Leitura comentada de duas passagens das Confissões de Agostinho, no texto da edição de Migne: a abertura do livro I (Magnus es, Domine… inquietum est cor nostrum) e a cena do jardim de Milão no livro VIII (Tolle, lege). O estilo de Agostinho (perguntas retóricas, antíteses, repetições e um tecido de citações bíblicas, com os Salmos identificados), os subjuntivos das orações subordinadas e as marcas do latim cristão, com tradução própria.
Neste capítulo você vai
Situar Agostinho e as Confissões e explicar o duplo sentido de cōnfessiō (louvor a Deus e confissão de si).
Ler e traduzir, com apoio do vocabulário, a abertura do livro I e a cena do Tolle, lege do livro VIII.
Identificar as citações bíblicas do texto, inclusive os Salmos, e converter a numeração da Vulgata para a das Bíblias modernas.
Reconhecer os traços do estilo de Agostinho: perguntas retóricas, antíteses, repetições, quiasmo e paralelismo.
Explicar cada subjuntivo das duas passagens (dōnec requiēscat, utrum sit… an, invocem, tamquam dīcerētur, quod invēnissem, nē fēceritis) e as construções próprias do latim cristão (quia e quod = "que").
Agostinho de HiponaConfissõesconfessiō: louvor e confissãoedição de Migne (Patrologia Latina)Confissões I,1,1Confissões VIII,12,29perguntas retóricasantítese e quiasmoanáfora e repetiçãocitações bíblicas e Salmos (numeração da Vulgata)Vetus Latinadōnec com subjuntivointerrogativa indireta dupla (utrum… an)subjuntivo exortativo na 1ª pessoa do singularquia e quod = "que"quod com subjuntivo depois de verbo de ouvirtamquam com subjuntivosubjuntivo por atraçãoablativo absoluto na narraçãopresente históricoproibição com nē + perfeito do subjuntivoleitura comentada
Antes deste capítulo: Capítulo 34 (cum e a sequência dos tempos) e capítulo 51 (a leitura da Vulgata). Você vai usar também o subjuntivo e os seus usos independentes (capítulo 32), as orações finais (capítulo 33), a interrogativa indireta (capítulo 35), o ablativo absoluto (capítulo 30) e o que o capítulo 50 explica sobre o latim cristão. · capítulo 30 · capítulo 32 · capítulo 33 · capítulo 34 · capítulo 35 · capítulo 50 · capítulo 51
Aurélio Agostinho nasceu em 354 em Tagaste, na Numídia (hoje Souk Ahras, na Argélia), estudou retórica em Madaura e em Cartago e ensinou essa arte em Cartago, em Roma e, a partir de 384, em Milão, onde ocupava a cátedra oficial de retórica da cidade. Ali, depois de anos de busca (o maniqueísmo, o ceticismo, os livros dos platônicos), converteu-se ao cristianismo em 386 e foi batizado pelo bispo Ambrósio na Páscoa de 387. Voltou à África, tornou-se padre e, depois, bispo de Hipona, onde morreu em 430, com os vândalos às portas da cidade. Escreveu uma obra imensa; as Confissões (Cōnfessiōnēs), redigidas nos primeiros anos do episcopado, por volta de 397–400, são a mais lida.
O título engana o leitor moderno. Cōnfitērī, no latim cristão, é "reconhecer diante de Deus", e tem dois objetos: os próprios pecados e a grandeza de Deus. A cōnfessiō é, ao mesmo tempo, confissão e louvor, e o livro inteiro é uma oração dirigida a Deus na segunda pessoa (tū), que o leitor ouve como quem escuta alguém rezar. Os livros I a IX contam a vida de Agostinho até a conversão e a morte da mãe, Mônica; os livros X a XIII tratam da memória, do tempo e da criação. Neste capítulo você lê duas páginas: a abertura do livro I, que anuncia o tema de toda a obra, e a cena do jardim de Milão, no livro VIII, que é o seu ponto de virada.
As duas passagens do capítulo
Abertura (I,1,1)
Jardim de Milão (VIII,12,29)
Tipo de texto
oração e meditação; quase sem narrativa
narrativa em primeira pessoa
Tempos dominantes
presente e futuro do indicativo; subjuntivos de desejo e de pergunta
imperfeito e perfeito; presente histórico (audiō)
Subjuntivos
dēlectet, requiēscat, sit, sciāris, quaeram, invocem
Mateus (a história de Antão) e Romanos (a página lida)
A edição. O texto deste capítulo é o da Patrologia Latina de J.-P. Migne (vol. 32, Paris, 1841), que reproduz a edição dos beneditinos de Saint-Maur e está em domínio público; ele foi conferido na transcrição da Wikisource latina. As edições críticas modernas diferem em alguns pontos de pormenor, e as diferenças que interessam à leitura estão indicadas nas notas. A ortografia foi ajustada às convenções deste livro (i por j, caelum e lacrimae em vez de coelum e lacrymae), e os macrons foram acrescentados, como em todo o livro, para ajudar a leitura; o autor, naturalmente, não os escrevia.
Texto I: a abertura do livro I (Confissões I,1,1), com vocabulário ⚑
Leia o texto em voz alta duas vezes antes de olhar a tradução. Na coluna da direita está uma tradução própria deste livro, deliberadamente próxima do latim, para que você possa conferir a construção; logo abaixo do texto estão o vocabulário e as notas.
Magnus es, Domine, et laudābilis valdē: magna virtūs tua, et sapientiae tuae nōn est numerus.
Grande és, Senhor, e muito digno de louvor: grande é o teu poder, e a tua sabedoria não tem medida.
Et laudāre tē vult homō, aliqua portiō creātūrae tuae;
E quer louvar-te o homem, uma pequena parte da tua criação;
et homō circumferēns mortālitātem suam, circumferēns testimōnium peccātī suī, et testimōnium quia superbīs resistis:
o homem que carrega consigo a sua mortalidade, que carrega consigo o testemunho do seu pecado e o testemunho de que resistes aos soberbos:
et tamen laudāre tē vult homō, aliqua portiō creātūrae tuae.
e, mesmo assim, quer louvar-te o homem, uma pequena parte da tua criação.
Tū excitās, ut laudāre tē dēlectet; quia fēcistī nōs ad tē, et inquiētum est cor nostrum, dōnec requiēscat in tē.
Tu o despertas, para que louvar-te seja a sua alegria; porque nos fizeste para ti, e o nosso coração está inquieto até que descanse em ti.
Dā mihi, Domine, scīre et intelligere utrum sit prius invocāre tē, an laudāre tē; et scīre tē prius sit, an invocāre tē.
Concede-me, Senhor, saber e compreender se vem primeiro invocar-te ou louvar-te, e se vem primeiro conhecer-te ou invocar-te.
Sed quis tē invocat, nesciēns tē? Aliud enim prō aliō potest invocāre nesciēns tē.
Mas quem te invoca sem te conhecer? Pois quem não te conhece pode invocar uma coisa no lugar de outra.
An potius invocāris, ut sciāris?
Ou será, antes, que és invocado para seres conhecido?
Quōmodo autem invocābunt in quem nōn crēdidērunt? aut quōmodo crēdent sine praedicante?
Mas como invocarão aquele em quem não creram? Ou como crerão sem quem lhes pregue?
Et laudābunt Dominum quī requīrunt eum.
E louvarão o Senhor os que o buscam.
Quaerentēs enim inveniēnt eum, et invenientēs laudābunt eum.
Pois os que o buscam o encontrarão, e os que o encontram o louvarão.
Quaeram tē, Domine, invocāns tē; et invocem tē, crēdēns in tē: praedicātus enim es nōbīs.
Que eu te busque, Senhor, invocando-te, e te invoque crendo em ti: pois foste anunciado a nós.
Invocat tē, Domine, fidēs mea, quam dedistī mihi, quam īnspīrāstī mihi per hūmānitātem Fīliī tuī, per ministerium praedicātōris tuī.
Invoca-te, Senhor, a minha fé, que me deste, que me inspiraste pela humanidade do teu Filho, pelo ministério do teu pregador.
Repare na forma do parágrafo antes de entrar nos pormenores. Começa com uma aclamação (frases nominais, sem verbo na segunda: magna virtūs tua), passa a uma afirmação sobre o homem, repetida com et tamen, chega à frase central (fēcistī nōs ad tē…), e então se transforma numa cadeia de perguntas, cada uma nascida da anterior: louvar ou invocar? conhecer ou invocar? como invocar sem conhecer? A resposta vem da Bíblia (Romanos e Salmos) e o parágrafo termina numa oração confiante, com três verbos de primeira pessoa que pedem e um último verbo em que o sujeito já não é Agostinho, mas a sua fé.
Vocabulário e notas
Vocabulário do texto I
Palavra ou expressão
Dicionário
Nota
laudābilis valdē
laudābilis, -e, louvável; valdē, muito
adjetivo da 3ª declinação (capítulo 10) com advérbio intensivo
magna virtūs tua
virtūs, -ūtis (f.)
aqui "poder, força", não "virtude"; frase nominal, com est subentendido
sapientiae tuae nōn est numerus
numerus, -ī (m.), número
dativo de posse (capítulo 20): "à tua sabedoria não há número", isto é, ela é incalculável
citação de 1 Pedro 5,5 (Deus superbīs resistit), passada para a 2ª pessoa
excitās
excitō, -āre, despertar, estimular
o objeto ("o homem") fica subentendido
dēlectet
dēlectō, -āre, deleitar, agradar
o sujeito é o infinitivo laudāre tē: "que louvar-te o deleite"
inquiētus, -a, -um
inquieto, sem repouso
predicativo de cor (neutro: por isso inquiētum)
dōnec requiēscat
requiēscō, -ere, -quiēvī, descansar
"até que descanse": subjuntivo de expectativa (seção 4)
intelligere
variante gráfica de intellegere
a grafia com i é a da edição de Migne
utrum… an…
pergunta dupla indireta: "se… ou…" (capítulo 35)
nesciēns tē
nesciō, -īre, não saber, não conhecer
particípio presente com valor condicional ou concessivo: "sem te conhecer"
aliud prō aliō
"uma coisa por outra": o pronome repetido em casos diferentes exprime troca
invocāris, sciāris
invocō, -āre; sciō, -īre
2ª pessoa do singular passiva: presente do indicativo (invocāris) e presente do subjuntivo (sciāris, depois de ut final)
sine praedicante
praedicō, -āre, proclamar, pregar
particípio presente substantivado, ablativo depois de sine: "sem alguém que pregue"
quaerentēs, invenientēs
quaerō, -ere, buscar; inveniō, -īre, encontrar
particípios substantivados, sujeitos: "os que buscam", "os que encontram"
īnspīrāstī
īnspīrō, -āre, insuflar, inspirar
forma sincopada de īnspīrāvistī (capítulo 13)
praedicātor, -ōris (m.)
pregador, anunciador
não identificado no texto: a leitura tradicional pensa em Ambrósio, bispo de Milão; outros comentadores, em Cristo ou em Paulo (J. J. O'Donnell, comentário às Confissões, 1992, a I,1,1)
Três notas de leitura completam a tabela. Primeiro, Magnus es abre com o predicativo, e não com o sujeito: a primeira palavra das Confissões é um adjetivo de louvor, e o sujeito (tū) está só na desinência de es. Segundo, homō fica no fim da oração, depois do verbo (laudāre tē vult homō): a ordem põe em contraste a grandeza de Deus, no começo, e a pequenez do homem, no fim. Terceiro, ad tē em fēcistī nōs ad tē é ao mesmo tempo direção e finalidade: "na direção de ti" e "para ti". Traduzir só por "para ti" perde um pouco da imagem do movimento, que volta em requiēscat in tē: o coração sai de Deus, caminha para Deus e só repousa nele.
O estilo de Agostinho: perguntas, antíteses e a Bíblia ⚑
Agostinho foi um mestre de retórica antes de ser bispo, e a sua prosa usa conscientemente as figuras que você estudou no capítulo 40. Mas ele as põe a serviço de uma oração, e o efeito é mais o de um salmo que o de um discurso no fórum. Quatro procedimentos aparecem já no primeiro parágrafo.
Perguntas retóricas e perguntas reais.Quis tē invocat, nesciēns tē? é uma pergunta retórica (Bennett § 162.3): equivale a "ninguém te invoca sem te conhecer". Mas as perguntas de Agostinho também são perguntas de verdade, que ele não sabe responder e deixa abertas, e é isso que dá ao texto o seu tom de busca. Note o an sozinho em An potius invocāris, ut sciāris?: como em latim clássico (Bennett § 162.4.a), an introduz uma pergunta que corrige ou propõe uma alternativa à anterior, "ou será antes que…?".
Antítese e repetição. O texto opõe grandeza e pequenez (magnus… aliqua portiō), a vontade do homem e o seu pecado (laudāre tē vult… testimōnium peccātī suī), a inquietação e o repouso (inquiētum… requiēscat, duas palavras da mesma família, quiēs). As repetições são deliberadas: circumferēns… circumferēns, testimōnium… testimōnium, laudāre tē vult homō, aliqua portiō creātūrae tuae dito duas vezes, idêntico, emoldurando o que está no meio. É a anáfora e a epanalepse da retórica antiga, mas o ouvido as reconhece também como o paralelismo dos Salmos.
Quiasmo.Quaerentēs… inveniēnt eum, et invenientēs laudābunt eum encadeia os verbos (buscar → encontrar → encontrar → louvar), e a frase seguinte cruza a ordem: Quaeram tē… invocāns tē; et invocem tē, crēdēns in tē. No primeiro membro, o verbo pessoal (quaeram) vem antes do particípio (invocāns); no segundo, o particípio do primeiro membro volta como verbo pessoal (invocem). Uma ideia passa de um membro ao outro e avança um passo.
A Bíblia costurada no texto. Agostinho quase não cita "entre aspas": ele fala com as palavras da Bíblia, adaptando-as à segunda pessoa e à frase. A edição de Migne indica as passagens à margem, e é fácil confrontá-las com a Vulgata (capítulo 51). Atenção à numeração dos Salmos: a Vulgata segue a numeração grega (a da Septuaginta), que, entre os Salmos 10 e 147, fica em geral um número atrás da numeração hebraica usada na maioria das Bíblias modernas.
As citações bíblicas de Confissões I,1,1
Agostinho
Fonte (numeração da Vulgata)
Texto da Vulgata Clementina
Bíblias modernas
Magnus es, Domine, et laudābilis valdē
Salmo 144,3
Magnus Dominus, et laudābilis nimis
Salmo 145,3
magna virtūs tua, et sapientiae tuae nōn est numerus
Salmo 146,5
Magnus Dominus noster, et magna virtūs eius, et sapientiae eius nōn est numerus
Salmo 147,5
testimōnium quia superbīs resistis
1 Pedro 5,5
quia Deus superbīs resistit, humilibus autem dat grātiam
1 Pedro 5,5
Quōmodo autem invocābunt in quem nōn crēdidērunt? aut quōmodo crēdent sine praedicante?
Romanos 10,14
Quōmodo ergō invocābunt, in quem nōn crēdidērunt? aut quōmodo crēdent eī, quem nōn audiērunt? quōmodo autem audient sine praedicante?
Romanos 10,14
Et laudābunt Dominum quī requīrunt eum
Salmo 21,27
et laudābunt Dominum quī requīrunt eum
Salmo 22,27 (em algumas, 22,26)
A comparação ensina duas coisas. A primeira é o método: Agostinho transforma a terceira pessoa do Salmo (Magnus Dominus, "grande é o Senhor") em segunda (Magnus es, Domine, "grande és, Senhor"), e o que era hino vira diálogo; resume Romanos 10,14 saltando o elo do meio ("como crerão naquele que não ouviram?"). A segunda é histórica: a redação de Agostinho nem sempre coincide com a da Vulgata (valdē em vez de nimis; no livro VIII, induite… prōvidentiam… in concupīscentiīs em vez de induiminī… cūram… in dēsīderiīs). Ele cita, em geral, as traduções latinas anteriores à de Jerônimo, que se costumam chamar em conjunto Vetus Latina ("a antiga latina", capítulo 51), ou cita de memória. Por isso, quando você identificar uma citação, compare-a com a Vulgata, mas não espere identidade palavra por palavra.
Como achar um Salmo citado. Se a edição dá o número romano (Psal. CXLIV), procure-o na Vulgata com esse número; para achar o mesmo Salmo numa Bíblia moderna, em geral some um (do Salmo 10 ao 145 da Vulgata, exceto 113–115, onde as divisões diferem; os Salmos 1–8 e 148–150 coincidem; o 9 da Vulgata corresponde aos 9–10 hebraicos, e os 146–147 da Vulgata formam juntos o 147 hebraico). Na dúvida, procure uma frase característica do versículo.
A gramática do texto I: os subjuntivos e o "que" cristão ⚑
O primeiro parágrafo das Confissões tem cinco subjuntivos, e cada um tem uma razão diferente. Reconhecê-los é a melhor revisão dos capítulos 32 a 35.
Os subjuntivos de Confissões I,1,1
Forma
Construção
Por quê
Tradução
ut laudāre tē dēlectet
ut + presente do subjuntivo depois de excitās
oração final (capítulo 33): o objetivo do estímulo; presente porque excitās é tempo primário (capítulo 34)
"para que louvar-te o deleite"
dōnec requiēscat
dōnec "até que" + subjuntivo
algo esperado, ainda não realizado (Bennett § 293 III.2; A&G § 553 e nota 1)
"até que descanse"
utrum sit prius… an…
interrogativa indireta dupla
depende de scīre et intelligere (Bennett § 300.4; capítulo 35)
"se vem primeiro… ou…"
ut sciāris
ut final + presente do subjuntivo passivo
finalidade de invocāris
"para seres conhecido"
quaeram tē… et invocem tē
subjuntivo independente, 1ª pessoa do singular
exortação dirigida a si mesmo: "que eu busque, que eu invoque" (A&G § 439 e nota 2; Bennett § 274 só registra a 1ª do plural)
"que eu te busque… e te invoque"
Dōnec com subjuntivo.Dōnec significa "enquanto" ou "até que". Com o indicativo, narra um fato real (dōnec rediit, fuit silentium, "houve silêncio até que ele voltou", Bennett § 293 III.1); com o subjuntivo, indica um termo esperado ou desejado, que ainda não aconteceu (§ 293 III.2). Allen e Greenough (§ 553, nota 1) observam que dōnec com esse subjuntivo é próprio da poesia e do latim posterior; a prosa clássica preferiria dum. Em inquiētum est cor nostrum, dōnec requiēscat in tē, o subjuntivo diz exatamente isto: o repouso é esperado, ainda não alcançado. Um indicativo (dōnec requiēvit) contaria um fato já ocorrido e mudaria o sentido da frase mais famosa do livro.
Quaeram: futuro ou subjuntivo? Na 3ª conjugação, a 1ª pessoa do singular do futuro do indicativo é igual à do presente do subjuntivo (capítulo 32): quaeram pode ser "buscarei" ou "que eu busque". Aqui decide o paralelo: invocem, da 1ª conjugação, só pode ser subjuntivo (o futuro seria invocābō). As duas orações coordenadas por et têm, portanto, o mesmo valor: o desejo de quem se exorta a si mesmo. Agostinho fala consigo diante de Deus, e o subjuntivo de exortação na primeira pessoa do singular, que as gramáticas escolares quase não registram (Bennett § 274 restringe o exortativo à 1ª do plural), é natural nessa oração interior.
Quia = "que". Em testimōnium quia superbīs resistis, quia não dá a causa de nada: introduz o conteúdo do testemunho, "o testemunho de que resistes aos soberbos". O latim clássico diria testimōnium tē superbīs resistere, com oração infinitiva (capítulo 28), ou usaria quod + indicativo, "o fato de que" (Bennett § 299). O latim cristão estende quia e quod a esse papel de "que" (capítulos 28 e 50), e o leitor precisa decidir em cada caso: no mesmo parágrafo, quia fēcistī nōs ad tē é causal, "porque nos fizeste para ti". O teste é simples: se a oração responde a "por quê?", é causal; se diz "o quê?" de um nome ou verbo (testemunho, saber, dizer, ouvir), é o "que" integrante.
O infinitivo como sujeito. Em ut laudāre tē dēlectet, o sujeito de dēlectet é a ação de louvar, laudāre tē, e o objeto (o homem que se deleita) fica subentendido. É o mesmo infinitivo-sujeito de Necesse est morī (A&G § 454). Do mesmo modo, em utrum sit prius invocāre tē an laudāre tē, os dois infinitivos são sujeitos de sit: "se é primeiro o invocar-te ou o louvar-te".
Leia agora palavra a palavra a frase central do parágrafo:
Confissões I,1,1: Tū excitās, ut laudāre tē dēlectet; quia fēcistī nōs ad tē, et inquiētum est cor nostrum, dōnec requiēscat in tē.
Palavra
Dicionário
Análise
Função
Tū
tū, tuī (pronome pessoal)
nominativo singular
sujeito de excitās, enfático (Deus, a quem o livro se dirige)
excitās
excitō, -āre, despertar, estimular
2ª pess. sing. do presente do indicativo ativo
verbo principal; objeto subentendido (o homem)
ut
ut (conjunção)
com subjuntivo
introduz a oração final
laudāre
laudō, -āre, louvar
infinitivo presente ativo
sujeito de dēlectet
tē
tū, tuī
acusativo singular
objeto de laudāre
dēlectet
dēlectō, -āre, deleitar
3ª pess. sing. do presente do subjuntivo ativo
verbo da final; presente por sequência primária
quia
quia (conjunção)
com indicativo
causal: "porque" (razão afirmada por quem fala)
fēcistī
faciō, -ere, fēcī, factum, fazer
2ª pess. sing. do perfeito do indicativo ativo
verbo da causal
nōs
ego, nōs (pronome pessoal)
acusativo plural
objeto de fēcistī
ad tē
ad (prep. com acusativo) + tū
acusativo singular
direção e finalidade: "para ti"
et
et (conjunção)
invariável
coordena a segunda causal
inquiētum
inquiētus, -a, -um, inquieto
nominativo singular neutro
predicativo de cor
est
sum, esse, ser, estar
3ª pess. sing. do presente do indicativo
verbo de ligação
cor
cor, cordis (n.), coração
nominativo singular, 3ª declinação
sujeito de est
nostrum
noster, -tra, -trum, nosso
nominativo singular neutro
concorda com cor
dōnec
dōnec (conjunção)
com subjuntivo
"até que", termo esperado
requiēscat
requiēscō, -ere, -quiēvī, -quiētum, descansar
3ª pess. sing. do presente do subjuntivo ativo
verbo da temporal; sujeito subentendido: cor
in tē
in (prep. com ablativo) + tū
ablativo singular
lugar onde: "em ti"
O período central de Confissões I,1,1: uma principal curta, uma final, duas causais coordenadas e, presa à segunda, a temporal com dōnec.
O diagrama mostra por que a frase se lê com tanta facilidade apesar de ter cinco verbos: as orações vêm uma depois da outra, cada uma ligada à anterior, sem encaixes. Esse estilo "em cadeia", de membros curtos e paralelos, é típico das passagens de oração das Confissões; nas passagens narrativas, como a do livro VIII, Agostinho volta ao período encaixado da prosa clássica.
Texto II: o jardim de Milão (Confissões VIII,12,29) ⚑
Fim do verão de 386 (agosto ou setembro, conforme os estudiosos). Agostinho, em crise, está num jardim em Milão com o amigo Alípio. Pouco antes (VIII,6) ouvira contar a história de Antão, o monge do Egito que se convertera ao ouvir na igreja uma frase do Evangelho como se fosse dirigida a ele. Afastou-se de Alípio para chorar sozinho debaixo de uma figueira, rezando com palavras dos Salmos: Et tū, Domine, usquequō? ("E tu, Senhor, até quando?", Sl 6,4) e Usquequō, Domine, īrāsceris in fīnem? ("Até quando, Senhor, estarás irado para sempre?", Sl 78,5 (79,5)). É aqui que começa o parágrafo 29.
Dīcēbam haec, et flēbam amārissimā contrītiōne cordis meī.
Eu dizia essas coisas e chorava na mais amarga contrição do meu coração.
Et ecce audiō vōcem dē vīcīnā domō cum cantū dīcentis et crēbrō repetentis, quasi puerī an puellae, nesciō: Tolle, lege; tolle, lege.
E eis que ouço, vinda de uma casa vizinha, a voz de alguém, menino ou menina, não sei, que dizia cantando e repetia muitas vezes: "Toma e lê, toma e lê."
Statimque mūtātō vultū, intentissimus cōgitāre coepī utrumnam solērent puerī in aliquō genere lūdendī cantitāre tāle aliquid;
Logo, com o rosto mudado, pus-me a pensar com toda a atenção se as crianças costumavam cantarolar algo assim em algum tipo de brincadeira;
nec occurrēbat omnīnō audīvisse mē uspiam.
e não me vinha à lembrança de modo nenhum tê-lo ouvido em parte alguma.
Repressōque impetū lacrimārum, surrēxī, nihil aliud interpretāns, nisi dīvīnitus mihi iubērī ut aperīrem cōdicem, et legerem quod prīmum caput invēnissem.
Contido o ímpeto das lágrimas, levantei-me, entendendo aquilo como nada menos que uma ordem de Deus para que eu abrisse o livro e lesse o primeiro capítulo que encontrasse.
Audieram enim dē Antōniō quod ex ēvangelicā lēctiōne, cui forte supervēnerat, admonitus fuerit, tamquam sibi dīcerētur quod legēbātur:
Pois eu tinha ouvido dizer de Antão que, por uma leitura do Evangelho a que chegara por acaso, fora advertido, como se a ele se dissesse o que se lia:
Vāde, vende omnia quae habēs, et dā pauperibus; et habēbis thēsaurum in caelīs; et venī, sequere mē;
"Vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro nos céus; depois vem e segue-me";
et tālī ōrāculō cōnfestim ad tē esse conversum.
e que por tal oráculo se convertera a ti imediatamente.
Itaque concitus rediī ad eum locum ubi sedēbat Alypius: ibi enim posueram cōdicem Apostolī, cum inde surrēxeram.
Voltei, pois, apressado ao lugar onde Alípio estava sentado: ali eu deixara o livro do Apóstolo quando me levantara.
Arripuī, aperuī, et lēgī in silentiō capitulum, quō prīmum coniectī sunt oculī meī:
Agarrei-o, abri-o e li em silêncio o trecho em que primeiro caíram os meus olhos:
Nōn in cōmessātiōnibus et ēbrietātibus, nōn in cubīlibus et impudīcitiīs, nōn in contentiōne et aemulātiōne; sed induite Dominum Iēsum Chrīstum, et carnis prōvidentiam nē fēceritis in concupīscentiīs.
"Não em comilanças e bebedeiras, não em leitos e devassidões, não em brigas e rivalidades; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não cuideis da carne para os seus desejos."
Nec ultrā voluī legere; nec opus erat.
Não quis ler mais adiante, nem era preciso.
Statim quippe cum fīne huiusce sententiae quasi lūce sēcūritātis īnfūsā cordī meō, omnēs dubitātiōnis tenebrae diffūgērunt.
Pois logo, com o fim dessa frase, como se uma luz de segurança se derramasse no meu coração, todas as trevas da dúvida se dissiparam.
Vocabulário do texto II
Palavra ou expressão
Dicionário
Nota
contrītiō, -ōnis (f.)
trituração; no latim cristão, contrição
de conterō, "moer": o arrependimento como coração "esmagado"
cum cantū dīcentis et crēbrō repetentis
cantus, -ūs (m.), canto; crēbrō, frequentemente
genitivos de particípio substantivado, dependentes de vōcem: "a voz de alguém que dizia… e repetia"
quasi puerī an puellae, nesciō
pergunta dupla abreviada, com o verbo nesciō intercalado: "de menino ou de menina, não sei"
tolle, lege
tollō, -ere, levantar, pegar; legō, -ere, ler
imperativos presentes (capítulo 22)
mūtātō vultū
vultus, -ūs (m.), rosto, expressão
ablativo absoluto (capítulo 30)
intentissimus
superlativo de intentus, atento
predicativo do sujeito: "atentíssimo, com toda a atenção"
utrumnam solērent
soleō, -ēre, solitus sum, costumar
utrumnam = utrum reforçado por -nam; interrogativa indireta, imperfeito por sequência secundária (coepī)
in aliquō genere lūdendī
lūdō, -ere, brincar
gerúndio no genitivo (capítulo 31): "em algum tipo de brincadeira"
cantitāre
cantitō, -āre, cantarolar, cantar repetidamente
verbo frequentativo de cantō
nec occurrēbat… audīvisse mē
occurrō, -ere, vir ao encontro, ocorrer
impessoal: o sujeito é a oração infinitiva audīvisse mē (A&G § 454)
repressō impetū
reprimō, -ere, repressī, repressum, conter
ablativo absoluto coordenado por -que ao período anterior
nihil aliud interpretāns, nisi…
interpretor, -ārī (depoente), interpretar
"interpretando não outra coisa senão que…": a oração seguinte é a interpretação
dīvīnitus mihi iubērī ut…
dīvīnitus, por vontade divina; iubeō
infinitivo passivo impessoal com ut: "que me era ordenado por Deus que…"
cōdex, -icis (m.)
livro (em folhas, não em rolo)
cōdex Apostolī: o volume com as cartas de Paulo
supervēnerat
superveniō, -īre + dativo, chegar a, sobrevir
cui: dativo regido pelo verbo composto
concitus
concieō (conciō), agitar; part. concitus
particípio com valor de adjetivo predicativo: "agitado, às pressas"
arripuī
arripiō, -ere, -ripuī, agarrar
três perfeitos em assíndeto: arripuī, aperuī, lēgī
capitulum, -ī (n.)
pequena seção, trecho
diminutivo de caput; não é ainda o "capítulo" numerado das Bíblias modernas
coniectī sunt
coniciō, -ere, -iēcī, -iectum, lançar
perfeito passivo (capítulo 24): "foram lançados", isto é, "caíram"
cōmessātiō, impudīcitia, aemulātiō
banquete ruidoso; impudicícia; rivalidade, ciúme
ablativos plurais e singulares com in; a grafia comessātiō é a da Bíblia latina (no latim clássico, cōmissātiō)
induite
induō, -ere, -uī, -ūtum, vestir
imperativo plural: "revesti-vos de"
nē fēceritis
faciō
proibição com nē + perfeito do subjuntivo (Bennett § 276; A&G § 450)
huiusce
hīc + partícula enfática -ce
"desta mesma"
diffūgērunt
diffugiō, -ere, -fūgī, dispersar-se fugindo
perfeito, 3ª pess. pl.; sujeito tenebrae
Uma variante merece registro. Onde a edição de Migne traz nihil aliud interpretāns, nisi dīvīnitus mihi iubērī ut aperīrem, as edições críticas modernas, como a que se lê na The Latin Library, trazem nihil aliud interpretāns dīvīnitus mihi iubērī nisi ut aperīrem. O sentido é o mesmo ("entendendo que Deus não me ordenava outra coisa senão que eu abrisse…"), mas a posição de nisi muda a construção. Há também audīvisse (Migne) por audīsse e ad eum locum por in eum locum. Este capítulo segue Migne.
A gramática do texto II: a narração e o discurso relatado ⚑
O texto II é narrativo e usa outro repertório. O imperfeito descreve o pano de fundo (dīcēbam, flēbam, occurrēbat, sedēbat); o perfeito marca os acontecimentos (coepī, surrēxī, rediī, arripuī, aperuī, lēgī, diffūgērunt); e um presente histórico (audiō), depois de et ecce, faz o leitor ouvir a voz no instante em que Agostinho a ouviu. A sequência dos tempos (capítulo 34) funciona como no latim clássico: depois de coepī, surrēxī e audieram, todos tempos secundários, os subjuntivos estão no imperfeito ou no mais-que-perfeito, com uma exceção instrutiva (admonitus fuerit, abaixo).
circunstâncias da narração, com particípio perfeito passivo (capítulo 30); na última, quasi transforma a circunstância em comparação
interrogativa indireta
utrumnam solērent puerī… cantitāre
depende de cōgitāre; imperfeito por sequência secundária (capítulo 35)
oração final completiva
iubērī ut aperīrem… et legerem
na prosa clássica, iubeō pede a oração infinitiva (A&G § 563.a; capítulo 28); aqui o infinitivo passivo impessoal iubērī recebe uma completiva com ut, como os verbos de pedir e exortar
relativa no subjuntivo
quod prīmum caput invēnissem
parte integrante da ordem: "o capítulo que eu encontrasse primeiro" (atração: Bennett § 324; A&G § 593); mais-que-perfeito porque o encontrar precede o ler
quod + subjuntivo depois de verbo de ouvir
audieram… quod… admonitus fuerit
o latim cristão substitui a oração infinitiva por quod; o subjuntivo marca o fato como relatado por outros (A&G § 592)
oração infinitiva
et tālī ōrāculō cōnfestim ad tē esse conversum
a mesma frase continua com a construção clássica: o sujeito eum (Antão) fica subentendido
comparativa condicional
tamquam sibi dīcerētur
tamquam "como se" + subjuntivo, imperfeito por sequência (Bennett § 307; A&G § 524)
cum temporal com indicativo
cum inde surrēxeram
puro tempo, mais-que-perfeito: "quando me levantara de lá" (capítulo 34)
proibição
nē fēceritis
nē + perfeito do subjuntivo, sem diferença de sentido em relação ao presente (Bennett § 276)
Duas construções na mesma frase. A frase sobre Antão é o melhor exemplo, nestas páginas, do latim de um autor que conhece as duas gramáticas. Começa com audieram… quod… admonitus fuerit, construção cristã com quod (como o "que" português: "tinha ouvido que ele fora advertido"), e termina com et… ad tē esse conversum, oração infinitiva clássica dependente do mesmo audieram. O subjuntivo admonitus fuerit é um perfeito, onde a regra estrita da sequência, depois de um mais-que-perfeito, pediria o mais-que-perfeito admonitus esset; no latim tardio essa liberdade com a sequência é frequente (capítulo 50), e você deve apenas reconhecê-la, sem imitá-la quando escrever em latim clássico (capítulo 41).
Agora uma frase do texto II analisada palavra a palavra. É um período longo, mas inteiramente clássico na estrutura:
Confissões VIII,12,29: Repressōque impetū lacrimārum, surrēxī, nihil aliud interpretāns, nisi dīvīnitus mihi iubērī ut aperīrem cōdicem, et legerem quod prīmum caput invēnissem.
concorda com o sujeito de surrēxī (capítulo 25: o depoente tem particípio presente ativo)
nisi
nisi (conjunção)
invariável
depois de nihil aliud: "senão"
dīvīnitus
dīvīnitus (advérbio)
invariável
"por vontade divina"
mihi
ego, meī
dativo singular
a quem se ordena
iubērī
iubeō, -ēre, iussī, iussum, ordenar
infinitivo presente passivo, impessoal
conteúdo da interpretação: "que me era ordenado"
ut
ut (conjunção)
com subjuntivo
introduz o conteúdo da ordem
aperīrem
aperiō, -īre, aperuī, apertum, abrir
1ª pess. sing. do imperfeito do subjuntivo
imperfeito por sequência secundária (surrēxī)
cōdicem
cōdex, -icis (m.), livro
acusativo singular, 3ª declinação
objeto de aperīrem
et legerem
legō, -ere, lēgī, lēctum, ler
1ª pess. sing. do imperfeito do subjuntivo
coordenado a aperīrem
quod
quī, quae, quod (relativo)
acusativo singular neutro
relativo com o antecedente dentro da oração: "o capítulo que"
prīmum
prīmum (advérbio)
invariável
"primeiro, em primeiro lugar"
caput
caput, capitis (n.), cabeça; capítulo
acusativo singular neutro
antecedente incorporado na relativa; objeto de legerem e de invēnissem
invēnissem
inveniō, -īre, invēnī, inventum, encontrar
1ª pess. sing. do mais-que-perfeito do subjuntivo
subjuntivo por atração (parte da ordem); anterior a legerem
Note a construção quod prīmum caput invēnissem, com o antecedente (caput) dentro da oração relativa; equivale a caput quod prīmum invēnissem. Note também a sequência: aperīrem e legerem (imperfeito: contemporâneos da ordem) e invēnissem (mais-que-perfeito: anterior ao ler). É a regra do capítulo 34 aplicada por um autor do século IV.
Resumo
Cōnfessiō é confissão e louvor; as Confissões são uma longa oração em segunda pessoa.
O estilo de Agostinho combina retórica clássica (perguntas, antíteses, repetições, quiasmo) e linguagem bíblica; as citações vêm adaptadas, muitas vezes de traduções anteriores à Vulgata.
Salmos: a Vulgata numera um a menos que a maioria das Bíblias modernas em geral entre os Salmos 10 e 145 da Vulgata (144 → 145; 21 → 22; 146,5 → 147,5).
Subjuntivos do texto I: final (ut dēlectet, ut sciāris), de expectativa (dōnec requiēscat), interrogativa indireta (utrum sit… an), exortação a si mesmo (quaeram… invocem).
Subjuntivos do texto II: interrogativa indireta (solērent), completiva com ut (aperīrem, legerem), atração (invēnissem), discurso relatado (admonitus fuerit), comparação (tamquam dīcerētur), proibição (nē fēceritis).
Quia e quod podem ser "porque" ou "que": pergunte se a oração dá a causa ou o conteúdo.
No próximo capítulo, o último do livro, você lê um texto de outro gênero e de outra época: um artigo da Suma de Teologia de Tomás de Aquino, que cita Agostinho a cada página e escreve um latim técnico, preciso e muito regular.
Erro: Traduzir todo quia por "porque": *"o testemunho porque resistes aos soberbos".
Por quê, e como evitar: No latim cristão, quia (como quod) também introduz o conteúdo de um nome ou verbo: "o testemunho de que resistes". Pergunte se a oração responde a "por quê?" (causal) ou a "o quê?" (integrante). No mesmo parágrafo, quia fēcistī nōs ad tē é causal.
Erro: Ler dōnec requiēscat como fato: *"até que descansou".
Por quê, e como evitar: O subjuntivo com dōnec indica um termo esperado, ainda não alcançado (Bennett § 293 III.2). O presente do subjuntivo diz "até que descanse", e é esse adiamento que dá sentido à frase: o coração ainda está inquieto.
Erro: Tomar quaeram por futuro e invocem por outra coisa, desfazendo o paralelo.
Por quê, e como evitar: Na 3ª conjugação, quaeram pode ser futuro ou presente do subjuntivo; invocem (1ª conjugação) só pode ser subjuntivo. Orações coordenadas com o mesmo papel pedem a mesma leitura: "que eu te busque… e te invoque".
Erro: Procurar o Salmo citado com o número da Vulgata numa Bíblia moderna e não encontrar o texto.
Por quê, e como evitar: A Vulgata numera os Salmos pela tradição grega: o Salmo 144 da Vulgata é o 145 das Bíblias modernas, o 21 é o 22, o 146 (v. 5) é o 147. Em geral, some um (Salmos 10–145 da Vulgata) e confira pela frase.
Erro: Considerar erro de Agostinho uma citação que difere da Vulgata (valdē por nimis; induite por induiminī).
Por quê, e como evitar: Agostinho cita, em geral, traduções latinas anteriores à de Jerônimo (Vetus Latina) ou cita de memória. A diferença é um dado histórico, não um erro; ao comentar, cite as duas redações.
Erro: Ler quod prīmum caput invēnissem como "porque eu encontrara o primeiro capítulo".
Por quê, e como evitar:Quod é aqui o relativo neutro concordando com caput, que está dentro da própria relativa: "o capítulo que eu encontrasse primeiro". O subjuntivo vem da atração (a relativa faz parte da ordem ut… legerem), e o mais-que-perfeito marca anterioridade ao ler.
Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.
Prática guiada 1 · Uma pergunta dupla de Agostinho
Analise e traduza, passo a passo: Dā mihi, Domine, scīre et intelligere utrum sit prius invocāre tē, an laudāre tē.
Qual é o verbo principal, e que forma tem?Ver o passo
Dā, imperativo presente singular de dō, dare: "dá, concede". O sujeito é Deus, chamado no vocativo Domine; mihi é o dativo de quem recebe.
O que Agostinho pede que lhe seja dado?Ver o passo
Dois infinitivos, scīre et intelligere, objetos de dā: "concede-me saber e compreender". Como no português "dá-me saber", o infinitivo funciona como objeto.
O que ele quer saber? Como reconhecer a oração?Ver o passo
Utrum… an… introduz uma pergunta dupla, dependente dos verbos de saber: é uma interrogativa indireta (capítulo 35), por isso o verbo está no subjuntivo, sit. A pergunta direta seria Utrum est prius invocāre tē, an laudāre tē?
Qual é o sujeito de sit?Ver o passo
Os infinitivos invocāre tē e laudāre tē, um em cada membro: "se é primeiro o invocar-te ou o louvar-te". Prius é o comparativo neutro de prior, usado como predicativo ou advérbio: "anterior, primeiro".
Por que o presente sit?Ver o passo
Porque dā é um imperativo, que conta como tempo primário: na sequência primária, a contemporaneidade se exprime pelo presente do subjuntivo (capítulo 34).
Monte a tradução.Ver o passo
"Concede-me, Senhor, saber e compreender se vem primeiro invocar-te ou louvar-te." Note que o "se" aqui é interrogativo, não condicional.
Prática guiada 2 · A notícia sobre Antão
Separe as construções e traduza: Audieram enim dē Antōniō quod ex ēvangelicā lēctiōne, cui forte supervēnerat, admonitus fuerit, tamquam sibi dīcerētur quod legēbātur.
Qual é o verbo principal?Ver o passo
Audieram, mais-que-perfeito do indicativo: "eu tinha ouvido". Dē Antōniō: "a respeito de Antão".
Que oração depende de audieram?Ver o passo
Quod… admonitus fuerit: o conteúdo do que foi ouvido, introduzido por quod = "que", como no latim cristão. O subjuntivo indica que o fato é relatado por outros.
E cui forte supervēnerat?Ver o passo
Relativa encaixada, com cui no dativo regido por supervēnerat (chegar a): "à qual chegara por acaso". O antecedente é lēctiōne. Fica no indicativo porque é um dado do narrador.
Que valor tem tamquam sibi dīcerētur?Ver o passo
Comparativa condicional: "como se a ele se dissesse". Tamquam pede subjuntivo (Bennett § 307), e o imperfeito segue a sequência secundária. Sibi é reflexivo indireto, referido a Antão, sujeito da oração com quod.
E o último quod legēbātur?Ver o passo
Outro quod, agora relativo sem antecedente expresso: "aquilo que se lia". É o sujeito de dīcerētur.
Monte a tradução.Ver o passo
"Pois eu tinha ouvido dizer de Antão que, por uma leitura do Evangelho a que chegara por acaso, fora advertido, como se a ele se dissesse o que se lia." Três quod/cui na mesma frase, cada um com uma função diferente.
Conclusão: em Agostinho, a pergunta "que palavra é esta?" vale também para as conjunções; quod pode ser "que", "o qual" ou "aquilo que", e o modo do verbo ajuda a decidir.
Faça por escrito ou em voz alta; abra "Ver resposta" só depois de tentar. A explicação da resposta faz parte da lição.
Exercício 1 · Compreensão
Responda em português, com base nos dois textos.
No texto I, por que o homem quer louvar a Deus, apesar de ser "uma pequena parte" da criação e de carregar o seu pecado?Ver resposta
Porque é o próprio Deus quem o desperta (Tū excitās) para que encontre alegria no louvor, e porque o homem foi feito "para Deus" (fēcistī nōs ad tē): o seu coração só descansa nele.
Que dificuldade lógica Agostinho levanta sobre invocar e conhecer?Ver resposta
Para invocar alguém é preciso conhecê-lo (senão se invoca uma coisa por outra), mas talvez se invoque justamente para conhecer. A saída vem de Romanos 10,14: a fé nasce da pregação, e é a fé recebida que invoca.
No texto II, o que Agostinho faz primeiro ao ouvir Tolle, lege?Ver resposta
Procura uma explicação natural: pergunta-se se as crianças costumavam cantar algo assim em alguma brincadeira (utrumnam solērent puerī…), e não se lembra de ter ouvido isso em parte alguma.
Por que a história de Antão é decisiva para a interpretação da voz?Ver resposta
Porque Antão se convertera ao ouvir uma frase do Evangelho como se fosse dita a ele; Agostinho entende a voz da mesma maneira: deve abrir o livro e tomar como dirigida a si a primeira passagem que encontrar.
O que acontece "com o fim da frase" lida?Ver resposta
Uma "luz de segurança" invade o coração e todas as trevas da dúvida se dissipam: Agostinho não precisa ler mais.
Exercício 2 · Morfologia
Dê a forma de dicionário e analise cada palavra (tempo, modo, voz, pessoa ou caso).
invocārisVer resposta
invocō, -āre: 2ª pess. sing. do presente do indicativo passivo, "és invocado". Não confunda com o futuro perfeito invocāveris nem com invocēris, presente do subjuntivo passivo.
sciārisVer resposta
sciō, scīre: 2ª pess. sing. do presente do subjuntivo passivo ("sejas conhecido"), depois de ut final.
crēdidēruntVer resposta
crēdō, -ere, crēdidī, crēditum: 3ª pess. pl. do perfeito do indicativo ativo, "creram".
īnspīrāstīVer resposta
īnspīrō, -āre: 2ª pess. sing. do perfeito do indicativo, forma sincopada de īnspīrāvistī.
solērentVer resposta
soleō, -ēre, solitus sum (semidepoente): 3ª pess. pl. do imperfeito do subjuntivo, "costumassem".
admonitus fueritVer resposta
admoneō, -ēre, -uī, -itum: 3ª pess. sing. do perfeito do subjuntivo passivo, "tenha sido advertido".
coniectī suntVer resposta
coniciō, -ere, -iēcī, -iectum: 3ª pess. pl. do perfeito do indicativo passivo, masculino (concorda com oculī).
fēceritisVer resposta
faciō, -ere, fēcī, factum: 2ª pess. pl. do perfeito do subjuntivo ativo; com nē, proibição.
Exercício 3 · Sintaxe: por que o subjuntivo?
Explique o modo e o tempo de cada verbo destacado.
inquiētum est cor nostrum, dōnec requiēscat in tēVer resposta
Subjuntivo com dōnec "até que" para um termo esperado (Bennett § 293 III.2); presente porque o verbo principal (est) é presente.
Interrogativa indireta dependente de cōgitāre; imperfeito porque o verbo principal (coepī) é um perfeito histórico, tempo secundário.
tamquam sibi dīcerētur quod legēbāturVer resposta
Comparativa condicional com tamquam (Bennett § 307; A&G § 524); imperfeito por sequência secundária. Legēbātur fica no indicativo: é um fato.
ut aperīrem cōdicem, et legerem quod prīmum caput invēnissemVer resposta
Relativa no subjuntivo por atração, porque faz parte da ordem expressa no subjuntivo (Bennett § 324; A&G § 593); mais-que-perfeito porque o encontrar é anterior ao ler, em sequência secundária.
Quaeram tē… et invocem tēVer resposta
Subjuntivo independente de exortação na 1ª pessoa do singular: "que eu te invoque" (A&G § 439). Invocem, da 1ª conjugação, não pode ser futuro.
ibi enim posueram cōdicem Apostolī, cum inde surrēxeramVer resposta
Indicativo, porque cum aqui é puramente temporal, "quando" (capítulo 34); mais-que-perfeito por ser anterior à ação narrada.
Exercício 4 · Estilo e Bíblia
Identifique a figura ou a fonte e comente brevemente.
Et laudāre tē vult homō, aliqua portiō creātūrae tuae… et tamen laudāre tē vult homō, aliqua portiō creātūrae tuae.Ver resposta
Repetição em moldura (a mesma frase no início e no fim do período, epanalepse): o que está no meio (mortalidade, pecado) é "cercado" pela vontade de louvar, que permanece apesar de tudo.
inquiētum… requiēscatVer resposta
Antítese entre palavras da mesma família (quiēs, repouso): a inquietação e o repouso, os dois polos do livro.
Magnus es, Domine, et laudābilis valdēVer resposta
Salmo 144,3 na numeração da Vulgata (145,3 nas Bíblias modernas), passado da 3ª pessoa (Magnus Dominus) para a 2ª; valdē em vez do nimis da Vulgata.
Et laudābunt Dominum quī requīrunt eumVer resposta
Salmo 21,27 da Vulgata (22 nas Bíblias modernas): citação literal, que Agostinho desenvolve no quiasmo seguinte (buscar, encontrar, louvar).
Nōn in cōmessātiōnibus et ēbrietātibus, nōn in cubīlibus et impudīcitiīs…Ver resposta
Romanos 13,13–14. Anáfora de nōn in e pares de substantivos. A Vulgata traz induiminī… cūram… in dēsīderiīs; Agostinho, induite… prōvidentiam… in concupīscentiīs, sinal de uma tradução latina anterior.
Exercício 5 · Tradução
Traduza para o português, explicando as construções principais.
Sed quis tē invocat, nesciēns tē? Aliud enim prō aliō potest invocāre nesciēns tē.Ver resposta
"Mas quem te invoca sem te conhecer? Pois quem não te conhece pode invocar uma coisa no lugar de outra." Pergunta retórica (= ninguém); nesciēns é particípio presente com valor de condição ("se não te conhece"), e na segunda frase funciona como sujeito ("quem não conhece").
Quaerentēs enim inveniēnt eum, et invenientēs laudābunt eum.Ver resposta
"Pois os que o buscam o encontrarão, e os que o encontram o louvarão." Particípios presentes substantivados como sujeitos; futuros do indicativo (inveniēnt, laudābunt).
Et ecce audiō vōcem dē vīcīnā domō cum cantū dīcentis et crēbrō repetentis.Ver resposta
"E eis que ouço, vinda de uma casa vizinha, a voz de alguém que dizia cantando e repetia muitas vezes." Presente histórico (audiō); dīcentis e repetentis, genitivos de particípio substantivado.
Nec ultrā voluī legere; nec opus erat.Ver resposta
"Não quis ler mais adiante, nem era preciso." Opus est = "é necessário"; aqui sem complemento.
Statim quippe cum fīne huiusce sententiae quasi lūce sēcūritātis īnfūsā cordī meō, omnēs dubitātiōnis tenebrae diffūgērunt.Ver resposta
"Pois logo, com o fim dessa frase, como se uma luz de segurança se derramasse no meu coração, todas as trevas da dúvida se dissiparam." Cum fīne: preposição + ablativo; lūce… īnfūsā, ablativo absoluto introduzido por quasi; cordī meō, dativo com o composto īnfundō.
Leituras recomendadas
Continue nas Confissões: o resto do livro I (a infância e a escola, com a famosa passagem sobre o estudo do grego e do latim, I,13–14), o livro VIII inteiro (a crise e a conversão) e, quando estiver mais seguro, o livro XI (sobre o tempo). Leia sempre com a Vulgata ao lado, para identificar as citações. As cartas de Agostinho (seleção do catálogo) mostram a sua prosa no dia a dia de bispo, e A Cidade de Deus, em trechos, o seu latim argumentativo. A Imitação de Cristo é um bom contraste: frases curtas, muito mais simples, numa espiritualidade herdeira de Agostinho. Para o vocabulário cristão (contrītiō, cōnfessiō, praedicātor), o dicionário de Lewis e Short registra os sentidos tardios.
Etapa VI · Latinitas ChristianaDificuldade 4 · AvançadoOriginal Áudio
Confessiones
Augustinus Hipponensis
Os treze livros das Confissões, no texto da Patrologia Latina. Latim rítmico, cheio de ecos bíblicos; os livros I–IX (a narrativa da conversão) são mais fáceis que os últimos. Sem notas. EPUB (edição de Oxford, 1838) no Project Gutenberg. Gravação completa no LibriVox.
Autobiografia · Tardio e patrístico · alguns meses · Corpus Corporum
Etapa VI · Latinitas ChristianaDificuldade 4 · AvançadoOriginal Áudio
De civitate Dei
Augustinus Hipponensis
A Cidade de Deus completa (22 livros), no texto da Patrologia Latina. Obra longa; leia por livros ou capítulos escolhidos. Sem notas. Gravação completa no LibriVox.
Teologia · Tardio e patrístico · muitos meses · Corpus Corporum
Etapa VI · Latinitas ChristianaDificuldade 2 · BásicoOriginal Áudio
Biblia Sacra Vulgata (editio Clementina)
Hieronymus Stridonensis (Vulgata)
A Vulgata Clementina completa, do Gênesis ao Apocalipse, livro a livro. Comece por Marcos, Gênesis ou os Salmos: frases curtas, vocabulário repetitivo e um texto que você já conhece em português. A leitura cristã fundamental e, para muitos, a primeira obra longa lida em latim. No LibriVox há, por ora, só o Salmo 22 gravado.
Escritura (Vulgata) · Tardio e patrístico · anos, um capítulo por dia · Vicifons (Latin Wikisource)
Etapa VI · Latinitas ChristianaDificuldade 2 · BásicoOriginal Áudio
De imitatione Christi
Thomas a Kempis
A Imitação de Cristo (séc. XV), em quatro livros de capítulos curtos e sentenciosos, em latim muito simples e rítmico. Depois da Bíblia, o livro cristão mais lido; ideal para leitura diária. Sem notas; gravação completa no LibriVox.
Espiritualidade · Medieval · meses, um capítulo por dia · Vicifons (Latin Wikisource)
O grande dicionário latino-inglês de 1879, integral e pesquisável, ligado a cada palavra dos textos do Perseus. Verbetes com etimologia, sentidos e exemplos de autores. Continua sendo a referência gratuita mais completa.
Bibliotheca Latina. Conteúdo original com trechos de obras em domínio público; licença CC BY 4.0.
Fontes consultadas
Confessiones, livros I e VIII (ed. J.-P. Migne, Patrologia Latina, vol. 32, Paris, 1841), Aurelius Augustinus (no catálogo) · domínio público · texto-base das duas passagens: I, cap. 1, § 1 (página "Confessiones (ed. Migne)/1") e VIII, cap. 12, § 29 (página "Confessiones (ed. Migne)/8") da Wikisource latina, que transcreve a edição de Migne (1841) a partir do Corpus Corporum; as indicações bíblicas entre parênteses na edição (Psal. CXLIV, 3; Psal. CXLVI, 5; I Petr. V, 5; Rom. X, 14; Psal. XXI, 27; Matth. XIX, 21; Rom. XIII, 13–14) foram conferidas. Ortografia adaptada (i por j, ae por oe em caelum, lacrimārum, tamquam) e macrons acrescentados
New Latin Grammar, Charles E. Bennett (no catálogo) · domínio público · § 162.3 (perguntas retóricas), § 162.4 e 4.a (perguntas duplas; an introduzindo pergunta simples), § 274 (exortativo), § 276 (proibição com nē + presente ou perfeito do subjuntivo), § 277 (deliberativo), § 293 III.2 (dum, dōnec, quoad "até que" com subjuntivo de expectativa), § 299 (quod "o fato de que"), § 300.1 e 300.4 (interrogativa indireta; perguntas duplas indiretas), § 307 (tamquam e quasi com subjuntivo), § 323 (discurso indireto implícito), § 324 (subjuntivo por atração)
Allen and Greenough's New Latin Grammar, J. H. Allen e J. B. Greenough (no catálogo) · domínio público · § 439 e nota 2 (exortativo; o termo às vezes restrito à 1ª pessoa do plural), § 444 (deliberativo), § 450 (proibição), § 454 (infinitivo como sujeito de verbo impessoal), § 524 (orações comparativas condicionais: tamquam, quasi), § 563.a (iubeō e vetō com oração infinitiva), § 553 e nota 1 (dum e quoad "até que" com subjuntivo; dōnec assim usado na poesia e no latim posterior), § 574 (interrogativa indireta), § 592–593 (discurso indireto informal; atração)
Gramática Latina, Pe. João Ravizza (no catálogo) · domínio público · n. 370 (subjuntivo dubitativo-interrogativo), n. 371 (subjuntivo exortativo; numeração do OCR conferida pelo índice), n. 442 (dum, quoad, donec com indicativo e com subjuntivo de intenção)