Leitura comentada do primeiro capítulo da Guerra da Gália (Gallia est omnis dīvīsa in partēs trēs): César e os seus Comentários, a narração em terceira pessoa, o texto latino com vocabulário e notas, um mapa em tabela dos povos, rios e montes, as orações relativas, a oração infinitiva e o ablativo absoluto no texto e nos capítulos seguintes, a análise da frase inicial e a tradução.
Neste capítulo você vai
Situar César e os Comentários e explicar o efeito da narração em terceira pessoa.
Ler e traduzir De bello Gallico I, 1 com o vocabulário e as notas, e desenhar (numa tabela ou num esboço) a divisão da Gália que o texto descreve.
Identificar cada oração relativa do texto, o seu antecedente (expresso, omitido ou retomado) e o caso do relativo.
Reconhecer e traduzir a oração infinitiva (quam Gallōs obtinēre dictum est; eōs … iter facere cōnārī) e o ablativo absoluto de data (M. Messālā, M. Pīsōne cōnsulibus).
Explicar os usos dos casos mais frequentes do trecho: ablativo de especificação, dativo com proximus, ab no sentido de "do lado de".
CésarCommentarii de bello GallicoGallia est omnis divisanarração em terceira pessoageografia da Gáliabelgas, aquitanos e celtasrios da Gáliaorações relativasantecedente omitidorelativo de ligação (quā dē causā)quibuscumoração infinitiva em textodictum est com oração infinitivaablativo absoluto com cōnsulibusablativo de especificaçãodativo com proximussuperlativosgerundivo (glosa)cum com indicativoleitura comentada
Antes deste capítulo: Capítulos 28 e 30: a oração infinitiva (acusativo com infinitivo) e o ablativo absoluto, que você vai encontrar no texto e nos dois trechos complementares (I, 2 e I, 7). Também são usados os pronomes relativos (capítulo 16), os superlativos (capítulo 18), os usos dos casos (capítulos 20–21) e a passiva (capítulos 23–24). O gerundivo (capítulo 31) e o cum com indicativo (capítulo 34) aparecem uma vez cada e estão glosados. · capítulo 28 · capítulo 30
Caio Júlio César (Gāius Iūlius Caesar, 100–44 a.C.) foi general, político e, para a posteridade, também escritor. Entre 58 e 50 a.C., como governador das províncias da Gália, conduziu as campanhas que submeteram a Roma o território das atuais França e Bélgica e de partes da Suíça, da Alemanha e dos Países Baixos. Sobre essas campanhas ele escreveu os Commentāriī dē bellō Gallicō, os "Comentários sobre a Guerra da Gália", em sete livros, um por ano de guerra (um oitavo foi acrescentado depois por Aulo Hírcio, um oficial seu). O título é modesto de propósito: commentārius era um relatório, uma coleção de notas que serviria de material para um historiador. O resultado, porém, é uma prosa tão clara, regular e econômica que se tornou, por séculos, o primeiro texto clássico lido nas escolas.
A característica mais conhecida dos Comentários é que César fala de si mesmo na terceira pessoa. Ele nunca diz "eu fiz", e sim "César fez": o general aparece como um personagem entre outros, visto de fora, o que dá ao relato um ar de objetividade (e torna a autopromoção menos evidente). Veja o começo do capítulo 7 do livro I, quando César recebe a notícia de que os helvécios querem atravessar a província romana:
Caesarī cum id nūntiātum esset, eōs per prōvinciam nostram iter facere cōnārī, mātūrat ab urbe proficīscī.
Quando foi anunciado a César que eles tentavam fazer caminho pela nossa província, ele se apressa a partir da cidade. (Guerra da Gália I, 7, 1)
Três traços do estilo de César já estão nessa frase. O sujeito é César, chamado pelo nome (Caesarī, dativo: "a César"), e o verbo principal está na 3ª pessoa. O conteúdo da notícia vem numa oração infinitiva (capítulo 28): eōs … iter facere cōnārī, "que eles tentavam fazer caminho", com o sujeito eōs no acusativo e o verbo cōnārī no infinitivo. E o verbo principal mātūrat está no presente histórico (Bennett § 259.3), que dá rapidez à ação. A única marca de primeira pessoa é o plural nostram, "nossa": é a voz do romano que escreve para romanos, não a de César indivíduo. A mesma voz aparece logo na primeira frase do livro, em nostrā (linguā), "na nossa língua".
O texto é o da edição de T. Rice Holmes (Oxford, 1914), conferido no Perseus, que a reproduz, e na The Latin Library, que traz as mesmas palavras. A numeração é a dos parágrafos modernos (§§ 1–7). A edição de Holmes (que morreu em 1933) está em domínio público. Holmes põe os §§ 5–7 entre colchetes: ele e outros editores suspeitaram que essa descrição das fronteiras tivesse sido acrescentada ao texto por outra mão. A questão é para especialistas; as edições escolares imprimem o capítulo inteiro, e este livro faz o mesmo. Os macrons são acréscimo deste livro.
César, Guerra da Gália I, 1
§
Texto latino (ed. Holmes, 1914)
1
Gallia est omnis dīvīsa in partēs trēs, quārum ūnam incolunt Belgae, aliam Aquītānī, tertiam quī ipsōrum linguā Celtae, nostrā Gallī appellantur.
2
Hī omnēs linguā, īnstitūtīs, lēgibus inter sē differunt. Gallōs ab Aquītānīs Garumna flūmen, ā Belgīs Matrona et Sēquana dīvidit.
3
Hōrum omnium fortissimī sunt Belgae, proptereā quod ā cultū atque hūmānitāte prōvinciae longissimē absunt, minimēque ad eōs mercātōrēs saepe commeant atque ea quae ad effēminandōs animōs pertinent important,
4
proximīque sunt Germānīs, quī trāns Rhēnum incolunt, quibuscum continenter bellum gerunt. Quā dē causā Helvētiī quoque reliquōs Gallōs virtūte praecēdunt, quod ferē cotīdiānīs proeliīs cum Germānīs contendunt, cum aut suīs fīnibus eōs prohibent aut ipsī in eōrum fīnibus bellum gerunt.
5
Eōrum ūna pars, quam Gallōs obtinēre dictum est, initium capit ā flūmine Rhodanō, continētur Garumnā flūmine, Ōceanō, fīnibus Belgārum, attingit etiam ab Sēquanīs et Helvētiīs flūmen Rhēnum, vergit ad septentriōnēs.
6
Belgae ab extrēmīs Galliae fīnibus oriuntur, pertinent ad īnferiōrem partem flūminis Rhēnī, spectant in septentriōnem et orientem sōlem.
7
Aquītānia ā Garumnā flūmine ad Pȳrēnaeōs montēs et eam partem Ōceanī quae est ad Hispāniam pertinet; spectat inter occāsum sōlis et septentriōnēs.
O capítulo tem duas partes. Os §§ 1–4 são etnografia: quem mora na Gália, como esses povos se distinguem e qual deles é o mais valente, e por quê. Os §§ 5–7 são geografia: os limites e a orientação de cada parte. Repare como o texto avança por retomadas: cada frase começa com uma palavra que se refere ao que acabou de ser dito (Hī omnēs, Hōrum omnium, Quā dē causā, Eōrum). Esse encadeamento é uma das razões da clareza de César, e Bennett o registra como regra da ordem latina (§ 350.9): palavras que se referem à frase anterior vêm em primeiro lugar.
Leia em blocos. César escreve frases longas, mas feitas de blocos curtos e paralelos. Em Hī omnēs linguā, īnstitūtīs, lēgibus inter sē differunt, os três ablativos formam um bloco; em initium capit …, continētur …, attingit …, vergit … (§ 5), quatro verbos com o mesmo sujeito descrevem a mesma região. Antes de traduzir, marque os verbos e os blocos que dependem de cada um.
particípio como predicativo: um estado, não um ato
in partēs trēs
pars, partis (f.)
em três partes
in + acusativo: o resultado da divisão
quārum
quī, quae, quod
das quais
genitivo plural feminino; antecedente partēs
incolunt
incolō, -ere, -coluī
habitam
transitivo: ūnam (partem) incolunt
Belgae, Aquītānī
Belgae, -ārum; Aquītānī, -ōrum (m.)
os belgas, os aquitanos
sujeitos de incolunt
ipsōrum linguā
ipse, -a, -um; lingua, -ae
na língua deles mesmos
ablativo de meio; ipsōrum contrasta com nostrā
nostrā
noster, -tra, -trum
na nossa (língua)
subentende-se linguā: elipse
appellantur
appellō, -āre, -āvī, -ātum
são chamados
presente passivo (capítulo 23)
īnstitūtīs
īnstitūtum, -ī (n.)
costumes, instituições
ablativo de especificação, com linguā e lēgibus
inter sē differunt
differō, differre (irregular)
diferem entre si
inter sē: reciprocidade
Garumna flūmen
Garumna, -ae (m.); flūmen, -inis (n.)
o rio Garona
flūmen em aposto
Matrona et Sēquana
Matrona, -ae (m.); Sēquana, -ae (f.; m. em Plínio)
o Marne e o Sena
dois sujeitos com verbo no singular (dīvidit); gêneros conforme o Lewis & Short
fortissimī
fortis, -e (superlativo)
os mais valentes
superlativo relativo com genitivo partitivo (hōrum omnium)
proptereā quod
conjunção causal
porque
causa dada pelo próprio autor: indicativo
ā cultū atque hūmānitāte
cultus, -ūs (m.); hūmānitās, -ātis (f.)
da civilização e do refinamento
ā + ablativo de separação com absunt
prōvinciae
prōvincia, -ae (f.)
da Província
a província romana no sul da Gália (hoje, Provença)
longissimē absunt
longē; absum, abesse, āfuī
estão muito longe
superlativo do advérbio
minimē … saepe
advérbios
muito raramente
lê-se junto: "o menos frequentemente possível"
mercātōrēs
mercātor, -ōris (m.)
mercadores
sujeito de commeant e de important
commeant
commeō, -āre
vão e vêm
o vaivém do comércio
ea quae … pertinent
is, ea, id; pertineō, -ēre
as coisas que servem para…
ea: neutro plural, objeto de important
ad effēminandōs animōs
effēminō, -āre; animus, -ī (m.)
para amolecer os ânimos
gerundivo com ad: finalidade (capítulo 31)
important
importō, -āre
trazem, importam
presente
proximī … Germānīs
proximus, -a, -um
os mais próximos dos germanos
dativo com adjetivo de proximidade
trāns Rhēnum
Rhēnus, -ī (m.)
do outro lado do Reno
trāns + acusativo
quibuscum
quī + cum
com os quais
a preposição vem depois do relativo (Bennett § 142.4)
continenter
advérbio
continuamente, sem parar
bellum gerunt
gerō, -ere, gessī, gestum
fazem guerra
expressão fixa
Quā dē causā
quī; causa
por essa razão
relativo de ligação: = et eā dē causā
Helvētiī
Helvētiī, -ōrum (m.)
os helvécios
povo gaulês da atual Suíça
reliquōs
reliquus, -a, -um
os demais
concorda com Gallōs
virtūte praecēdunt
virtūs, -ūtis (f.); praecēdō, -ere
superam em valor
ablativo de especificação
cotīdiānīs proeliīs
cotīdiānus, -a, -um; proelium, -ī (n.)
em combates diários
ablativo de meio ou de circunstância
contendunt
contendō, -ere, -tendī, -tentum
lutam, combatem
cum aut … aut …
conjunção
quando ou … ou …
cum com indicativo: explica o "combater"
suīs fīnibus eōs prohibent
fīnis, -is (m.), pl. território; prohibeō, -ēre
os mantêm longe do seu território
ablativo de separação; suīs = dos helvécios, eōs = os germanos
in eōrum fīnibus
is
no território deles (dos germanos)
eōrum, não reflexivo: outra pessoa
Eōrum ūna pars
is; pars
uma parte deles
a parte dos gauleses propriamente ditos
quam Gallōs obtinēre dictum est
obtineō, -ēre; dīcō
que, como foi dito, os gauleses ocupam
oração infinitiva com dictum est: seção 5
initium capit
initium, -ī (n.); capiō
começa
literalmente "toma o seu início"
ā flūmine Rhodanō
Rhodanus, -ī (m.)
no rio Ródano
ā: ponto de partida
continētur
contineō, -ēre
é limitada
passiva, com três ablativos de meio
Ōceanō
Ōceanus, -ī (m.)
pelo Oceano
o Atlântico
attingit
attingō, -ere
toca, alcança
ab Sēquanīs et Helvētiīs
Sēquanī, -ōrum (m.)
do lado dos séquanos e helvécios
ab = "do lado de", não agente
vergit ad septentriōnēs
vergō, -ere; septentriōnēs, -um (m.)
volta-se para o norte
septentriōnēs: as sete estrelas da Ursa Maior
ab extrēmīs Galliae fīnibus oriuntur
extrēmus, -a, -um; orior, orīrī, ortus sum
começam nos confins extremos da Gália
os belgas pelo território deles; depoente
pertinent ad
pertineō
estendem-se até
mesmo verbo do § 3, com outro sentido
īnferiōrem partem
īnferior, -ius
a parte inferior (o curso baixo)
perto da foz do Reno
spectant in
spectō, -āre
estão voltados para
orientem sōlem
oriēns, -entis (particípio de orior); sōl, sōlis (m.)
o sol nascente, o leste
Pȳrēnaeōs montēs
Pȳrēnaeus, -a, -um; mōns, montis (m.)
os montes Pireneus
ad Hispāniam
Hispānia, -ae (f.)
junto à Hispânia
ad: proximidade
occāsum sōlis
occāsus, -ūs (m.)
o pôr do sol, o oeste
inter occāsum … et septentriōnēs: o noroeste
Notas aos parágrafos
§ 1.Gallia est omnis dīvīsa: dīvīsa pode ser lido como parte de um perfeito passivo ("foi dividida") ou, melhor aqui, como predicativo que descreve um estado ("está dividida"); César não fala de quem dividiu, mas de como a Gália se apresenta. Omnis, separado de Gallia e posto depois do verbo, significa "tomada no seu conjunto". Na última oração falta o antecedente do relativo: tertiam (incolunt eī) quī … appellantur, "a terceira, (habitam-na aqueles) que se chamam…". § 2.Dīvidit está no singular com dois sujeitos (Matrona et Sēquana): o verbo concorda com o mais próximo, o que é comum quando os sujeitos formam uma ideia só, "a linha Marne-Sena".
§§ 3–4. A explicação da valentia dos belgas tem três causas, todas no indicativo depois de proptereā quod, porque é o próprio autor quem as afirma (Bennett § 286.1): estão longe da civilização da Província; os mercadores quase não lhes levam artigos de luxo; e vivem em guerra com os germanos. Minimē … saepe se lê junto: "muito raramente". Ad effēminandōs animōs é um gerundivo com ad, que indica finalidade: "para amolecer os ânimos" (capítulo 31; Bennett § 339.2). Quā dē causā começa uma frase nova com um relativo que retoma a anterior ("e por essa causa"): é o relativo de ligação, e a preposição dē fica entre o relativo e o nome (Bennett § 350.7.b). Cum aut … prohibent aut … gerunt: cum com indicativo presente, "quando", explica em que consistem os combates diários (Allen e Greenough § 547).
§§ 5–7. A descrição das fronteiras usa sempre os mesmos verbos de "começar", "estender-se", "tocar" e "estar voltado para". Eōrum ūna pars refere-se à parte dos gauleses propriamente ditos. Continētur Garumnā flūmine, Ōceanō, fīnibus Belgārum: a passiva com três ablativos de meio, "é contida, limitada por". Atenção a ab Sēquanīs et Helvētiīs: com nomes de lugar ou de povo, ab indica "do lado de", "na região de", e não o agente da passiva. Em Belgae … oriuntur, os belgas estão no lugar do território deles: é uma metonímia comum em César.
O capítulo é, ao mesmo tempo, um mapa. Os romanos raramente desenhavam mapas para acompanhar um texto: a geografia era feita com palavras, a partir de pontos de referência (rios, montes, o mar) e de orientações pelo céu (septentriōnēs, as estrelas do norte; o sol nascente e o poente). Organize primeiro as informações sobre os povos:
Os povos de Guerra da Gália I, 1
Nome latino (forma no texto)
Português
Onde, segundo César
Hoje, aproximadamente
Belgae
belgas
ao norte; dos confins da Gália até o curso inferior do Reno
norte da França, Bélgica
Aquītānī; região Aquītānia
aquitanos; Aquitânia
ao sudoeste; do Garona aos Pireneus
sudoeste da França
Celtae (na língua deles) = Gallī (na nossa)
celtas, gauleses
a parte central, entre o Garona, o Sena e o Marne, e o Ródano
centro da França
Germānī (Germānīs)
germanos
do outro lado do Reno
Alemanha
Helvētiī
helvécios
um povo gaulês junto ao Reno, em guerra com os germanos
Suíça
Sēquanī (ab Sēquanīs)
séquanos
povo gaulês junto ao Reno, vizinho dos helvécios
Franco-Condado (leste da França)
prōvincia (prōvinciae)
a Província
território já romano, ao sul (de onde vem a "civilização")
Provença e Languedoque
Depois, os acidentes geográficos, que funcionam como as linhas do mapa:
Rios, montes e mares
No texto
Nominativo
Português
Papel na descrição
Garumna flūmen; Garumnā flūmine
Garumna
rio Garona
separa os gauleses dos aquitanos; início da Aquitânia
Matrona
Matrona
rio Marne
com o Sena, separa os gauleses dos belgas
Sēquana
Sēquana
rio Sena
idem
Rhēnum, Rhēnī
Rhēnus
rio Reno
fronteira com os germanos; os belgas chegam ao seu curso inferior
ā flūmine Rhodanō
Rhodanus
rio Ródano
ponto de partida da parte dos gauleses
Ōceanō, Ōceanī
Ōceanus
o Oceano (Atlântico)
limite a oeste
ad Pȳrēnaeōs montēs
Pȳrēnaeī montēs
montes Pireneus
limite sul da Aquitânia
ad Hispāniam
Hispānia
Hispânia (Península Ibérica)
a parte do Oceano junto a ela fecha a Aquitânia
Agora junte tudo num quadro de três partes, como César as apresenta. Se quiser, desenhe um esboço: um retângulo com o Reno no alto à direita, o Oceano à esquerda, os Pireneus embaixo, o Ródano à direita e, cortando o retângulo, o Garona (embaixo) e o Sena com o Marne (em cima).
A divisão da Gália segundo César
Parte
Habitantes
Limites (§§ 2 e 5–7)
Voltada para
1. A Gália "céltica"
Celtae / Gallī
começa no Ródano; limitada pelo Garona, pelo Oceano e pelas fronteiras dos belgas; toca o Reno do lado dos séquanos e helvécios
o norte (ad septentriōnēs)
2. A Bélgica
Belgae
começa nos confins da Gália (o Sena e o Marne); estende-se até o curso inferior do Reno
o norte e o leste (in septentriōnem et orientem sōlem)
3. A Aquitânia
Aquītānī
do Garona aos Pireneus e à parte do Oceano junto à Hispânia
entre o poente e o norte (o noroeste)
Relativas, oração infinitiva e ablativo absoluto ⚑
O primeiro capítulo de César é um bom exercício de orações relativas (capítulo 16), porque mostra quase todas as maneiras de usá-las. A regra é sempre a mesma: o relativo concorda com o antecedente em gênero e número, mas o seu caso vem da função na sua própria oração (Bennett § 250.1; Allen e Greenough § 305). O que varia é a posição do antecedente.
As orações relativas de I, 1
Relativo
Caso e número
Antecedente
Função na relativa
Observação
quārum (§ 1)
gen. pl. fem.
partēs
partitivo: "das quais uma…"
liga a frase à enumeração
quī (§ 1)
nom. pl. masc.
omitido: (eī) "aqueles"
sujeito de appellantur
antecedente omitido (Bennett § 251.1)
quae (§ 3)
nom. pl. neutro
ea
sujeito de pertinent
ea quae: "as coisas que"
quī (§ 4)
nom. pl. masc.
Germānīs
sujeito de incolunt
o antecedente está no dativo, o relativo no nominativo
quibuscum (§ 4)
abl. pl. masc.
Germānīs
com cum: companhia
cum anexado ao relativo (Bennett § 142.4)
Quā (dē causā) (§ 4)
abl. sing. fem.
a frase anterior inteira
adjetivo de causā
relativo de ligação: "por essa causa"
quam (§ 5)
ac. sing. fem.
pars
objeto do infinitivo obtinēre
dentro de uma oração infinitiva
quae (§ 7)
nom. sing. fem.
partem
sujeito de est
"a parte do Oceano que fica junto à Hispânia"
O relativo do § 5 merece um comentário à parte, porque nele se cruzam as duas construções que são o pré-requisito deste capítulo. Em quam Gallōs obtinēre dictum est, o verbo principal da relativa é dictum est, "foi dito", um perfeito passivo usado impessoalmente. O que foi dito vem numa oração infinitiva (capítulo 28): Gallōs obtinēre, com o sujeito Gallōs no acusativo e o verbo obtinēre no infinitivo; e o objeto desse infinitivo é o próprio relativo quam. Literalmente: "a qual foi dito os gauleses ocuparem", isto é, "a qual, como foi dito, os gauleses ocupam". Não confunda os acusativos: quam é o objeto, Gallōs é o sujeito, e o que decide é o sentido (os gauleses ocupam a parte, não o contrário) e o fato de que quam, feminino singular, só pode retomar pars. A oração infinitiva funciona como sujeito de dictum est, o mesmo uso que Bennett descreve no § 330 para as expressões impessoais.
A oração infinitiva em César
Latim
Sujeito do infinitivo (acusativo)
Verbo que a rege
Tradução
quam Gallōs obtinēre dictum est (I, 1, 5)
Gallōs
dictum est, impessoal
que, como foi dito, os gauleses ocupam
cum id nūntiātum esset, eōs per prōvinciam nostram iter facere cōnārī (I, 7, 1)
eōs (os helvécios)
nūntiātum esset; id anuncia a oração
quando foi anunciado que eles tentavam passar pela nossa província
O ablativo absoluto (capítulo 30) não aparece no capítulo 1, mas aparece logo na segunda frase do capítulo 2, na forma mais típica dos historiadores romanos: a data dada pelos nomes dos cônsules do ano.
Apud Helvētiōs longē nōbilissimus fuit et dītissimus Orgetorix. Is M. Messālā, M. Pīsōne cōnsulibus rēgnī cupiditāte inductus coniūrātiōnem nōbilitātis fēcit.
Entre os helvécios, o mais nobre e o mais rico, de longe, foi Orgetórix. Este, no consulado de Marco Messala e Marco Pisão, levado pelo desejo do poder real, fez uma conspiração da nobreza. (Guerra da Gália I, 2, 1)
M. Messālā, M. Pīsōne cōnsulibus é um ablativo absoluto sem particípio: dois nomes próprios e o nome cōnsulibus, todos no ablativo, literalmente "sendo cônsules Marco Messala e Marco Pisão" (Bennett § 227.1; Allen e Greenough § 419.a). Como o latim não tem particípio presente de esse, o "sendo" fica subentendido. Os romanos datavam os anos assim, pelos cônsules: esses dois foram cônsules em 61 a.C. (693 da cidade, pela conta do capítulo 43). Holmes imprime ainda as palavras [et P.] entre os dois nomes, marcadas como espúrias; este livro as omite. Note também o particípio conjunto inductus, "levado", concordando com Is, e o ablativo de causa rēgnī cupiditāte.
A primeira frase de César é, provavelmente, a frase mais citada da prosa latina. Analise-a palavra a palavra:
César, Guerra da Gália I, 1, 1
Palavra
Dicionário
Análise
Função
Gallia
Gallia, -ae (f.), Gália
nominativo singular
sujeito de est dīvīsa
est
sum, esse, fuī
presente do indicativo, 3ª sing.
verbo de ligação
omnis
omnis, -e, todo
nominativo singular feminino
concorda com Gallia: "no seu conjunto"
dīvīsa
dīvidō, -ere, dīvīsī, dīvīsum, dividir
particípio perfeito passivo, nom. sing. fem.
predicativo do sujeito: "dividida"
in partēs trēs
pars, partis (f.); trēs, tria
in + acusativo plural
resultado da divisão: "em três partes"
quārum
quī, quae, quod (relativo)
genitivo plural feminino
partitivo, depende de ūnam; antecedente partēs
ūnam
ūnus, -a, -um
acusativo singular feminino
objeto de incolunt (subentende-se partem)
incolunt
incolō, -ere, incoluī, habitar
presente do indicativo, 3ª pl.
verbo da relativa, que vale também para os membros seguintes
Belgae
Belgae, -ārum (m.), belgas
nominativo plural
sujeito de incolunt
aliam
alius, -a, -ud, outro
acusativo singular feminino
objeto de incolunt subentendido
Aquītānī
Aquītānī, -ōrum (m.)
nominativo plural
sujeito de incolunt subentendido
tertiam
tertius, -a, -um, terceiro
acusativo singular feminino
objeto de incolunt subentendido
quī
quī, quae, quod (relativo)
nominativo plural masculino
sujeito de appellantur; antecedente omitido (eī), sujeito de incolunt
ipsōrum
ipse, ipsa, ipsum
genitivo plural masculino
determina linguā: "deles mesmos"
linguā
lingua, -ae (f.), língua
ablativo singular
meio: "na língua"
Celtae
Celtae, -ārum (m.)
nominativo plural
predicativo com appellantur
nostrā
noster, nostra, nostrum
ablativo singular feminino
concorda com linguā subentendido
Gallī
Gallī, -ōrum (m.)
nominativo plural
predicativo com appellantur
appellantur
appellō, -āre, -āvī, -ātum, chamar
presente do indicativo passivo, 3ª pl.
verbo da relativa: "são chamados"
A frase tem uma oração principal curta e uma relativa longa, em que o verbo incolunt é dito uma vez e vale três vezes (elipse), e a terceira parte traz uma segunda relativa, com o antecedente omitido. Em diagrama:
Esqueleto: Gallia est omnis dīvīsa in partēs trēs; depois, quārum distribui as três partes entre os três povos.
Tradução de Guerra da Gália I, 1
§
Tradução (Bibliotheca Latina)
1
A Gália, no seu conjunto, está dividida em três partes: uma delas é habitada pelos belgas, outra pelos aquitanos, e a terceira por aqueles que, na sua própria língua, se chamam celtas e, na nossa, gauleses.
2
Todos esses povos diferem entre si na língua, nas instituições e nas leis. O rio Garona separa os gauleses dos aquitanos; o Marne e o Sena separam-nos dos belgas.
3
De todos esses, os mais valentes são os belgas, porque estão muito longe da civilização e do refinamento da Província, porque os mercadores raramente vão até eles levar as coisas que servem para amolecer os ânimos,
4
e porque são os vizinhos mais próximos dos germanos, que moram do outro lado do Reno e com os quais estão em guerra continuamente. Por essa razão também os helvécios superam em valor os demais gauleses: combatem com os germanos em batalhas quase diárias, quando os mantêm afastados do seu próprio território ou quando eles mesmos fazem guerra no território deles.
5
A parte que, como foi dito, os gauleses ocupam começa no rio Ródano; é limitada pelo rio Garona, pelo Oceano e pelas fronteiras dos belgas; do lado dos séquanos e dos helvécios, toca também o rio Reno; está voltada para o norte.
6
O território dos belgas começa nos confins extremos da Gália, estende-se até o curso inferior do rio Reno e está voltado para o norte e para o leste.
7
A Aquitânia estende-se do rio Garona até os montes Pireneus e até a parte do Oceano que fica junto à Hispânia; está voltada para o noroeste, entre o poente e o norte.
Algumas escolhas. A passiva de incolunt ("é habitada pelos belgas") deixa as três partes como sujeito em português, o que mantém o foco de César nas partes; "os belgas habitam uma delas" também estaria certo. As três causas do §§ 3–4 foram marcadas com "porque" repetido, para que o leitor perceba que proptereā quod rege as três. Eōrum ūna pars virou simplesmente "a parte", porque "uma parte deles" soaria estranho depois de uma descrição de povos. E Belgae … oriuntur virou "o território dos belgas começa": o português não aceita bem a metonímia latina do povo pelo território.
Resumo
César conta a sua própria guerra na terceira pessoa; a única primeira pessoa é o "nós" romano (nostrā, prōvinciam nostram).
I, 1: três partes (belgas, aquitanos, celtas ou gauleses), separadas pelo Garona e pela linha Marne-Sena; os belgas e os helvécios são os mais valentes por estarem longe da Província e perto dos germanos.
Relativas: o relativo concorda em gênero e número com o antecedente; o caso vem da sua oração; o antecedente pode faltar (tertiam quī) ou ser a frase anterior (Quā dē causā).
Oração infinitiva: quam Gallōs obtinēre dictum est, com Gallōs sujeito e quam objeto do infinitivo.
Ablativo absoluto de data: M. Messālā, M. Pīsōne cōnsulibus, "no consulado de Messala e Pisão" (61 a.C.).
Com César termina o primeiro bloco da parte IV, dedicado à prosa narrativa. O capítulo 45 passa à poesia lírica, com Catulo e Horácio.
Erro: Traduzir Gallia est omnis dīvīsa como "Cada Gália é dividida" ou "A Gália toda foi dividida (por alguém)".
Por quê, e como evitar:Omnis, no singular e com um nome próprio, significa "no seu conjunto", não "cada". E dīvīsa descreve aqui um estado ("está dividida"), não uma ação com agente. A tradução tradicional "A Gália, no seu todo, está dividida em três partes" respeita as duas coisas.
Erro: Procurar o antecedente de quī em tertiam ("a terceira, que se chamam…").
Por quê, e como evitar:Quī é masculino plural e tertiam é feminino singular: não podem concordar. O antecedente está omitido: "a terceira (habitam-na aqueles) que se chamam celtas" (Bennett § 251.1). Sempre que o relativo não concordar com nenhum nome à vista, pense num "aqueles" subentendido.
Erro: Ler Gallōs como objeto e quam como sujeito em quam Gallōs obtinēre dictum est.
Por quê, e como evitar: Na oração infinitiva, os dois acusativos (sujeito e objeto) têm a mesma forma de caso, e o sentido decide: os gauleses ocupam a parte. Quam, feminino singular, retoma pars e é objeto de obtinēre; Gallōs é o sujeito do infinitivo.
Erro: Separar minimē de saepe: "de modo nenhum… muitas vezes".
Por quê, e como evitar: Os dois advérbios formam uma unidade: minimē saepe, "o menos frequentemente possível", isto é, "muito raramente". César quer dizer que o comércio de luxo quase não chega aos belgas, não que nunca chegue.
Erro: Tomar Germānīs por ablativo ("pelos germanos") e ab Sēquanīs por agente da passiva ("pelos séquanos").
Por quê, e como evitar:Germānīs depende de proximī, adjetivo de proximidade, e é dativo (Bennett § 192.1). Ab Sēquanīs et Helvētiīs não tem verbo passivo de que possa ser agente (attingit é ativo): com nomes de povos e lugares, ab significa "do lado de".
Erro: Traduzir ad effēminandōs animōs como "aos ânimos que devem ser amolecidos".
Por quê, e como evitar: O gerundivo com ad exprime finalidade: "para amolecer os ânimos" (Bennett § 339.2; capítulo 31). A ideia de obrigação do gerundivo não aparece nesse uso; traduza por "para" + infinitivo.
Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.
Prática guiada 1 · Por que os belgas são os mais valentes (§§ 3–4)
Traduza: Hōrum omnium fortissimī sunt Belgae, proptereā quod ā cultū atque hūmānitāte prōvinciae longissimē absunt, … proximīque sunt Germānīs, quī trāns Rhēnum incolunt, quibuscum continenter bellum gerunt.
Qual é a oração principal?Ver o passo
Hōrum omnium fortissimī sunt Belgae: sujeito Belgae, verbo sunt, predicativo fortissimī (superlativo) com o genitivo partitivo hōrum omnium: "De todos estes, os mais valentes são os belgas".
O que proptereā quod introduz, e por que o verbo está no indicativo?Ver o passo
A causa: "porque". O indicativo (absunt, e depois sunt, commeant, important) mostra que é o próprio César quem afirma a causa (Bennett § 286.1).
Traduza ā cultū atque hūmānitāte prōvinciae longissimē absunt.Ver o passo
Absunt, "estão longe", com ā + ablativo de separação; prōvinciae, genitivo, determina os dois nomes; longissimē, superlativo de longē: "estão muito longe da civilização e do refinamento da Província".
Que caso é Germānīs, e de que depende?Ver o passo
Dativo plural, regido pelo adjetivo proximī: "os mais próximos dos germanos" (Bennett § 192.1, que cita esta mesma passagem). O -que de proximīque liga esta causa às anteriores.
Quais são os antecedentes de quī e de quibuscum?Ver o passo
Os dois retomam Germānīs. Quī está no nominativo (sujeito de incolunt); quibuscum é o ablativo quibus com a preposição cum posposta (Bennett § 142.4), "com os quais". O sujeito de gerunt volta a ser os belgas.
Monte a tradução.Ver o passo
"De todos estes, os mais valentes são os belgas, porque estão muito longe da civilização e do refinamento da Província, … e porque são os vizinhos mais próximos dos germanos, que moram do outro lado do Reno, e com os quais fazem guerra continuamente."
Prática guiada 2 · A parte dos gauleses (§ 5)
Traduza: Eōrum ūna pars, quam Gallōs obtinēre dictum est, initium capit ā flūmine Rhodanō, continētur Garumnā flūmine, Ōceanō, fīnibus Belgārum.
Qual é o sujeito, e quantos verbos ele tem?Ver o passo
Eōrum ūna pars, "uma parte deles". Tem dois verbos neste trecho: initium capit ("começa") e continētur ("é limitada"); no texto completo, mais dois (attingit, vergit).
Analise a relativa quam Gallōs obtinēre dictum est.Ver o passo
Verbo da relativa: dictum est, impessoal, "foi dito". Dele depende a oração infinitiva Gallōs obtinēre (sujeito Gallōs, acusativo), cujo objeto é quam (= pars). "Que, como foi dito, os gauleses ocupam."
O que indica ā flūmine Rhodanō?Ver o passo
O ponto de partida: ā + ablativo com initium capit, "começa no (a partir do) rio Ródano".
E os três ablativos depois de continētur?Ver o passo
Garumnā flūmine, Ōceanō, fīnibus Belgārum são ablativos de meio com o verbo passivo: "é limitada pelo rio Garona, pelo Oceano e pelas fronteiras dos belgas". Não levam ā, porque não são pessoas que agem, e sim limites.
Monte a tradução.Ver o passo
"A parte deles que, como foi dito, os gauleses ocupam começa no rio Ródano e é limitada pelo rio Garona, pelo Oceano e pelas fronteiras dos belgas."
Conclusão: numa relativa com oração infinitiva, ache primeiro o verbo conjugado (dictum est), depois o infinitivo e o seu sujeito acusativo, e por último o papel do relativo dentro da oração infinitiva.
Faça por escrito ou em voz alta; abra "Ver resposta" só depois de tentar. A explicação da resposta faz parte da lição.
Exercício 1 · Compreensão
Responda em português, citando o texto latino.
Em quantas partes César divide a Gália, e quem habita cada uma?Ver resposta
Em três: os belgas, os aquitanos e os celtas, chamados gauleses pelos romanos (quārum ūnam incolunt Belgae, aliam Aquītānī, tertiam quī ipsōrum linguā Celtae, nostrā Gallī appellantur).
Em que os três povos diferem?Ver resposta
Na língua, nas instituições e nas leis: linguā, īnstitūtīs, lēgibus inter sē differunt.
Quais são as três razões da valentia dos belgas?Ver resposta
Estão longe da civilização da Província; os mercadores raramente lhes levam artigos que amolecem os ânimos; e são vizinhos dos germanos, com quem vivem em guerra (§§ 3–4).
Por que os helvécios superam os outros gauleses?Ver resposta
Porque combatem quase todo dia com os germanos, defendendo o próprio território ou atacando o deles: quod ferē cotīdiānīs proeliīs cum Germānīs contendunt.
Onde fica a Aquitânia?Ver resposta
Entre o Garona, os Pireneus e a parte do Oceano junto à Hispânia; voltada para o noroeste (§ 7).
Exercício 2 · O mapa
Responda com base no texto e nas tabelas da seção 4.
Que rio separa os gauleses dos aquitanos?Ver resposta
O Garona: Gallōs ab Aquītānīs Garumna flūmen … dīvidit.
Que rios separam os gauleses dos belgas?Ver resposta
O Marne e o Sena: ā Belgīs Matrona et Sēquana dīvidit.
Que rio separa os gauleses (e os belgas) dos germanos?Ver resposta
O Reno: os germanos moram trāns Rhēnum, "do outro lado do Reno".
Para que direção está voltada a Bélgica? Traduza a expressão latina.Ver resposta
In septentriōnem et orientem sōlem: "para o norte e para o sol nascente", isto é, para o nordeste.
O que significam occāsus sōlis e septentriōnēs?Ver resposta
"O pôr do sol" (o oeste) e "as sete estrelas" da Ursa Maior (o norte). César orienta o mapa pelo céu.
Exercício 3 · Os relativos
Para cada relativo, dê o caso, o antecedente e a função.
quārum (§ 1)Ver resposta
Genitivo plural feminino; antecedente partēs; partitivo, depende de ūnam: "das quais uma".
quae em ea quae ad effēminandōs animōs pertinent (§ 3)Ver resposta
Nominativo plural neutro; antecedente ea; sujeito de pertinent: "as coisas que servem para…".
quibuscum (§ 4)Ver resposta
Ablativo plural masculino com cum; antecedente Germānīs; companhia: "com os quais".
Quā em Quā dē causā (§ 4)Ver resposta
Ablativo singular feminino, concorda com causā; retoma a frase anterior inteira (relativo de ligação): "por essa causa".
quam (§ 5)Ver resposta
Acusativo singular feminino; antecedente pars; objeto do infinitivo obtinēre.
quae (§ 7)Ver resposta
Nominativo singular feminino; antecedente partem; sujeito de est: "a parte do Oceano que fica junto à Hispânia".
Exercício 4 · Oração infinitiva e ablativo absoluto
Faça o que se pede em cada item.
Passe para uma oração infinitiva depois de Caesar scrībit ("César escreve"): Belgae fortissimī sunt.Ver resposta
Caesar scrībit Belgās fortissimōs esse. O sujeito vai ao acusativo (Belgās), o verbo ao infinitivo (esse) e o predicativo concorda com o sujeito acusativo (fortissimōs): "César escreve que os belgas são os mais valentes".
Idem: Helvētiī cum Germānīs contendunt.Ver resposta
Caesar scrībit Helvētiōs cum Germānīs contendere. "César escreve que os helvécios combatem com os germanos." Presente do infinitivo: ação simultânea.
Traduza e diga o tipo de construção: L. Pīsōne, A. Gabīniō cōnsulibus (Guerra da Gália I, 6, citado por Allen e Greenough § 424.g).Ver resposta
Ablativo absoluto sem particípio: "no consulado de Lúcio Pisão e Aulo Gabínio" (58 a.C., o ano em que começa a guerra).
Traduza: Caesarī cum id nūntiātum esset, eōs per prōvinciam nostram iter facere cōnārī, mātūrat ab urbe proficīscī. Explique eōs … cōnārī.Ver resposta
"Quando foi anunciado a César que eles tentavam passar pela nossa província, ele se apressa a partir da cidade." Eōs … cōnārī é uma oração infinitiva (sujeito eōs, verbo cōnārī, infinitivo de depoente) que explica id, sujeito de nūntiātum esset.
Exercício 5 · Usos dos casos
Diga o caso e a função.
linguā, īnstitūtīs, lēgibus (§ 2)Ver resposta
Ablativos de especificação: "na língua, nas instituições, nas leis" (Bennett § 226).
virtūte em reliquōs Gallōs virtūte praecēdunt (§ 4)Ver resposta
Ablativo de especificação: superam "em valor".
suīs fīnibus em suīs fīnibus eōs prohibent (§ 4)Ver resposta
Ablativo de separação com prohibeō: "afastam-nos do seu território".
Garumnā flūmine em continētur Garumnā flūmine (§ 5)Ver resposta
Ablativo de meio com verbo passivo: "é limitada pelo rio Garona".
O Reno separa os gauleses dos germanos.Ver resposta
Rhēnus Gallōs ā Germānīs dīvidit. Mesma construção de Gallōs ab Aquītānīs Garumna flūmen … dīvidit.
Os helvécios são os mais próximos dos germanos.Ver resposta
Helvētiī proximī sunt Germānīs.Proximus pede dativo.
Foi dito que os belgas são os mais valentes.Ver resposta
Dictum est Belgās fortissimōs esse. Oração infinitiva como sujeito de dictum est, como no § 5.
Leituras recomendadas
Continue em César pelas seleções da DCC (no catálogo), que trazem o livro I com macrons, vocabulário e notas: leia I, 2–7, a conspiração de Orgetórix e a partida dos helvécios, onde aparecem muitos ablativos absolutos e orações infinitivas. The Gate to Caesar, de Collar, apresenta o livro II duas vezes, primeiro simplificado e depois no original, e é uma ótima ponte. O texto integral da edição de Holmes está no Perseus, com análise de cada palavra. A Vida de Aníbal, de Nepos, é outra prosa histórica clara, do mesmo período. Na gramática de Allen e Greenough, os §§ 597–598 comentam a ordem das palavras justamente na abertura da Guerra da Gália.
Etapa IV · Ad FontesDificuldade 3 · IntermediárioOriginal ÁudioCom notas
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Historiografia · Clássico · algumas semanas · Dickinson College Commentaries
Etapa IV · Ad FontesDificuldade 3 · IntermediárioOriginal ÁudioCom notasTexto na biblioteca
Commentarii de Bello Gallico (texto integral)
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Historiografia · Clássico · alguns meses · Perseus Digital Library
Ler aqui: texto latino da edição de T. Rice Holmes (1914)
Etapa III · FundamentaDificuldade 2 · BásicoSimplificadoCom notas
The Gate to Caesar (De Bello Gallico II, simplificado e original)
Gaius Iulius Caesar (ed. W. C. Collar)
O livro II da Guerra da Gália apresentado duas vezes: primeiro numa versão simplificada, depois no original, com notas, exercícios e vocabulário (1891). A ponte perfeita entre os leitores graduados e César autêntico.
Historiografia · Clássico · algumas semanas · Project Gutenberg
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Biografia · Clássico · uma ou duas semanas · Dickinson College Commentaries
Allen and Greenough's New Latin Grammar (edição DCC)
J. H. Allen e J. B. Greenough
A gramática de referência clássica em inglês (1903), em hipertexto com os parágrafos numerados tradicionais: pronúncia, morfologia, sintaxe, prosódia. Os comentários do DCC remetem a ela em cada nota. Para consultar, não para decorar.
New Latin Grammar, Charles E. Bennett (no catálogo) · domínio público · § 142.4 (cum anexado ao relativo: quibuscum), § 192.1 (dativo com adjetivos de proximidade, com o exemplo sunt proximī Germānīs), § 214 (ablativo de separação), § 218 (ablativo de meio), § 226 (ablativo de especificação, com Helvētiī … virtūte praestābant), § 227 e 227.1 (ablativo absoluto; Cn. Pompejō, M. Crassō cōnsulibus), § 250.1 e 250.3 (concordância do relativo; Belgae, quae est tertia pars), § 251.1 (antecedente omitido), § 259.3 (presente histórico), § 286.1 (quod causal com indicativo), § 330 (infinitivo com sujeito acusativo como sujeito de expressões impessoais), § 331 (como objeto de verbos de dizer e saber), § 339.2 (gerundivo com ad: ad pācem petendam), § 350.7.b (quā dē causā), § 350.9 (palavras que retomam a frase anterior vêm primeiro)
Allen and Greenough's New Latin Grammar, J. H. Allen e J. B. Greenough (no catálogo) · domínio público · § 305 (concordância do relativo), § 307.c (antecedente omitido), §§ 383–384 (dativo com adjetivos), § 418 (ablativo de especificação), § 419 e 419.a (ablativo absoluto; L. Domitiō Ap. Claudiō cōnsulibus), § 424.g (datas pelos cônsules: L. Pīsōne A. Gabīniō cōnsulibus, B. G. 1, 6), § 506 (gerúndio e gerundivo com ad: finalidade), § 540 (quod causal com indicativo), § 547 (cum temporal com presente do indicativo), §§ 577–579 (discurso indireto; acusativo com infinitivo depois de verbos de dizer e saber), §§ 597–598 (ordem das palavras, com comentário de ênfase à abertura da Guerra da Gália)
Gramática Latina, Pe. João Ravizza (no catálogo) · domínio público · n. 175 (concordância do relativo), n. 296 (ablativo absoluto), n. 379 (acusativo com infinitivo depois de verbos de sentir e de dizer)