Os seis casos do latim, um a um: o que cada um faz na frase, como se diz a mesma coisa em português, como reconhecê-los numa palavra da primeira declinação e como usá-los para ler uma frase autêntica.
Neste capítulo você vai
Nomear os seis casos latinos e a função principal de cada um.
Associar cada caso à pergunta que ele responde e à construção correspondente em português.
Reconhecer os casos nas terminações de um nome da primeira declinação (rosa, -ae), inclusive as formas que coincidem.
Analisar uma frase simples e uma frase autêntica caso a caso, lendo na ordem latina.
os seis casosnominativogenitivodativoacusativovocativoablativo1ª declinaçãolocativo (menção)análise de frase autêntica
Antes deste capítulo: Capítulos 1 e 2: saber ler em voz alta e reconhecer sujeito e objeto pelas terminações. · capítulo 1 · capítulo 2
No capítulo anterior você viu que Mārcus e Mārcum são a mesma palavra com crachás diferentes: sujeito e objeto. Cada um desses crachás é um caso. A palavra vem do latim cāsus, "queda": os gramáticos antigos imaginavam o nome "caindo" da sua forma básica para as outras formas. Caso, portanto, é a forma que o nome assume para mostrar sua função na frase.
O latim clássico tem seis casos. O conjunto das formas de uma palavra, no singular e no plural, chama-se declinação, e "declinar" uma palavra é recitar essas formas em ordem. Os nomes latinos distribuem-se em cinco famílias, as cinco declinações, cada uma com seu jogo de terminações; neste capítulo usamos a primeira, a das palavras em -a como rosa, puella, terra.
Os seis casos e suas funções principais
Caso
Função principal
Responde a
Em português
Nominativo
sujeito; predicativo do sujeito
quem? o quê? (faz, é)
o sujeito da frase
Genitivo
posse, pertencimento, parte de um todo
de quem? de quê?
complemento com "de"
Dativo
destinatário da ação (objeto indireto)
a quem? para quem?
complemento com "a", "para"
Acusativo
objeto direto; com preposição, direção
quem? o quê? (recebe); para onde?
objeto direto; "para", "a" com movimento
Vocativo
chamamento, invocação
(a pessoa a quem se fala)
o vocativo: "Júlia, vem!"
Ablativo
meio, companhia, lugar, origem, tempo
com quê? com quem? onde? de onde? quando?
"com", "em", "por", "de"
A ordem em que os casos aparecem nas tabelas varia conforme a tradição. Este livro usa nominativo, genitivo, dativo, acusativo, vocativo e ablativo, que é a ordem da gramática de Bennett (§ 17) e da Gramática Latina do Pe. Ravizza, usada por gerações de estudantes brasileiros. A tradição escolar britânica, fixada pela gramática de Kennedy, recita nominativo, vocativo, acusativo, genitivo, dativo e ablativo; e os métodos que ensinam latim em latim, como o de Ørberg, apresentam os casos aos poucos, a começar pelo nominativo e pelo acusativo. As formas são as mesmas; só muda a ordem da recitação.
Você já usa casos em português. Os pronomes ainda os conservam: eu (sujeito), me (objeto), mim (depois de preposição), lhe (objeto indireto): "eu vi", "ele me viu", "para mim", "dei-lhe um livro". Em latim, todos os nomes funcionam assim, não só os pronomes.
É a forma "de dicionário" do nome e o caso do sujeito. Também é o caso do predicativo com o verbo esse (ser, estar): o que se diz do sujeito fica no mesmo caso que ele.
Puella cantat.
A menina canta.
Rosa pulchra est.
A rosa é bela. (pulchra, predicativo, também está no nominativo)
Genitivo: de quem, de quê
Liga um nome a outro nome, quase sempre traduzido por "de": posse (a casa da senhora), parentesco (a filha do agricultor), parte de um todo (uma parte da Gália). O genitivo depende de um substantivo, não do verbo, e costuma ficar perto dele.
vīlla dominae
a casa da senhora
fīlia agricolae
a filha do agricultor
Rosa puellae pulchra est.
A rosa da menina é bela.
Dativo: a quem, para quem
Marca a pessoa a quem algo é dado, dito ou mostrado: o objeto indireto do português, mas sem preposição. Verbos como "dar", "mostrar", "contar", "escrever (a alguém)" pedem dativo.
Puella rosam amīcae dat.
A menina dá uma rosa à amiga.
Magistra fābulam puellīs nārrat.
A professora conta uma história às meninas.
Acusativo: o quê, e para onde
Marca o objeto direto, aquilo que recebe diretamente a ação. Com certas preposições (ad, "para, até"; in, "para dentro de") indica o lugar para onde se vai.
Puella rosam amat.
A menina ama a rosa.
Nautae stellās spectant.
Os marinheiros contemplam as estrelas.
Puella ad vīllam ambulat.
A menina caminha até a casa.
Vocativo: a pessoa chamada
É o caso de quem é chamado ou invocado. Em quase todas as palavras é igual ao nominativo; a exceção importante são os nomes masculinos em -us da segunda declinação, que fazem o vocativo em -e (Mārcus → Mārce), e os nomes próprios em -ius, que o fazem em -ī (Iūlius → Iūlī). Você os verá no capítulo 5.
Salvē, Iūlia!
Olá, Júlia!
Puellae, cantāte!
Meninas, cantai! (cantem!)
Ablativo: com quê, onde, de onde, quando
É o caso mais variado: reúne funções que o português distribui entre várias preposições. Sozinho, indica muitas vezes o meio ou instrumento ("com água"); com cum, a companhia; com in, o lugar onde; com ā/ab e ē/ex, a origem ("de, desde"). As preposições que o acompanham são a melhor pista para reconhecê-lo.
Puella cum amīcā ambulat.
A menina passeia com a amiga.
Rosa in mēnsā est.
A rosa está na mesa.
Nautae ex Ītaliā nāvigant.
Os marinheiros navegam (saindo) da Itália.
Agricola aquā terram rigat.
O agricultor rega a terra com água. (meio, sem preposição)
Agora as terminações, todas juntas. A primeira declinação reúne os nomes cujo genitivo singular termina em -ae; quase todos são femininos. As exceções são nomes de homens e de ofícios masculinos, como nauta (marinheiro), agricola (agricultor) e poēta (poeta), que se declinam igualmente.
Primeira declinação: rosa, rosae (f.), "rosa"
Caso
Singular
Plural
Nominativo
rosa
rosae
Genitivo
rosae
rosārum
Dativo
rosae
rosīs
Acusativo
rosam
rosās
Vocativo
rosa
rosae
Ablativo
rosā
rosīs
Repare nas formas que coincidem, porque é nelas que o leitor iniciante tropeça:
Formas iguais na primeira declinação
Terminação
Pode ser
Como decidir
-ae
genitivo sing. · dativo sing. · nominativo/vocativo pl.
o número do verbo (sujeito plural?), um nome vizinho de que dependa ("de"), um verbo de dar/dizer ("a")
-a / -ā
nominativo/vocativo sing. · ablativo sing.
nos textos com macron, a vogal longa; sem macron, uma preposição (cum, in, ex) ou a função que falta na frase
-īs
dativo pl. · ablativo pl.
uma preposição pede ablativo; um verbo de dar ou dizer pede dativo
Recite a declinação em voz alta, nos dois números: rosa, rosae, rosae, rosam, rosa, rosā; rosae, rosārum, rosīs, rosās, rosae, rosīs. Depois faça o mesmo com puella, terra, aqua, stella. Todas se comportam igual.
Veja como os casos distribuem os papéis numa frase um pouco mais longa, lida na ordem em que um romano a ouviria:
Lendo em ordem: Puella rosam amīcae in hortō dat = A menina dá uma rosa à amiga no jardim.
Puella: nominativo, o sujeito; alguém vai fazer algo. Rosam: acusativo, eis o que é feito com uma rosa. Amīcae: pode ser genitivo ("a rosa da amiga") ou dativo ("à amiga"); a dúvida fica em suspenso. In hortō: in + ablativo, o lugar onde (hortus, jardim, é da segunda declinação, com ablativo em -ō). Dat: "dá", um verbo que pede exatamente um objeto e um destinatário; agora amīcae se resolve como dativo.
A ambiguidade de amīcae é normal e não atrapalha, porque a frase se resolve quando o verbo chega. Ler em ordem é também saber esperar.
Com seis casos e uma declinação você já consegue analisar uma das frases mais conhecidas do latim, a primeira da Bíblia na tradução de São Jerônimo:
In prīncipiō creāvit Deus caelum et terram.
No princípio, Deus criou o céu e a terra. (Gn 1,1, Vulgata)
Três palavras pertencem à segunda declinação, que você ainda não estudou; basta saber, por ora, que -us é nominativo e -um e -ō podem ser, respectivamente, acusativo e ablativo. O verbo creāvit está no perfeito ("criou"), tempo que você verá no capítulo 13; a terminação -t já diz que o sujeito é singular.
Gn 1,1, palavra a palavra
Palavra
Dicionário
Análise
Função
In
in (preposição)
pede acusativo ou ablativo
introduz a circunstância
prīncipiō
prīncipium, -ī (n.), princípio
ablativo singular, 2ª declinação
in + ablativo: "no princípio" (tempo)
creāvit
creō, creāre, criar
perfeito, 3ª pessoa do singular
verbo da oração: "criou"
Deus
deus, -ī (m.), deus
nominativo singular, 2ª declinação
sujeito
caelum
caelum, -ī (n.), céu
acusativo singular, 2ª declinação (neutro)
objeto direto
et
et (conjunção)
invariável
liga os dois objetos
terram
terra, -ae (f.), terra
acusativo singular, 1ª declinação
objeto direto
Um ponto exige atenção: caelum é neutro, e nos neutros o nominativo e o acusativo são sempre iguais. Como saber que ele é objeto, e não sujeito? Por duas pistas: o sujeito já existe (Deus, nominativo inequívoco, concordando com o verbo singular), e caelum está ligado por et a terram, um acusativo claro. Palavras coordenadas por et costumam estar no mesmo caso. Esse raciocínio por exclusão, "esta função já está ocupada, então a palavra ambígua tem a outra", é a ferramenta mais útil do leitor de latim.
Formas iguais (-ae, -a/-ā, -īs) decidem-se pelo verbo, pelas preposições e por exclusão.
Ler em ordem: registrar o caso de cada palavra, criar expectativas e deixar a frase se resolver no verbo.
O próximo capítulo completa a primeira declinação (gênero, formas especiais, preposições com acusativo e com ablativo) e traz o primeiro texto corrido. Não tente decorar tudo de uma vez: os casos se aprendem vendo-os, centenas de vezes, nas frases dos leitores graduados.
Erro: Achar que toda palavra terminada em -a é o sujeito.
Por quê, e como evitar: Em -a terminam também o ablativo singular (rosā, com vogal longa) e, como você verá, o nominativo e o acusativo plural dos neutros (bella). Antes de decidir, procure uma preposição e confira o número do verbo.
Erro: Traduzir toda forma em -ae por "da".
Por quê, e como evitar: Só o genitivo se traduz por "de". Puellae cantant são "as meninas cantam" (nominativo plural: o verbo está em -nt); Mārcus puellae rosam dat é "Marco dá uma rosa à menina" (dativo).
Erro: Escolher o caso latino pela preposição do português.
Por quê, e como evitar: O "de" português corresponde a casos diferentes: posse é genitivo (vīlla dominae, "a casa da senhora"), origem é ablativo com preposição (ex Ītaliā, "da Itália"). Pergunte qual é a função, não qual preposição o português usaria.
Erro: Esquecer que in muda de sentido com o caso.
Por quê, e como evitar:In vīllam é "para dentro da casa" (acusativo, movimento); in vīllā é "dentro da casa" (ablativo, lugar). A terminação decide, não a preposição.
Erro: Reordenar a frase antes de identificar os casos.
Por quê, e como evitar: Quem reordena primeiro costuma pôr a primeira palavra como sujeito. Em Rosās puella amat, o sujeito é puella, e não rosās. Identifique o caso de cada palavra na ordem latina; só depois monte a frase em português.
Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.
Prática guiada 1 · Uma frase com cinco funções
Leia em voz alta e analise, na ordem latina: Fīlia rēgīnae nautīs aquam in īnsulā dat. Vocabulário: fīlia, filha; rēgīna, rainha; nauta, marinheiro; aqua, água; īnsula, ilha; dat, dá.
Qual é o verbo, e o que ele permite esperar?Ver o passo
Dat, "dá", 3ª pessoa do singular. Espera-se um sujeito no nominativo singular, uma coisa dada (acusativo) e alguém que recebe (dativo).
Que caso é fīlia, e por quê?Ver o passo
Nominativo singular. A forma em -a poderia ser ablativo (fīliā), mas não há preposição, ela abre a frase e o verbo singular precisa de um sujeito: é "a filha".
E rēgīnae: genitivo, dativo ou nominativo plural?Ver o passo
Não pode ser sujeito plural, porque o verbo está no singular e o sujeito já é fīlia. Entre genitivo e dativo, a posição ao lado de fīlia sugere o genitivo: "a filha da rainha". O dativo ficará com outra palavra.
Que caso é nautīs?Ver o passo
Dativo ou ablativo plural (-īs). Não há preposição, e o verbo "dar" pede um destinatário: dativo, "aos marinheiros".
E aquam e in īnsulā?Ver o passo
Aquam: acusativo singular, o objeto, "água". In īnsulā: in + ablativo, lugar onde, "na ilha".
Monte a tradução.Ver o passo
"A filha da rainha dá água aos marinheiros na ilha."
Prática guiada 2 · O mesmo -ae, três funções
Compare as três frases e diga o caso de cada forma em -ae. Vocabulário: amīca, amiga; pulchra, bela (concorda com o nome); sunt, são; cantant, cantam.
Puella rosās amīcae dat.Ver o passo
Amīcae é dativo: o verbo "dar" pede destinatário, e o sujeito singular puella já está dado. "A menina dá rosas à amiga."
Rosae amīcae pulchrae sunt.Ver o passo
Rosae é nominativo plural (o verbo sunt é plural); pulchrae concorda com ele como predicativo. Amīcae, ao lado de rosae e sem verbo de dar, é genitivo: "As rosas da amiga são belas." (Com o verbo esse, um dativo pode indicar posse, "a amiga tem rosas belas"; esse uso aparece no capítulo 20. Aqui, ao lado de rosae, a leitura natural é o genitivo.)
Amīcae cantant.Ver o passo
Amīcae é nominativo plural: é a única palavra que pode ser sujeito, e o verbo está em -nt. "As amigas cantam."
Conclusão: a terminação -ae sozinha não decide o caso. Quem decide é o resto da frase: o número do verbo, o tipo de verbo e as funções já ocupadas.
Faça por escrito ou em voz alta; abra "Ver resposta" só depois de tentar. A explicação da resposta faz parte da lição.
Exercício 1 · Que caso é este?
Diga o caso (e o número) da palavra destacada e sua função na frase. Vocabulário: portat = carrega; spectant = contemplam; est = está, é; nārrat = conta; fābula = história; lupa = loba; silva = floresta.
Fīlia agricolae aquam portat.Ver resposta
Acusativo singular: objeto direto de portat. A filha do agricultor carrega água.
Fīlia agricolae aquam portat.Ver resposta
Genitivo singular: "do agricultor", ligado a fīlia. Não é nominativo plural, porque o verbo está no singular; e "carregar água a alguém" não é o sentido natural de portat, por isso não é dativo.
Nautae stellās spectant.Ver resposta
Acusativo plural: objeto direto. Os marinheiros contemplam as estrelas.
Nautae stellās spectant.Ver resposta
Nominativo plural: sujeito, confirmado pelo verbo em -nt. Lembre que nauta é masculino.
Lupa in silvā est.Ver resposta
Ablativo singular, com in: lugar onde. A loba está na floresta.
Magistra puellīs fābulam nārrat.Ver resposta
Dativo plural: destinatário de nārrat. A professora conta uma história às meninas. A forma -īs também é ablativo, mas não há preposição e "contar" pede "a quem".
Salvē, magistra!Ver resposta
Vocativo singular: a pessoa a quem se fala. Olá, professora!
Exercício 2 · Escolha a forma
Complete com a forma correta da palavra entre parênteses. Todas são da primeira declinação. Vocabulário: videt = vê; magna = grande; ambulat = passeia, caminha; lūcent = brilham; nāvigant = navegam.
A menina vê a lua. → Puella ___ videt. (lūna)Ver resposta
lūnam: objeto direto, acusativo singular.
A casa da rainha é grande. → Vīlla ___ magna est. (rēgīna)Ver resposta
rēgīnae: genitivo singular, "da rainha".
Marco dá rosas à menina. → Mārcus rosās ___ dat. (puella)Ver resposta
puellae: dativo singular, "à menina".
A menina passeia com a amiga. → Puella cum ___ ambulat. (amīca)Ver resposta
amīcā: ablativo singular, depois de cum.
As estrelas brilham. → ___ lūcent. (stella)Ver resposta
Stellae: nominativo plural, sujeito de um verbo no plural.
Os marinheiros navegam para a Itália. → Nautae in ___ nāvigant. (Ītalia)Ver resposta
Ītaliam: acusativo com in, porque há movimento ("para dentro da Itália"). Com ablativo (in Ītaliā) seria "navegam na Itália", sem movimento de chegada.
Exercício 3 · Decline
Decline no singular e no plural, em voz alta e depois por escrito.
Singular: nauta, nautae, nautae, nautam, nauta, nautā. Plural: nautae, nautārum, nautīs, nautās, nautae, nautīs. As terminações são as mesmas de rosa; só o gênero é masculino, o que importa para os adjetivos (nauta bonus, capítulo 5).
Exercício 4 · Traduza lendo em ordem
Anote o caso de cada palavra antes de traduzir. Vocabulário: epistula = carta; scrībit = escreve; pecūnia = dinheiro; nōn = não; habent = têm; Rōma = Roma; habitat = mora; poēta = poeta.
Fīlia (nom., sujeito), rēgīnae (gen., "da rainha"), epistulam (ac., objeto), amīcae (dat., "à amiga", confirmado por scrībit, "escreve a alguém"): A filha da rainha escreve uma carta à amiga.
Nautae pecūniam nōn habent.Ver resposta
Nautae (nom. pl.), pecūniam (ac.), nōn habent: Os marinheiros não têm dinheiro.
Poēta Rōmae cum puellīs habitat.Ver resposta
Poēta (nom. sing., masculino), Rōmae (com nomes de cidade, esta forma indica o lugar onde: "em Roma"; é um resto de um sétimo caso, o locativo, igual ao genitivo na primeira declinação), cum puellīs (abl. pl., companhia), habitat: O poeta mora em Roma com as meninas.
Exercício 5 · Análise completa
Para cada frase, faça a tabela da seção 5 (palavra, caso e número, função) e traduza. Vocabulário: fābula = história; nārrant = contam; dēlectat = agrada, encanta.
Poētae fābulās puellīs nārrant.Ver resposta
Poētae: nominativo plural, sujeito (verbo em -nt). Fābulās: acusativo plural, objeto. Puellīs: dativo plural, destinatário de nārrant. Os poetas contam histórias às meninas.
Fābula poētae puellās dēlectat.Ver resposta
Fābula: nominativo singular, sujeito (verbo em -t). Poētae: genitivo singular, "do poeta", ligado a fābula; não pode ser sujeito plural, porque o verbo é singular. Puellās: acusativo plural, objeto. A história do poeta encanta as meninas.
Leituras recomendadas
As gramáticas servem para consultar a tabela quando você se perder (em Bennett, os casos estão nos §§ 17–19 e a primeira declinação no § 20). Ora Maritima pratica exatamente este capítulo em texto corrido, e o Gênesis na Vulgata é um bom primeiro texto autêntico para reconhecer casos.
Etapa I · Prima VerbaDidáticoCom notas
Gramática Latina
Pe. João Ravizza
Gramática latina completa em português, usada por gerações nas escolas brasileiras, com um compêndio de história da literatura latina. Nona edição (1940), em domínio público (autor falecido em 1941). Fac-símile em PDF no Internet Archive.
Gramática · Moderno (material didático) · consulta · Internet Archive
A gramática escolar inglesa por excelência: paradigmas, regras curtas e os famosos versinhos mnemônicos de gênero. Compacta e prática. Fac-símile em PDF (edição de 1906) no Internet Archive.
Gramática · Moderno (material didático) · consulta · Internet Archive
Gramática de referência compacta (1918), em inglês, com macrons: sons, flexões, sintaxe, prosódia. Mais curta e mais fácil de consultar que Allen & Greenough; cabe num leitor de EPUB.
Etapa I · Prima VerbaDificuldade 1 · ElementarDidáticoCom notas
Latine loqui: curso básico de latim, volume I
Leni Ribeiro Leite
Curso básico de latim em português, da Universidade Federal do Espírito Santo (EDUFES, 2021), em PDF de acesso aberto. O primeiro volume cobre os fundamentos da língua com textos, exercícios e explicações em português. O único método universitário brasileiro gratuito e legal que localizamos; licença CC BY-NC-ND, por isso só link.
Método · Moderno (material didático) · alguns meses · Repositório UFES (EDUFES)
Etapa II · Primae FabulaeDificuldade 1 · ElementarDidáticoCom notas
Ora Maritima: a Latin story for beginners
E. A. Sonnenschein
Uma história contínua para iniciantes absolutos (1902): as férias de um menino na costa de Kent, com gramática e exercícios em inglês. Começa com a primeira declinação e avança devagar; muito usado com o Familia Romana. Fac-símile em PDF no Internet Archive.
Leitor graduado · Moderno (material didático) · algumas semanas · Internet Archive
Etapa VI · Latinitas ChristianaDificuldade 2 · BásicoOriginal Áudio
Biblia Sacra Vulgata (editio Clementina)
Hieronymus Stridonensis (Vulgata)
A Vulgata Clementina completa, do Gênesis ao Apocalipse, livro a livro. Comece por Marcos, Gênesis ou os Salmos: frases curtas, vocabulário repetitivo e um texto que você já conhece em português. A leitura cristã fundamental e, para muitos, a primeira obra longa lida em latim. No LibriVox há, por ora, só o Salmo 22 gravado.
Escritura (Vulgata) · Tardio e patrístico · anos, um capítulo por dia · Vicifons (Latin Wikisource)
Gramática Latina, Pe. João Ravizza (no catálogo) · domínio público · nn. 16–18 (os casos, as declinações e a 1ª declinação, rosa), em português, na mesma ordem deste livro