Gutenberg
Etapa II · Primae FabulaeDificuldade 1 · ElementarDidático
Puer Romanus
R. B. Appleton e W. H. S. Jones
Um menino romano conta sua vida em capítulos curtos (a escola, o jantar, uma viagem, Roma, o teatro), em latim simples e totalmente macronizado, pelo método direto (1913). Um dos leitores iniciais mais agradáveis. Só link: o coautor morreu em 1963, e a obra ainda está protegida no Brasil.
Lista das cerca de mil palavras mais frequentes do latim (cobrem cerca de 70% de qualquer texto), com definições, classe gramatical e grupo semântico; a página remete a uma versão em português. Os comentários do DCC só glosam as palavras fora desta lista.
Bibliotheca Latina. Conteúdo original com trechos de obras em domínio público; licença CC BY 4.0.
Fontes consultadas
Allen and Greenough's New Latin Grammar, J. H. Allen e J. B. Greenough (no catálogo) · domínio público · § 21 (o latim como língua flexional), § 286 (concordância do adjetivo), § 316 (concordância do verbo), § 339 (sujeito no nominativo), § 387 (objeto direto no acusativo), §§ 595–599 (ordem das palavras; o § 597 comenta a ênfase na primeira frase de César), § 600 (relações expressas pela flexão)
New Latin Grammar, Charles E. Bennett (no catálogo) · domínio público · § 20.1 (o latim não tem artigo), § 166 (sujeito no nominativo), § 172 (objeto direto no acusativo), § 234 (concordância do adjetivo), § 254 (concordância do verbo), §§ 348–350 (ordem das palavras e ênfase), §§ 67.a e 69 (acusativo plural em -īs de fortis)
Gramática Latina, Pe. João Ravizza (no catálogo) · domínio público · n. 14 (a proposição: sujeito, predicado e complementos), em português
Commentarii de Bello Gallico, 1.1, Gaius Iulius Caesar (no catálogo) · domínio público · frase citada como exemplo autêntico (texto conferido na ed. T. Rice Holmes, Oxford, 1914, via Perseus: partes tres; A&G § 597 cita a frase numa edição que escreve partīs trīs)
Vulgata, Evangelho segundo João 1,1 (no catálogo) · domínio público · frase citada como exemplo autêntico (texto conferido na Vulgata Clementina, Wikisource latina)
Phormio, verso 203, Publius Terentius Afer (Terêncio) · domínio público · frase autêntica analisada na seção 6 (não está no catálogo). Texto da The Latin Library (fortis fortuna adiuvat); a ed. de E. St. J. Parry (Londres, 1857), no Perseus, traz fortes, variante de grafia do acusativo plural