Elementa Linguae Latinae·Parte IV · Auctores·Capítulo 52·80 minReportar problema

Hymnī

Dois hinos: Pange lingua e Dies irae

Leitura comentada de dois hinos medievais: o Pange lingua de Tomás de Aquino, inteiro, e as dez primeiras estrofes do Dies irae atribuído a Tomás de Celano. Como a poesia latina passou da quantidade ao acento e à rima, o ritmo trocaico dos dois hinos, contagem de sílabas sem elisão, o contexto litúrgico, vocabulário e notas, e os subjuntivos de que os hinos vivem (exortativo, jussivo, optativo, proibição), com traduções próprias.

Neste capítulo você vai
  • Explicar a diferença entre o verso quantitativo clássico e o verso rítmico medieval (número de sílabas, acento, rima, ausência de elisão).
  • Contar as sílabas e marcar os acentos de uma estrofe do Pange lingua e do Dies irae, reconhecendo o movimento trocaico.
  • Ler e traduzir o Pange lingua inteiro e as dez primeiras estrofes do Dies irae, com o apoio das notas.
  • Identificar e classificar os subjuntivos dos hinos (exortativo, jussivo, optativo, proibição, final, causal), comparando-os com a norma clássica do capítulo 32.
  • Situar os dois hinos na liturgia e na história da poesia latina.
hinos latinosPange lingua (Tomás de Aquino)Tantum ergoDies irae (Tomás de Celano, atribuído)Venâncio Fortunatoverso quantitativo e verso rítmicoacento e número de sílabasrimatetrâmetro trocaico cataléticodímetro trocaicoausência de elisãosubjuntivo exortativosubjuntivo jussivosubjuntivo optativoproibição com nē + presenterelativa final com undecum causal e concessivoperifrástica ativaliturgia: Corpus Christi e missa de defuntosanálise de frase autêntica

Antes deste capítulo: Capítulo 32 (o subjuntivo e os seus usos independentes: os hinos são feitos de exortações, ordens e desejos) e capítulo 50 (o latim cristão e medieval, a ortografia e a pronúncia eclesiástica, que é a usada no canto destes hinos). A noção de pé e de verso quantitativo vem do capítulo 40; se você ainda não o estudou, a seção 1 dá o necessário. · capítulo 32 · capítulo 50

  1. Da quantidade ao acento
  2. Pange lingua: o texto
  3. Lendo o Pange lingua
  4. Dies irae: o texto
  5. Lendo o Dies irae
  6. Os subjuntivos dos hinos
  7. Erros comuns
  8. Prática guiada
  9. Exercícios independentes
  10. Leituras recomendadas
  11. Créditos e fontes

Da quantidade ao acento ⚑

A poesia latina clássica é quantitativa: o verso é uma sequência regular de sílabas longas e breves, agrupadas em pés. A unidade é a sílaba breve, a mora; uma longa vale duas. O troqueu é o pé de uma longa e uma breve (– ∪), o jambo é o inverso, e o verso se nomeia pelo pé que domina e pelo número de pares de pés: um verso trocaico de quatro pares é um tetrâmetro, de dois, um dímetro; se o último pé está incompleto, o verso é catalético (Bennett § 366.1–11; Kennedy § 475). Na leitura, uma vogal final se elide diante de outra vogal: tantum ergō soa tant(um) ergō (Bennett § 366.7). O capítulo 40 trata disso com vagar. O Pe. Ravizza resume a diferença que importa aqui: a poesia dos gregos e dos romanos "chama-se quantitativa, a dos povos modernos baseia-se na acentuação"; o verso latino clássico "não tem rima, nem se compõe de um número determinado de sílabas" (início do capítulo de métrica).

Entre os séculos IV e IX, à medida que a distinção entre vogais longas e breves desaparecia da língua falada, os poetas cristãos passaram a compor para ouvidos que já não a sentiam. Muitos hinos antigos ainda são quantitativos (Ravizza lista os metros clássicos que a Igreja conservou nos seus hinos, n. 541), mas pouco a pouco o verso passou a se apoiar em três outras coisas, as mesmas da poesia portuguesa: o número de sílabas, a posição dos acentos das palavras e a rima. Ravizza fecha o seu quadro dos metros litúrgicos com esta observação: da poesia de tipo clássico "paulatinamente passou-se à poesia com assonâncias e rimas", e daí à acentuação, "que deu origem à poesia moderna baseada no número das sílabas e na sucessão dos acentos" (n. 541).

Verso quantitativo e verso rítmico
TraçoVerso clássico (quantitativo)Verso medieval (rítmico)
Base do ritmoalternância de sílabas longas e brevesalternância de sílabas acentuadas e átonas
Medidapés (moras); o número de sílabas varianúmero fixo de sílabas por verso
Acento da palavrapode coincidir ou não com o tempo fortecoincide com o tempo forte (com exceções)
Elisãoregular: vogal final diante de vogal desapareceem geral ausente: todas as sílabas contam
Rimaausente (ou ocasional, como ornamento)essencial, muitas vezes dupla ou tripla

Os dois hinos deste capítulo são rítmicos e trocaicos: os acentos caem nas sílabas ímpares (1ª, 3ª, 5ª, 7ª), como num troqueu acentual (forte-fraco). Leia em voz alta o primeiro verso do Dies irae batendo o acento: Dí-ēs ī-rae, dí-ēs íl-la. Quatro tempos fortes, oito sílabas. Agora repare na quantidade: o i de diēs é breve, e a sílaba seguinte, ēs, é longa. Num verso clássico, diēs (∪ –) seria um jambo, o contrário de um troqueu; aqui ele abre o verso com acento na primeira sílaba, porque o ouvido medieval segue o acento da palavra, não a duração da vogal.

Como ler um hino rítmico: (1) leia na pronúncia eclesiástica do capítulo 1, que é a do canto; (2) conte as sílabas sem elidir nada (tantum ergō são quatro sílabas, não três); (3) marque o acento de cada palavra pela regra da penúltima (capítulo 1) e confira se os acentos caem nas sílabas ímpares; (4) procure as rimas no fim dos versos.

Pange lingua: o texto ⚑

O Pange lingua glōriōsī corporis mystērium é atribuído a Tomás de Aquino (c. 1225–1274), o teólogo dominicano que você lê no capítulo 54. Segundo a tradição, foi escrito para o ofício da festa de Corpus Christi, instituída para toda a Igreja pelo papa Urbano IV em 1264 (bula Transiturus), e canta a Eucaristia. As duas últimas estrofes, a partir de Tantum ergō, ganharam vida própria: são cantadas na bênção do Santíssimo Sacramento, e o hino inteiro acompanha a procissão de Quinta-feira Santa. O primeiro verso é uma homenagem: repete o início de outro hino, sobre a cruz, composto no século VI por Venâncio Fortunato, Pange, lingua, glōriōsī proelium certāminis, "Canta, ó língua, o combate da gloriosa luta". Tomás troca a cruz pelo corpo, e a batalha pelo mistério. (Proelium é a leitura dos manuscritos, seguida pela Wikisource; o Breviário Romano trazia lauream certāminis, "o laurel da luta", e é essa a forma que Ravizza cita no n. 541. A Catholic Encyclopedia de 1911, s.v. Pange Lingua Gloriosi, registra as duas.)

Pange, lingua, glōriōsī
corporis mystērium,
sanguinisque pretiōsī,
quem in mundī pretium
frūctus ventris generōsī
rēx effūdit gentium.
1. Canta, ó língua, o mistério do corpo glorioso e do sangue precioso que, como resgate do mundo, derramou o Rei das nações, fruto de um ventre nobre.
Nōbīs datus, nōbīs nātus
ex intāctā Virgine,
et in mundō conversātus,
sparsō verbī sēmine,
suī morās incolātūs
mīrō clausit ōrdine.
2. Dado a nós, nascido para nós de uma Virgem intacta, e tendo vivido no mundo, depois de espalhar a semente da palavra, ele encerrou de modo admirável o tempo da sua morada entre nós.
In suprēmae nocte coenae
recumbēns cum frātribus,
observātā lēge plēnē
cibīs in lēgālibus,
cibum turbae duodēnae
sē dat suīs manibus.
3. Na noite da última ceia, reclinado à mesa com os irmãos, cumprida plenamente a lei nos alimentos prescritos, ele se dá como alimento, com as próprias mãos, ao grupo dos Doze.
Verbum carō pānem vērum
verbō carnem efficit,
fitque sanguis Chrīstī merum;
et sī sēnsus dēficit,
ad firmandum cor sincērum
sōla fidēs sufficit.
4. O Verbo feito carne, com uma palavra, faz do pão verdadeiro a sua carne, e o vinho se torna o sangue de Cristo; e, se os sentidos falham, para firmar um coração sincero basta só a fé.
Tantum ergō sacrāmentum
venerēmur cernuī,
et antīquum documentum
novō cēdat rītuī;
praestet fidēs supplēmentum
sēnsuum dēfectuī.
5. Veneremos, pois, prostrados, tão grande sacramento, e ceda o antigo ensinamento ao novo rito; que a fé supra o que falta aos sentidos.
Genitōrī Genitōque
laus et iūbilātiō,
salūs, honor, virtūs quoque
sit et benedictiō;
prōcēdentī ab utrōque
compar sit laudātiō.
Āmēn.
6. Ao Pai e ao Filho, louvor e júbilo, salvação, honra e também poder e bênção; ao que procede de ambos, igual louvor. Amém.

Fonte: Wikisource latina (Pange lingua), com macrons acrescentados e a grafia coenae conservada (é cēnae, "da ceia": um caso do oe por e do capítulo 50). A tradução é deste livro e segue o latim de perto; ela não procura conservar a métrica nem as rimas.

Lendo o Pange lingua ⚑

O ritmo e as rimas

Cada estrofe tem seis versos que alternam oito e sete sílabas. O verso de oito termina em palavra paroxítona (glō-ri-ō-sī); o de sete, em proparoxítona (cor-po-ris mys-tē-ri-um). Juntando dois versos, temos uma linha de quinze sílabas, que é a versão acentual do tetrâmetro trocaico catalético: quatro pares de troqueus, o último incompleto. É o mesmo molde do hino de Venâncio, que Ravizza classifica entre os "trocaicos octonários catalécticos" e que se pode dividir em duas metades, "o primeiro perfeito, o segundo cataléctico" (n. 541). As rimas alternam: os versos ímpares rimam entre si (glōriōsī, pretiōsī, generōsī) e os pares também (mystērium, pretium, gentium). Nenhuma sílaba se elide: quem in mundī pretium tem sete sílabas contando quem e in separadamente, e Tantum ergō sacrāmentum, oito, com -tum e er- inteiros. Num verso clássico, quem in e tantum ergō perderiam uma sílaba na elisão.

Notas

Pange lingua: notas, estrofe a estrofe
EstrofeExpressãoNota
1pangeimperativo de pangō, -ere, compor, cantar (um poema). Lingua é vocativo.
1sanguinisque pretiōsī, quem…genitivo coordenado a corporis. O relativo quem (masculino) retoma sanguinis: "o sangue que…".
1in mundī pretiumin + acusativo de finalidade: "como preço (resgate) do mundo".
1frūctus ventris generōsī rēx… gentiumsujeito de effūdit: rēx gentium, "o Rei das nações", com o aposto frūctus ventris generōsī, "fruto de um ventre nobre".
2Nōbīs datus, nōbīs nātusparticípios perfeitos passivos (capítulo 29) com dativos de interesse: "dado a nós, nascido para nós". O sujeito, Cristo, só aparece no verbo clausit.
2sparsō verbī sēmineablativo absoluto (capítulo 30): "espalhada a semente da palavra".
2suī morās incolātūsmora, -ae, demora, tempo de permanência; incolātus, -ūs (4ª decl.), residência, estada; suī, genitivo de suus concordando com incolātūs: "o tempo da sua estada".
3observātā lēge plēnē cibīs in lēgālibusablativo absoluto: "observada plenamente a lei"; cibīs in lēgālibus = in cibīs lēgālibus, "nos alimentos prescritos pela lei" (a ceia pascal judaica). A preposição entre o nome e o adjetivo é uma licença poética.
3cibum turbae duodēnae sē datsē é o objeto e cibum o predicativo dele: "dá-se a si mesmo como alimento"; turbae duodēnae, dativo, "ao grupo dos doze" (duodēnī, distributivo, capítulo 19).
4Verbum carō… efficitVerbum carō, "o Verbo (feito) carne", é o sujeito; efficit com dois acusativos, pānem e carnem: "faz do pão carne". Verbō, ablativo de meio: "por uma palavra". O jogo Verbum… verbō é proposital.
4fitque sanguis Chrīstī merummerum, -ī (n.), vinho puro, é o sujeito de fit; sanguis, o predicativo: "e o vinho torna-se o sangue de Cristo".
4ad firmandum cor sincērumad + gerundivo concordando com cor: finalidade, "para firmar um coração sincero" (capítulo 31).
5cernuīcernuus, -a, -um, inclinado para a frente, prostrado; nominativo plural, predicativo do sujeito "nós".
5antīquum documentumdocumentum, -ī (n.), ensinamento, lição: a Lei antiga. É nominativo, sujeito de cēdat, embora tenha a mesma forma do acusativo.
5sēnsuum dēfectuīgenitivo plural e dativo singular da 4ª declinação (sēnsus, -ūs; dēfectus, -ūs): "à falha dos sentidos".
6Genitōrī Genitōquedativos: "ao que gerou e ao que foi gerado", o Pai e o Filho.
6laus et iūbilātiō… sitvários sujeitos com o verbo no singular, concordando com o mais próximo; subjuntivo de desejo: "seja (dado) louvor e júbilo".
6prōcēdentī ab utrōqueparticípio presente no dativo: "ao que procede de ambos", o Espírito Santo. Compar, "igual".

Análise: o Tantum ergo

A quinta estrofe é a mais cantada do hino e um pequeno catálogo dos subjuntivos de vontade do capítulo 32:

Pange lingua, estrofe 5, palavra a palavra
PalavraDicionárioAnáliseFunção
Tantumtantus, -a, -um, tão grandeacusativo singular neutroadjunto de sacrāmentum
ergōergō (conjunção)invariável"pois, portanto": tira a consequência das estrofes anteriores
sacrāmentumsacrāmentum, -ī (n.)acusativo singularobjeto direto de venerēmur
venerēmurveneror, -ārī, venerātus sum (depoente, 1ª conj.)presente do subjuntivo, 1ª pl. (ā → ē)exortativo: "veneremos" (Bennett § 274)
cernuīcernuus, -a, -um, prostradonominativo plural masculinopredicativo do sujeito "nós"
et antīquum documentumantīquus, -a, -um; documentum, -ī (n.)nominativo singular neutrosujeito de cēdat
novō… rītuīnovus, -a, -um; rītus, -ūs (m.), ritodativo singular (4ª decl. em -uī)complemento de cēdat: "ao novo rito"
cēdatcēdō, -ere, cessī, cederpresente do subjuntivo, 3ª sing. (3ª conj.: + a)jussivo: "ceda" (Bennett § 275)
praestetpraestō, -āre, fornecerpresente do subjuntivo, 3ª sing. (1ª conj.: ā → e)jussivo: "que forneça, supra"
fidēsfidēs, -eī (f.), fénominativo singularsujeito de praestet; sentido cristão (capítulo 50)
supplēmentumsupplēmentum, -ī (n.), complementoacusativo singularobjeto direto de praestet
sēnsuumsēnsus, -ūs (m.), sentidogenitivo pluraladjunto de dēfectuī
dēfectuīdēfectus, -ūs (m.), falha, faltadativo singularobjeto indireto: "à falha"

O ponto delicado é antīquum documentum. Quem lê em ordem vê um acusativo possível (a forma neutra é ambígua) logo depois do objeto sacrāmentum e tende a juntá-lo a venerēmur. Mas o et abre uma nova oração, e cēdat, no singular, precisa de um sujeito: é documentum. O raciocínio por exclusão do capítulo 3 resolve: novō rītuī está no dativo, cēdō é intransitivo, e só sobra o neutro para sujeito.

Dies irae: o texto ⚑

O Dies irae é uma sequência, isto é, um poema cantado na missa antes do Evangelho. Ele é tradicionalmente atribuído a Tomás de Celano, frade franciscano do século XIII e biógrafo de São Francisco, mas a autoria não é segura. Durante séculos foi a sequência da missa de defuntos (o Requiem) no rito romano; a reforma litúrgica de 1969–1970 tirou-o da missa, e ele sobrevive na liturgia das horas, nas celebrações segundo os livros anteriores à reforma e nas obras de Mozart, Verdi e tantos outros. O primeiro verso vem da Vulgata, do profeta Sofonias: Diēs īrae diēs illa, diēs tribulātiōnis et angustiae…, "Dia de ira aquele dia, dia de tribulação e de angústia…" (Sf 1,15). O poema descreve o Juízo Final e passa, na estrofe VII, da descrição à súplica pessoal.

Diēs īrae, diēs illa,
solvet saeclum in favillā,
teste David cum Sibyllā.
I. Dia de ira, aquele dia, desfará o mundo em cinzas, como atestam Davi e a Sibila.
Quantus tremor est futūrus,
quandō iūdex est ventūrus,
cūncta strictē discussūrus!
II. Quanto tremor haverá, quando o juiz vier para examinar tudo com rigor!
Tuba, mīrum spargēns sonum
per sepulcra regiōnum,
cōget omnēs ante thronum.
III. A trombeta, espalhando um som assombroso pelos sepulcros de todas as terras, reunirá todos diante do trono.
Mors stupēbit et nātūra,
cum resurget creātūra,
iūdicantī respōnsūra.
IV. A morte e a natureza ficarão atônitas, quando a criatura ressurgir para responder a quem a julga.
Liber scrīptus prōferētur,
in quō tōtum continētur,
unde mundus iūdicētur.
V. Será apresentado o livro escrito, em que tudo está contido, pelo qual o mundo há de ser julgado.
Iūdex ergō cum sedēbit,
quidquid latet appārēbit:
nīl inultum remanēbit.
VI. Quando, pois, o juiz se assentar, tudo o que está oculto aparecerá: nada ficará sem castigo.
Quid sum miser tunc dictūrus?
Quem patrōnum rogātūrus,
cum vix iūstus sit sēcūrus?
VII. Que hei de dizer então, miserável? A que protetor hei de recorrer, quando nem o justo estará seguro?
Rēx tremendae māiestātis,
quī salvandōs salvās grātīs,
salvā mē, fōns pietātis.
VIII. Rei de tremenda majestade, que salvas de graça os que hão de ser salvos, salva-me, fonte de bondade!
Recordāre, Iēsū pie,
quod sum causa tuae viae:
nē mē perdās illā diē.
IX. Lembra-te, ó bom Jesus, de que sou a razão do teu caminho: não me percas naquele dia.
Quaerēns mē sēdistī lassus,
redēmistī crucem passus:
tantus labor nōn sit cassus.
X. Ao me procurar, sentaste-te cansado; remiste-me sofrendo a cruz: que tanto trabalho não seja em vão.

Fonte: texto de Charles C. Nott (1902), na Wikisource latina, estrofes I–X de dezoito; adaptações: ae por æ, i por j, cum por quum (capítulo 50), Sibyllā por Sybillâ, macrons acrescentados. As estrofes XI–XVIII são lidas no exercício 4. O texto litúrgico acrescenta, depois da última estrofe, uma prece final (Pie Iēsū Domine, dōnā eīs requiem) que não está na edição de Nott. A tradução é deste livro.

Lendo o Dies irae ⚑

O ritmo e as rimas

O Dies irae é mais simples e mais insistente que o Pange lingua. Cada verso tem oito sílabas, todas paroxítonas no fim, com acentos nas ímpares: é um dímetro trocaico acentual, dois pares de troqueus completos. Os versos se agrupam em tercetos com uma só rima: illa, favillā, Sibyllā; futūrus, ventūrus, discussūrus; sonum, regiōnum, thronum. Essa rima tripla, que soa como um sino, é o recurso mais característico do poema. Para caber nas oito sílabas, o poeta usa às vezes formas mais curtas: saeclum por saeculum, nīl por nihil. Com saeculum, o segundo verso teria nove sílabas; num verso clássico, a elisão de saeclum in resolveria a conta de outro modo, mas aqui todas as sílabas soam: sol-vet-sae-clum-in-fa-vil-lā.

Notas

Dies irae, estrofes I–X: notas
EstrofeExpressãoNota
Isolvet saeclum in favillāsolvō, -ere, dissolver; futuro. Saeclum, forma sincopada de saeculum, "o mundo" (sentido cristão, capítulo 50); favilla, -ae, cinza.
Iteste David cum Sibyllāablativo absoluto sem particípio (capítulo 30): "sendo testemunha Davi com a Sibila", isto é, os Salmos e os oráculos da Sibila, que a tradição cristã lia como profecias.
IIest futūrus… est ventūrus… discussūrusparticípios futuros com sum: a perifrástica ativa, "está para ser, há de vir" (Bennett § 115). Discussūrus (de discutiō, examinar) indica a finalidade: "para examinar".
IIIcōgetfuturo de cōgō, -ere, reunir (de co- + agō).
IViūdicantī respōnsūraiūdicantī, particípio presente no dativo, "a quem julga"; respōnsūra, particípio futuro concordando com creātūra: "para responder".
Vunde mundus iūdicēturrelativa final: unde = ut inde, "para que a partir dele" (Bennett § 282.2). Ver o diagrama abaixo.
VInīl inultum remanēbitinultus, -a, -um, impune, não vingado: "nada ficará impune".
VIIQuid sum miser tunc dictūrus? Quem patrōnum rogātūrusperifrástica ativa (o sum se subentende no segundo verso): "que hei de dizer, a que protetor hei de rogar?". Miser é predicativo do sujeito "eu".
VIIcum vix iūstus sit sēcūruscum + subjuntivo causal ou concessivo (Bennett §§ 286.2 e 309.3; A&G § 549): "quando, já que, nem o justo está seguro".
VIIIquī salvandōs salvās grātīssalvandōs, gerundivo (capítulo 31) usado como substantivo: "os que devem ser salvos"; grātīs, advérbio, "de graça". Salvāre é o verbo cristão do capítulo 50.
IXRecordāre… quod sum causa tuae viaerecordāre, imperativo do depoente recordor (capítulo 25); quod + indicativo no lugar da oração infinitiva, como no latim cristão (capítulo 50): "lembra-te de que sou a causa".
IXnē mē perdāsproibição com nē + presente do subjuntivo: ver a seção 6.
XQuaerēns mē sēdistī lassusalusão a Jo 4,6, onde Jesus, cansado do caminho, se senta junto ao poço: Iēsūs ergō fatīgātus ex itinere, sedēbat sīc suprā fontem. Sēdistī, perfeito de sedeō.
Xcrucem passusparticípio perfeito de patior, depoente: "tendo sofrido (sofrendo) a cruz".
Liber scrīptussujeito"o livro escrito"prōferēturfuturo passivo"será apresentado"in quō tōtumrelativa"em que tudo"continēturpresente passivo"está contido"unde… iūdicēturrelativa finalsubjuntivo
Dies irae, estrofe V: uma oração principal e duas relativas que dependem de liber. A primeira (in quō) descreve o livro, no indicativo; a segunda (unde, "de onde, pelo qual") diz para que ele serve, no subjuntivo: unde = ut inde (Bennett § 282.2).

Os subjuntivos dos hinos ⚑

Um hino é uma oração cantada: convida, ordena, deseja, suplica. Por isso vive do subjuntivo de vontade estudado no capítulo 32, e lê-lo é uma boa revisão daquele capítulo. A tabela reúne os subjuntivos dos dois textos e compara cada um com a norma clássica.

FormaOndeUsoComentário
venerēmurPange lingua 5exortativo (1ª pl.)clássico (Bennett § 274): "veneremos"
cēdat, praestetPange lingua 5jussivo (3ª sing.)clássico (Bennett § 275): "ceda", "supra"
sit… sitPange lingua 6optativo / jussivodesejo sem utinam, como nas fórmulas de louvor (Bennett § 279; A&G § 441): "seja"
iūdicēturDies irae Vrelativa finalclássico (Bennett § 282.2): unde = ut inde
sit sēcūrusDies irae VIIcum causal ou concessivoclássico (Bennett §§ 286.2, 309.3)
nē… perdāsDies irae IXproibição: nē + presenteBennett § 276 admite o presente e o perfeito, mas nota que as duas construções são pouco frequentes na prosa clássica, que prefere nōlī + infinitivo; nas orações e na Vulgata o presente é comum (nē nōs indūcās, capítulo 32)
nōn sit cassusDies irae Xjussivo/optativo negado com nōna norma é nē; A&G § 439, nota 3, registra nōn "ocasionalmente nos poetas e nos autores tardios"

Repare que quase todos os usos são clássicos: o latim dos hinos não inventa subjuntivos novos, usa os de sempre com a frequência que o gênero pede. As duas marcas tardias são pequenas e coerentes com o capítulo 50: a preferência pelo presente na proibição, que vem da linguagem da oração e da Vulgata, e a negação nōn num desejo, que soa ao ouvido medieval como o nosso "que não seja em vão".

Resumo

O capítulo 53 volta à prosa: as Confissões de Agostinho, um latim cristão de alta retórica.

Erros comuns ⚑

Prática guiada ⚑

Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.

Prática guiada 1 · Contar, acentuar, rimar

Faça a análise rítmica dos dois primeiros versos do Tantum ergo: Tantum ergō sacrāmentum / venerēmur cernuī.

  1. Divida o primeiro verso em sílabas, sem elisão. Quantas são?
    Ver o passo

    tan-tum-er-gō-sa-crā-men-tum: oito sílabas. O -um de tantum não se elide diante de ergō.

  2. Onde caem os acentos das palavras?
    Ver o passo

    tantum (dissílaba, acento na primeira), ergō (idem), sa-crā-men-tum (penúltima longa por posição, -men- seguido de nt, recebe o acento). Acentos nas sílabas 1, 3 e 7; a 5ª (sa-) recebe um acento secundário no canto. Movimento trocaico: forte-fraco.

  3. E o segundo verso?
    Ver o passo

    ve-ne-rē-mur-cer-nu-ī: sete sílabas. Acentos: ve-ne-rē-mur (penúltima rē longa) e cer-nu-ī (penúltima nu breve, acento na antepenúltima). O verso termina em proparoxítona, como todos os versos pares do hino.

  4. Com que versos da mesma estrofe eles rimam?
    Ver o passo

    Sacrāmentum rima com documentum e supplēmentum (versos ímpares, -entum); cernuī com rītuī e dēfectuī (versos pares, -uī).

Conclusão: 8 + 7 sílabas, acentos nas ímpares, rimas alternadas: é a arquitetura de todas as estrofes do Pange lingua.

Prática guiada 2 · Uma súplica (Dies irae, IX)

Analise e traduza: Recordāre, Iēsū pie, / quod sum causa tuae viae: / nē mē perdās illā diē. Vocabulário: recordor, -ārī, lembrar-se; pius, -a, -um, piedoso, bom; via, -ae, caminho; perdō, -ere, perder.

  1. Que forma é recordāre? Cuidado com o infinitivo.
    Ver o passo

    É o imperativo presente, 2ª sing., do depoente recordor: "lembra-te". Nos depoentes o imperativo singular tem a forma de um infinitivo ativo (capítulo 25); o vocativo ao lado (Iēsū pie) confirma que é uma ordem a alguém.

  2. Que caso são Iēsū e pie?
    Ver o passo

    Vocativos: Iēsū, vocativo de Iēsūs, -ū; pie, de pius, com o -e dos adjetivos em -us.

  3. Como funciona quod sum causa tuae viae?
    Ver o passo

    Quod + indicativo diz o conteúdo da lembrança: "(lembra-te) de que sou a causa do teu caminho". É o quod declarativo do capítulo 50; em latim clássico, mē esse causam. "O teu caminho" é a vinda de Cristo ao mundo.

  4. E nē mē perdās?
    Ver o passo

    Proibição (ou súplica negativa) com nē + presente do subjuntivo de perdō (3ª conj., + a), 2ª sing.: "não me percas" (Bennett § 276). Illā diē, ablativo de tempo: "naquele dia".

  5. Monte a tradução.
    Ver o passo

    "Lembra-te, ó bom Jesus, de que eu sou a razão do teu caminho: não me percas naquele dia."

Exercícios independentes ⚑

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Exercício 1 · Sílabas e acentos

Conte as sílabas sem elisão, marque os acentos e diga se o verso é de 8 ou de 7 sílabas e se termina em paroxítona ou proparoxítona.

  1. Nōbīs datus, nōbīs nātus
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    nō-bīs-da-tus-nō-bīs-nā-tus: 8 sílabas, acentos nas ímpares, final paroxítono.

  2. ex intāctā Virgine
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    ex-in-tāc-tā-vir-gi-ne: 7 sílabas (sem elisão de ex in-), final proparoxítono (Vir-gi-ne).

  3. Quid sum miser tunc dictūrus
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    quid-sum-mi-ser-tunc-dic-tū-rus: 8 sílabas. Miser tem i breve, mas recebe o acento: o ritmo é acentual.

  4. Solvet saeclum in favillā
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    sol-vet-sae-clum-in-fa-vil-lā: 8 sílabas sem elisão; com saeculum seriam 9. A 5ª sílaba (in) é fraca: nem todo verso tem os quatro acentos.

  5. Procedenti ab utroque (Pange lingua 6)
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    prō-cē-den-tī-ab-u-trō-que: 8 sílabas, sem elisão de -tī ab.

Exercício 2 · Rimas e estrutura

Responda.

  1. Qual é o esquema de rimas da estrofe 3 do Pange lingua?
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    Alternado, ABABAB: coenae, plēnē, duodēnae (A, -ēn-) e frātribus, lēgālibus, manibus (B, -ibus).

  2. Qual é o esquema das estrofes do Dies irae?
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    AAA: uma rima por terceto (tremor… futūrus / ventūrus / discussūrus). Na estrofe XVIII, de quatro versos, a rima muda no meio (illa / favillā e reus / Deus).

  3. Que palavra do Dies irae I foi encurtada para caber no verso, e por quê?
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    Saeclum, forma sincopada de saeculum: com a forma longa o verso teria nove sílabas, e no verso rítmico não há elisão que absorva a sílaba a mais.

  4. De onde vem o primeiro verso do Pange lingua?
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    Do hino de Venâncio Fortunato (século VI) sobre a cruz, Pange, lingua, glōriōsī proelium certāminis. Tomás repete as três primeiras palavras e o molde rítmico.

Exercício 3 · Classifique os subjuntivos

Dê o tempo, a pessoa e o uso do subjuntivo e traduza a expressão.

  1. venerēmur (Pange lingua 5)
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    Presente, 1ª pl., do depoente veneror; exortativo: "veneremos".

  2. compar sit laudātiō (Pange lingua 6)
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    Presente de sum, 3ª sing.; optativo/jussivo de louvor: "seja igual o louvor".

  3. unde mundus iūdicētur (Dies irae V)
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    Presente passivo, 3ª sing., de iūdicō; relativa final com unde = ut inde: "pelo qual o mundo seja julgado".

  4. cum vix iūstus sit sēcūrus (Dies irae VII)
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    Presente de sum, 3ª sing.; cum causal/concessivo: "quando nem o justo está seguro".

  5. nē mē perdās (Dies irae IX)
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    Presente, 2ª sing., de perdō; proibição com nē: "não me percas".

  6. nē perennī cremer igne (Dies irae XIV; cremō, -āre, queimar; perennis, -e, eterno)
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    Presente passivo, 1ª sing., de cremō (1ª conj.: crem-e-r); oração final com nē depois de fac benignē: "(faze, em tua bondade,) que eu não seja queimado no fogo eterno" (Bennett § 282.1).

Exercício 4 · Traduza as estrofes finais do Dies irae

Traduza. Texto de Nott (1902), adaptado como as estrofes I–X. Vocabulário: ultiō, -ōnis, castigo, vingança; remissiō, -ōnis, perdão; ratiō, -ōnis, prestação de contas; ingemīscō, -ere, gemer; tamquam, como; reus, -ī, réu; rubeō, -ēre, ficar vermelho; vultus, -ūs, rosto; supplicō, -āre, suplicar; parcō, -ere, poupar (com dativo); supplex, -icis, suplicante; acclīnis, -e, inclinado; contrītus, triturado, contrito; cinis, -eris, cinza; lacrimōsus, lacrimoso.

  1. Iūste iūdex ultiōnis, / dōnum fac remissiōnis / ante diem ratiōnis. (XI)
    Ver resposta

    "Justo juiz do castigo, concede o dom do perdão antes do dia das contas." Iūste iūdex, vocativo; fac, imperativo curto de faciō (capítulo 22); dōnum fac, "faze (dá) o dom".

  2. Ingemīscō tamquam reus, / culpā rubet vultus meus: / supplicantī parce, Deus. (XII)
    Ver resposta

    "Gemo como um réu, de culpa enrubesce o meu rosto: poupa, ó Deus, quem te suplica." Culpā, ablativo de causa; supplicantī, particípio presente no dativo, exigido por parce.

  3. Ōrō supplex et acclīnis, / cor contrītum quasi cinis: / gere cūram meī fīnis. (XVII)
    Ver resposta

    "Rogo suplicante e inclinado, com o coração contrito como cinza: cuida do meu fim." Cor contrītum é um nominativo solto (ou acusativo de relação), "(tendo) o coração contrito"; gere cūram + genitivo, "tem cuidado de"; meī concorda com fīnis.

  4. Lacrimōsa diēs illa, / quā resurget ex favillā / iūdicandus homō reus: / huic ergō parce, Deus. (XVIII)
    Ver resposta

    "Dia de lágrimas aquele, em que ressurgirá da cinza o homem culpado para ser julgado: poupa-o, pois, ó Deus." Quā, ablativo de tempo do relativo (retoma diēs, aqui feminino); iūdicandus, gerundivo, "que deve ser julgado"; huic, dativo de hīc com parce.

Exercício 5 · Construções do Pange lingua

Explique a construção destacada e traduza.

  1. sparsō verbī sēmine (2)
    Ver resposta

    Ablativo absoluto (capítulo 30): particípio sparsō + nome sēmine no ablativo, com o genitivo verbī. "Espalhada a semente da palavra", "depois de espalhar a semente da palavra".

  2. observātā lēge plēnē (3)
    Ver resposta

    Outro ablativo absoluto: "observada plenamente a lei".

  3. pānem vērum verbō carnem efficit (4)
    Ver resposta

    Efficiō com dois acusativos, objeto (pānem) e predicativo do objeto (carnem): "faz do pão carne", como Populus Cicerōnem cōnsulem creat, "o povo elege Cícero cônsul" (capítulo 22).

  4. ad firmandum cor sincērum (4)
    Ver resposta

    Ad + gerundivo concordando com cor: finalidade (capítulo 31). "Para firmar um coração sincero".

  5. Genitōrī Genitōque laus… sit (6)
    Ver resposta

    Dativos de interesse ("ao Pai e ao Filho") com o subjuntivo de desejo sit: "ao Pai e ao Filho seja louvor".

Leituras recomendadas

Leia os dois hinos inteiros nas páginas do catálogo (o Dies irae com as oito estrofes que ficaram para o exercício 4) e, se puder, ouça-os cantados em gregoriano: a melodia torna o ritmo evidente. O Stabat Mater, atribuído a Jacopone da Todi, usa um verso trocaico muito parecido com o do Dies irae (8 + 8 + 7 sílabas) e é o melhor texto para treinar o que você aprendeu aqui. O Te Deum, mais antigo, é prosa rítmica, sem métrica regular: compare. Os Carmina Burana mostram o verso rítmico rimado fora da igreja, em canções de taberna e de amor; são mais difíceis (nível 4 no catálogo). No Pe. Ravizza, o n. 541 lista os metros clássicos que a Igreja conservou nos seus hinos, com exemplos que você já pode ler.

Etapa VI · Latinitas ChristianaDificuldade 3 · IntermediárioOriginal

Pange lingua gloriosi corporis mysterium

Thomas de Aquino

O hino eucarístico de São Tomás de Aquino, cujas duas últimas estrofes formam o Tantum ergo. Seis estrofes rimadas; sintaxe condensada que vale a pena destrinchar. Sem notas.

Hino · Medieval · alguns minutos · Vicifons (Latin Wikisource)

Ler na fonte ↗
Etapa VI · Latinitas ChristianaDificuldade 3 · IntermediárioOriginal

Dies irae

Atribuído a Thomas de Celano

A sequência do Juízo Final (séc. XIII), em tercetos rimados de oito sílabas: "Dies irae, dies illa". Vocabulário concentrado e memorável. Texto transcrito de uma antologia de 1902. Sem notas.

Hino · Medieval · alguns minutos · Vicifons (Latin Wikisource)

Ler na fonte ↗
Etapa VI · Latinitas ChristianaDificuldade 2 · BásicoOriginal

Te Deum

Atribuído a Nicetas de Remesiana ou a Ambrósio

O hino de ação de graças da Igreja latina, com acentos tônicos marcados para recitação. Texto curto, frases paralelas e vocabulário bíblico. Sem notas.

Hino · Tardio e patrístico · alguns minutos · Vicifons (Latin Wikisource)

Ler na fonte ↗
Etapa VI · Latinitas ChristianaDificuldade 2 · BásicoOriginal Áudio

Stabat Mater

Atribuído a Jacopone da Todi

A sequência mariana da Sexta-feira Santa, vinte tercetos com acentos tônicos marcados, na versão do Missal Romano. Frases curtas e rimas regulares. Sem notas; gravação no LibriVox.

Hino · Medieval · alguns minutos · Vicifons (Latin Wikisource)

Ler na fonte ↗ Áudio ↗
Etapa VII · Sapientia MediaevalisDificuldade 4 · AvançadoOriginal

Carmina Burana (seleção)

Anônimo (séc. XII–XIII)

Dezenove poemas goliárdicos do manuscrito de Beuern: canções de primavera, de taberna e de amor, em latim medieval rimado e acentual. Vocabulário vivo e às vezes raro. Sem notas.

Poesia lírica · Medieval · alguns dias · Vicifons (Latin Wikisource)

Ler na fonte ↗
Etapa I · Prima VerbaDidáticoCom notas

Gramática Latina

Pe. João Ravizza

Gramática latina completa em português, usada por gerações nas escolas brasileiras, com um compêndio de história da literatura latina. Nona edição (1940), em domínio público (autor falecido em 1941). Fac-símile em PDF no Internet Archive.

Gramática · Moderno (material didático) · consulta · Internet Archive

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Créditos e fontes

Autoria
Bibliotheca Latina. Conteúdo original com trechos de obras em domínio público; licença CC BY 4.0.
Fontes consultadas
  • Pange lingua gloriosi corporis mysterium, Tomás de Aquino (no catálogo) · domínio público · texto integral (seis estrofes e Amen) conferido na Wikisource latina; ortografia da página conservada (coenae), com macrons acrescentados
  • Dies irae, no texto de Charles C. Nott, The Seven Great Hymns of the Mediaeval Church (Nova York, 1902), Tomás de Celano (atribuído) (no catálogo) · domínio público · estrofes I–X lidas no capítulo e XI–XVIII usadas nos exercícios, conferidas na transcrição da Wikisource latina (páginas 86–94 do volume); adaptado: ae por æ, i por j, cum por quum, Sibyllā por Sybillâ, sem os acentos circunflexos da edição; macrons acrescentados
  • Pange lingua gloriosi proelium certaminis, Venâncio Fortunato · domínio público · primeiros versos do hino do século VI que serviu de modelo ao de Tomás, conferidos na Wikisource latina
  • Biblia Sacra Vulgata (editio Clementina): Sofonias 1,15; João 4,6 (no catálogo) · domínio público · fonte do primeiro verso do Dies irae e do "sentaste-te cansado" da estrofe X, conferidos na Wikisource latina
  • New Latin Grammar, Charles E. Bennett (no catálogo) · domínio público · § 115 (perifrástica ativa: particípio futuro + sum); § 274 (subjuntivo exortativo, 1ª pl.); § 275 (jussivo); § 276 (proibição com nē + presente ou perfeito do subjuntivo; 276.a, pouco frequente na prosa clássica); § 279 (optativo); § 282.1–2 (orações finais com nē; relativas finais com quī, ubi, unde, quō: unde = ut inde); § 286.2 (cum causal com subjuntivo); § 309.3 (cum "embora" com subjuntivo); § 366.1–11 (mora, pé, troqueu, ictus, elisão, verso catalético, dímetro e tetrâmetro)
  • Allen and Greenough's New Latin Grammar, J. H. Allen e J. B. Greenough (no catálogo) · domínio público · § 439 e nota 3 (subjuntivo exortativo; negação nōn ocasional nos poetas e nos autores tardios); §§ 441–442 (optativo; utinam); § 549 (cum causal ou concessivo com subjuntivo)
  • Kennedy's Revised Latin Primer, Benjamin Hall Kennedy (no catálogo) · domínio público · § 475 (metro: nos versos jâmbicos e trocaicos dois pés formam "um metro"; dímetro, trímetro, tetrâmetro; verso acatalético e catalético)
  • Gramática Latina, Pe. João Ravizza (no catálogo) · domínio público · início do capítulo de métrica (a poesia antiga é quantitativa, a moderna se baseia no acento; o verso latino não tem rima; no OCR o número aparece como "552", e a sequência indica 532); n. 541 (metros clássicos usados pela Igreja na hinologia; e: trocaicos octonários catalécticos, com o exemplo "Pange lingua gloriosi — lauream certaminis"; nota final sobre a passagem da poesia quantitativa às assonâncias, às rimas e à acentuação)
Para ir além
Pange lingua gloriosi corporis mysterium, Dies irae, Te Deum, Stabat Mater, Carmina Burana (seleção), Gramática Latina (ver Leituras recomendadas acima).