As palavras que apontam: hīc, iste e ille, que correspondem a "este", "esse" e "aquele"; is, ea, id, o demonstrativo fraco que serve de pronome de terceira pessoa; o intensivo ipse ("ele mesmo") e īdem ("o mesmo"). A declinação pronominal, com genitivo em -īus e dativo em -ī, o par hīc … ille ("este … aquele" = "o último … o primeiro") e uma frase de Cícero contra Catilina.
Neste capítulo você vai
Declinar hīc, haec, hōc; ille, illa, illud (e iste); is, ea, id; ipse e īdem, reconhecendo o genitivo em -īus e o dativo em -ī da declinação pronominal.
Escolher entre hīc, iste e ille pela distância em relação a quem fala e a quem ouve, comparando com "este", "esse" e "aquele".
Usar os demonstrativos como adjetivos (concordando com o nome) e como pronomes (gênero e número do referente, caso da própria função).
Distinguir ipse ("ele mesmo, em pessoa") de īdem ("o mesmo") e de sē (reflexivo).
Interpretar o par hīc … ille como "este … aquele" = "o último … o primeiro" e analisar uma frase autêntica de Cícero.
pronomes demonstrativoshīc, haec, hōciste, ista, istudille, illa, illudis, ea, idipseīdemdeclinação pronominalgenitivo em -īus e dativo em -īadjetivos pronominais (ūnus, sōlus, tōtus, nūllus, alius, alter)dêixis: este, esse, aquelehīc … ille (o último … o primeiro)eius e suusanálise de frase autêntica
Antes deste capítulo: Capítulo 14: os pronomes pessoais, possessivos e reflexivos (ego, tū, sē, suus), com o primeiro uso de is, ea, id como pronome de terceira pessoa. Também as declinações dos capítulos 4, 5 e 9, porque os demonstrativos tomam delas a maior parte das terminações. · capítulo 14 · capítulo 5 · capítulo 9
Toda língua precisa de palavras que apontam: "este livro", "aquela casa", "isso que você disse". Elas não descrevem a coisa (não dizem se o livro é grande ou velho); dizem onde ela está em relação a quem fala, ou a que parte do discurso ela pertence. São os demonstrativos, e o fenômeno que eles expressam chama-se dêixis, do grego "mostrar". O português tem um sistema de três graus que o latim conhece muito bem, porque é de onde ele vem: "este" (perto de mim), "esse" (perto de você), "aquele" (longe de nós dois). O latim clássico tem os mesmos três graus, e as gramáticas os chamam, por isso, de demonstrativos da primeira, da segunda e da terceira pessoa (Bennett § 87; Allen e Greenough § 297):
Os três graus da dêixis
Latim
Pessoa
Onde está a coisa
Português
hīc, haec, hōc
1ª
perto de quem fala; aquilo de que se acaba de falar
este, esta, isto
iste, ista, istud
2ª
perto de quem ouve; o que é "seu", do interlocutor
esse, essa, isso
ille, illa, illud
3ª
longe dos dois; distante no tempo; famoso
aquele, aquela, aquilo
is, ea, id
—
não aponta lugar: só retoma algo já mencionado
ele, ela; esse, aquele (fraco); o (que)
Hīc liber meus est.
Este livro (aqui comigo) é meu.
Iste liber tuus est.
Esse livro (aí com você) é seu.
Ille liber magistrī est.
Aquele livro (lá longe) é do mestre.
Puer librum habet; eum legit.
O menino tem um livro; lê-o. (eum só retoma librum, sem apontar lugar algum)
Repare que o falante de português do Brasil tem aqui uma pequena vantagem e uma pequena armadilha. A vantagem: o sistema de três graus é familiar. A armadilha: na fala cotidiana, "este" e "esse" se confundem, e quase sempre se diz "esse" para tudo. O latim não confunde: hīc é o que está do lado de quem fala, iste o que está do lado de quem ouve. Quando ler um diálogo, vale a pena perguntar a cada demonstrativo: perto de quem está essa coisa?
Todos os demonstrativos têm dois usos. Como adjetivos, acompanham um nome e concordam com ele em gênero, número e caso, como bonus: hīc liber, haec puella, hōc templum. Como pronomes, aparecem sozinhos e ocupam o lugar de um nome: tomam o gênero e o número da coisa ou pessoa a que se referem, e o caso da função que exercem na própria frase (Ravizza n. 70; Allen e Greenough § 296). Hīc labōrat, ille dormit: "este trabalha, aquele dorme". No neutro, o pronome designa uma ideia ou um conjunto de coisas: hōc, "isto"; illud, "aquilo"; haec (neutro plural), "estas coisas, isto tudo".
Hīc, haec, hōc: o demonstrativo da primeira pessoa ⚑
Hīc aponta para o que está perto de quem fala, no espaço ("este livro aqui"), no tempo ("este ano") ou no pensamento ("isto que acabo de dizer"). É a palavra que um orador usa para o lugar onde está falando, o momento presente e a pessoa que ele indica com o dedo. A declinação é irregular e precisa ser decorada, mas tem lógica: o tema é ho-, e várias formas conservam uma antiga partícula -ce ("aqui"), reduzida a -c: hi-c, hun-c, hae-c (Allen e Greenough § 146, nota 1).
hīc, haec, hōc, "este, esta, isto"
Caso
M. sing.
F. sing.
N. sing.
M. pl.
F. pl.
N. pl.
Nominativo
hīc
haec
hōc
hī
hae
haec
Genitivo
huius
huius
huius
hōrum
hārum
hōrum
Dativo
huic
huic
huic
hīs
hīs
hīs
Acusativo
hunc
hanc
hōc
hōs
hās
haec
Ablativo
hōc
hāc
hōc
hīs
hīs
hīs
Leia a tabela procurando o que você já sabe. O plural é quase todo da primeira e da segunda declinação: hī, hōrum, hīs, hōs lembram dominī, dominōrum, dominīs, dominōs, e hae, hārum, hās lembram rosae, rosārum, rosās. O singular é o que tem de ser decorado, sobretudo o genitivo huius e o dativo huic, iguais nos três gêneros. Os demonstrativos não têm vocativo.
Três formas pedem atenção especial. Haec tem dois valores: nominativo singular feminino ("esta") e nominativo ou acusativo plural neutro ("estas coisas"). Hīs é dativo ou ablativo plural dos três gêneros, como -īs nas duas primeiras declinações. E hōc serve a três casos: nominativo e acusativo neutro ("isto") e ablativo masculino ou neutro ("com este, por isto"); a frase decide. Sobre os macrons: este livro escreve hīc e hōc, como Bennett (§ 87), Allen e Greenough (§ 146) e o dicionário de Lewis e Short. Allen e Greenough observam, porém, que a vogal de hīc, hōc era originalmente breve e talvez nunca tenha deixado de sê-lo (§ 146, nota 1); por isso outros livros e dicionários imprimem hic e hoc. Não se preocupe com a divergência: na leitura, o que distingue as formas é a frase.
Pronome ou advérbio? Existe também o advérbiohīc, "aqui" (Bennett § 140), da mesma família e escrito exatamente igual. A regra prática é sintática: se hīc concorda com um nome masculino ou funciona como sujeito ("este homem"), é pronome; se responde à pergunta "onde?", é advérbio. Hīc puer hīc labōrat: "este menino trabalha aqui".
Hīc puer huic puellae rosam dat.
Este menino dá uma rosa a esta menina. (hīc: nom. sing. m.; huic: dat. sing. f., concordando com puellae)
Hōrum mīlitum pater hanc lēgem laudat.
O pai destes soldados elogia esta lei.
Haec verba hīs puerīs nārrō.
Conto estas palavras a estes meninos. (haec: ac. pl. neutro, com verba; não é feminino singular)
Hōc videō, sed hōc librō nōn labōrō.
Vejo isto, mas não trabalho com este livro. (o primeiro hōc é acusativo neutro, objeto de videō; o segundo é ablativo, concordando com librō)
Ille aponta para o que está longe de quem fala e de quem ouve: "aquele homem lá", "aquele tempo", e também "aquele" que todo mundo conhece. Iste aponta para o que está perto do interlocutor ou pertence a ele: "esse teu livro". Os dois se declinam do mesmo modo, e esse modo é o padrão da chamada declinação pronominal:
ille, illa, illud, "aquele, aquela, aquilo"
Caso
M. sing.
F. sing.
N. sing.
M. pl.
F. pl.
N. pl.
Nominativo
ille
illa
illud
illī
illae
illa
Genitivo
illīus
illīus
illīus
illōrum
illārum
illōrum
Dativo
illī
illī
illī
illīs
illīs
illīs
Acusativo
illum
illam
illud
illōs
illās
illa
Ablativo
illō
illā
illō
illīs
illīs
illīs
Compare com bonus, -a, -um: quase tudo é igual. As diferenças são só três, e elas são a marca da declinação pronominal: o genitivo singular em -īus (illīus, nos três gêneros, no lugar de bonī, bonae, bonī); o dativo singular em -ī (illī, nos três gêneros, no lugar de bonō, bonae, bonō); e o neutro singular em -ud (illud, no lugar de *illum). O nominativo masculino ille também é irregular. Iste, ista, istud segue exatamente o mesmo modelo: istīus, istī, istum, istō; istī, istae, ista e assim por diante.
A forma que mais engana é illī (e istī): pode ser dativo singular de qualquer gênero ("àquele, àquela") ou nominativo plural masculino ("aqueles"). Em illī puellae é dativo, porque concorda com puellae (dat. sing. f.); em illī puerī, sozinho, pode ser nominativo plural; o verbo decide. O genitivo illīus, por sua vez, não tem rival: é sempre genitivo singular.
Além de apontar para o que está longe, ille e iste adquirem um colorido afetivo que vale a pena perceber na leitura (Bennett § 246.3–4; Allen e Greenough § 297 b–c). Ille, geralmente depois do nome, significa "aquele famoso": Solōn ille, "o célebre Sólon". Iste, ao contrário, por apontar o lado do interlocutor, é a palavra do advogado contra o adversário, e muitas vezes soa depreciativa: "esse sujeito aí". Cícero abre o primeiro discurso contra Catilina perguntando por quanto tempo ainda furor iste tuus, "essa tua loucura", vai zombar de nós (Cat. 1.1); iste e tuus juntos apontam a loucura do lado do acusado, com desprezo.
Mīlitēs illum ducem laudant.
Os soldados elogiam aquele general.
Nōmen illīus poētae clārum est.
O nome daquele poeta é famoso.
Illī puellae librum dō; illī puerī nōn legunt.
Dou um livro àquela menina; aqueles meninos não leem. (o primeiro illī é dat. sing. f.; o segundo, nom. pl. m.)
Istud verbum nōn amō.
Não gosto dessa palavra (que você disse). (istud: ac. sing. neutro)
O mais frequente de todos os demonstrativos é também o mais fraco. Is, ea, id não indica lugar nenhum: limita-se a retomar algo já mencionado ou a anunciar algo que vai ser explicado em seguida (Allen e Greenough § 297 d). No capítulo 14 você o encontrou como pronome de terceira pessoa ("ele, ela"), porque o latim não tem um pronome pessoal próprio para "ele"; aqui está a declinação completa:
is, ea, id, "ele, ela; esse, aquele"
Caso
M. sing.
F. sing.
N. sing.
M. pl.
F. pl.
N. pl.
Nominativo
is
ea
id
eī (iī)
eae
ea
Genitivo
eius
eius
eius
eōrum
eārum
eōrum
Dativo
eī
eī
eī
eīs (iīs)
eīs (iīs)
eīs (iīs)
Acusativo
eum
eam
id
eōs
eās
ea
Ablativo
eō
eā
eō
eīs (iīs)
eīs (iīs)
eīs (iīs)
Fora do nominativo singular, o tema é e-, e as terminações são as de bonus, com o genitivo eius e o dativo eī da declinação pronominal. As formas entre parênteses (iī, iīs) são variantes que você encontrará em muitas edições (Bennett § 87). Note as ambiguidades: eī pode ser dativo singular ou nominativo plural masculino, como illī; ea pode ser nominativo singular feminino ou nominativo e acusativo plural neutro, como haec; e eā, com ā longo, é o ablativo feminino.
O valor de is depende do uso. Como pronome, é o "ele, ela" do português e, nos casos oblíquos, o "o, a, lhe": Puerum videō et eum vocō, "vejo o menino e o chamo". Como adjetivo, é um "esse, aquele" sem ênfase, que lembra que a coisa já foi mencionada: ea puella, "essa menina (de quem falamos)". E é com is que se anuncia uma oração relativa: is quī, "aquele que"; id quod, "aquilo que" (Bennett § 247). Esse último uso é a ponte para o capítulo 16.
O genitivo eius ("dele, dela") e o plural eōrum, eārum ("deles, delas") fazem o papel de possessivo da terceira pessoa quando o possuidor não é o sujeito da frase. Quando é o sujeito, usa-se o reflexivo suus, que você viu no capítulo 14 (Bennett § 86.1). A diferença, que o português apaga com o ambíguo "seu", é nítida em latim:
suus ou eius?
Latim
Tradução
De quem é o livro?
Mārcus amīcum videt et suum librum legit.
Marcos vê o amigo e lê o seu livro.
de Marcos, o sujeito (reflexivo)
Mārcus amīcum videt et librum eius legit.
Marcos vê o amigo e lê o livro dele.
do amigo (não é o sujeito)
Puerī magistrum amant; eius verba audiunt.
Os meninos amam o mestre; ouvem as palavras dele.
do mestre
Magister puerōs docet; eōrum patrēs labōrant.
O mestre ensina os meninos; os pais deles trabalham.
O português usa a palavra "mesmo" para duas ideias diferentes, e o latim tem uma palavra para cada uma. "O rei mesmo veio", "o próprio rei veio", "o rei em pessoa veio" é ipse: a palavra põe em destaque uma pessoa ou coisa, em oposição às outras. "O mesmo rei voltou", isto é, o rei de que falamos e não outro, é īdem: a palavra indica identidade. O Pe. Ravizza (n. 70) insiste para que não se confundam, e o exemplo dele resume bem: idem rēx, "o mesmo rei, o rei já mencionado e não outro".
ipse, ipsa, ipsum, "ele mesmo, o próprio"
Caso
M. sing.
F. sing.
N. sing.
M. pl.
F. pl.
N. pl.
Nominativo
ipse
ipsa
ipsum
ipsī
ipsae
ipsa
Genitivo
ipsīus
ipsīus
ipsīus
ipsōrum
ipsārum
ipsōrum
Dativo
ipsī
ipsī
ipsī
ipsīs
ipsīs
ipsīs
Acusativo
ipsum
ipsam
ipsum
ipsōs
ipsās
ipsa
Ablativo
ipsō
ipsā
ipsō
ipsīs
ipsīs
ipsīs
Ipse declina-se como ille, com uma única diferença: o neutro singular é ipsum, e não *ipsud. Pode acompanhar um nome (rēx ipse, "o próprio rei"; ipsō diē, "naquele mesmo dia, exatamente no dia"), um pronome de qualquer pessoa (ego ipse, "eu mesmo"; tū ipse, "você mesmo") ou ficar sozinho, como "ele em pessoa". Os discípulos de Pitágoras, conta a tradição, encerravam as discussões com Ipse dīxit, "ele (o mestre) disse" (Kennedy § 320; Allen e Greenough § 298 d).
O ponto delicado é a diferença entre ipse e o reflexivo sē. Em português, "ele mesmo" serve para as duas coisas: "ele mesmo veio" (ênfase) e "ele feriu a si mesmo" (reflexivo). Em latim, a ênfase é ipse e o reflexivo é sē (Allen e Greenough § 298 c, nota 2). E, quando os dois se juntam, ipse concorda normalmente com o sujeito, não com o reflexivo: Mē ipse cōnsōlor, "consolo a mim mesmo", diz Cícero (Laelius 10, citado por Allen e Greenough § 298 f), com ipse no nominativo, e não *mē ipsum (Bennett § 249.2).
īdem, eadem, idem, "o mesmo, a mesma"
Caso
M. sing.
F. sing.
N. sing.
M. pl.
F. pl.
N. pl.
Nominativo
īdem
eadem
idem
eīdem (īdem)
eaedem
eadem
Genitivo
eiusdem
eiusdem
eiusdem
eōrundem
eārundem
eōrundem
Dativo
eīdem
eīdem
eīdem
eīsdem (īsdem)
eīsdem
eīsdem
Acusativo
eundem
eandem
idem
eōsdem
eāsdem
eadem
Ablativo
eōdem
eādem
eōdem
eīsdem
eīsdem
eīsdem
Īdem é simplesmente is com a partícula invariável -dem: declina-se a primeira parte como is e acrescenta-se -dem (Allen e Greenough § 146, nota 9). Só duas coisas mudam. No nominativo, is-dem virou īdem (masculino, com ī longo), e o neutro é idem (com i breve). E o m final de eum, eam, eōrum, eārum vira n diante do d: eundem, eandem, eōrundem, eārundem, como em português se escreve n antes de d. Quem sabe is sabe īdem.
Além de "o mesmo", īdem muitas vezes se traduz por um advérbio, "também, ao mesmo tempo", quando atribui uma segunda qualidade a quem já foi nomeado (Bennett § 248; Kennedy § 321). Kennedy (§ 321) cita de Cícero: ego vir fortis, īdemque philosophus, "eu, homem corajoso e também filósofo".
Rēx ipse mīlitibus dōna dat.
O próprio rei (o rei em pessoa) dá presentes aos soldados.
Īdem rēx mīlitibus dōna dat.
O mesmo rei (aquele de que falamos) dá presentes aos soldados.
Puer sē in aquā videt.
O menino se vê na água. (reflexivo: sē, não ipse)
Eadem verba semper audīmus.
Ouvimos sempre as mesmas palavras. (eadem: ac. pl. neutro com verba; semper, sempre)
Quando hīc e ille aparecem juntos referindo-se a duas coisas já mencionadas, hīc designa normalmente a última (a mais próxima no texto) e ille a primeira (a mais distante): é exatamente o "este … aquele" do português culto, que também se pode dizer "o último … o primeiro" (Bennett § 246.1; Kennedy § 319). Kennedy (§ 319) ilustra a regra com um verso de Ovídio, que, no mar, só vê pontus et āēr, "o mar e o céu", e o cita assim: nūbibus hīc tumidus, fluctibus ille mināx, "este (o céu) inchado de nuvens, aquele (o mar) ameaçador de ondas"; hīc retomaria āēr, a palavra mais próxima. Mas as edições de Ovídio (Tristia 1.2.24, na edição de A. L. Wheeler publicada pela Loeb e reproduzida no Perseus, e também no texto da The Latin Library) leem fluctibus hīc tumidus, nūbibus ille mināx: aí hīc retoma pontus, o primeiro nomeado. A regra, portanto, indica só o caso mais comum; Allen e Greenough (§ 297.a) registram que hīc pode, mais raramente, designar o primeiro, quando ele, embora mais distante no texto, está mais próximo de quem fala no tempo, no lugar ou no pensamento. Quando os referentes têm gêneros diferentes, o próprio gênero do pronome resolve a dúvida, e a regra da posição nem precisa ser aplicada.
Mārcus et Iūlius in hortō sunt: hīc legit, ille scrībit = Marcos e Júlio estão no jardim: este (Júlio) lê, aquele (Marcos) escreve.
Os dois nomes são masculinos, e por isso só a posição decide: hīc, "este", aponta para o mais próximo no texto, Iūlius; ille, "aquele", para o mais distante, Mārcus. Numa tradução, quando "este" e "aquele" soarem pesados, repita os nomes: "Júlio lê, Marcos escreve".
Agora uma frase autêntica. Em novembro de 63 a.C., Cícero, cônsul, denuncia no senado a conjuração de Catilina, que está sentado ali mesmo, entre os senadores. No § 2 do primeiro discurso, depois da célebre exclamação Ō tempora, ō mōrēs! ("Que tempos, que costumes!"), ele diz:
Senātus haec intellegit. Cōnsul videt; hīc tamen vīvit.
O senado entende estas coisas. O cônsul as vê; este homem, porém, vive. (Cícero, Cat. 1.2)
Cícero, In Catilinam I, 2, palavra a palavra
Palavra
Dicionário
Análise
Função
Senātus
senātus, -ūs (m.), senado
nominativo singular, 4ª declinação (capítulo 11)
sujeito de intellegit
haec
hīc, haec, hōc, este
acusativo plural neutro, usado como pronome
objeto: "estas coisas" (os planos da conjuração, que todos ali conhecem)
intellegit
intellegō, -ere, entender, perceber
3ª pessoa do singular do presente, 3ª conjugação
verbo da primeira oração
Cōnsul
cōnsul, cōnsulis (m.), cônsul
nominativo singular, 3ª declinação (tema cōnsul-)
sujeito de videt; o próprio Cícero, falando de si na terceira pessoa
videt
videō, -ēre, ver
3ª pessoa do singular do presente, 2ª conjugação
verbo; o objeto haec fica subentendido
hīc
hīc, haec, hōc, este
nominativo singular masculino, usado como pronome
sujeito de vīvit: "este homem", Catilina, presente na sala
tamen
tamen (advérbio), porém, contudo
invariável
opõe a terceira oração às duas primeiras
vīvit
vīvō, -ere, viver
3ª pessoa do singular do presente, 3ª conjugação
verbo da terceira oração
As duas formas de hīc mostram os dois usos de um demonstrativo sem nome ao lado. Haec, no neutro plural, designa um conjunto de coisas, "isto tudo", como o neutro faz sempre (Allen e Greenough § 297 f); não pode ser o feminino singular, porque senātus já é o sujeito e intellegit pede um objeto. Hīc, no masculino, designa uma pessoa, e aqui a dêixis é literal: Catilina está no mesmo recinto que o orador, ao alcance do seu gesto. Traduzir hīc por "ele" perderia o dedo apontado; "este homem" o conserva. O efeito da frase vem da gradação: o senado sabe, o cônsul vê, e este aqui, apesar de tudo, continua vivo.
O mesmo discurso usa os outros demonstrativos do capítulo poucas linhas depois e antes: furor iste tuus (§ 1), "essa tua loucura", com o iste da segunda pessoa e do desprezo; huius ōrdinis (§ 3), "desta ordem", isto é, do senado onde Cícero fala; in hāc rē pūblicā (§ 3), "nesta república". É um bom texto para voltar a ler quando você tiver estudado os tempos do passado e o subjuntivo.
Resumo
hīc = este (perto de quem fala); iste = esse (perto de quem ouve; muitas vezes depreciativo); ille = aquele (longe; "o famoso"); is = ele, esse (só retoma; sem dêixis).
Declinação pronominal: genitivo singular em -īus (illīus, ipsīus; huius, eius) e dativo em -ī (illī, ipsī, huic, eī) nos três gêneros; neutro em -ud ou -d (illud, istud, id). O mesmo genitivo e dativo têm ūnus, sōlus, tōtus, ūllus, nūllus, alius, alter, uter, neuter.
Como adjetivos, concordam com o nome; como pronomes, tomam o gênero e o número do referente e o caso da própria função. O neutro designa ideias: hōc, "isto"; haec, "estas coisas".
ipse = "ele mesmo, o próprio" (ênfase); īdem = "o mesmo" (identidade) = is + -dem; sē = reflexivo.
eius, eōrum = "dele, deles" (possuidor que não é o sujeito); suus = possuidor que é o sujeito.
hīc … ille = "este … aquele" = "o último … o primeiro".
No próximo capítulo, is encontra o seu parceiro natural, o pronome relativo quī, quae, quod, e você aprende a ler as orações que começam por ele.
Erro: Ler haec sempre como feminino singular: haec verba traduzido por *"esta palavras".
Por quê, e como evitar:Haec é também nominativo e acusativo plural neutro, e com verba (neutro plural) só pode ser isso: "estas palavras". Sozinho, no neutro, significa "estas coisas, isto tudo". O nome ao lado, ou a função que falta na frase, decide.
Erro: Tomar illī, istī, eī ou ipsī sempre por nominativos plurais, como dominī.
Por quê, e como evitar: Na declinação pronominal, -ī é também o dativo singular dos três gêneros. Em illī puellae librum dō, illī concorda com puellae, dativo feminino: "dou o livro àquela menina". Procure o nome com que o demonstrativo concorda e veja o número do verbo.
Erro: Traduzir todo hīc por "aqui", ou todo ille por "aquele".
Por quê, e como evitar:Hīc pronome ("este") e hīc advérbio ("aqui") se escrevem igual, com ou sem macrons: se concorda com um nome ou é sujeito, é pronome. E ille, conforme o contexto, é "ele", "o famoso" ou, junto de hīc, "o primeiro"; às vezes a melhor tradução é simplesmente repetir o nome.
Erro: Usar ipse como reflexivo: *Puer ipsum videt para "o menino se vê".
Por quê, e como evitar: O reflexivo é sē: puer sē videt. Ipse só dá ênfase ("o próprio menino", "em pessoa"). Para reforçar o reflexivo, junte os dois, com ipse concordando com o sujeito: puer sē ipse videt, "o menino vê a si mesmo".
Erro: Traduzir "mesmo" sempre pela mesma palavra: *īdem rēx venit para "o próprio rei vem".
Por quê, e como evitar: "O rei mesmo, o próprio rei, o rei em pessoa" = rēx ipse (ênfase). "O mesmo rei" (não outro) = īdem rēx (identidade). Teste: se der para trocar "mesmo" por "próprio" ou "em pessoa", é ipse; se der para dizer "o mesmo de antes", é īdem.
Erro: Igualar iste ao "este" do português e ipse ao "esse".
Por quê, e como evitar: As palavras portuguesas descendem delas ("este" de iste, "esse" de ipse, pela explicação tradicional da gramática histórica), mas o sentido mudou no caminho. Em latim clássico, "este" é hīc; iste é "esse (aí, seu)"; e ipse não é demonstrativo de lugar, é "o próprio".
Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.
Prática guiada 1 · Achar o nome de cada demonstrativo
Analise e traduza: Huius puerī pater illī mīlitī eundem librum dat. Vocabulário: todas as palavras já foram vistas; dat, dá.
Qual é o verbo, e o que ele faz esperar?Ver o passo
Dat, "dá", 3ª pessoa do singular: um sujeito singular, o que é dado (acusativo) e a quem se dá (dativo).
Com que nome concorda huius?Ver o passo
Huius é genitivo singular de hīc, em qualquer gênero. O nome vizinho em genitivo singular é puerī: "deste menino". (Puerī sozinho também poderia ser nominativo plural, mas o verbo é singular e huius confirma o genitivo.)
Quem é o sujeito?Ver o passo
Pater, nominativo singular: "o pai deste menino".
E illī mīlitī?Ver o passo
Mīlitī é dativo singular de mīles; illī concorda com ele (dativo singular masculino). Não é nominativo plural: o nome ao lado é singular. "Àquele soldado": é quem recebe.
Eundem librum?Ver o passo
Eundem é acusativo singular masculino de īdem (eum + -dem, com m → n), concordando com librum: "o mesmo livro". É o objeto.
Monte a tradução.Ver o passo
"O pai deste menino dá o mesmo livro àquele soldado."
Prática guiada 2 · Este e aquele
Traduza, decidindo a quem se refere cada pronome: Pater et fīlius in agrō sunt: hīc labōrat, ille spectat. Vocabulário: ager, agrī (m.), campo; labōrō, -āre, trabalhar; spectō, -āre, olhar.
Quantas pessoas foram mencionadas, e em que ordem?Ver o passo
Duas: primeiro pater, depois fīlius. As duas são masculinas, então o gênero de hīc e ille não ajuda.
A quem se refere hīc?Ver o passo
Ao último nomeado, o mais próximo no texto: fīlius. "Este" (o filho) trabalha.
E ille?Ver o passo
Ao primeiro nomeado, mais distante no texto: pater. "Aquele" (o pai) olha.
Monte a tradução e uma versão mais natural.Ver o passo
"O pai e o filho estão no campo: este trabalha, aquele olha." Mais natural: "o filho trabalha, o pai olha".
Conclusão: em hīc … ille, olhe primeiro o gênero; se não resolver, hīc é o último nomeado e ille o primeiro.
Faça por escrito ou em voz alta; abra "Ver resposta" só depois de tentar. A explicação da resposta faz parte da lição.
Exercício 1 · Reconheça as formas
Diga de que pronome vem cada forma e dê todas as possibilidades de caso, número e gênero.
huiusVer resposta
Genitivo singular de hīc, nos três gêneros: "deste, desta".
haecVer resposta
De hīc: nominativo singular feminino ("esta") ou nominativo/acusativo plural neutro ("estas coisas").
hōsVer resposta
Acusativo plural masculino de hīc: "estes".
illīusVer resposta
Genitivo singular de ille, nos três gêneros: "daquele, daquela".
illīVer resposta
De ille: dativo singular dos três gêneros ou nominativo plural masculino. Só a frase decide.
istudVer resposta
Nominativo ou acusativo singular neutro de iste: "isso".
eīVer resposta
De is: dativo singular dos três gêneros ("a ele, a ela, lhe") ou nominativo plural masculino ("eles").
eōrumVer resposta
Genitivo plural masculino ou neutro de is: "deles".
ipsāVer resposta
Ablativo singular feminino de ipse.
eandemVer resposta
Acusativo singular feminino de īdem: eam + -dem, com m → n.
eīsdemVer resposta
Dativo ou ablativo plural de īdem, nos três gêneros.
idem e īdemVer resposta
Idem (i breve): nominativo ou acusativo singular neutro. Īdem (ī longo): nominativo singular masculino (e variante do nominativo plural masculino). Sem macrons, só a concordância distingue.
Exercício 2 · Faça concordar
Escreva o demonstrativo indicado na forma que concorda com o nome, no caso pedido.
hīc + puella, nominativoVer resposta
haec puella: nominativo singular feminino.
ille + rēx, genitivoVer resposta
illīus rēgis: genitivo singular em -īus, embora o nome faça -is. A concordância é de gênero, número e caso, não de terminação.
is + corpus, acusativoVer resposta
id corpus: corpus é neutro, e no neutro o acusativo é igual ao nominativo.
ipse + māter, dativoVer resposta
ipsī mātrī: dativo singular, igual nos três gêneros.
īdem + verbum, ablativoVer resposta
eōdem verbō: ablativo singular neutro.
iste + mīlitēs, acusativoVer resposta
istōs mīlitēs: acusativo plural masculino.
hīc + tempus, ablativoVer resposta
hōc tempore: ablativo singular neutro ("neste tempo"), com ō longo.
ille + nōmina, nominativoVer resposta
illa nōmina: nominativo plural neutro. Não é feminino singular.
Exercício 3 · Este, esse ou aquele?
Verta para o latim, escolhendo o demonstrativo pela situação descrita entre parênteses. Vocabulário: antīquus, -a, -um, antigo; furor, furōris (m.), loucura.
Este livro é meu. (o livro está na mão de quem fala)Ver resposta
Hīc liber meus est. Perto de quem fala: hīc.
Esse livro é seu. (o livro está na mão de quem ouve)Ver resposta
Iste liber tuus est. Perto do interlocutor: iste.
Aquele templo é antigo. (o templo está longe dos dois)Ver resposta
Illud templum antīquum est. Longe: ille, no neutro, concordando com templum.
Essa sua loucura não me assusta. (dito com desprezo a um adversário; "assusta" = terret)Ver resposta
Furor iste tuus mē nōn terret.Iste com tuus: a loucura é do interlocutor, e o tom é de desprezo, como em Cícero, Cat. 1.1.
Os soldados amam aquele famoso general.Ver resposta
Mīlitēs ducem illum amant.Ille depois do nome tem o valor de "o famoso"; antes do nome (illum ducem) seria só "aquele general".
Exercício 4 · Traduza
Anote o caso e a função de cada demonstrativo antes de traduzir. Vocabulário: semper, sempre; soror, sorōris (f.), irmã.
Hīc puer illam puellam amat.Ver resposta
Este menino ama aquela menina. (hīc concorda com puer, nom.; illam com puellam, ac.)
Mīlitēs ducem vident et eum laudant.Ver resposta
Os soldados veem o general e o elogiam. (eum: ac. sing. m., retoma ducem)
Magister puerōs docet; eōrum patrēs labōrant.Ver resposta
O mestre ensina os meninos; os pais deles trabalham. (eōrum: possuidor que não é o sujeito da sua oração)
Rēx ipse mīlitibus dōna dat.Ver resposta
O próprio rei dá presentes aos soldados.
Eadem verba semper audīmus.Ver resposta
Ouvimos sempre as mesmas palavras. (eadem: ac. pl. neutro)
Frāter et soror in hortō sunt: haec legit, ille dormit.Ver resposta
O irmão e a irmã estão no jardim: ela lê, ele dorme. O gênero resolve: haec (f.) é a irmã, ille (m.) o irmão. Aqui coincide com a regra da posição: soror foi nomeada por último.
Huius templī nōmen clārum est.Ver resposta
O nome deste templo é famoso. (huius: gen. sing. com templī)
Exercício 5 · Ipse, īdem ou sē?
Verta para o latim. Vocabulário: epistula, -ae, carta; aqua, -ae, água; diēs, diēī (m.), dia (5ª declinação, capítulo 11).
O próprio pai lê a carta.Ver resposta
Pater ipse epistulam legit. Ênfase: ipse, concordando com pater.
O mesmo pai lê a carta.Ver resposta
Īdem pater epistulam legit. Identidade: īdem.
O menino se vê na água.Ver resposta
Puer sē in aquā videt. Reflexivo: sē.
O menino vê a si mesmo na água.Ver resposta
Puer sē ipse in aquā videt. O reflexivo é sē; ipse reforça e concorda com o sujeito (Bennett § 249.2).
Vemos os mesmos soldados.Ver resposta
Eōsdem mīlitēs vidēmus. Acusativo plural masculino de īdem.
no mesmo diaVer resposta
eōdem diē: ablativo singular masculino (diēs é masculino aqui).
Exercício 6 · Leitura
Leia em voz alta e responda. Texto escrito para este capítulo. Vocabulário: rīdet, ri; nam, pois; tum, então; sed, mas.
Mārcus et Iūlia in hortō sunt. Hīc librum legit, haec rosās spectat. Liber Mārcī nōn est: magister eum Mārcō dat. Iūlia eundem librum amat, sed Mārcus eum nōn dat. Tum Iūlia: "Iste liber meus est!" Mārcus rīdet; nam liber magistrī ipsīus est.
Quem lê, e quem olha as rosas? Como você sabe?Ver resposta
Marcos lê (hīc, masculino); Júlia olha as rosas (haec, feminino). O gênero resolve antes de qualquer regra de posição.
A que palavra se refere eum, nas duas vezes?Ver resposta
A librum: acusativo singular masculino de is, que retoma um nome masculino já mencionado.
Por que Júlia diz iste liber, e não hīc liber?Ver resposta
Porque o livro está com Marcos, o interlocutor: é "esse livro aí". Hīc indicaria um livro que ela mesma tem nas mãos.
De quem é o livro, afinal? Que palavra mostra isso?Ver resposta
Do próprio mestre: magistrī ipsīus, "do mestre em pessoa", genitivo de ipse concordando com magistrī.
Traduza o texto.Ver resposta
Marcos e Júlia estão no jardim. Ele lê um livro, ela olha as rosas. O livro não é de Marcos: o mestre o dá (empresta) a Marcos. Júlia ama o mesmo livro, mas Marcos não o dá. Então Júlia: "Esse livro é meu!" Marcos ri, pois o livro é do próprio mestre.
Leituras recomendadas
Familia Romana, de Ørberg, e Pro Patria, de Sonnenschein, usam os demonstrativos o tempo todo em narrativa simples: leia um capítulo procurando cada forma de hīc, ille e is e perguntando a quem ela se refere. Latin for Beginners, de D'Ooge, tem exercícios graduados sobre esses pronomes. Para ver Cícero apontando para Catilina, leia os §§ 1–3 do primeiro discurso na edição comentada de Henderson, contando só os demonstrativos; o resto do texto pede os capítulos sobre o passado e o subjuntivo. Para consulta, Ravizza (n. 70) e Bennett (§§ 87–88, 246–249).
Etapa I · Prima VerbaDificuldade 1 · ElementarDidáticoComercial
Lingua Latina per se Illustrata, Pars I: Familia Romana
Hans H. Ørberg
O método de latim mais recomendado hoje: 35 capítulos inteiramente em latim, com ilustrações e notas marginais que explicam cada palavra nova pelo contexto, sem tradução. Narra a vida de uma família romana. Livro comercial da Hackett Publishing; aqui, apenas a referência oficial.
Método · Moderno (material didático) · alguns meses · Hackett Publishing
Etapa I · Prima VerbaDificuldade 1 · ElementarDidático ÁudioCom notas
Latin for Beginners
Benjamin L. D'Ooge
Curso completo de primeiro ano (1911), em inglês: 79 lições curtas com explicação, frases para traduzir, pequenas narrativas e vocabulário, com macrons. Gratuito e de domínio público, é a melhor alternativa aberta ao método Ørberg para quem lê inglês. As três primeiras lições têm gravação no LibriVox (coleção de aprendizado de línguas, vol. 4).
Método · Moderno (material didático) · alguns meses · Project Gutenberg
Etapa II · Primae FabulaeDificuldade 2 · BásicoDidáticoCom notas
Pro Patria: a Latin story for beginners
E. A. Sonnenschein
Continuação de Ora Maritima (1910), para o segundo ano: a história continua com a invasão de César à Britânia, com gramática e exercícios. Fac-símile em PDF no Internet Archive.
Leitor graduado · Moderno (material didático) · algumas semanas · Internet Archive
Etapa V · Auctores RomaniDificuldade 4 · AvançadoOriginalCom notas
In Catilinam I, com notas e vocabulário
Marcus Tullius Cicero (ed. John Henderson)
A Primeira Catilinária em edição escolar com introdução, notas em inglês e vocabulário completo. A maneira mais apoiada de ler o discurso mais famoso de Cícero; depois, siga para as outras três no Perseus.
Oratória · Clássico · uma ou duas semanas · Project Gutenberg
Gramática latina completa em português, usada por gerações nas escolas brasileiras, com um compêndio de história da literatura latina. Nona edição (1940), em domínio público (autor falecido em 1941). Fac-símile em PDF no Internet Archive.
Gramática · Moderno (material didático) · consulta · Internet Archive
Gramática de referência compacta (1918), em inglês, com macrons: sons, flexões, sintaxe, prosódia. Mais curta e mais fácil de consultar que Allen & Greenough; cabe num leitor de EPUB.
Bibliotheca Latina. Conteúdo original com trechos de obras em domínio público; licença CC BY 4.0.
Fontes consultadas
New Latin Grammar, Charles E. Bennett (no catálogo) · domínio público · § 66 (adjetivos com genitivo em -īus e dativo em -ī: alius, alter, ūllus, nūllus, uter, neuter, sōlus, tōtus, ūnus; nota 15: alterīus no lugar de alīus), § 86.1 (suus reflexivo; eius, eōrum não reflexivos), § 87 (hīc, iste, ille, is, īdem: os demonstrativos de 1ª, 2ª e 3ª pessoa e os paradigmas), § 88 (ipse), § 140 (advérbio hīc, "aqui"), § 246 (hīc … ille = o último … o primeiro; ille "o famoso"; iste depreciativo; atração ao gênero do predicativo), § 247 (is como antecedente do relativo e como pronome de 3ª pessoa), § 248 (īdem = "também"), § 249 (ipse; concordância com o sujeito em sē ipse)
Allen and Greenough's New Latin Grammar, J. H. Allen e J. B. Greenough (no catálogo) · domínio público · § 113 (os nove adjetivos com genitivo em -īus e dativo em -ī; o -ī- breve em verso, alterius), § 146 e notas (paradigmas; hīc = ho- + -ce; vogal originalmente breve em hīc, hōc; īdem = is + -dem, m → n antes de d: eundem), §§ 296–298 (usos: pronome e adjetivo; hīc, ille, iste, is; neutros referidos a uma ideia; īdem e ipse; mē ipse cōnsōlor)
Kennedy's Revised Latin Primer, Benjamin Hall Kennedy (no catálogo) · domínio público · paradigmas de hīc, ille, iste, is (§ 94, pelo índice do OCR), īdem e ipse (§ 95, "definitive"), § 101 (adjetivos pronominais com -ius e -ī), §§ 318–321 (eius; hīc … ille em contraste, com o verso de Ovídio; iste depreciativo; ipse; īdem "também")
Gramática Latina, Pe. João Ravizza (no catálogo) · domínio público · n. 70 (os seis demonstrativos com tradução portuguesa: hīc "este", iste "esse", ille "aquele"; genitivo em -ius e dativo em -i; distinção entre ipse e idem; regra de concordância como pronome e como adjetivo); n. 76 (alter, alius, unus, totus, solus, nullus, ullus)
Cícero, In Catilinam I, 1–2, Marco Túlio Cícero (no catálogo) · domínio público · frase analisada na seção 6 (§ 2) e expressões do § 1 (furor iste tuus) e do § 3 (huius ordinis, in hāc rē pūblicā), conferidas no texto da Latin Library; macrons acrescentados