O quarto modo do verbo latino: o que o subjuntivo exprime, como se formam os seus quatro tempos na ativa e na passiva (a troca de vogal do presente, o infinitivo + terminação do imperfeito, -erim e -issem no perfectum), o subjuntivo de sum, possum e dos irregulares, e os usos em oração principal: exortativo, jussivo, proibição com nē, optativo com utinam, deliberativo e potencial.
Neste capítulo você vai
Explicar a diferença entre o indicativo (o fato) e o subjuntivo (a ação querida, desejada ou apenas possível), comparando-a com o subjuntivo português.
Formar e reconhecer os quatro tempos do subjuntivo, na ativa e na passiva, nas quatro conjugações, sem confundi-los com o presente e o futuro do indicativo.
Conjugar o presente e o imperfeito do subjuntivo de sum, possum, volō, nōlō, mālō, eō, ferō e fīō.
Identificar e traduzir os usos do subjuntivo em oração principal: exortativo, jussivo, proibição com nē, optativo, deliberativo e potencial, escolhendo a negação correta (nē ou nōn).
Analisar palavra a palavra frases autênticas da Vulgata e de Catulo construídas com o subjuntivo.
subjuntivomodo verbalpresente do subjuntivoimperfeito do subjuntivoperfeito do subjuntivomais-que-perfeito do subjuntivosubjuntivo passivosubjuntivo de sum e possumsubjuntivo de volō, nōlō, mālō, eō, ferō, fīōsubjuntivo exortativosubjuntivo jussivoproibição com nē + perfeito do subjuntivosubjuntivo optativo (utinam)subjuntivo deliberativosubjuntivo potencialnegação nē × nōnsubjuntivo latino × subjuntivo portuguêsanálise de frase autêntica
Antes deste capítulo: Capítulo 13: o perfeito, o tema do perfeito e as partes principais (o perfectum do subjuntivo se forma sobre eles). Você também precisa dos tempos do indicativo dos capítulos 6 e 12, porque o subjuntivo se aprende por contraste com eles. A passiva (capítulos 23 e 24) e os verbos irregulares (capítulo 26) são usados nas seções 3 e 4; se ainda não os estudou, leia essas partes depois. · capítulo 6 · capítulo 12 · capítulo 13 · capítulo 23 · capítulo 24 · capítulo 26
Até aqui todos os verbos deste livro estiveram no indicativo, o modo de quem afirma ou pergunta sobre um fato: puer venit, "o menino vem"; puer vēnit, "o menino veio". Neste capítulo entra o subjuntivo (em latim, modus coniūnctīvus ou subiūnctīvus), o modo de quem não afirma um fato, mas apresenta a ação como algo querido, desejado ou apenas possível. É essa a divisão que Bennett usa para os usos em oração independente: o subjuntivo volitivo (a vontade), o optativo (o desejo) e o potencial (a possibilidade) (§ 272); Allen & Greenough dizem o mesmo de outro modo: o subjuntivo exprime a ideia verbal "com alguma modificação", e não como simples realidade (§ 438).
O falante de português tem aqui uma vantagem enorme, porque a nossa língua conservou o subjuntivo latino. Compare: "o menino vem" (fato) e "que o menino venha!" (vontade); "talvez ele diga" (possibilidade); "quem dera ele estivesse aqui!" (desejo irrealizável). Em todos esses casos o português põe o verbo no subjuntivo pelas mesmas razões que o latim. A diferença principal é de frequência e de lugar. O português usa o subjuntivo quase só em orações subordinadas ("quero que venha", "embora chova"); o latim o usa muito nas subordinadas (capítulos 33 a 38) e também, com bastante frequência, em orações principais, sem nenhuma conjunção. Este capítulo trata das formas e desses usos independentes.
O subjuntivo latino tem só quatro tempos: presente, imperfeito, perfeito e mais-que-perfeito. Não há futuro nem futuro perfeito do subjuntivo (o que o latim faz quando precisa de um futuro numa oração subordinada é assunto do capítulo 34). E há um aviso que vale para todo o capítulo: o nome do tempo latino não manda no tempo da tradução. O imperfeito do subjuntivo pode significar um desejo irrealizável no presente (utinam adesset, "quem dera ele estivesse aqui agora"), e o perfeito do subjuntivo, numa proibição, não tem nada de passado (nē timuerīs, "não tenhas medo"). Cada uso tem a sua tradução, e é ela que você deve aprender junto com a forma.
Indicativo e subjuntivo: o fato e a ação vista de outro modo
O presente do subjuntivo se forma sobre o tema do presente e se reconhece por uma troca de vogal antes das terminações pessoais que você já conhece (-m, -s, -t, -mus, -tis, -nt; atenção: no subjuntivo a primeira pessoa é sempre em -m, nunca em -ō). A regra prática cabe numa frase: a primeira conjugação troca o seu ā por ē; todas as outras põem um ā (Ravizza n. 85; A&G § 168.e; Bennett §§ 101, 103, 105, 107).
Presente do subjuntivo ativo
Pessoa
1ª · amō
2ª · moneō
3ª · regō
3ª em -iō · capiō
4ª · audiō
1ª sing.
amem
moneam
regam
capiam
audiam
2ª sing.
amēs
moneās
regās
capiās
audiās
3ª sing.
amet
moneat
regat
capiat
audiat
1ª pl.
amēmus
moneāmus
regāmus
capiāmus
audiāmus
2ª pl.
amētis
moneātis
regātis
capiātis
audiātis
3ª pl.
ament
moneant
regant
capiant
audiant
Repare que a vogal é longa em -ēs, -ēmus, -ētis e -ās, -āmus, -ātis, e breve antes de -m, -t e -nt, como já acontecia no indicativo (capítulo 6). Na 2ª, na 3ª em -iō e na 4ª, o e ou o i do tema continua visível antes do a: mone-am, capi-am, audi-am; na 3ª comum o a se junta direto à raiz: reg-am.
Duas armadilhas de reconhecimento
Primeira: o -ē- não é exclusivo do subjuntivo. Na 1ª conjugação o ē marca o subjuntivo (amēs, "que ames"), mas na 2ª ele é a vogal do próprio tema no indicativo (monēs, "advertes"), e na 3ª e na 4ª ele marca o futuro do indicativo (regēs, "regerás"; audiēs, "ouvirás", capítulo 12). Por isso nunca leia a vogal antes de saber a conjugação: primeiro o dicionário, depois a terminação.
Segunda: regam, capiam, audiam são ambíguos. Na 3ª e na 4ª conjugações, a 1ª pessoa do singular do futuro do indicativo é igual à do presente do subjuntivo: regam pode ser "regerei" ou "que eu reja". Nas outras pessoas as formas se separam (regēs × regās, reget × regat), e na 1ª pessoa o contexto decide: uma pergunta deliberativa (quid agam?) ou uma conjunção que pede subjuntivo resolve a dúvida.
2ª e 3ª pessoas do singular: indicativo, futuro e subjuntivo lado a lado
Conjugação
Pres. indicativo
Futuro indicativo
Pres. subjuntivo
1ª
amās, amat
amābis, amābit
amēs, amet
2ª
monēs, monet
monēbis, monēbit
moneās, moneat
3ª
regis, regit
regēs, reget
regās, regat
4ª
audīs, audit
audiēs, audiet
audiās, audiat
O presente do subjuntivo passivo
Na passiva a troca de vogal é a mesma; mudam só as terminações, que são as da passiva do capítulo 23 (-r, -ris, -tur, -mur, -minī, -ntur): amer, amēris, amētur, amēmur, amēminī, amentur; regar, regāris, regātur, regāmur, regāminī, regantur; audiar, audiāris, audiātur (Bennett § 102). A forma -ēris/-āris tem a variante -ēre/-āre, como no indicativo.
Puer veniat.
Que o menino venha. (3ª sing., presente do subjuntivo de veniō, 4ª)
Librōs legāmus.
Leiamos os livros. (1ª pl. de legō, 3ª)
Magister puerōs moneat.
Que o professor advirta os meninos. (moneat, e não monet)
Lēgēs serventur.
Que as leis sejam observadas. (passiva de servō, -āre, "guardar, observar")
Os outros três tempos são mais fáceis de formar do que o presente, porque seguem uma única regra em todas as conjugações.
Imperfeito: o infinitivo + as terminações
Tome o infinitivo presente ativo e acrescente -m, -s, -t, -mus, -tis, -nt, alongando o e final do infinitivo em -ēs, -ēmus, -ētis: amāre → amārem; regere → regerem. É a regra de Ravizza (n. 88), e Allen & Greenough descrevem o mesmo tempo como o tema do presente seguido de -rem, -rēs (§ 168.f). A vantagem prática é enorme: quem sabe o infinitivo sabe o imperfeito do subjuntivo, inclusive, como você verá na seção 4, o dos verbos irregulares.
Imperfeito do subjuntivo ativo
Pessoa
amō, amāre
moneō, monēre
regō, regere
capiō, capere
audiō, audīre
1ª sing.
amārem
monērem
regerem
caperem
audīrem
2ª sing.
amārēs
monērēs
regerēs
caperēs
audīrēs
3ª sing.
amāret
monēret
regeret
caperet
audīret
1ª pl.
amārēmus
monērēmus
regerēmus
caperēmus
audīrēmus
2ª pl.
amārētis
monērētis
regerētis
caperētis
audīrētis
3ª pl.
amārent
monērent
regerent
caperent
audīrent
Na passiva, o mesmo tema recebe as terminações passivas: amārer, amārēris, amārētur, amārēmur, amārēminī, amārentur; regerer, regerēris, regerētur (Bennett § 102). Note que capere dá caperem, sem o i de capiam: o imperfeito sai do infinitivo, e o infinitivo de capiō é capere.
Perfeito e mais-que-perfeito: o tema do perfeito
Os dois tempos do perfectum se formam sobre o tema do perfeito, que você aprendeu a tirar da terceira parte principal no capítulo 13 (amāvī → amāv-; monuī → monu-; rēxī → rēx-; cēpī → cēp-; audīvī → audīv-). O perfeito acrescenta -erim, -erīs, -erit, -erīmus, -erītis, -erint; o mais-que-perfeito, -issem, -issēs, -isset, -issēmus, -issētis, -issent (A&G § 169.d–e; Ravizza n. 86). Um atalho para o mais-que-perfeito: é o infinitivo perfeito + as terminações, amāvisse → amāvissem, do mesmo modo que o imperfeito é o infinitivo presente + as terminações.
O perfectum do subjuntivo ativo: amō, amāvī
Pessoa
Perfeito
Mais-que-perfeito
1ª sing.
amāverim
amāvissem
2ª sing.
amāverīs
amāvissēs
3ª sing.
amāverit
amāvisset
1ª pl.
amāverīmus
amāvissēmus
2ª pl.
amāverītis
amāvissētis
3ª pl.
amāverint
amāvissent
O perfeito do subjuntivo é quase idêntico ao futuro perfeito do indicativo (capítulo 13): só a 1ª pessoa do singular difere sempre (amāverim × amāverō); amāverit e amāverint têm a mesma grafia nos dois tempos. Bennett marca longo o ī de -erīs, -erīmus, -erītis no subjuntivo e breve no futuro perfeito (§§ 100–101), e este livro segue essa grafia. Allen & Greenough imprimem breve também no subjuntivo (-eris) e explicam por quê: o ī era originalmente longo (é o sinal do antigo optativo), formas com -īs, -īmus, -ītis ainda se encontram, e a abreviação vem da confusão com o futuro perfeito (§ 169.d, nota). É uma variante de notação, não um erro de nenhuma das duas gramáticas. Na leitura, quem decide é o contexto.
Na passiva, o perfectum do subjuntivo é o particípio perfeito com o subjuntivo de sum, exatamente como no indicativo (capítulo 24), trocando sum por sim e eram por essem: amātus sim (perfeito), amātus essem (mais-que-perfeito). O particípio concorda com o sujeito: puellae laudātae sint, urbs capta esset.
Quadro-resumo: a 3ª pessoa do singular de todos os tempos do subjuntivo
Tempo
1ª · amō
2ª · moneō
3ª · regō
3ª -iō · capiō
4ª · audiō
Presente
amet
moneat
regat
capiat
audiat
Imperfeito
amāret
monēret
regeret
caperet
audīret
Perfeito
amāverit
monuerit
rēxerit
cēperit
audīverit
Mais-que-perf.
amāvisset
monuisset
rēxisset
cēpisset
audīvisset
Pres. passivo
amētur
moneātur
regātur
capiātur
audiātur
Imperf. passivo
amārētur
monērētur
regerētur
caperētur
audīrētur
Perf. passivo
amātus sit
monitus sit
rēctus sit
captus sit
audītus sit
M.-q.-perf. passivo
amātus esset
monitus esset
rēctus esset
captus esset
audītus esset
Para reconhecer o tempo de um subjuntivo, procure três sinais: a vogal trocada (amet, regat) é presente; -re-/-rē- depois do tema do presente (amāret, regerētur) é imperfeito; -eri- depois do tema do perfeito (rēxerit) é perfeito; -isse- (rēxisset) é mais-que-perfeito.
O verbo sum tem um presente do subjuntivo próprio, em -im, que é uma forma muito antiga (A&G § 168.e, nota 2, a chama de antigo optativo). O imperfeito obedece à regra do infinitivo: esse → essem. O perfectum se forma sobre fu-, como qualquer verbo (Bennett § 100; A&G § 170).
Subjuntivo de sum, esse, fuī
Pessoa
Presente
Imperfeito
Perfeito
Mais-que-perfeito
1ª sing.
sim
essem
fuerim
fuissem
2ª sing.
sīs
essēs
fuerīs
fuissēs
3ª sing.
sit
esset
fuerit
fuisset
1ª pl.
sīmus
essēmus
fuerīmus
fuissēmus
2ª pl.
sītis
essētis
fuerītis
fuissētis
3ª pl.
sint
essent
fuerint
fuissent
Em vez de essem, essēs, esset, essent, os autores usam às vezes forem, forēs, foret, forent, com o mesmo valor (A&G § 170.a); vale reconhecê-las, sobretudo nos poetas. Possum segue sum com o prefixo pos-: presente possim, possīs, possit, possīmus, possītis, possint; imperfeito possem (de posse); perfeito potuerim; mais-que-perfeito potuissem (Bennett § 126; A&G § 198.b).
Os outros irregulares
No capítulo 26 você estudou o indicativo de volō, nōlō, mālō, eō, ferō e fīō. O subjuntivo deles é mais regular do que parece: volō, nōlō, mālō fazem o presente em -im, como sim; eō, ferō, fīō fazem o presente em -am, como a 3ª e a 4ª conjugações; e o imperfeito de todos sai do infinitivo, com a única exceção de fīō (fierem, e não sobre fierī). O perfectum é sempre regular sobre o tema do perfeito: voluerim, voluissem; īverim ou ierim; tulerim, tulissem.
Presente e imperfeito do subjuntivo dos verbos irregulares (Bennett §§ 126, 129–132)
Verbo
Infinitivo
Pres. subjuntivo
Imperf. subjuntivo
volō, querer
velle
velim, velīs, velit, velīmus, velītis, velint
vellem, vellēs, vellet…
nōlō, não querer
nōlle
nōlim, nōlīs, nōlit…
nōllem, nōllēs…
mālō, preferir
mālle
mālim, mālīs, mālit…
māllem, māllēs…
eō, ir
īre
eam, eās, eat, eāmus, eātis, eant
īrem, īrēs, īret…
ferō, levar
ferre
feram, ferās, ferat, ferāmus, ferātis, ferant
ferrem, ferrēs, ferret…
fīō, tornar-se, ser feito
fierī
fīam, fīās, fīat, fīāmus, fīātis, fīant
fierem, fierēs, fieret…
possum, poder
posse
possim, possīs, possit…
possem, possēs…
Duas formas aparecem a toda hora nos textos e merecem ser decoradas já: fīat, "faça-se, aconteça, seja feito", e eāmus, "vamos!". Note ainda que feram e eam não se confundem com o indicativo: feram é também a 1ª pessoa do futuro (como regam), mas eam não, porque o futuro de eō é ībō.
Usos independentes (I): a vontade — exortação, ordem e proibição ⚑
Quando o subjuntivo aparece numa oração principal, sem conjunção que o explique, ele exprime uma atitude do falante. A primeira família de usos é a da vontade (subjuntivo volitivo): quem fala exorta, ordena ou proíbe. A negação desses usos é sempre nē, e não nōn (Bennett §§ 273–276; A&G § 439).
Exortativo: "façamos!"
Na 1ª pessoa do plural do presente, o subjuntivo convida o próprio grupo do falante a agir: eāmus, "vamos!"; amēmus patriam, "amemos a pátria"; nē dēspērēmus, "não desesperemos" (exemplos de Bennett § 274). O português faz igual, com o mesmo tempo: "amemos", "não desesperemos", ou, mais coloquial, "vamos amar".
Jussivo: "que ele faça!"
Na 3ª pessoa (singular e plural), o presente do subjuntivo dá uma ordem a alguém que não é o interlocutor: dīcat, "que ele diga, diga ele"; dīcant, "que digam" (Bennett § 275). Para a 2ª pessoa o latim tem o imperativo (capítulo 22), e por isso o jussivo na 2ª pessoa é raro e costuma ter sujeito indeterminado ("a gente", "quem quer que seja"). O português usa a mesma construção, às vezes com "que": "venha o teu reino", "que entrem os próximos".
É aqui que está a frase mais famosa da Bíblia latina, logo no terceiro versículo do Gênesis:
Dīxitque Deus: Fīat lūx. Et facta est lūx (Gênesis 1,3) = E Deus disse: Faça-se a luz. E a luz foi feita. A ordem vem no subjuntivo; o seu cumprimento, no indicativo, com o perfeito passivo do mesmo verbo.
O versículo mostra com perfeição a diferença entre os dois modos. Fīat não diz que a luz existe; diz que Deus a quer. Logo depois, facta est (perfeito do indicativo, "foi feita") registra o fato. Três versículos mais tarde, o mesmo capítulo usa o exortativo: Faciāmus hominem, "Façamos o homem" (Gênesis 1,26).
Proibição: nē + perfeito do subjuntivo
Para proibir algo a quem se fala, a prosa clássica tem três construções (A&G § 450): nōlī / nōlīte + infinitivo, que você conheceu no capítulo 22 (nōlī timēre, "não tenhas medo"), a mais cerimoniosa e a mais frequente; cavē + presente do subjuntivo (cavē putēs, "não vás pensar"); e nē + perfeito do subjuntivo, mais seca e peremptória: nē timuerīs, "não tenhas medo"; hōc nē fēcerīs, "não faças isto" (exemplos de A&G § 450; a mesma regra em Kennedy § 347). Atenção à tradução: nessa construção o perfeito não tem valor de passado; traduza por um imperativo negativo ("não faças", "não faça você").
Nē timuerīs.
Não tenhas medo. (= Nōlī timēre.)
Nē hōc dīxerītis.
Não digais isto. Não digam isto.
Nē dēspērēmus.
Não desesperemos. (exortativo negativo, com nē)
Servī nē dormiant.
Que os escravos não durmam. (jussivo negativo)
Usos independentes (II): desejo, deliberação e possibilidade ⚑
Optativo: o desejo, com ou sem utinam
O subjuntivo optativo exprime um desejo, muitas vezes introduzido pela partícula utinam, "oxalá, tomara, quem dera". A negação é nē (utinam nē). O tempo, aqui, tem um sentido preciso, e é o que mais engana o falante de português (Bennett § 279; A&G §§ 441–442; Kennedy § 359):
O tempo do optativo e o valor do desejo
Tempo
O desejo é…
Exemplo
Tradução
Presente
possível (pode realizar-se)
(Utinam) valeās!
Tomara que estejas bem! Que estejas bem!
Imperfeito
irrealizável no presente
Utinam adessēs!
Quem dera estivesses aqui (agora)!
Mais-que-perfeito
irrealizável no passado
Utinam vēnissēs!
Quem dera tivesses vindo!
Repare que o imperfeito latino se refere ao presente, e o mais-que-perfeito, ao passado: é a mesma lógica do português "quem dera estivesses aqui" (agora) e "quem dera tivesses vindo" (ontem). Um exemplo autêntico, citado por Allen & Greenough (§ 442) e por Bennett (§ 279): Falsus utinam vātēs sim!, "Oxalá eu seja um falso profeta!" (Tito Lívio 21.10.10), presente porque o desejo ainda pode cumprir-se. E é optativo (ou jussivo; a fronteira entre os dois é tênue na oração) o Pai-Nosso, analisado abaixo.
Deliberativo: "que hei de fazer?"
Em perguntas que o falante faz a si mesmo, cheias de dúvida ou de indignação, o latim usa o subjuntivo deliberativo: Quid faciam?, "que hei de fazer? que faço?"; no passado, o imperfeito: Quid facerem?, "que havia eu de fazer?". A negação é nōn: Hunc ego nōn dīligam?, "e eu não havia de estimar este homem?" (Bennett § 277; A&G § 444; Kennedy § 358). O português coloquial costuma responder com o presente do indicativo ("que faço agora?") ou com "hei de", "devo".
Potencial: "alguém poderia dizer"
Por fim, o subjuntivo potencial apresenta a ação como apenas possível, para atenuar uma afirmação. As fórmulas mais comuns são dīcat aliquis ou dīxerit aliquis, "alguém poderia dizer" (o perfeito, de novo, sem valor de passado), velim, "eu gostaria", em vez do seco volō, e, no passado, o imperfeito de 2ª pessoa com sujeito indeterminado: vidērēs, "poderias ver, ter-se-ia visto"; crēderēs, "dir-se-ia" (Bennett § 280; A&G §§ 446–447; Kennedy § 356). A negação é nōn.
Os usos independentes do subjuntivo: quadro geral
Uso
Pessoa e tempo típicos
Negação
Exemplo
Português
Exortativo
1ª pl., presente
nē
Eāmus! Nē dēspērēmus!
Vamos! Não desesperemos!
Jussivo
3ª pessoa, presente
nē
Veniat! Nē veniant!
Que venha! Que não venham!
Proibição
2ª pessoa, perfeito
nē
Nē fēcerīs!
Não faças!
Optativo
pres. / imperf. / m.-q.-perf., muitas vezes com utinam
nē
Utinam adesset!
Quem dera ele estivesse aqui!
Deliberativo
pergunta; presente ou imperfeito
nōn
Quid faciam?
Que hei de fazer?
Potencial
presente ou perfeito; imperf. no passado
nōn
Dīxerit aliquis…
Alguém poderia dizer…
Regra da negação, em uma linha: se a frase exprime vontade ou desejo (exortar, ordenar, proibir, desejar), a negação é nē; se exprime dúvida ou possibilidade (deliberar, supor), a negação é nōn.
Análise gramatical: o Pai-Nosso
A oração que Jesus ensina no Evangelho de Mateus reúne, em três frases curtas, três subjuntivos independentes de vontade e desejo. O texto é o da Vulgata Clementina (Mateus 6,9–10):
Pater noster, quī es in caelīs, sānctificētur nōmen tuum. Adveniat rēgnum tuum; fīat voluntās tua, sīcut in caelō et in terrā.
Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim no céu como na terra.
Mateus 6,9–10, palavra a palavra
Palavra
Dicionário
Análise
Função
Pater
pater, patris (m.), pai
vocativo singular, 3ª declinação
a quem se fala: "Pai"
noster
noster, nostra, nostrum, nosso
vocativo singular masculino
concorda com Pater
quī
quī, quae, quod, que (relativo)
nominativo singular masculino
sujeito de es; antecedente Pater (capítulo 16)
es
sum, esse, fuī, ser, estar
2ª sing., presente do indicativo
fato: "que estás"
in caelīs
caelum, -ī (n.), céu
in + ablativo plural
lugar onde
sānctificētur
sānctificō, -āre, santificar
3ª sing., presente do subjuntivo passivo (1ª conj.: ā → ē)
desejo/ordem: "seja santificado"
nōmen tuum
nōmen, nōminis (n.), nome
nominativo singular neutro
sujeito de sānctificētur
Adveniat
adveniō, -īre, -vēnī, -ventum, chegar
3ª sing., presente do subjuntivo ativo (4ª: + a)
jussivo/optativo: "venha"
rēgnum tuum
rēgnum, -ī (n.), reino
nominativo singular neutro
sujeito de adveniat
fīat
fīō, fierī, factus sum, ser feito, acontecer
3ª sing., presente do subjuntivo
jussivo/optativo: "seja feita"
voluntās tua
voluntās, -ātis (f.), vontade
nominativo singular feminino
sujeito de fīat
sīcut … et
sīcut, assim como; et, também
advérbio e conjunção
comparação: "assim no céu como na terra"
Observe o contraste dentro da mesma frase: es está no indicativo porque diz um fato (o Pai está nos céus); os três verbos principais estão no subjuntivo porque dizem o que se deseja. Note também que os três subjuntivos vêm antes do sujeito, posição de destaque, e que a tradução portuguesa tradicional conserva o subjuntivo nos três ("seja", "venha", "seja feita"). Se você trocasse adveniat por advenit, a frase passaria a afirmar que o reino vem.
Resumo
Formas: presente com troca de vogal (amem; moneam, regam, capiam, audiam); imperfeito = infinitivo + terminações (amārem, regerem); perfeito = tema do perfeito + -erim; mais-que-perfeito = tema do perfeito + -issem; passiva do perfectum com sim e essem.
Usos de vontade e desejo (negação nē): exortativo, jussivo, proibição (nē + perfeito), optativo.
Usos de dúvida e possibilidade (negação nōn): deliberativo e potencial.
O tempo do subjuntivo não se traduz mecanicamente: o perfeito da proibição e do potencial não é passado; o imperfeito do optativo fala do presente.
No próximo capítulo o subjuntivo desce para as orações subordinadas: com ut e nē ele exprime a finalidade, a consequência e o conteúdo de ordens, pedidos e temores.
Erro: Ler toda forma com -ē- como subjuntivo: *monēs = "que advirtas", *reget = "que ele reja".
Por quê, e como evitar: O ē só marca o subjuntivo na 1ª conjugação (amēs). Na 2ª ele é a vogal do tema (monēs, indicativo; subjuntivo moneās), e na 3ª e 4ª é o sinal do futuro (reget, "regerá"; subjuntivo regat). Identifique a conjugação pelo infinitivo do dicionário antes de interpretar a vogal.
Erro: Tomar regam, audiam, capiam, feram sempre como presente do subjuntivo (ou sempre como futuro).
Por quê, e como evitar: Na 1ª pessoa do singular da 3ª e da 4ª conjugações, futuro do indicativo e presente do subjuntivo coincidem. Olhe o contexto: numa pergunta deliberativa (quid agam?) ou depois de ut/nē é subjuntivo; numa narração do que acontecerá, é futuro.
Erro: Proibir com nōn: *Nōn fēcerīs!, *Nōn dēspērēmus!
Por quê, e como evitar: Usos de vontade (exortativo, jussivo, proibição, optativo) negam-se com nē: Nē fēcerīs!, Nē dēspērēmus!, Utinam nē… O nōn fica para o deliberativo e o potencial, que exprimem dúvida ou possibilidade, não vontade.
Erro: Traduzir nē timuerīs por "não tenhas temido" e dīxerit aliquis por "alguém terá dito".
Por quê, e como evitar: Na proibição e no potencial, o perfeito do subjuntivo não indica passado: é só uma variante de aspecto, sem diferença de tempo (Bennett §§ 276, 280). Traduza "não tenhas medo" e "alguém poderia dizer".
Erro: Traduzir utinam adessēs por "tomara que estivesses" (no passado) ou por "tomara que estejas".
Por quê, e como evitar: O imperfeito optativo exprime um desejo irrealizável no presente: "quem dera estivesses aqui (agora, e não estás)". O desejo possível usa o presente (utinam adsīs, "tomara que estejas"), e o irrealizável no passado, o mais-que-perfeito (utinam adfuissēs, "quem dera tivesses estado").
Erro: Formar o imperfeito do subjuntivo de capiō e dos irregulares pelo presente: *capierem, *volerem, *eerem.
Por quê, e como evitar: O imperfeito sai do infinitivo: capere → caperem; velle → vellem; īre → īrem; ferre → ferrem; esse → essem; posse → possem. A única exceção é fīō, que faz fierem.
Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.
Prática guiada 1 · Três verbos, três atitudes
Identifique modo, tempo e uso de cada verbo e traduza: Eāmus in agrum; servī labōrent; tū nē dormīverīs! Vocabulário: eō, īre, ir; ager, agrī (m.), campo; servus, -ī, escravo; labōrō, -āre, trabalhar; dormiō, -īre, -īvī, dormir.
Que forma é eāmus, e o que ela exprime?Ver o passo
1ª pessoa do plural do presente do subjuntivo de eō (o indicativo seria īmus). 1ª do plural + presente do subjuntivo numa oração principal = exortativo: "vamos" (literalmente "vamos nós").
E labōrent?Ver o passo
Labōrō é da 1ª conjugação; o ā do tema virou e: labōr-e-nt, 3ª do plural do presente do subjuntivo (o indicativo seria labōrant). Ordem a uma 3ª pessoa: jussivo, "que os escravos trabalhem".
Que forma é dormīverīs?Ver o passo
Tema do perfeito dormīv- + -erīs: 2ª do singular do perfeito do subjuntivo. Precedido de nē e dirigido a "tu", é uma proibição; o perfeito não tem valor de passado.
Monte a tradução.Ver o passo
"Vamos para o campo; que os escravos trabalhem; e tu, não durmas!" (Ou: "tu, nada de dormir!")
Conclusão: o mesmo modo serve para três atitudes, e a pessoa do verbo ajuda a distingui-las: 1ª plural (exortativo), 3ª pessoa (jussivo), 2ª com nē + perfeito (proibição).
Prática guiada 2 · Do português para o latim
Traduza para o latim: "Quem dera o pai estivesse em casa! Que hei de dizer aos meninos?" Vocabulário: pater, patris, pai; domī, em casa; dīcō, -ere, dīxī, dizer; puer, -ī, menino.
Que uso pede "quem dera o pai estivesse em casa"?Ver o passo
Um desejo irrealizável no presente (o pai não está em casa): optativo com utinam e o imperfeito do subjuntivo.
Qual a forma de "estivesse"?Ver o passo
Imperfeito do subjuntivo de sum, 3ª do singular: esset. Frase: Utinam pater domī esset!
E "que hei de dizer"?Ver o passo
Pergunta deliberativa do falante a si mesmo, no presente: presente do subjuntivo, 1ª do singular de dīcō (3ª conj., + a): dīcam. Objeto: quid. Dativo: puerīs.
Monte a frase.Ver o passo
Utinam pater domī esset! Quid puerīs dīcam? Repare que dīcam também poderia ser futuro ("direi"); a pergunta deliberativa é que faz dele um subjuntivo.
Subjuntivo mais-que-perfeito ativo, 1ª pl.: tema do perfeito dūx- + -issēmus.
Exercício 2 · Conjugue
Dê a 3ª pessoa do singular e a 3ª do plural do presente e do imperfeito do subjuntivo ativo.
laudō, laudāre (1ª)Ver resposta
Presente laudet, laudent; imperfeito laudāret, laudārent.
videō, vidēre (2ª)Ver resposta
Presente videat, videant; imperfeito vidēret, vidērent.
dūcō, dūcere (3ª)Ver resposta
Presente dūcat, dūcant; imperfeito dūceret, dūcerent.
faciō, facere (3ª em -iō)Ver resposta
Presente faciat, faciant (com o i, como capiat); imperfeito faceret, facerent (do infinitivo, sem i).
veniō, venīre (4ª)Ver resposta
Presente veniat, veniant; imperfeito venīret, venīrent.
sum, esseVer resposta
Presente sit, sint; imperfeito esset, essent.
volō, velleVer resposta
Presente velit, velint; imperfeito vellet, vellent.
ferō, ferreVer resposta
Presente ferat, ferant; imperfeito ferret, ferrent.
Exercício 3 · Identifique o uso e traduza
Diga qual é o uso do subjuntivo (exortativo, jussivo, proibição, optativo, deliberativo, potencial) e traduza. Vocabulário: patria, -ae, pátria; adsum, adesse, estar presente; dēspērō, -āre, desesperar; aliquis, alguém.
Amēmus patriam.Ver resposta
Exortativo (1ª pl., presente): "Amemos a pátria."
Magister veniat.Ver resposta
Jussivo (3ª sing., presente): "Que o professor venha", "venha o professor".
Nē timuerīs.Ver resposta
Proibição (nē + perfeito, 2ª sing.): "Não tenhas medo." Não é "não tenhas temido".
Utinam amīcus adesset!Ver resposta
Optativo, imperfeito: desejo irrealizável no presente. "Quem dera o amigo estivesse aqui!"
Utinam nē vēnissem!Ver resposta
Optativo, mais-que-perfeito, negado com nē: desejo irrealizável no passado. "Quem dera eu não tivesse vindo!"
Quid faciāmus?Ver resposta
Deliberativo (pergunta, presente): "Que havemos de fazer?", "que fazemos?"
Dīcat aliquis…Ver resposta
Potencial: "Alguém poderia dizer…"
Nē dēspērent puerī.Ver resposta
Jussivo negativo (3ª pl., com nē): "Que os meninos não desesperem."
Exercício 4 · Transforme
Reescreva no subjuntivo pedido e traduza.
Labōrāmus. → exortativoVer resposta
Labōrēmus. "Trabalhemos." A 1ª conjugação troca ā por ē.
Venīte! (imperativo, 2ª pl.) → jussivo de 3ª pl.Ver resposta
Veniant! "Que venham!"
Nōlī clāmāre! → nē + perfeito do subjuntivo (clāmō, -āre, -āvī, gritar)Ver resposta
Nē clāmāverīs! "Não grites!" Tema do perfeito clāmāv- + -erīs.
Puer bonus est. → desejo possível com utinamVer resposta
Utinam puer bonus sit! "Tomara que o menino seja bom!" Presente, porque o desejo pode realizar-se.
Quid dīcō? → deliberativo no passadoVer resposta
Quid dīcerem? "Que havia eu de dizer?" O deliberativo passado usa o imperfeito.
Lēx servātur. → jussivo (passiva)Ver resposta
Lēx servētur. "Que a lei seja observada." Presente do subjuntivo passivo, 1ª conj.
Exercício 5 · Leitura de frases autênticas
Analise o subjuntivo e traduza. Os textos foram conferidos na fonte indicada; macrons acrescentados.
Vīvāmus, mea Lesbia, atque amēmus. (Catulo, Carmina 5.1; vīvō, -ere, viver; atque, e)Ver resposta
Vīvāmus (3ª conj., vīv- + āmus) e amēmus (1ª, ā → ē): presente do subjuntivo, 1ª pl., exortativos. Mea Lesbia é vocativo. "Vivamos, minha Lésbia, e amemos."
Faciāmus hominem ad imāginem et similitūdinem nostram. (Gênesis 1,26; imāgō, -inis, imagem; similitūdō, -inis, semelhança)Ver resposta
Faciāmus: presente do subjuntivo de faciō (3ª em -iō), 1ª pl., exortativo. Hominem é o objeto. "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança."
Et nē nōs indūcās in tentātiōnem. (Mateus 6,13; indūcō, -ere, conduzir, induzir; tentātiō, -ōnis, tentação)Ver resposta
Indūcās: presente do subjuntivo (3ª conj., + a), 2ª sing., com nē: proibição (ou súplica negativa) com o presente, uso da Vulgata e da poesia; a prosa clássica preferiria nē indūxerīs. "E não nos induzas à tentação."
Sim: presente do subjuntivo de sum, com utinam: optativo de desejo possível. Falsus vātēs é predicativo. "Oxalá eu seja um falso profeta!"
Exercício 6 · Do português para o latim
Traduza usando o subjuntivo. Vocabulário: legō, -ere, ler; liber, librī, livro; scrībō, -ere, scrīpsī, escrever; epistula, -ae, carta; maneō, -ēre, mānsī, ficar; hīc, aqui; an, ou (em pergunta).
Leiamos os livros.Ver resposta
Legāmus librōs. Exortativo: 1ª pl. do presente do subjuntivo de legō (3ª: + a).
Que os meninos escrevam cartas.Ver resposta
Puerī epistulās scrībant. Jussivo: 3ª pl. do presente do subjuntivo.
Não escrevas a carta!Ver resposta
Nē epistulam scrīpserīs! Proibição: nē + perfeito do subjuntivo (tema scrīps- + -erīs). Também correto: Nōlī epistulam scrībere!
Quem dera eu tivesse ficado aqui!Ver resposta
Utinam hīc mānsissem! Optativo com mais-que-perfeito: desejo irrealizável no passado (maneō, mānsī).
Devo ficar ou ir? (literalmente: fique eu ou vá?)Ver resposta
Maneam an eam? Deliberativo: presente do subjuntivo de maneō (2ª: mane-am) e de eō (eam); an, "ou", introduz a segunda alternativa de uma pergunta dupla.
Leituras recomendadas
Na Vulgata, leia Gênesis 1 inteiro, contando os subjuntivos jussivos (Fīat, Congregentur, Germinet, Producant), e o Pai-Nosso de Mateus 6,9–13. O poema 5 de Catulo (Vīvāmus, mea Lesbia, atque amēmus) é um exercício de exortativos; leia-o com uma edição anotada quando chegar ao capítulo 45. Latin for Beginners, de D'Ooge, traz a flexão do subjuntivo nas lições LXI, LXIII e LXIV, com exercícios graduados. O Epitome Historiae Sacrae, de Lhomond, permite ver o subjuntivo em narrativa simples. Para consulta, Bennett §§ 272–280 e Allen & Greenough §§ 438–450 reúnem todos os usos independentes.
Etapa VI · Latinitas ChristianaDificuldade 2 · BásicoOriginal Áudio
Biblia Sacra Vulgata (editio Clementina)
Hieronymus Stridonensis (Vulgata)
A Vulgata Clementina completa, do Gênesis ao Apocalipse, livro a livro. Comece por Marcos, Gênesis ou os Salmos: frases curtas, vocabulário repetitivo e um texto que você já conhece em português. A leitura cristã fundamental e, para muitos, a primeira obra longa lida em latim. No LibriVox há, por ora, só o Salmo 22 gravado.
Escritura (Vulgata) · Tardio e patrístico · anos, um capítulo por dia · Vicifons (Latin Wikisource)
Etapa V · Auctores RomaniDificuldade 4 · AvançadoOriginal ÁudioTexto na biblioteca
Catulli Carmina
Gaius Valerius Catullus
Os poemas de Catulo na edição crítica de Oxford (Ellis, 1904), em latim, com aparato. Poemas curtos, diretos e emocionais ("Odi et amo", "Vivamus, mea Lesbia"); os metros variados pedem um pouco de estudo. Os poemas 3, 5 e 8 têm gravação no LibriVox.
Poesia lírica · Clássico · algumas semanas · Project Gutenberg
Ler aqui: texto latino da edição de Elmer Truesdell Merrill (1893)
Etapa I · Prima VerbaDificuldade 1 · ElementarDidático ÁudioCom notas
Latin for Beginners
Benjamin L. D'Ooge
Curso completo de primeiro ano (1911), em inglês: 79 lições curtas com explicação, frases para traduzir, pequenas narrativas e vocabulário, com macrons. Gratuito e de domínio público, é a melhor alternativa aberta ao método Ørberg para quem lê inglês. As três primeiras lições têm gravação no LibriVox (coleção de aprendizado de línguas, vol. 4).
Método · Moderno (material didático) · alguns meses · Project Gutenberg
Etapa III · FundamentaDificuldade 2 · BásicoDidáticoCom notas
Epitome historiae sacrae
Charles François Lhomond
A história sagrada (da Criação ao retorno do Exílio) reescrita por Lhomond (1784) em latim simplíssimo, em centenas de parágrafos curtos de dificuldade crescente. Durante dois séculos foi o primeiro livro contínuo de todo estudante de latim; continua sendo a melhor ponte entre o método e os textos reais. Edição de 1856.
Gramática de referência compacta (1918), em inglês, com macrons: sons, flexões, sintaxe, prosódia. Mais curta e mais fácil de consultar que Allen & Greenough; cabe num leitor de EPUB.
Allen and Greenough's New Latin Grammar (edição DCC)
J. H. Allen e J. B. Greenough
A gramática de referência clássica em inglês (1903), em hipertexto com os parágrafos numerados tradicionais: pronúncia, morfologia, sintaxe, prosódia. Os comentários do DCC remetem a ela em cada nota. Para consultar, não para decorar.
Bibliotheca Latina. Conteúdo original com trechos de obras em domínio público; licença CC BY 4.0.
Fontes consultadas
New Latin Grammar, Charles E. Bennett (no catálogo) · domínio público · § 100 (subjuntivo de sum), §§ 101–102, 103, 105, 107 (subjuntivo ativo e passivo de amō, moneō, regō, audiō), § 126 (possum), § 129 (ferō), § 130 (volō, nōlō, mālō), § 131 (fīō), § 132 (eō), § 266 (tempos do subjuntivo em orações independentes), §§ 272–280 (usos independentes: exortativo § 274, jussivo § 275, proibitivo § 276, deliberativo § 277, concessivo § 278, optativo § 279, potencial § 280)
Allen and Greenough's New Latin Grammar, J. H. Allen e J. B. Greenough (no catálogo) · domínio público · § 168.e–f (formação do presente e do imperfeito do subjuntivo; sim, velim como antigos optativos), § 169.d–e (perfeito em -erim e mais-que-perfeito em -issem), § 170 (sum), §§ 197–199 (possum; volō, nōlō, mālō), §§ 200, 202–203 (ferō; eō), § 438 (o subjuntivo em geral), §§ 439–440 (exortativo e concessivo), §§ 441–442 (optativo; utinam), §§ 443–444 (deliberativo), §§ 445–447 (potencial), § 450 (proibições: nōlī + infinitivo, cavē + subjuntivo, nē + perfeito do subjuntivo)
Kennedy's Revised Latin Primer, Benjamin Hall Kennedy (no catálogo) · domínio público · § 347 (proibição: nōlī com infinitivo ou nē com perfeito do conjuntivo), §§ 351–354 (o conjuntivo: usos independente e dependente), § 356 (potencial), § 357 (concessivo), § 358 (deliberativo), § 359 (optativo, utinam), § 360 (exortativo), §§ 361–362 (jussivo)
Gramática Latina, Pe. João Ravizza (no catálogo) · domínio público · n. 85 (presente do subjuntivo formado do presente: -em na 1ª, -am nas demais), n. 86 (perfeito do subjuntivo em -erim e mais-que-perfeito em -issem, formados do perfeito), n. 88 (imperfeito do subjuntivo = infinitivo presente + m, s, t, mus, tis, nt), nn. 366–374 (subjuntivo nas orações independentes: potencial, optativo, dubitativo, exortativo, concessivo; o mandado negativo)
D'Ooge, Latin for Beginners, Benjamin L. D'Ooge (no catálogo) · domínio público · lições LXI, LXIII e LXIV (flexão do subjuntivo nos quatro tempos), LXV (subjuntivo de possum) e LXVII–LXVIII (volō, nōlō, mālō; fīō); conferidas no sumário da edição do Projeto Gutenberg
Biblia Sacra Vulgata (editio Clementina): Gênesis 1,3 e 1,26; Mateus 6,9–10 e 6,13 (no catálogo) · domínio público · frases autênticas das seções 5 e 6 e dos exercícios, conferidas no texto da Wikisource latina (Liber Genesis, cap. 1; Evangelium Secundum Matthaeum, cap. 6); ortografia adaptada (ae por æ, i por j) e macrons acrescentados