Imperativo, vocativo e a sintaxe da oração simples
O modo de dar ordens (imperativo presente e futuro, as formas curtas dīc, dūc, fac, fer, a proibição com nōlī e nōlīte), o vocativo de quem recebe a ordem e, para fechar a Parte II, a anatomia completa da oração simples: sujeito, predicado verbal e nominal, verbos de ligação, transitivos e intransitivos, atributo, aposto, objetos, adjuntos, as quatro concordâncias e a ordem das palavras.
Neste capítulo você vai
Formar e traduzir o imperativo presente das quatro conjugações (e dos verbos em -iō), as formas curtas dīc, dūc, fac, fer e es, este, e reconhecer o imperativo futuro em -tō, -tōte, -ntō.
Exprimir uma proibição com nōlī / nōlīte + infinitivo e reconhecer as outras construções que aparecem nos textos.
Identificar o vocativo numa frase e não confundi-lo com o sujeito.
Analisar uma oração simples completa: sujeito, predicado verbal ou nominal, tipo de verbo, atributo, aposto, objetos e adjuntos, aplicando as quatro concordâncias.
Explicar a ordem normal das palavras latinas e reconhecer quando uma palavra foi deslocada por ênfase.
imperativo presenteimperativo futurodīc, dūc, fac, feres, este, estōproibição com nōlī/nōlītevocativotipos de oraçãosujeito e predicadopredicado nominalverbos de ligaçãoverbos transitivos e intransitivosatributoapostoobjeto direto e indiretoadjuntos adverbiaisas quatro concordânciassujeito compostoordem das palavrasênfaseanálise de frase autêntica
Antes deste capítulo: Capítulos 13 e 16: os tempos do indicativo e as partes principais do verbo, e o pronome relativo (para a quarta concordância). O capítulo retoma também o vocativo dos capítulos 3 e 5, as conjugações do capítulo 6 e os usos dos casos dos capítulos 20 e 21. · capítulo 13 · capítulo 16
Até aqui todos os verbos que você conjugou estavam no indicativo, o modo que afirma ou pergunta: amat, "ama"; rēxit, "governou". O latim tem mais dois modos finitos (Bennett § 94): o subjuntivo, que fica para os capítulos 32 a 37, e o imperativo, o modo de quem manda, pede, aconselha ou suplica. O imperativo é o mais simples de todos: tem só dois tempos, presente e futuro, e praticamente só a segunda pessoa, porque só se dá uma ordem a quem nos ouve.
A formação do imperativo presente é a mais econômica da gramática latina. A segunda pessoa do singular é o próprio tema do presente, sem terminação nenhuma (Allen & Greenough § 179.e). Na prática, basta tirar o -re do infinitivo: amā-re → amā, "ama!"; monē-re → monē, "aconselha!"; audī-re → audī, "ouve!"; rege-re → rege, "governa!". O Pe. Ravizza ensina a mesma regra: a segunda pessoa do singular do imperativo presente "omite sempre a sílaba final re do infinito" (n. 88). A segunda pessoa do plural acrescenta -te ao tema: amāte, monēte, audīte.
Imperativo presente ativo das quatro conjugações
1ª · amō, amāre
2ª · moneō, monēre
3ª · regō, regere
4ª · audiō, audīre
3ª em -iō · capiō, capere
2ª sing.
amā
monē
rege
audī
cape
2ª pl.
amāte
monēte
regite
audīte
capite
tradução
ama! · amai!
aconselha! · aconselhai!
governa! · governai!
ouve! · ouvi!
pega! · pegai!
Só a 3ª conjugação pede atenção. A vogal breve do tema aparece como e no singular (rege) e, como no presente do indicativo (regitis), vira i diante de consoante: regite. Os verbos em -iō seguem regō: cape, capite, e não *capie (A&G § 179.e). Lembre também a diferença de acento do capítulo 6: mo-NĒ-te (2ª, penúltima longa) contra RE-gi-te (3ª, penúltima breve, acento na antepenúltima).
Audī, Mārce, et respondē!
Ouve, Marco, e responde! (audiō, 4ª; respondeō, 2ª)
Puerī, librōs legite et scrībite!
Meninos, lede os livros e escrevei! (3ª: -ite)
Servī, aquam portāte!
Escravos, trazei água!
Fuge, amīce!
Foge, amigo! (fugiō, fugere, 3ª em -iō)
Quatro formas curtas e o imperativo de esse
Quatro verbos muito usados perdem o -e final no singular: dīcō → dīc, "diz!"; dūcō → dūc, "conduz!"; faciō → fac, "faz!"; ferō → fer, "leva, traz!" (Bennett § 116.3; A&G § 182; Ravizza n. 104.f). O plural é regular em dīcite, dūcite, facite; ferō, verbo irregular que você estudará inteiro no capítulo 26, faz ferte (Bennett § 129). Os compostos de faciō em -ficiō conservam o -e (cōnficiō → cōnfice, "termina!"); os compostos de dīcō e dūcō ficam curtos e levam o acento na última sílaba: ē-DŪC, "conduz para fora!".
O verbo esse tem imperativo presente es, "sê!", e este, "sede!" (Bennett § 100). A forma é igual à 2ª pessoa do presente do indicativo (es, "tu és"), e só o contexto separa "és" de "sê": Bonus es pode ser "és bom" ou "sê bom!", e numa ordem o ponto de exclamação dos editores modernos e o vocativo costumam ajudar.
Como traduzir para o português do Brasil. O imperativo latino de 2ª pessoa corresponde ao nosso imperativo de "tu" e "vós" (ama, amai), que soa formal; no uso comum dizemos "ame", "amem", que gramaticalmente são formas do subjuntivo. As duas traduções são aceitáveis. Neste livro usamos "tu/vós" quando o texto é antigo ou solene (a Vulgata, uma lei), e "você/vocês" quando a frase é coloquial; o que importa é não perder a pessoa e o número.
O latim tem ainda um imperativo futuro, com as terminações -tō (2ª e 3ª do singular), -tōte (2ª do plural) e -ntō (3ª do plural): amātō, "amarás, ame ele"; amātōte, "amareis"; amantō, "amem eles" (Bennett § 101; Ravizza n. 88). É o único lugar em que o imperativo tem 3ª pessoa. A vogal de ligação é a do presente do indicativo: monētō, regitō e reguntō, audītō e audiuntō, capitō e capiuntō; e esse faz estō, estōte, suntō.
Imperativo futuro ativo
Pessoa
amō
regō
audiō
sum
2ª sing.
amātō
regitō
audītō
estō
3ª sing.
amātō
regitō
audītō
estō
2ª pl.
amātōte
regitōte
audītōte
estōte
3ª pl.
amantō
reguntō
audiuntō
suntō
Para que serve? Para ordens que valem a partir de certo momento ou para sempre: leis, contratos, testamentos, preceitos (Bennett § 281.1; A&G § 449). É a linguagem das XII Tábuas e das leis que Cícero imita no tratado Dē lēgibus, de onde Allen & Greenough (§ 448.a) tiram o exemplo Ollīs salūs populī suprēma lēx estō, "para eles, a salvação do povo seja a lei suprema" (ollīs é forma arcaica de illīs). Alguns verbos só usam essa forma no singular: scītō, "fica sabendo" (de sciō), e mementō, "lembra-te" (A&G §§ 182.a e 449.a). Fora disso, na leitura de prosa narrativa você encontrará quase só o imperativo presente. Basta, por isso, reconhecer o futuro pelo -tō.
A proibição: nōlī, nōlīte + infinitivo
Em português basta pôr "não" antes da ordem: "não temas". Em latim clássico isso não se faz com o imperativo presente (Bennett § 281.2). A construção normal da prosa é nōlī (a um só) ou nōlīte (a vários) seguido de infinitivo (Bennett § 276.b; A&G § 450; Kennedy § 347). Nōlī é o imperativo de nōlō, "não querer" (Bennett § 130), verbo irregular do capítulo 26; ao pé da letra, nōlī timēre é "não queiras temer", isto é, "não temas".
Nōlī flēre, mī fīlī!
Não chores, meu filho! (fleō, flēre, chorar)
Puerī, nōlīte in viā lūdere!
Meninos, não brinquem na rua! (lūdō, lūdere, brincar)
Nōlī malus esse!
Não sejas mau! (o predicativo malus fica no nominativo, concordando com a pessoa a quem se fala)
Os textos mostram outras maneiras de proibir, que você verá mais tarde. A mais importante é nē + perfeito do subjuntivo (nē timueris, "não temas"), assunto do capítulo 32. Na poesia aparece também nē com o imperativo presente, uso antigo e poético: Virgílio, En. 2.48, equō nē crēdite, Teucrī, "não confieis no cavalo, troianos" (citado por A&G § 450.a e Kennedy § 348). Na prosa clássica, porém, fique com nōlī/nōlīte.
A Vulgata usa nōlīte o tempo todo. Quando os discípulos veem Jesus andando sobre as águas e se assustam, ele diz:
Habēte fīdūciam: ego sum, nōlīte timēre.
Tende confiança: sou eu, não temais. (Mt 14,27, Vulgata)
Duas ordens, uma positiva e uma negativa, emolduram uma frase no indicativo. Habēte é imperativo presente plural de habeō (2ª: habē-te); fīdūciam, acusativo de fīdūcia, -ae, "confiança", é o objeto; nōlīte timēre é a proibição dirigida a vários. Entre elas, ego sum: o pronome sujeito vem expresso porque é o centro da frase, "sou eu" (capítulo 14).
Quem recebe uma ordem costuma ser chamado pelo nome, e o caso de quem é chamado é o vocativo (Bennett § 171; A&G § 340). Você o conhece desde o capítulo 3; eis a revisão completa das formas:
As formas do vocativo
Exemplo
Regra
Onde foi visto
puella → puella · rēx → rēx · cīvēs → cīvēs
em geral, igual ao nominativo, no singular e no plural (Bennett § 19.1)
nomes e adjetivos masculinos em -us da 2ª declinação: -e
capítulo 5
Iūlius → Iūlī · fīlius → fīlī
nomes próprios em -ius e fīlius: -ī (Bennett § 25.1 e 25.3)
capítulo 5
meus → mī
o possessivo meus faz mī no vocativo masculino: mī fīlī, "meu filho" (Bennett § 86.2)
capítulo 14
puer → puer · ager → ager
os nomes em -er da 2ª têm vocativo igual ao nominativo
capítulo 5
Três observações de sintaxe. Primeira: o vocativo não é o sujeito. Em Mārce, venī! o sujeito de venī é "tu", contido no verbo; Mārce está fora da estrutura da oração, como uma etiqueta que diz a quem a frase se dirige. Por isso o vocativo não concorda com o verbo e vem separado por vírgulas nas edições modernas. Segunda: na prosa, o vocativo raramente abre a frase; costuma vir depois de uma ou mais palavras, como em audī, Caesar, "ouve, César" (Bennett § 350.3), ou em crēdite mihi, iūdicēs, "acreditai em mim, juízes" (Bennett § 171). Terceira: às vezes, sobretudo na poesia e na prosa solene, aparece um nominativo no lugar do vocativo: audī tū, populus Albānus, "ouve tu, povo albano" (Bennett § 171.1; A&G § 340.a). Isso é possível porque o nominativo concorda com o "tu" implícito.
Uma ordem autêntica, palavra a palavra
No Evangelho de João, diante do túmulo de Lázaro, a frase decisiva tem apenas três palavras: Lazare, venī forās, "Lázaro, vem para fora!" (Jo 11,43). Lá estão os dois elementos desta seção: o vocativo de um nome em -us (Lazarus → Lazare) e o imperativo presente de um verbo da 4ª conjugação (veniō, venīre → venī). Uma ordem mais longa aparece em Lucas, quando Jesus cura um paralítico:
Tibi dīcō, surge, tolle lectum tuum, et vāde in domum tuam.
A ti digo: levanta-te, toma o teu leito e vai para a tua casa. (Lc 5,24, Vulgata)
Lc 5,24 (parte final), palavra a palavra
Palavra
Dicionário
Análise
Função
Tibi
tū (pronome pessoal)
dativo singular
objeto indireto de dīcō: "a ti" (capítulo 14)
dīcō
dīcō, dīcere, dīxī, dictum, dizer
presente do indicativo, 1ª sing.
verbo da oração introdutória: "digo"
surge
surgō, surgere, surrēxī, surrēctum, levantar-se
imperativo presente, 2ª sing. (3ª conj.: surg-e)
primeira ordem; verbo intransitivo
tolle
tollō, tollere, sustulī, sublātum, erguer, tomar
imperativo presente, 2ª sing. (3ª conj.)
segunda ordem; verbo transitivo
lectum
lectus, -ī (m.), leito, cama
acusativo singular
objeto direto de tolle
tuum
tuus, -a, -um, teu
acusativo singular masculino
atributo de lectum (concorda em gênero, número e caso)
et
et (conjunção)
invariável
liga a terceira ordem às anteriores
vāde
vādō, vādere, ir
imperativo presente, 2ª sing. (3ª conj.)
terceira ordem; intransitivo
in domum
in + domus, -ūs (f.), casa
acusativo singular (4ª declinação, capítulo 11)
in + acusativo: lugar para onde, "para a casa"
tuam
tuus, -a, -um
acusativo singular feminino
atributo de domum (feminino, como domus)
Repare que nenhum dos três imperativos tem sujeito expresso: o sujeito é "tu", o paralítico, a quem se dirigem a oração introdutória (tibi) e as ordens. E observe domum tuam: domus é feminino, embora pareça masculino pela terminação, e o possessivo concorda com o gênero do nome, não com a aparência da palavra.
A oração simples: sujeito, predicado e os tipos de verbo ⚑
A Parte II deste livro apresentou, uma a uma, as peças da frase latina. Este capítulo, que a encerra, monta o quadro inteiro. Toda oração tem duas partes essenciais (Bennett § 163; A&G § 270; Kennedy § 182; Ravizza n. 14): o sujeito, aquilo de que se fala, e o predicado, aquilo que se diz do sujeito. Uma oração com um só sujeito e um só predicado é uma oração simples; quando há mais de uma, temos um período composto, coordenado (puer legit et scrībit) ou subordinado (puer librōs legit quōs pater scrībit, com a relativa do capítulo 16) (Bennett §§ 164–165; A&G § 278).
Quanto à forma, as orações são declarativas (puer scrībit), interrogativas (quid puer scrībit?, capítulo 17), exclamativas e imperativas (scrībe!) (Bennett § 161; A&G § 269). A análise que segue vale para todas.
O sujeito
O sujeito de um verbo finito (indicativo, subjuntivo ou imperativo) está sempre no nominativo (Bennett § 166). Pode ser um nome, um pronome, um adjetivo substantivado, um infinitivo (errāre hūmānum est, "errar é humano") ou mesmo uma oração inteira. O sujeito pronominal, como você sabe desde o capítulo 6, normalmente não se expressa, porque a terminação do verbo já o contém; o pronome só aparece com ênfase ou contraste: ego scrībō et tū legis, "eu escrevo e tu lês" (Bennett § 166.2).
O predicado verbal e o predicado nominal
Quando o predicado é um verbo de sentido pleno, temos o predicado verbal: puer currit, "o menino corre". Quando o verbo apenas liga o sujeito a uma qualidade ou classificação, temos o predicado nominal: puer est laetus, "o menino está alegre"; Cicerō ōrātor fuit, "Cícero foi orador". O verbo de ligação por excelência é esse, que nessa função se chama cópula (A&G § 283; Ravizza n. 14). A palavra ligada ao sujeito é o predicativo (o "predicate noun" das gramáticas inglesas), e a regra é uma só: o predicativo fica no mesmo caso que o sujeito, isto é, no nominativo (Bennett § 168; A&G § 284). Se for adjetivo, concorda também em gênero e número; se for substantivo, conserva o seu gênero e número próprios, concordando no gênero quando pode (Bennett § 168.1): philosophia est vītae magistra, "a filosofia é a mestra da vida".
Além de esse, ligam sujeito e predicativo os verbos que significam "tornar-se", "parecer", "permanecer" e as passivas de "chamar", "eleger", "considerar" (Bennett § 168.2; Kennedy § 187). Você aprenderá as formas deles mais adiante; por ora, reconheça-os como vocabulário: fit, "torna-se" (de fīō, capítulo 26); vidētur, "parece" (passiva de videō, capítulo 23); manet, "permanece"; appellātur, "é chamado".
Mārcus mīles est.
Marco é soldado. (mīles: predicativo no nominativo)
Iūlia laeta vidētur.
Júlia parece alegre. (laeta concorda com Iūlia: nominativo feminino singular)
Puer dux fit.
O menino torna-se comandante.
Rōma urbs magna manet.
Roma continua (a ser) uma grande cidade.
Dois casos especiais. Esse pode também significar "existir, haver"; então forma sozinho o predicado e se chama verbo substantivo: sunt virī fortēs, "há homens corajosos" (A&G § 284.b; capítulo 6). Nesse uso costuma vir antes do sujeito (A&G § 598.c). E esse é muitas vezes omitido quando se subentende facilmente (Bennett § 166.3; Kennedy § 196.1), sobretudo em provérbios, títulos e frases breves: Dominus tēcum, "o Senhor (está) contigo" (Lc 1,28).
Transitivos, intransitivos e de ligação
O tipo de verbo decide o que a oração pode conter (A&G § 273; Kennedy § 110):
Os três tipos de verbo na oração simples
Tipo de verbo
O que pede
Exemplo
Tradução
transitivo
um objeto direto no acusativo (e, às vezes, também um dativo)
Magister discipulōs laudat. · Pater fīliō librum dat.
O mestre elogia os alunos. · O pai dá um livro ao filho.
intransitivo
nenhum objeto direto; pode ter dativo ou adjuntos
Puer currit. · Lēgēs cīvibus placent.
O menino corre. · As leis agradam aos cidadãos (placeō + dativo, capítulo 20).
de ligação (copulativo)
um predicativo no mesmo caso do sujeito
Iūlia est fīlia rēgis.
Júlia é filha do rei.
A fronteira não é rígida: muitos transitivos se usam sem objeto expresso (arat, "ele está arando"), e um mesmo verbo pode mudar de tipo conforme o sentido (A&G § 273, notas). Pergunte sempre o que o verbo, naquela frase, está pedindo. Essa pergunta será decisiva no capítulo 23: só os verbos transitivos têm passiva pessoal completa.
Atributo, aposto, objetos, adjuntos e as quatro concordâncias ⚑
Sujeito e predicado podem bastar (puer currit), mas quase sempre recebem acréscimos (Kennedy § 191). Cada um deles você já estudou num capítulo da Parte II; aqui eles se reúnem.
Os termos que ampliam a oração simples
Termo
O que faz
Caso / forma
Exemplo
atributo
qualifica um nome diretamente, sem verbo
adjetivo concordando com o nome (capítulos 5, 10, 18)
puer bonus, "o menino bom"
aposto
outro nome que designa a mesma pessoa ou coisa
mesmo caso do nome a que se refere
Mārcus, fīlius agricolae, "Marco, filho do agricultor"
complemento nominal
liga um nome a outro nome
genitivo (capítulo 20)
fīlius agricolae, "filho do agricultor"
objeto direto
recebe a ação de um verbo transitivo
acusativo (capítulos 3, 21)
librum legit, "lê o livro"
objeto indireto
a pessoa a quem algo é dado, dito, mostrado
dativo (capítulo 20)
amīcō librum dat, "dá o livro ao amigo"
adjuntos adverbiais
tempo, lugar, meio, modo, causa, companhia
advérbio, ablativo, preposição + caso (capítulos 19, 21)
hodiē, in hortō, gladiō, cum amīcīs
O aposto merece uma palavra a mais, porque é o único termo desta lista que ainda não teve capítulo próprio. É um substantivo que explica ou define outro e se refere à mesma pessoa ou coisa (Bennett § 169; A&G § 282; Ravizza n. 15). Fica no mesmo caso do nome que explica, qualquer que seja esse caso: opera Cicerōnis ōrātōris, "as obras de Cícero, o orador", com o aposto também no genitivo. Concorda no gênero e no número quando pode, mas não é obrigado: Athēnae, urbs clāra, "Atenas, cidade famosa" (plural e singular lado a lado). Em geral vem depois do nome (Bennett § 350.2), mas há fórmulas fixas com o aposto antes: urbs Rōma, "a cidade de Roma", flūmen Rhēnus, "o rio Reno". Um período do primeiro capítulo da Guerra da Gália, de César, tem um exemplo:
Gallōs ab Aquītānīs Garumna flūmen … dīvidit.
O rio Garona separa os gauleses dos aquitanos. (César, BG 1.1.2)
Garumna é o sujeito, e flūmen (neutro) é o seu aposto, no mesmo caso, o nominativo, mas com o seu próprio gênero; o verbo dīvidit concorda com o sujeito em pessoa e número. Note também a ordem, que é a do relato: os gauleses, assunto do parágrafo, vêm primeiro, como objeto; o sujeito vem depois; o verbo fecha a oração.
As quatro concordâncias
As gramáticas tradicionais resumem as regras de concordância do latim em quatro (A&G § 280; Kennedy §§ 192–195; Ravizza, na "Aplicação prática" que segue o n. 17). Elas são o esqueleto de toda análise:
As quatro concordâncias
Concordância
Em quê
Exemplo
1. verbo com o sujeito
pessoa e número (Bennett § 254; A&G § 316)
Puerī currunt. · Ego et tū labōrāmus.
2. adjetivo (atributo ou predicativo) com o nome
gênero, número e caso (Bennett §§ 233–234; A&G § 286)
agricola bonus · Rosae pulchrae sunt.
3. aposto e predicativo substantivos
caso; gênero e número quando possível (Bennett §§ 168–169; A&G §§ 281–284)
Iūlia, rēgīna · Mārcus mīles est.
4. relativo com o antecedente
gênero e número; o caso vem da função na própria oração (capítulo 16)
puer quem vidēs
Três extensões da primeira regra aparecem a toda hora. Com dois ou mais sujeitos, o verbo vai normalmente para o plural: pater et fīlius veniunt (Bennett § 255.1; A&G § 317). Com sujeitos de pessoas diferentes, a 1ª prevalece sobre a 2ª, e a 2ª sobre a 3ª: ego et Cicerō valēmus, "eu e Cícero estamos bem" (Bennett § 255.4). E o verbo pode concordar só com o sujeito mais próximo quando vem antes dos sujeitos ou entre eles, ou quando os sujeitos formam um todo, como na fórmula senātus populusque Rōmānus (Bennett § 255.2–3; A&G § 317.b–c). Um adjetivo predicativo referido a nomes de gêneros diferentes que designam pessoas vai para o masculino plural: pater et māter bonī sunt (Bennett § 235.B.2).
Uma oração simples completa
Eis uma oração que junta quase todos os termos estudados. Leia-a na ordem latina, anotando o caso de cada palavra antes de traduzir:
Hodiē Mārcus, fīlius agricolae, amīcō librum novum dat = Hoje Marco, filho do agricultor, dá ao amigo um livro novo.
O verbo dat é transitivo e de "dar", e por isso abre duas vagas: o que se dá (acusativo, librum) e a quem (dativo, amīcō). O sujeito Mārcus concorda com dat (3ª pessoa do singular); fīlius é aposto no mesmo caso, e dele depende o genitivo agricolae; novum concorda com librum em gênero, número e caso; hodiē, advérbio, situa a ação no tempo. Nenhuma palavra ficou sem função: é esse o teste de uma análise completa.
Desde o capítulo 2 você sabe que em latim as terminações, e não a posição, dizem quem faz o quê. Isso não significa que a ordem seja indiferente. Há uma ordem normal e há desvios dela, e os desvios dizem algo: chamam a atenção para uma palavra.
A ordem normal da prosa põe o sujeito no início e o verbo no fim, com os complementos no meio (Bennett § 348; A&G § 596). Por isso se diz que o latim é uma língua de ordem "sujeito, objeto, verbo" (SOV), ao passo que o português prefere "sujeito, verbo, objeto": Dārīus classem … comparāvit, "Dario preparou uma frota" (exemplo de Bennett, abreviado). Dentro dos grupos de palavras há outras tendências: o genitivo e os outros casos que dependem de um nome costumam vir depois dele (fīlius rēgis; Bennett § 350.1); o aposto vem depois do nome (§ 350.2); o vocativo, depois de uma ou mais palavras (§ 350.3); e os adjetivos de quantidade, os numerais e os demonstrativos tendem a vir antes do nome (§ 350.4; A&G § 598.b).
Contra esse fundo, a ênfase se faz deslocando. A palavra que mais importa ao falante vai para o início da frase, menos vezes para o fim (Bennett § 349; A&G § 597): magnus in hōc bellō Themistoclēs fuit, "grande foi Temístocles nesta guerra". Também o verbo pode abrir a frase quando a ação é o que importa (A&G § 598.d). O português marca a mesma ênfase com a entonação ou com recursos como "foi grande que…"; ao traduzir, você pode reorganizar a frase, mas deve perceber o destaque.
A mesma frase em ordens diferentes
Latim
O que se destaca
Tradução possível
Mārcus librum legit.
ordem normal: nenhum destaque especial
Marco lê o livro.
Librum Mārcus legit.
o objeto: é um livro que ele lê (e não outra coisa)
É um livro que Marco lê.
Legit Mārcus librum.
a ação: ele lê (não escreve, não compra)
Marco lê, sim, o livro.
Mārcus legit librum.
ordem frequente na Vulgata e no latim tardio, sem ênfase forte
Marco lê o livro.
A última linha lembra um ponto histórico: a tendência de pôr o verbo no fim é forte na prosa clássica, sobretudo em César e Cícero, mas o latim da Vulgata e o medieval usam muitas vezes a ordem "sujeito, verbo, objeto", mais próxima da nossa. Nenhuma das duas é erro; são estilos de épocas diferentes (capítulo 50).
Análise: o bom pastor
Esta passagem do Evangelho de João junta, em duas frases curtas, um predicado nominal e uma oração simples completa, e brinca com a ordem das palavras:
Ego sum pāstor bonus. Bonus pāstor animam suam dat prō ovibus suīs.
Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas suas ovelhas. (Jo 10,11, Vulgata)
Jo 10,11, palavra a palavra
Palavra
Dicionário
Análise
Função
Ego
ego (pronome pessoal)
nominativo singular
sujeito, expresso por ênfase: "eu sou"
sum
sum, esse, fuī, ser
presente do indicativo, 1ª sing.
cópula: verbo de ligação
pāstor
pāstor, -ōris (m.), pastor
nominativo singular (3ª declinação)
predicativo do sujeito: mesmo caso de ego
bonus
bonus, -a, -um, bom
nominativo singular masculino
atributo de pāstor
Bonus
bonus, -a, -um
nominativo singular masculino
atributo de pāstor, agora antes do nome (ênfase)
pāstor
pāstor, -ōris (m.)
nominativo singular
sujeito de dat
animam
anima, -ae (f.), alma, vida
acusativo singular
objeto direto de dat
suam
suus, -a, -um, seu (reflexivo)
acusativo singular feminino
atributo de animam; refere-se ao sujeito (capítulo 14)
dat
dō, dare, dedī, datum, dar
presente do indicativo, 3ª sing.
verbo transitivo; concorda com pāstor
prō
prō (preposição + ablativo)
invariável
"em favor de, por"
ovibus
ovis, -is (f.), ovelha
ablativo plural (3ª declinação, tema em -i, capítulo 10)
prō + ablativo: adjunto (em favor de quem)
suīs
suus, -a, -um
ablativo plural feminino
atributo de ovibus; refere-se ao sujeito
Na primeira frase, pāstor é predicativo e fica no nominativo, como ego: é a regra do predicativo. Na segunda, o mesmo par de palavras aparece invertido: pāstor bonus → bonus pāstor. A inversão em cruz (os gramáticos a chamam de quiasmo, capítulo 40) põe o adjetivo bonus em destaque no início da nova frase: é a bondade do pastor que será explicada. Depois a frase segue a ordem normal, sujeito, objeto, verbo, com o adjunto prō ovibus suīs depois do verbo, como um acréscimo que fecha o sentido. Os dois suus (suam, suīs) concordam com os nomes que acompanham (animam, ovibus, femininos) mas se referem ao sujeito, pāstor: a concordância é com o nome, a referência é ao sujeito.
Resumo da Parte II e próximos passos
Imperativo presente: tema do presente (amā, monē, rege, audī, cape) e -te no plural (regite, capite); formas curtas dīc, dūc, fac, fer; es, este.
Imperativo futuro: -tō, -tōte, -ntō, em leis e preceitos; estō, suntō, scītō, mementō.
Proibição: nōlī/nōlīte + infinitivo; nē + perfeito do subjuntivo no capítulo 32.
Vocativo: a pessoa chamada, fora da estrutura da oração; não é sujeito.
Oração simples: sujeito (nominativo) + predicado verbal ou nominal; predicativo no caso do sujeito; atributo, aposto, objetos e adjuntos; as quatro concordâncias.
Ordem: normalmente sujeito no início e verbo no fim; a posição inicial dá ênfase.
Com isto termina a gramática da oração simples na voz ativa. A Parte III começa pelo que muda quando o sujeito sofre a ação em vez de praticá-la: a voz passiva (capítulos 23 e 24). Você verá que o objeto direto de uma oração ativa vira o sujeito da passiva, e que um predicativo como o de Rōmulus rēx appellātur é exatamente o predicativo deste capítulo.
Erro: Formar o imperativo da 3ª conjugação com vogal longa ou com -ī: *regē, *regī, *capie.
Por quê, e como evitar: O imperativo é o tema do presente, e o tema da 3ª termina em e breve: rege, cape. No plural, a vogal vira i, como em regitis: regite, capite. Tire o -re do infinitivo (rege-re, cape-re) e o erro não acontece.
Erro: Proibir com nōn + imperativo: *nōn timē.
Por quê, e como evitar: O português põe "não" na frente da ordem; a prosa latina clássica não (Bennett § 281.2). Use nōlī timēre (a um) ou nōlīte timēre (a vários). O infinitivo depois de nōlī não muda conforme a pessoa: quem indica singular ou plural é nōlī/nōlīte.
Erro: Tomar o vocativo pelo sujeito e procurar concordância entre ele e o verbo.
Por quê, e como evitar: Em Mārce, venī! ou Puerī, audīte! o sujeito é "tu"/"vós", contido no verbo. O vocativo está fora da oração. Por isso Domine, servus in hortō est é "Senhor, o escravo está no jardim": o sujeito de est é servus, não domine.
Erro: Pôr o predicativo no acusativo, imitando o objeto direto: *Mārcus est bonum agricolam.
Por quê, e como evitar: Depois de esse e dos verbos de ligação não há objeto; há predicativo, e o predicativo fica no caso do sujeito, o nominativo: Mārcus est bonus agricola. Pense no sinal de igual: o que vem dos dois lados de est está no mesmo caso.
Erro: Fazer o aposto concordar em gênero à força: *Garumna flūmina, *Athēnae, urbēs clārae.
Por quê, e como evitar: O aposto concorda no caso; o gênero e o número são os seus próprios quando o nome não os permite mudar. Garumna flūmen (feminino + neutro), Athēnae, urbs clāra (plural + singular) estão corretos.
Erro: Traduzir sempre a primeira palavra como sujeito, ou ignorar a ordem por saber que ela é "livre".
Por quê, e como evitar: Os dois extremos falham. A função vem da terminação: em Gallōs ab Aquītānīs Garumna dīvidit o sujeito é Garumna, não Gallōs. Mas a posição diz o que importa: a palavra deslocada para o início está em destaque, e uma boa tradução procura mostrar isso.
Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.
Prática guiada 1 · Da afirmação à ordem e à proibição
Transforme a frase em ordem dirigida a Marco e depois em proibição; faça o mesmo no plural, dirigindo-se aos meninos. Frase: Mārcus epistulam scrībit. (scrībō, scrībere, 3ª, escrever)
De que conjugação é scrībō, e qual é o tema do presente?Ver o passo
O infinitivo scrībere tem e breve: 3ª conjugação. Tirando o -re, o tema é scrībe-.
Forme a ordem no singular, com o vocativo.Ver o passo
Mārce, scrībe epistulam! ou Scrībe, Mārce, epistulam! O vocativo de Mārcus é Mārce; o imperativo é o tema puro, scrībe. Na segunda ordem, o vocativo vem depois da primeira palavra, como é comum na prosa.
Forme a proibição no singular.Ver o passo
Mārce, nōlī epistulam scrībere! A proibição usa nōlī + infinitivo; o infinitivo scrībere é a forma de dicionário e o objeto epistulam continua no acusativo.
Agora no plural, dirigindo-se aos meninos.Ver o passo
Ordem: Puerī, scrībite epistulam! (3ª: -ite). Proibição: Puerī, nōlīte epistulam scrībere! O vocativo plural de puer é igual ao nominativo, puerī.
Traduza as quatro formas.Ver o passo
"Marco, escreve (escreva) a carta!", "Marco, não escrevas (não escreva) a carta!", "Meninos, escrevei (escrevam) a carta!", "Meninos, não escrevais (não escrevam) a carta!"
Prática guiada 2 · Analisar uma oração simples completa
Analise e traduza, na ordem latina: Amīcī, audīte: Iūlia, soror mea, cīvibus Rōmānīs cārissima est. Vocabulário: soror, -ōris (f.), irmã; cīvis, -is (m.), cidadão; cārissima, "muito querida" (superlativo de cārus, capítulo 18).
Quantas orações há, e quais são os verbos?Ver o passo
Duas: audīte (imperativo presente plural de audiō) e est (presente de esse). Os dois-pontos separam uma ordem de uma afirmação.
Que caso é amīcī, e qual a sua função?Ver o passo
Vocativo plural (igual ao nominativo plural de amīcus): as pessoas a quem se fala. Não é o sujeito de audīte; o sujeito é "vós".
Na segunda oração, qual é o sujeito e o que é soror mea?Ver o passo
O sujeito é Iūlia, nominativo. Soror é aposto: outro nome para a mesma pessoa, no mesmo caso; mea é atributo de soror (feminino, nominativo, singular).
Que tipo de verbo é est, e o que é cārissima?Ver o passo
Verbo de ligação. Cārissima é o predicativo do sujeito: nominativo feminino singular, concordando com Iūlia em gênero, número e caso.
E cīvibus Rōmānīs?Ver o passo
Dativo plural (-ibus da 3ª; Rōmānīs concorda). Sem preposição e ao lado de um adjetivo de sentimento, indica para quem ela é querida (dativo com adjetivos, capítulo 20). O ablativo -ibus também seria possível na forma, mas não daria sentido.
Monte a tradução.Ver o passo
"Amigos, ouvi (ouçam): Júlia, minha irmã, é muito querida aos cidadãos romanos."
Repare que a análise percorreu as quatro concordâncias: verbo com sujeito (Iūlia … est), adjetivos com nomes (mea, Rōmānīs, cārissima), aposto no caso do nome (soror); só a do relativo não apareceu.
Faça por escrito ou em voz alta; abra "Ver resposta" só depois de tentar. A explicação da resposta faz parte da lição.
Exercício 1 · Forme o imperativo presente
Dê a 2ª pessoa do singular e do plural do imperativo presente e traduza. Atenção à conjugação, que se vê pelo infinitivo.
vocō, vocāre, chamarVer resposta
vocā, vocāte: "chama! chamai!". 1ª conjugação: tema vocā-.
videō, vidēre, verVer resposta
vidē, vidēte: "vê! vede!". 2ª conjugação: tema vidē-, com ē longo.
mittō, mittere, enviarVer resposta
mitte, mittite: "envia! enviai!". 3ª conjugação: e breve no singular, i no plural.
veniō, venīre, virVer resposta
venī, venīte: "vem! vinde!". 4ª conjugação: tema venī-. É o venī de João 11,43.
faciō, facere, fazerVer resposta
fac, facite: "faz! fazei!". Verbo em -iō da 3ª, com a forma curta fac no singular; o plural é regular.
dūcō, dūcere, conduzirVer resposta
dūc, dūcite: "conduz! conduzi!". Forma curta no singular.
sum, esse, serVer resposta
es, este: "sê! sede!". Iguais na forma ao presente es, "és", e (no plural) diferentes de estis.
capiō, capere, pegarVer resposta
cape, capite: "pega! pegai!". Verbo em -iō: segue regō no imperativo, sem o i do presente capiō.
Exercício 2 · Ordens, proibições e vocativos
Traduza. Identifique o vocativo e diga a pessoa e o número de cada imperativo. Vocabulário: tacēre, calar; clāmāre, gritar; fābula, história; nārrāre, contar; dormīre, dormir; timēre, temer.
Tacē, Iūlī, et audī!Ver resposta
"Cala-te, Júlio, e ouve!" Iūlī é vocativo de Iūlius (nome próprio em -ius: -ī). Tacē (2ª conj.) e audī (4ª) são imperativos presentes, 2ª pessoa do singular.
Discipulī, nōlīte clāmāre!Ver resposta
"Alunos, não griteis (não gritem)!" Discipulī: vocativo plural. Nōlīte: proibição a vários, com o infinitivo clāmāre.
Nārrā nōbīs fābulam, magister!Ver resposta
"Conta-nos uma história, mestre!" Magister: vocativo, igual ao nominativo (nome em -er). Nārrā: imperativo, 2ª sing. (1ª conj.); nōbīs, dativo, objeto indireto.
Nōlī timēre, mī fīlī; dormī!Ver resposta
"Não temas, meu filho; dorme!" Mī fīlī: vocativo de meus fīlius. Nōlī timēre: proibição ao singular; dormī: imperativo presente (4ª), 2ª sing.
Dīc mihi, amīce, vērum!Ver resposta
"Diz-me, amigo, a verdade!" Dīc: forma curta de dīcō; amīce: vocativo em -e; vērum: acusativo neutro, "a verdade" (adjetivo substantivado).
Exercício 3 · Transforme e reconheça
Nos itens 1–3, transforme a ordem em proibição (ou vice-versa). Nos itens 4–6, identifique a forma e diga onde ela costuma aparecer.
Puerī, currite! → proibiçãoVer resposta
Puerī, nōlīte currere! A ordem plural vira nōlīte + infinitivo; currite (3ª) dá o infinitivo currere.
Mārce, epistulam lege! → proibiçãoVer resposta
Mārce, nōlī epistulam legere! Singular: nōlī. O objeto continua no acusativo.
Mē adiuvāte, amīcī! ou Adiuvāte mē, amīcī! Imperativo plural da 1ª: adiuvā-te.
estōVer resposta
Imperativo futuro de esse, 2ª ou 3ª pessoa do singular: "sê, seja ele". Típico de leis e preceitos: Salūs populī suprēma lēx estō (Cícero, Leg. 3.8, citado por A&G § 448.a).
habentōVer resposta
Imperativo futuro de habeō, 3ª pessoa do plural: "tenham eles". Linguagem de leis (Bennett § 281.1.b: cōnsulēs summum iūs habentō).
scītōVer resposta
Imperativo futuro de sciō: "fica sabendo". É o imperativo usual desse verbo no singular (A&G § 182.a); aparece muito nas cartas.
Exercício 4 · Análise da oração simples
Para cada oração, diga: o sujeito; o tipo de verbo (transitivo, intransitivo, de ligação); e a função das outras palavras (predicativo, atributo, aposto, objeto direto ou indireto, adjunto). Depois traduza. Vocabulário: rēgīna, rainha; castra, -ōrum (n. pl.), acampamento; diū, por muito tempo; manēre, permanecer; cōnsul, -is, cônsul; creāre, eleger; habitāre, morar.
Iūlia, rēgīnae fīlia, laeta est.Ver resposta
Sujeito: Iūlia. Est: verbo de ligação. Fīlia: aposto (nominativo), com o genitivo rēgīnae dependendo dele; laeta: predicativo, nominativo feminino singular. "Júlia, filha da rainha, está alegre."
Mīlitēs in castrīs diū manent.Ver resposta
Sujeito: mīlitēs (nominativo plural; o verbo é plural). Manent: intransitivo (aqui "permanecem"). In castrīs: adjunto de lugar (in + ablativo); diū: adjunto de tempo (advérbio). "Os soldados ficam muito tempo no acampamento."
Populus Cicerōnem cōnsulem creat.Ver resposta
Sujeito: populus. Creat: transitivo, com dois acusativos, o objeto Cicerōnem e o predicativo do objeto cōnsulem (duplo acusativo, capítulo 21; Bennett § 177). "O povo elege Cícero cônsul." Na passiva (capítulo 23), cōnsul passará ao nominativo, como predicativo do sujeito.
Ego et frāter meus Rōmae habitāmus.Ver resposta
Sujeito composto: ego et frāter. Habitāmus: intransitivo, na 1ª pessoa do plural, porque a 1ª pessoa prevalece (Bennett § 255.4). Meus: atributo; Rōmae: locativo, "em Roma" (capítulo 19). "Eu e meu irmão moramos em Roma."
Magister puerīs fābulam longam nārrat.Ver resposta
Sujeito: magister. Nārrat: transitivo. Puerīs: objeto indireto (dativo); fābulam: objeto direto; longam: atributo de fābulam. "O mestre conta uma longa história aos meninos."
Exercício 5 · Concordância e ordem
Nos itens 1–3, corrija o erro de concordância e explique-o. Nos itens 4–5, diga que palavra está em destaque e por quê.
*Pater et māter bonae sunt.Ver resposta
Pater et māter bonī sunt. Adjetivo predicativo referido a pessoas de gêneros diferentes vai para o masculino plural (Bennett § 235.B.2).
*Mārcus et Iūlia in hortō ambulat.Ver resposta
Mārcus et Iūlia in hortō ambulant. Dois sujeitos pedem o verbo no plural (Bennett § 255.1). O singular só é normal quando o verbo vem antes dos sujeitos ou entre eles, ou quando eles formam uma unidade.
*Rōma, urbem magnam, pulchra est.Ver resposta
Rōma, urbs magna, pulchra est. O aposto fica no mesmo caso do nome a que se refere; Rōma é nominativo, logo urbs magna também.
Magna est vīs vēritātis. (vīs, força; vēritās, -ātis, verdade)Ver resposta
Magna, o predicativo, abre a frase, antes do verbo e do sujeito: a ênfase está na grandeza. "Grande é a força da verdade." A ordem normal seria vīs vēritātis magna est.
Bonus pāstor animam suam dat prō ovibus suīs. (comparada com Ego sum pāstor bonus)Ver resposta
O adjetivo bonus passou para antes do nome e para o início da frase: a inversão destaca a qualidade de "bom", que a frase vai explicar. É a ênfase pela posição inicial (Bennett § 349).
Exercício 6 · Retroversão
Passe para o latim. Use as palavras indicadas e a ordem normal da prosa (verbo no fim), salvo nas ordens. Vocabulário: porta, -ae, porta; aperīre, abrir; nūntius, -ī, mensageiro; nūntiāre, anunciar; victōria, -ae, vitória.
Servos, abri a porta!Ver resposta
Servī, aperīte portam! Vocativo plural servī; imperativo plural da 4ª, aperī-te; objeto no acusativo.
Não abras a porta, Marco!Ver resposta
Nōlī portam aperīre, Mārce! Proibição com nōlī + infinitivo; vocativo Mārce, aqui no fim da frase (também correto depois da primeira palavra).
O mensageiro, um soldado romano, anuncia a vitória ao rei.Ver resposta
Nūntius, mīles Rōmānus, rēgī victōriam nūntiat. Aposto mīles Rōmānus no nominativo; rēgī, dativo (objeto indireto); victōriam, acusativo; verbo no fim.
Sede bons, meninos!Ver resposta
Este bonī, puerī! Imperativo plural de esse; o predicativo bonī fica no nominativo plural masculino, concordando com "vós", os meninos.
Leituras recomendadas
Para imperativos e vocativos em contexto, nada melhor que o diálogo: os Colloquia de Eobanus Hessus e os Colloquia personārum que acompanham Familia Romana são cheios de ordens, chamamentos e respostas curtas; leia-os em voz alta, como cenas. Em Familia Romana, observe como o imperativo aparece nas falas entre senhores, escravos e crianças. Na Vulgata, leia Mateus 14,22–33 (a tempestade no lago) e João 11,38–44 (Lázaro), atentando para os imperativos e para os nōlīte. Para a sintaxe da oração simples, Bennett (§§ 161–171 e 233–255) e Ravizza (n. 14–15) resumem tudo em poucas páginas; use-os como quadro de consulta.
Etapa VI · Latinitas ChristianaDificuldade 2 · BásicoOriginal Áudio
Biblia Sacra Vulgata (editio Clementina)
Hieronymus Stridonensis (Vulgata)
A Vulgata Clementina completa, do Gênesis ao Apocalipse, livro a livro. Comece por Marcos, Gênesis ou os Salmos: frases curtas, vocabulário repetitivo e um texto que você já conhece em português. A leitura cristã fundamental e, para muitos, a primeira obra longa lida em latim. No LibriVox há, por ora, só o Salmo 22 gravado.
Escritura (Vulgata) · Tardio e patrístico · anos, um capítulo por dia · Vicifons (Latin Wikisource)
Etapa II · Primae FabulaeDificuldade 2 · BásicoOriginal
Colloquia, sive Confabulationes tyronum literatorum
Hermannus Schottennius Hessus
Diálogos de escolares do século XVI (cumprimentos, refeições, hora de dormir, como estudar, como escrever cartas), em latim coloquial e simples, macronizado nesta edição. Um texto original renascentista acessível a iniciantes, parecido com os Colloquia do método Ørberg.
Diálogo escolar · Renascentista e neolatino · algumas semanas · Project Gutenberg
Etapa II · Primae FabulaeDificuldade 1 · ElementarDidáticoComercial
Colloquia Personarum
Hans H. Ørberg
Diálogos graduados que acompanham a progressão de Familia Romana, para leitura em voz alta e prática de conversa. Livro comercial da Hackett Publishing; aqui, apenas a referência oficial.
Etapa I · Prima VerbaDificuldade 1 · ElementarDidáticoComercial
Lingua Latina per se Illustrata, Pars I: Familia Romana
Hans H. Ørberg
O método de latim mais recomendado hoje: 35 capítulos inteiramente em latim, com ilustrações e notas marginais que explicam cada palavra nova pelo contexto, sem tradução. Narra a vida de uma família romana. Livro comercial da Hackett Publishing; aqui, apenas a referência oficial.
Método · Moderno (material didático) · alguns meses · Hackett Publishing
Gramática de referência compacta (1918), em inglês, com macrons: sons, flexões, sintaxe, prosódia. Mais curta e mais fácil de consultar que Allen & Greenough; cabe num leitor de EPUB.
Gramática latina completa em português, usada por gerações nas escolas brasileiras, com um compêndio de história da literatura latina. Nona edição (1940), em domínio público (autor falecido em 1941). Fac-símile em PDF no Internet Archive.
Gramática · Moderno (material didático) · consulta · Internet Archive
Bibliotheca Latina. Conteúdo original com trechos de obras em domínio público; licença CC BY 4.0.
Fontes consultadas
New Latin Grammar, Charles E. Bennett (no catálogo) · domínio público · § 19.1 (vocativo = nominativo, salvo -us da 2ª), § 25.1 e 25.3 (vocativo em -ī: nomes próprios em -ius, fīlī), § 86.2 (mī), § 94 (o imperativo só tem presente e futuro), § 96 (terminações do imperativo), §§ 100–101 (es, este, estō, suntō; amā, amāte, amātō, amantō), § 116.3 (dīc, dūc, fac; cōnfice; ēdūc com acento na última), § 129 (fer, ferte), § 130 (nōlī, nōlīte), § 161 (tipos de oração), §§ 163–166 (sujeito e predicado; oração simples; sujeito no nominativo; pronome implícito; verbo subentendido), §§ 167–169 (predicativo e aposto), § 171 (vocativo; nominativo pelo vocativo), § 177 (dois acusativos com verbos de fazer, eleger, chamar), §§ 233–235 (adjetivo atributivo e predicativo; concordância), §§ 254–255 (concordância do verbo; sujeito composto), § 276.b (nōlī + infinitivo), § 281 (usos do imperativo; imperativo futuro em leis), §§ 348–350 (ordem das palavras; posição do aposto e do vocativo)
Allen and Greenough's New Latin Grammar, J. H. Allen e J. B. Greenough (no catálogo) · domínio público · § 163 (terminações pessoais e do imperativo), § 179.e (o imperativo presente 2ª sing. é o tema do presente: amā, monē, tege, audī; cape), § 182 (dīc, dūc, fac, fer; cōnfice; scītō), § 269 (tipos de oração), §§ 270–274 (sujeito, predicado, cópula, transitivos e intransitivos, objetos), § 278 (oração simples e composta), §§ 280–284 (as quatro concordâncias; aposto; predicativo; § 284.b, sum como verbo substantivo), § 286 (concordância do adjetivo), §§ 316–317 (concordância do verbo; sujeito composto), § 340 (vocativo), §§ 448–450 (imperativo, imperativo futuro, proibição), §§ 595–598 (ordem das palavras)
Kennedy's Revised Latin Primer, Benjamin Hall Kennedy (no catálogo) · domínio público · § 106 (o imperativo; formas em -tō, -tōte usadas nas leis), § 110 (transitivos e intransitivos), §§ 181–191 (a oração simples, verbos copulativos, ampliações da oração), §§ 192–197 (as quatro concordâncias), §§ 346–349 (imperativo; proibição com nōlī; nē com imperativo na poesia; formas em -tō nas leis)
Gramática Latina, Pe. João Ravizza (no catálogo) · domínio público · n. 14–15 (proposição: sujeito, predicado verbal e nominal, complementos, atributo e aposto) e as regras de concordância da "Aplicação prática" que segue o n. 17; n. 88 (desinências do imperativo ativo, presente e futuro), n. 104.e–f (imperativo futuro; dīc, dūc, fac, fer), n. 131 (nōlī, nōlīte)
Biblia Sacra Vulgata (editio Clementina): Mateus 14,27; Lucas 5,24; João 10,11 e 11,43 (no catálogo) · domínio público · frases autênticas das seções 2, 3, 4 e 6 (e Lucas 1,28, Dominus tēcum), conferidas na Wikisource latina (Vulgata Clementina, Evangelium secundum Matthaeum, Lucam, Ioannem); grafia normalizada (ae por æ, i por j) e macrons acrescentados por este livro