Elementa Linguae Latinae·Parte IV · Auctores·Capítulo 44·90 minReportar problema

Caesar

César: o início da Guerra da Gália

Leitura comentada do primeiro capítulo da Guerra da Gália (Gallia est omnis dīvīsa in partēs trēs): César e os seus Comentários, a narração em terceira pessoa, o texto latino com vocabulário e notas, um mapa em tabela dos povos, rios e montes, as orações relativas, a oração infinitiva e o ablativo absoluto no texto e nos capítulos seguintes, a análise da frase inicial e a tradução.

Neste capítulo você vai
  • Situar César e os Comentários e explicar o efeito da narração em terceira pessoa.
  • Ler e traduzir De bello Gallico I, 1 com o vocabulário e as notas, e desenhar (numa tabela ou num esboço) a divisão da Gália que o texto descreve.
  • Identificar cada oração relativa do texto, o seu antecedente (expresso, omitido ou retomado) e o caso do relativo.
  • Reconhecer e traduzir a oração infinitiva (quam Gallōs obtinēre dictum est; eōs … iter facere cōnārī) e o ablativo absoluto de data (M. Messālā, M. Pīsōne cōnsulibus).
  • Explicar os usos dos casos mais frequentes do trecho: ablativo de especificação, dativo com proximus, ab no sentido de "do lado de".
CésarCommentarii de bello GallicoGallia est omnis divisanarração em terceira pessoageografia da Gáliabelgas, aquitanos e celtasrios da Gáliaorações relativasantecedente omitidorelativo de ligação (quā dē causā)quibuscumoração infinitiva em textodictum est com oração infinitivaablativo absoluto com cōnsulibusablativo de especificaçãodativo com proximussuperlativosgerundivo (glosa)cum com indicativoleitura comentada

Antes deste capítulo: Capítulos 28 e 30: a oração infinitiva (acusativo com infinitivo) e o ablativo absoluto, que você vai encontrar no texto e nos dois trechos complementares (I, 2 e I, 7). Também são usados os pronomes relativos (capítulo 16), os superlativos (capítulo 18), os usos dos casos (capítulos 20–21) e a passiva (capítulos 23–24). O gerundivo (capítulo 31) e o cum com indicativo (capítulo 34) aparecem uma vez cada e estão glosados. · capítulo 28 · capítulo 30

  1. César e os seus Comentários
  2. O texto: Guerra da Gália I, 1
  3. Vocabulário e notas
  4. A Gália em tabela: povos, rios e montes
  5. Relativas, oração infinitiva e ablativo absoluto
  6. Análise, diagrama e tradução
  7. Erros comuns
  8. Prática guiada
  9. Exercícios independentes
  10. Leituras recomendadas
  11. Créditos e fontes

César e os seus Comentários ⚑

Caio Júlio César (Gāius Iūlius Caesar, 100–44 a.C.) foi general, político e, para a posteridade, também escritor. Entre 58 e 50 a.C., como governador das províncias da Gália, conduziu as campanhas que submeteram a Roma o território das atuais França e Bélgica e de partes da Suíça, da Alemanha e dos Países Baixos. Sobre essas campanhas ele escreveu os Commentāriī dē bellō Gallicō, os "Comentários sobre a Guerra da Gália", em sete livros, um por ano de guerra (um oitavo foi acrescentado depois por Aulo Hírcio, um oficial seu). O título é modesto de propósito: commentārius era um relatório, uma coleção de notas que serviria de material para um historiador. O resultado, porém, é uma prosa tão clara, regular e econômica que se tornou, por séculos, o primeiro texto clássico lido nas escolas.

A característica mais conhecida dos Comentários é que César fala de si mesmo na terceira pessoa. Ele nunca diz "eu fiz", e sim "César fez": o general aparece como um personagem entre outros, visto de fora, o que dá ao relato um ar de objetividade (e torna a autopromoção menos evidente). Veja o começo do capítulo 7 do livro I, quando César recebe a notícia de que os helvécios querem atravessar a província romana:

Caesarī cum id nūntiātum esset, eōs per prōvinciam nostram iter facere cōnārī, mātūrat ab urbe proficīscī.
Quando foi anunciado a César que eles tentavam fazer caminho pela nossa província, ele se apressa a partir da cidade. (Guerra da Gália I, 7, 1)

Três traços do estilo de César já estão nessa frase. O sujeito é César, chamado pelo nome (Caesarī, dativo: "a César"), e o verbo principal está na 3ª pessoa. O conteúdo da notícia vem numa oração infinitiva (capítulo 28): eōs … iter facere cōnārī, "que eles tentavam fazer caminho", com o sujeito eōs no acusativo e o verbo cōnārī no infinitivo. E o verbo principal mātūrat está no presente histórico (Bennett § 259.3), que dá rapidez à ação. A única marca de primeira pessoa é o plural nostram, "nossa": é a voz do romano que escreve para romanos, não a de César indivíduo. A mesma voz aparece logo na primeira frase do livro, em nostrā (linguā), "na nossa língua".

O texto: Guerra da Gália I, 1 ⚑

O texto é o da edição de T. Rice Holmes (Oxford, 1914), conferido no Perseus, que a reproduz, e na The Latin Library, que traz as mesmas palavras. A numeração é a dos parágrafos modernos (§§ 1–7). A edição de Holmes (que morreu em 1933) está em domínio público. Holmes põe os §§ 5–7 entre colchetes: ele e outros editores suspeitaram que essa descrição das fronteiras tivesse sido acrescentada ao texto por outra mão. A questão é para especialistas; as edições escolares imprimem o capítulo inteiro, e este livro faz o mesmo. Os macrons são acréscimo deste livro.

César, Guerra da Gália I, 1
§Texto latino (ed. Holmes, 1914)
1Gallia est omnis dīvīsa in partēs trēs, quārum ūnam incolunt Belgae, aliam Aquītānī, tertiam quī ipsōrum linguā Celtae, nostrā Gallī appellantur.
2Hī omnēs linguā, īnstitūtīs, lēgibus inter sē differunt. Gallōs ab Aquītānīs Garumna flūmen, ā Belgīs Matrona et Sēquana dīvidit.
3Hōrum omnium fortissimī sunt Belgae, proptereā quod ā cultū atque hūmānitāte prōvinciae longissimē absunt, minimēque ad eōs mercātōrēs saepe commeant atque ea quae ad effēminandōs animōs pertinent important,
4proximīque sunt Germānīs, quī trāns Rhēnum incolunt, quibuscum continenter bellum gerunt. Quā dē causā Helvētiī quoque reliquōs Gallōs virtūte praecēdunt, quod ferē cotīdiānīs proeliīs cum Germānīs contendunt, cum aut suīs fīnibus eōs prohibent aut ipsī in eōrum fīnibus bellum gerunt.
5Eōrum ūna pars, quam Gallōs obtinēre dictum est, initium capit ā flūmine Rhodanō, continētur Garumnā flūmine, Ōceanō, fīnibus Belgārum, attingit etiam ab Sēquanīs et Helvētiīs flūmen Rhēnum, vergit ad septentriōnēs.
6Belgae ab extrēmīs Galliae fīnibus oriuntur, pertinent ad īnferiōrem partem flūminis Rhēnī, spectant in septentriōnem et orientem sōlem.
7Aquītānia ā Garumnā flūmine ad Pȳrēnaeōs montēs et eam partem Ōceanī quae est ad Hispāniam pertinet; spectat inter occāsum sōlis et septentriōnēs.

O capítulo tem duas partes. Os §§ 1–4 são etnografia: quem mora na Gália, como esses povos se distinguem e qual deles é o mais valente, e por quê. Os §§ 5–7 são geografia: os limites e a orientação de cada parte. Repare como o texto avança por retomadas: cada frase começa com uma palavra que se refere ao que acabou de ser dito (Hī omnēs, Hōrum omnium, Quā dē causā, Eōrum). Esse encadeamento é uma das razões da clareza de César, e Bennett o registra como regra da ordem latina (§ 350.9): palavras que se referem à frase anterior vêm em primeiro lugar.

Leia em blocos. César escreve frases longas, mas feitas de blocos curtos e paralelos. Em Hī omnēs linguā, īnstitūtīs, lēgibus inter sē differunt, os três ablativos formam um bloco; em initium capit …, continētur …, attingit …, vergit … (§ 5), quatro verbos com o mesmo sujeito descrevem a mesma região. Antes de traduzir, marque os verbos e os blocos que dependem de cada um.

Vocabulário e notas ⚑

Vocabulário de Guerra da Gália I, 1
No textoDicionárioSentido aquiNota
GalliaGallia, -ae (f.)a Gáliaaqui, a Gália "livre", fora da província romana
omnisomnis, -econsiderada no todocom sentido coletivo: "a Gália, no seu conjunto"
est … dīvīsadīvidō, -ere, dīvīsī, dīvīsumestá divididaparticípio como predicativo: um estado, não um ato
in partēs trēspars, partis (f.)em três partesin + acusativo: o resultado da divisão
quārumquī, quae, quoddas quaisgenitivo plural feminino; antecedente partēs
incoluntincolō, -ere, -coluīhabitamtransitivo: ūnam (partem) incolunt
Belgae, AquītānīBelgae, -ārum; Aquītānī, -ōrum (m.)os belgas, os aquitanossujeitos de incolunt
ipsōrum linguāipse, -a, -um; lingua, -aena língua deles mesmosablativo de meio; ipsōrum contrasta com nostrā
nostrānoster, -tra, -trumna nossa (língua)subentende-se linguā: elipse
appellanturappellō, -āre, -āvī, -ātumsão chamadospresente passivo (capítulo 23)
īnstitūtīsīnstitūtum, -ī (n.)costumes, instituiçõesablativo de especificação, com linguā e lēgibus
inter sē differuntdifferō, differre (irregular)diferem entre siinter sē: reciprocidade
Garumna flūmenGarumna, -ae (m.); flūmen, -inis (n.)o rio Garonaflūmen em aposto
Matrona et SēquanaMatrona, -ae (m.); Sēquana, -ae (f.; m. em Plínio)o Marne e o Senadois sujeitos com verbo no singular (dīvidit); gêneros conforme o Lewis & Short
fortissimīfortis, -e (superlativo)os mais valentessuperlativo relativo com genitivo partitivo (hōrum omnium)
proptereā quodconjunção causalporquecausa dada pelo próprio autor: indicativo
ā cultū atque hūmānitātecultus, -ūs (m.); hūmānitās, -ātis (f.)da civilização e do refinamentoā + ablativo de separação com absunt
prōvinciaeprōvincia, -ae (f.)da Provínciaa província romana no sul da Gália (hoje, Provença)
longissimē absuntlongē; absum, abesse, āfuīestão muito longesuperlativo do advérbio
minimē … saepeadvérbiosmuito raramentelê-se junto: "o menos frequentemente possível"
mercātōrēsmercātor, -ōris (m.)mercadoressujeito de commeant e de important
commeantcommeō, -ārevão e vêmo vaivém do comércio
ea quae … pertinentis, ea, id; pertineō, -ēreas coisas que servem para…ea: neutro plural, objeto de important
ad effēminandōs animōseffēminō, -āre; animus, -ī (m.)para amolecer os ânimosgerundivo com ad: finalidade (capítulo 31)
importantimportō, -āretrazem, importampresente
proximī … Germānīsproximus, -a, -umos mais próximos dos germanosdativo com adjetivo de proximidade
trāns RhēnumRhēnus, -ī (m.)do outro lado do Renotrāns + acusativo
quibuscumquī + cumcom os quaisa preposição vem depois do relativo (Bennett § 142.4)
continenteradvérbiocontinuamente, sem parar
bellum geruntgerō, -ere, gessī, gestumfazem guerraexpressão fixa
Quā dē causāquī; causapor essa razãorelativo de ligação: = et eā dē causā
HelvētiīHelvētiī, -ōrum (m.)os helvéciospovo gaulês da atual Suíça
reliquōsreliquus, -a, -umos demaisconcorda com Gallōs
virtūte praecēduntvirtūs, -ūtis (f.); praecēdō, -eresuperam em valorablativo de especificação
cotīdiānīs proeliīscotīdiānus, -a, -um; proelium, -ī (n.)em combates diáriosablativo de meio ou de circunstância
contenduntcontendō, -ere, -tendī, -tentumlutam, combatem
cum aut … aut …conjunçãoquando ou … ou …cum com indicativo: explica o "combater"
suīs fīnibus eōs prohibentfīnis, -is (m.), pl. território; prohibeō, -ēreos mantêm longe do seu territórioablativo de separação; suīs = dos helvécios, eōs = os germanos
in eōrum fīnibusisno território deles (dos germanos)eōrum, não reflexivo: outra pessoa
Eōrum ūna parsis; parsuma parte delesa parte dos gauleses propriamente ditos
quam Gallōs obtinēre dictum estobtineō, -ēre; dīcōque, como foi dito, os gauleses ocupamoração infinitiva com dictum est: seção 5
initium capitinitium, -ī (n.); capiōcomeçaliteralmente "toma o seu início"
ā flūmine RhodanōRhodanus, -ī (m.)no rio Ródanoā: ponto de partida
continēturcontineō, -ēreé limitadapassiva, com três ablativos de meio
ŌceanōŌceanus, -ī (m.)pelo Oceanoo Atlântico
attingitattingō, -eretoca, alcança
ab Sēquanīs et HelvētiīsSēquanī, -ōrum (m.)do lado dos séquanos e helvéciosab = "do lado de", não agente
vergit ad septentriōnēsvergō, -ere; septentriōnēs, -um (m.)volta-se para o norteseptentriōnēs: as sete estrelas da Ursa Maior
ab extrēmīs Galliae fīnibus oriunturextrēmus, -a, -um; orior, orīrī, ortus sumcomeçam nos confins extremos da Gáliaos belgas pelo território deles; depoente
pertinent adpertineōestendem-se atémesmo verbo do § 3, com outro sentido
īnferiōrem partemīnferior, -iusa parte inferior (o curso baixo)perto da foz do Reno
spectant inspectō, -āreestão voltados para
orientem sōlemoriēns, -entis (particípio de orior); sōl, sōlis (m.)o sol nascente, o leste
Pȳrēnaeōs montēsPȳrēnaeus, -a, -um; mōns, montis (m.)os montes Pireneus
ad HispāniamHispānia, -ae (f.)junto à Hispâniaad: proximidade
occāsum sōlisoccāsus, -ūs (m.)o pôr do sol, o oesteinter occāsum … et septentriōnēs: o noroeste

Notas aos parágrafos

§ 1. Gallia est omnis dīvīsa: dīvīsa pode ser lido como parte de um perfeito passivo ("foi dividida") ou, melhor aqui, como predicativo que descreve um estado ("está dividida"); César não fala de quem dividiu, mas de como a Gália se apresenta. Omnis, separado de Gallia e posto depois do verbo, significa "tomada no seu conjunto". Na última oração falta o antecedente do relativo: tertiam (incolunt eī) quī … appellantur, "a terceira, (habitam-na aqueles) que se chamam…". § 2. Dīvidit está no singular com dois sujeitos (Matrona et Sēquana): o verbo concorda com o mais próximo, o que é comum quando os sujeitos formam uma ideia só, "a linha Marne-Sena".

§§ 3–4. A explicação da valentia dos belgas tem três causas, todas no indicativo depois de proptereā quod, porque é o próprio autor quem as afirma (Bennett § 286.1): estão longe da civilização da Província; os mercadores quase não lhes levam artigos de luxo; e vivem em guerra com os germanos. Minimē … saepe se lê junto: "muito raramente". Ad effēminandōs animōs é um gerundivo com ad, que indica finalidade: "para amolecer os ânimos" (capítulo 31; Bennett § 339.2). Quā dē causā começa uma frase nova com um relativo que retoma a anterior ("e por essa causa"): é o relativo de ligação, e a preposição dē fica entre o relativo e o nome (Bennett § 350.7.b). Cum aut … prohibent aut … gerunt: cum com indicativo presente, "quando", explica em que consistem os combates diários (Allen e Greenough § 547).

§§ 5–7. A descrição das fronteiras usa sempre os mesmos verbos de "começar", "estender-se", "tocar" e "estar voltado para". Eōrum ūna pars refere-se à parte dos gauleses propriamente ditos. Continētur Garumnā flūmine, Ōceanō, fīnibus Belgārum: a passiva com três ablativos de meio, "é contida, limitada por". Atenção a ab Sēquanīs et Helvētiīs: com nomes de lugar ou de povo, ab indica "do lado de", "na região de", e não o agente da passiva. Em Belgae … oriuntur, os belgas estão no lugar do território deles: é uma metonímia comum em César.

A Gália em tabela: povos, rios e montes ⚑

O capítulo é, ao mesmo tempo, um mapa. Os romanos raramente desenhavam mapas para acompanhar um texto: a geografia era feita com palavras, a partir de pontos de referência (rios, montes, o mar) e de orientações pelo céu (septentriōnēs, as estrelas do norte; o sol nascente e o poente). Organize primeiro as informações sobre os povos:

Os povos de Guerra da Gália I, 1
Nome latino (forma no texto)PortuguêsOnde, segundo CésarHoje, aproximadamente
Belgaebelgasao norte; dos confins da Gália até o curso inferior do Renonorte da França, Bélgica
Aquītānī; região Aquītāniaaquitanos; Aquitâniaao sudoeste; do Garona aos Pireneussudoeste da França
Celtae (na língua deles) = Gallī (na nossa)celtas, gaulesesa parte central, entre o Garona, o Sena e o Marne, e o Ródanocentro da França
Germānī (Germānīs)germanosdo outro lado do RenoAlemanha
Helvētiīhelvéciosum povo gaulês junto ao Reno, em guerra com os germanosSuíça
Sēquanī (ab Sēquanīs)séquanospovo gaulês junto ao Reno, vizinho dos helvéciosFranco-Condado (leste da França)
prōvincia (prōvinciae)a Provínciaterritório já romano, ao sul (de onde vem a "civilização")Provença e Languedoque

Depois, os acidentes geográficos, que funcionam como as linhas do mapa:

Rios, montes e mares
No textoNominativoPortuguêsPapel na descrição
Garumna flūmen; Garumnā flūmineGarumnario Garonasepara os gauleses dos aquitanos; início da Aquitânia
MatronaMatronario Marnecom o Sena, separa os gauleses dos belgas
SēquanaSēquanario Senaidem
Rhēnum, RhēnīRhēnusrio Renofronteira com os germanos; os belgas chegam ao seu curso inferior
ā flūmine RhodanōRhodanusrio Ródanoponto de partida da parte dos gauleses
Ōceanō, ŌceanīŌceanuso Oceano (Atlântico)limite a oeste
ad Pȳrēnaeōs montēsPȳrēnaeī montēsmontes Pireneuslimite sul da Aquitânia
ad HispāniamHispāniaHispânia (Península Ibérica)a parte do Oceano junto a ela fecha a Aquitânia

Agora junte tudo num quadro de três partes, como César as apresenta. Se quiser, desenhe um esboço: um retângulo com o Reno no alto à direita, o Oceano à esquerda, os Pireneus embaixo, o Ródano à direita e, cortando o retângulo, o Garona (embaixo) e o Sena com o Marne (em cima).

A divisão da Gália segundo César
ParteHabitantesLimites (§§ 2 e 5–7)Voltada para
1. A Gália "céltica"Celtae / Gallīcomeça no Ródano; limitada pelo Garona, pelo Oceano e pelas fronteiras dos belgas; toca o Reno do lado dos séquanos e helvécioso norte (ad septentriōnēs)
2. A BélgicaBelgaecomeça nos confins da Gália (o Sena e o Marne); estende-se até o curso inferior do Renoo norte e o leste (in septentriōnem et orientem sōlem)
3. A AquitâniaAquītānīdo Garona aos Pireneus e à parte do Oceano junto à Hispâniaentre o poente e o norte (o noroeste)

Relativas, oração infinitiva e ablativo absoluto ⚑

O primeiro capítulo de César é um bom exercício de orações relativas (capítulo 16), porque mostra quase todas as maneiras de usá-las. A regra é sempre a mesma: o relativo concorda com o antecedente em gênero e número, mas o seu caso vem da função na sua própria oração (Bennett § 250.1; Allen e Greenough § 305). O que varia é a posição do antecedente.

As orações relativas de I, 1
RelativoCaso e númeroAntecedenteFunção na relativaObservação
quārum (§ 1)gen. pl. fem.partēspartitivo: "das quais uma…"liga a frase à enumeração
quī (§ 1)nom. pl. masc.omitido: (eī) "aqueles"sujeito de appellanturantecedente omitido (Bennett § 251.1)
quae (§ 3)nom. pl. neutroeasujeito de pertinentea quae: "as coisas que"
quī (§ 4)nom. pl. masc.Germānīssujeito de incolunto antecedente está no dativo, o relativo no nominativo
quibuscum (§ 4)abl. pl. masc.Germānīscom cum: companhiacum anexado ao relativo (Bennett § 142.4)
Quā (dē causā) (§ 4)abl. sing. fem.a frase anterior inteiraadjetivo de causārelativo de ligação: "por essa causa"
quam (§ 5)ac. sing. fem.parsobjeto do infinitivo obtinēredentro de uma oração infinitiva
quae (§ 7)nom. sing. fem.partemsujeito de est"a parte do Oceano que fica junto à Hispânia"

O relativo do § 5 merece um comentário à parte, porque nele se cruzam as duas construções que são o pré-requisito deste capítulo. Em quam Gallōs obtinēre dictum est, o verbo principal da relativa é dictum est, "foi dito", um perfeito passivo usado impessoalmente. O que foi dito vem numa oração infinitiva (capítulo 28): Gallōs obtinēre, com o sujeito Gallōs no acusativo e o verbo obtinēre no infinitivo; e o objeto desse infinitivo é o próprio relativo quam. Literalmente: "a qual foi dito os gauleses ocuparem", isto é, "a qual, como foi dito, os gauleses ocupam". Não confunda os acusativos: quam é o objeto, Gallōs é o sujeito, e o que decide é o sentido (os gauleses ocupam a parte, não o contrário) e o fato de que quam, feminino singular, só pode retomar pars. A oração infinitiva funciona como sujeito de dictum est, o mesmo uso que Bennett descreve no § 330 para as expressões impessoais.

A oração infinitiva em César
LatimSujeito do infinitivo (acusativo)Verbo que a regeTradução
quam Gallōs obtinēre dictum est (I, 1, 5)Gallōsdictum est, impessoalque, como foi dito, os gauleses ocupam
cum id nūntiātum esset, eōs per prōvinciam nostram iter facere cōnārī (I, 7, 1)eōs (os helvécios)nūntiātum esset; id anuncia a oraçãoquando foi anunciado que eles tentavam passar pela nossa província

O ablativo absoluto (capítulo 30) não aparece no capítulo 1, mas aparece logo na segunda frase do capítulo 2, na forma mais típica dos historiadores romanos: a data dada pelos nomes dos cônsules do ano.

Apud Helvētiōs longē nōbilissimus fuit et dītissimus Orgetorix. Is M. Messālā, M. Pīsōne cōnsulibus rēgnī cupiditāte inductus coniūrātiōnem nōbilitātis fēcit.
Entre os helvécios, o mais nobre e o mais rico, de longe, foi Orgetórix. Este, no consulado de Marco Messala e Marco Pisão, levado pelo desejo do poder real, fez uma conspiração da nobreza. (Guerra da Gália I, 2, 1)

M. Messālā, M. Pīsōne cōnsulibus é um ablativo absoluto sem particípio: dois nomes próprios e o nome cōnsulibus, todos no ablativo, literalmente "sendo cônsules Marco Messala e Marco Pisão" (Bennett § 227.1; Allen e Greenough § 419.a). Como o latim não tem particípio presente de esse, o "sendo" fica subentendido. Os romanos datavam os anos assim, pelos cônsules: esses dois foram cônsules em 61 a.C. (693 da cidade, pela conta do capítulo 43). Holmes imprime ainda as palavras [et P.] entre os dois nomes, marcadas como espúrias; este livro as omite. Note também o particípio conjunto inductus, "levado", concordando com Is, e o ablativo de causa rēgnī cupiditāte.

Outros usos do trecho
ConstruçãoExemplo no textoRegraReferência
ablativo de especificaçãolinguā, īnstitūtīs, lēgibus … differunt; virtūte praecēdunto ablativo diz "em que aspecto"Bennett § 226 (com Helvētiī … virtūte praestābant)
dativo com adjetivoproximī … Germānīsadjetivos de proximidade pedem dativoBennett § 192.1 (com sunt proximī Germānīs)
superlativo com genitivoHōrum omnium fortissimī"os mais valentes de todos estes"capítulo 18
ablativo de separaçãosuīs fīnibus eōs prohibent; ā cultū … absuntverbos de afastar e de estar longeBennett § 214
gerundivo com adad effēminandōs animōsfinalidade: "para amolecer os ânimos"Bennett § 339.2; capítulo 31

Análise, diagrama e tradução ⚑

A primeira frase de César é, provavelmente, a frase mais citada da prosa latina. Analise-a palavra a palavra:

César, Guerra da Gália I, 1, 1
PalavraDicionárioAnáliseFunção
GalliaGallia, -ae (f.), Gálianominativo singularsujeito de est dīvīsa
estsum, esse, fuīpresente do indicativo, 3ª sing.verbo de ligação
omnisomnis, -e, todonominativo singular femininoconcorda com Gallia: "no seu conjunto"
dīvīsadīvidō, -ere, dīvīsī, dīvīsum, dividirparticípio perfeito passivo, nom. sing. fem.predicativo do sujeito: "dividida"
in partēs trēspars, partis (f.); trēs, triain + acusativo pluralresultado da divisão: "em três partes"
quārumquī, quae, quod (relativo)genitivo plural femininopartitivo, depende de ūnam; antecedente partēs
ūnamūnus, -a, -umacusativo singular femininoobjeto de incolunt (subentende-se partem)
incoluntincolō, -ere, incoluī, habitarpresente do indicativo, 3ª pl.verbo da relativa, que vale também para os membros seguintes
BelgaeBelgae, -ārum (m.), belgasnominativo pluralsujeito de incolunt
aliamalius, -a, -ud, outroacusativo singular femininoobjeto de incolunt subentendido
AquītānīAquītānī, -ōrum (m.)nominativo pluralsujeito de incolunt subentendido
tertiamtertius, -a, -um, terceiroacusativo singular femininoobjeto de incolunt subentendido
quīquī, quae, quod (relativo)nominativo plural masculinosujeito de appellantur; antecedente omitido (eī), sujeito de incolunt
ipsōrumipse, ipsa, ipsumgenitivo plural masculinodetermina linguā: "deles mesmos"
linguālingua, -ae (f.), línguaablativo singularmeio: "na língua"
CeltaeCeltae, -ārum (m.)nominativo pluralpredicativo com appellantur
nostrānoster, nostra, nostrumablativo singular femininoconcorda com linguā subentendido
GallīGallī, -ōrum (m.)nominativo pluralpredicativo com appellantur
appellanturappellō, -āre, -āvī, -ātum, chamarpresente do indicativo passivo, 3ª pl.verbo da relativa: "são chamados"

A frase tem uma oração principal curta e uma relativa longa, em que o verbo incolunt é dito uma vez e vale três vezes (elipse), e a terceira parte traz uma segunda relativa, com o antecedente omitido. Em diagrama:

Galliasujeitonom. sing. f.est omnis dīvīsapredicadoestadoin partēs trēsresultadoin + acusativoquārum ūnam … aliam … tertiamrelativaincolunt três vezesquī … appellanturrelativaantecedente omitido
Esqueleto: Gallia est omnis dīvīsa in partēs trēs; depois, quārum distribui as três partes entre os três povos.
Tradução de Guerra da Gália I, 1
§Tradução (Bibliotheca Latina)
1A Gália, no seu conjunto, está dividida em três partes: uma delas é habitada pelos belgas, outra pelos aquitanos, e a terceira por aqueles que, na sua própria língua, se chamam celtas e, na nossa, gauleses.
2Todos esses povos diferem entre si na língua, nas instituições e nas leis. O rio Garona separa os gauleses dos aquitanos; o Marne e o Sena separam-nos dos belgas.
3De todos esses, os mais valentes são os belgas, porque estão muito longe da civilização e do refinamento da Província, porque os mercadores raramente vão até eles levar as coisas que servem para amolecer os ânimos,
4e porque são os vizinhos mais próximos dos germanos, que moram do outro lado do Reno e com os quais estão em guerra continuamente. Por essa razão também os helvécios superam em valor os demais gauleses: combatem com os germanos em batalhas quase diárias, quando os mantêm afastados do seu próprio território ou quando eles mesmos fazem guerra no território deles.
5A parte que, como foi dito, os gauleses ocupam começa no rio Ródano; é limitada pelo rio Garona, pelo Oceano e pelas fronteiras dos belgas; do lado dos séquanos e dos helvécios, toca também o rio Reno; está voltada para o norte.
6O território dos belgas começa nos confins extremos da Gália, estende-se até o curso inferior do rio Reno e está voltado para o norte e para o leste.
7A Aquitânia estende-se do rio Garona até os montes Pireneus e até a parte do Oceano que fica junto à Hispânia; está voltada para o noroeste, entre o poente e o norte.

Algumas escolhas. A passiva de incolunt ("é habitada pelos belgas") deixa as três partes como sujeito em português, o que mantém o foco de César nas partes; "os belgas habitam uma delas" também estaria certo. As três causas do §§ 3–4 foram marcadas com "porque" repetido, para que o leitor perceba que proptereā quod rege as três. Eōrum ūna pars virou simplesmente "a parte", porque "uma parte deles" soaria estranho depois de uma descrição de povos. E Belgae … oriuntur virou "o território dos belgas começa": o português não aceita bem a metonímia latina do povo pelo território.

Resumo

Com César termina o primeiro bloco da parte IV, dedicado à prosa narrativa. O capítulo 45 passa à poesia lírica, com Catulo e Horácio.

Erros comuns ⚑

Prática guiada ⚑

Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.

Prática guiada 1 · Por que os belgas são os mais valentes (§§ 3–4)

Traduza: Hōrum omnium fortissimī sunt Belgae, proptereā quod ā cultū atque hūmānitāte prōvinciae longissimē absunt, … proximīque sunt Germānīs, quī trāns Rhēnum incolunt, quibuscum continenter bellum gerunt.

  1. Qual é a oração principal?
    Ver o passo

    Hōrum omnium fortissimī sunt Belgae: sujeito Belgae, verbo sunt, predicativo fortissimī (superlativo) com o genitivo partitivo hōrum omnium: "De todos estes, os mais valentes são os belgas".

  2. O que proptereā quod introduz, e por que o verbo está no indicativo?
    Ver o passo

    A causa: "porque". O indicativo (absunt, e depois sunt, commeant, important) mostra que é o próprio César quem afirma a causa (Bennett § 286.1).

  3. Traduza ā cultū atque hūmānitāte prōvinciae longissimē absunt.
    Ver o passo

    Absunt, "estão longe", com ā + ablativo de separação; prōvinciae, genitivo, determina os dois nomes; longissimē, superlativo de longē: "estão muito longe da civilização e do refinamento da Província".

  4. Que caso é Germānīs, e de que depende?
    Ver o passo

    Dativo plural, regido pelo adjetivo proximī: "os mais próximos dos germanos" (Bennett § 192.1, que cita esta mesma passagem). O -que de proximīque liga esta causa às anteriores.

  5. Quais são os antecedentes de quī e de quibuscum?
    Ver o passo

    Os dois retomam Germānīs. Quī está no nominativo (sujeito de incolunt); quibuscum é o ablativo quibus com a preposição cum posposta (Bennett § 142.4), "com os quais". O sujeito de gerunt volta a ser os belgas.

  6. Monte a tradução.
    Ver o passo

    "De todos estes, os mais valentes são os belgas, porque estão muito longe da civilização e do refinamento da Província, … e porque são os vizinhos mais próximos dos germanos, que moram do outro lado do Reno, e com os quais fazem guerra continuamente."

Prática guiada 2 · A parte dos gauleses (§ 5)

Traduza: Eōrum ūna pars, quam Gallōs obtinēre dictum est, initium capit ā flūmine Rhodanō, continētur Garumnā flūmine, Ōceanō, fīnibus Belgārum.

  1. Qual é o sujeito, e quantos verbos ele tem?
    Ver o passo

    Eōrum ūna pars, "uma parte deles". Tem dois verbos neste trecho: initium capit ("começa") e continētur ("é limitada"); no texto completo, mais dois (attingit, vergit).

  2. Analise a relativa quam Gallōs obtinēre dictum est.
    Ver o passo

    Verbo da relativa: dictum est, impessoal, "foi dito". Dele depende a oração infinitiva Gallōs obtinēre (sujeito Gallōs, acusativo), cujo objeto é quam (= pars). "Que, como foi dito, os gauleses ocupam."

  3. O que indica ā flūmine Rhodanō?
    Ver o passo

    O ponto de partida: ā + ablativo com initium capit, "começa no (a partir do) rio Ródano".

  4. E os três ablativos depois de continētur?
    Ver o passo

    Garumnā flūmine, Ōceanō, fīnibus Belgārum são ablativos de meio com o verbo passivo: "é limitada pelo rio Garona, pelo Oceano e pelas fronteiras dos belgas". Não levam ā, porque não são pessoas que agem, e sim limites.

  5. Monte a tradução.
    Ver o passo

    "A parte deles que, como foi dito, os gauleses ocupam começa no rio Ródano e é limitada pelo rio Garona, pelo Oceano e pelas fronteiras dos belgas."

Conclusão: numa relativa com oração infinitiva, ache primeiro o verbo conjugado (dictum est), depois o infinitivo e o seu sujeito acusativo, e por último o papel do relativo dentro da oração infinitiva.

Exercícios independentes ⚑

Faça por escrito ou em voz alta; abra "Ver resposta" só depois de tentar. A explicação da resposta faz parte da lição.

Exercício 1 · Compreensão

Responda em português, citando o texto latino.

  1. Em quantas partes César divide a Gália, e quem habita cada uma?
    Ver resposta

    Em três: os belgas, os aquitanos e os celtas, chamados gauleses pelos romanos (quārum ūnam incolunt Belgae, aliam Aquītānī, tertiam quī ipsōrum linguā Celtae, nostrā Gallī appellantur).

  2. Em que os três povos diferem?
    Ver resposta

    Na língua, nas instituições e nas leis: linguā, īnstitūtīs, lēgibus inter sē differunt.

  3. Quais são as três razões da valentia dos belgas?
    Ver resposta

    Estão longe da civilização da Província; os mercadores raramente lhes levam artigos que amolecem os ânimos; e são vizinhos dos germanos, com quem vivem em guerra (§§ 3–4).

  4. Por que os helvécios superam os outros gauleses?
    Ver resposta

    Porque combatem quase todo dia com os germanos, defendendo o próprio território ou atacando o deles: quod ferē cotīdiānīs proeliīs cum Germānīs contendunt.

  5. Onde fica a Aquitânia?
    Ver resposta

    Entre o Garona, os Pireneus e a parte do Oceano junto à Hispânia; voltada para o noroeste (§ 7).

Exercício 2 · O mapa

Responda com base no texto e nas tabelas da seção 4.

  1. Que rio separa os gauleses dos aquitanos?
    Ver resposta

    O Garona: Gallōs ab Aquītānīs Garumna flūmen … dīvidit.

  2. Que rios separam os gauleses dos belgas?
    Ver resposta

    O Marne e o Sena: ā Belgīs Matrona et Sēquana dīvidit.

  3. Que rio separa os gauleses (e os belgas) dos germanos?
    Ver resposta

    O Reno: os germanos moram trāns Rhēnum, "do outro lado do Reno".

  4. Para que direção está voltada a Bélgica? Traduza a expressão latina.
    Ver resposta

    In septentriōnem et orientem sōlem: "para o norte e para o sol nascente", isto é, para o nordeste.

  5. O que significam occāsus sōlis e septentriōnēs?
    Ver resposta

    "O pôr do sol" (o oeste) e "as sete estrelas" da Ursa Maior (o norte). César orienta o mapa pelo céu.

Exercício 3 · Os relativos

Para cada relativo, dê o caso, o antecedente e a função.

  1. quārum (§ 1)
    Ver resposta

    Genitivo plural feminino; antecedente partēs; partitivo, depende de ūnam: "das quais uma".

  2. quae em ea quae ad effēminandōs animōs pertinent (§ 3)
    Ver resposta

    Nominativo plural neutro; antecedente ea; sujeito de pertinent: "as coisas que servem para…".

  3. quibuscum (§ 4)
    Ver resposta

    Ablativo plural masculino com cum; antecedente Germānīs; companhia: "com os quais".

  4. Quā em Quā dē causā (§ 4)
    Ver resposta

    Ablativo singular feminino, concorda com causā; retoma a frase anterior inteira (relativo de ligação): "por essa causa".

  5. quam (§ 5)
    Ver resposta

    Acusativo singular feminino; antecedente pars; objeto do infinitivo obtinēre.

  6. quae (§ 7)
    Ver resposta

    Nominativo singular feminino; antecedente partem; sujeito de est: "a parte do Oceano que fica junto à Hispânia".

Exercício 4 · Oração infinitiva e ablativo absoluto

Faça o que se pede em cada item.

  1. Passe para uma oração infinitiva depois de Caesar scrībit ("César escreve"): Belgae fortissimī sunt.
    Ver resposta

    Caesar scrībit Belgās fortissimōs esse. O sujeito vai ao acusativo (Belgās), o verbo ao infinitivo (esse) e o predicativo concorda com o sujeito acusativo (fortissimōs): "César escreve que os belgas são os mais valentes".

  2. Idem: Helvētiī cum Germānīs contendunt.
    Ver resposta

    Caesar scrībit Helvētiōs cum Germānīs contendere. "César escreve que os helvécios combatem com os germanos." Presente do infinitivo: ação simultânea.

  3. Traduza e diga o tipo de construção: L. Pīsōne, A. Gabīniō cōnsulibus (Guerra da Gália I, 6, citado por Allen e Greenough § 424.g).
    Ver resposta

    Ablativo absoluto sem particípio: "no consulado de Lúcio Pisão e Aulo Gabínio" (58 a.C., o ano em que começa a guerra).

  4. Traduza: Caesarī cum id nūntiātum esset, eōs per prōvinciam nostram iter facere cōnārī, mātūrat ab urbe proficīscī. Explique eōs … cōnārī.
    Ver resposta

    "Quando foi anunciado a César que eles tentavam passar pela nossa província, ele se apressa a partir da cidade." Eōs … cōnārī é uma oração infinitiva (sujeito eōs, verbo cōnārī, infinitivo de depoente) que explica id, sujeito de nūntiātum esset.

Exercício 5 · Usos dos casos

Diga o caso e a função.

  1. linguā, īnstitūtīs, lēgibus (§ 2)
    Ver resposta

    Ablativos de especificação: "na língua, nas instituições, nas leis" (Bennett § 226).

  2. virtūte em reliquōs Gallōs virtūte praecēdunt (§ 4)
    Ver resposta

    Ablativo de especificação: superam "em valor".

  3. suīs fīnibus em suīs fīnibus eōs prohibent (§ 4)
    Ver resposta

    Ablativo de separação com prohibeō: "afastam-nos do seu território".

  4. Garumnā flūmine em continētur Garumnā flūmine (§ 5)
    Ver resposta

    Ablativo de meio com verbo passivo: "é limitada pelo rio Garona".

  5. ipsōrum linguā (§ 1)
    Ver resposta

    Linguā: ablativo de meio, "na (pela) língua"; ipsōrum: genitivo, "deles mesmos".

Exercício 6 · Traduza para o latim

Use o vocabulário do capítulo.

  1. Os belgas habitam uma parte da Gália.
    Ver resposta

    Belgae ūnam partem Galliae incolunt.

  2. O Reno separa os gauleses dos germanos.
    Ver resposta

    Rhēnus Gallōs ā Germānīs dīvidit. Mesma construção de Gallōs ab Aquītānīs Garumna flūmen … dīvidit.

  3. Os helvécios são os mais próximos dos germanos.
    Ver resposta

    Helvētiī proximī sunt Germānīs. Proximus pede dativo.

  4. Foi dito que os belgas são os mais valentes.
    Ver resposta

    Dictum est Belgās fortissimōs esse. Oração infinitiva como sujeito de dictum est, como no § 5.

Leituras recomendadas

Continue em César pelas seleções da DCC (no catálogo), que trazem o livro I com macrons, vocabulário e notas: leia I, 2–7, a conspiração de Orgetórix e a partida dos helvécios, onde aparecem muitos ablativos absolutos e orações infinitivas. The Gate to Caesar, de Collar, apresenta o livro II duas vezes, primeiro simplificado e depois no original, e é uma ótima ponte. O texto integral da edição de Holmes está no Perseus, com análise de cada palavra. A Vida de Aníbal, de Nepos, é outra prosa histórica clara, do mesmo período. Na gramática de Allen e Greenough, os §§ 597–598 comentam a ordem das palavras justamente na abertura da Guerra da Gália.

Etapa IV · Ad FontesDificuldade 3 · IntermediárioOriginal ÁudioCom notas

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Commentarii de Bello Gallico (texto integral)

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Os oito livros da Guerra da Gália completos (edição Holmes, 1914), sem notas, mas com análise morfológica de cada palavra ao clique. Para continuar César depois das seleções comentadas. Gravação completa no LibriVox.

Historiografia · Clássico · alguns meses · Perseus Digital Library

Ler aqui: texto latino da edição de T. Rice Holmes (1914)

Etapa III · FundamentaDificuldade 2 · BásicoSimplificadoCom notas

The Gate to Caesar (De Bello Gallico II, simplificado e original)

Gaius Iulius Caesar (ed. W. C. Collar)

O livro II da Guerra da Gália apresentado duas vezes: primeiro numa versão simplificada, depois no original, com notas, exercícios e vocabulário (1891). A ponte perfeita entre os leitores graduados e César autêntico.

Historiografia · Clássico · algumas semanas · Project Gutenberg

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Vita Hannibalis

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Biografia · Clássico · uma ou duas semanas · Dickinson College Commentaries

Etapa III · FundamentaDidático

Allen and Greenough's New Latin Grammar (edição DCC)

J. H. Allen e J. B. Greenough

A gramática de referência clássica em inglês (1903), em hipertexto com os parágrafos numerados tradicionais: pronúncia, morfologia, sintaxe, prosódia. Os comentários do DCC remetem a ela em cada nota. Para consultar, não para decorar.

Gramática · Moderno (material didático) · consulta · Dickinson College Commentaries

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Créditos e fontes

Autoria
Bibliotheca Latina. Conteúdo original com trechos de obras em domínio público; licença CC BY 4.0.
Fontes consultadas
  • C. Iuli Caesaris Commentarii rerum in Gallia gestarum VII, ed. T. Rice Holmes (Oxford: Clarendon, 1914), Caio Júlio César (no catálogo) · domínio público · texto de I, 1, I, 2.1 e I, 7.1 conferido no Perseus, que reproduz a edição de Holmes; Holmes põe I, 1, 5–7 entre colchetes e, em I, 2.1, as palavras [et P.]; comparado com a The Latin Library (caesar/gall1.shtml), mesmas palavras; macrons acrescentados
  • New Latin Grammar, Charles E. Bennett (no catálogo) · domínio público · § 142.4 (cum anexado ao relativo: quibuscum), § 192.1 (dativo com adjetivos de proximidade, com o exemplo sunt proximī Germānīs), § 214 (ablativo de separação), § 218 (ablativo de meio), § 226 (ablativo de especificação, com Helvētiī … virtūte praestābant), § 227 e 227.1 (ablativo absoluto; Cn. Pompejō, M. Crassō cōnsulibus), § 250.1 e 250.3 (concordância do relativo; Belgae, quae est tertia pars), § 251.1 (antecedente omitido), § 259.3 (presente histórico), § 286.1 (quod causal com indicativo), § 330 (infinitivo com sujeito acusativo como sujeito de expressões impessoais), § 331 (como objeto de verbos de dizer e saber), § 339.2 (gerundivo com ad: ad pācem petendam), § 350.7.b (quā dē causā), § 350.9 (palavras que retomam a frase anterior vêm primeiro)
  • Allen and Greenough's New Latin Grammar, J. H. Allen e J. B. Greenough (no catálogo) · domínio público · § 305 (concordância do relativo), § 307.c (antecedente omitido), §§ 383–384 (dativo com adjetivos), § 418 (ablativo de especificação), § 419 e 419.a (ablativo absoluto; L. Domitiō Ap. Claudiō cōnsulibus), § 424.g (datas pelos cônsules: L. Pīsōne A. Gabīniō cōnsulibus, B. G. 1, 6), § 506 (gerúndio e gerundivo com ad: finalidade), § 540 (quod causal com indicativo), § 547 (cum temporal com presente do indicativo), §§ 577–579 (discurso indireto; acusativo com infinitivo depois de verbos de dizer e saber), §§ 597–598 (ordem das palavras, com comentário de ênfase à abertura da Guerra da Gália)
  • Kennedy's Revised Latin Primer, Benjamin Hall Kennedy (no catálogo) · domínio público · § 195 (concordância do relativo), § 237 (ablativo absoluto; nātus est Augustus cōnsulibus Cicerōne et Antōniō)
  • Gramática Latina, Pe. João Ravizza (no catálogo) · domínio público · n. 175 (concordância do relativo), n. 296 (ablativo absoluto), n. 379 (acusativo com infinitivo depois de verbos de sentir e de dizer)
Para ir além
Commentarii de Bello Gallico (seleções), Commentarii de Bello Gallico (texto integral), The Gate to Caesar (De Bello Gallico II, simplificado e original), Vita Hannibalis, Allen and Greenough's New Latin Grammar (edição DCC) (ver Leituras recomendadas acima).