Os graus do adjetivo: como se formam o comparativo em -ior, -ius (declinado como um tema consonantal) e o superlativo em -issimus, -errimus e -illimus; a comparação irregular (bonus, melior, optimus e os seus pares); as duas maneiras de dizer "do que" (quam e o ablativo de comparação); os sentidos do superlativo; a formação dos advérbios de modo (-ē, -iter) e a sua comparação.
Neste capítulo você vai
Formar o comparativo (-ior, -ius) e o superlativo (-issimus, -errimus, -illimus) de adjetivos de primeira e de segunda classe a partir do tema.
Declinar o comparativo como um tema consonantal (ablativo em -e, genitivo plural em -um, neutro plural em -a) e o superlativo como bonus.
Reconhecer a comparação irregular (melior, optimus; peior, pessimus; maior, maximus; minor, minimus; plūs, plūrimus) e os comparativos sem positivo (prior, prīmus; superior, summus…).
Traduzir o segundo termo da comparação, com quam ou com o ablativo de comparação, sabendo quando o ablativo não pode ser usado.
Formar advérbios de modo (-ē, -iter, -ter) e os seus graus (-ius, -issimē), inclusive os irregulares (bene, melius, optimē).
graus do adjetivocomparativo em -ior, -iusdeclinação do comparativosuperlativo em -issimussuperlativo em -errimussuperlativo em -illimusmagis e maximēcomparação irregularplūs, plūrēscomparativos sem positivoquamablativo de comparaçãoablativo de grau de diferença (multō, paulō)superlativo absoluto e relativoquam + superlativoformação dos advérbios (-ē, -iter, -ter)comparação dos advérbiosanálise de frase autêntica
Antes deste capítulo: Capítulo 5 (adjetivos de primeira classe, bonus, -a, -um), capítulo 9 (as terminações dos temas consonantais, que são as do comparativo) e capítulo 10 (adjetivos de segunda classe, como fortis, forte). O capítulo 4 (preposições com ablativo) e o capítulo 9 (a análise de Lucas 2,14, com altissimīs) são retomados. · capítulo 5 · capítulo 9 · capítulo 10
Um adjetivo de qualidade pode aparecer em três graus. O positivo é o adjetivo simples, como você o conhece desde o capítulo 5: longus, "longo". O comparativo põe duas coisas em confronto e diz que uma tem a qualidade em grau maior: longior, "mais longo". O superlativo leva a qualidade ao grau mais alto: longissimus, "o mais longo" ou "longuíssimo". O português faz quase tudo isso com palavras à parte ("mais", "o mais", "muito"); o latim, na maioria dos adjetivos, faz com sufixos colados ao tema, e é por isso que você precisa saber achar o tema.
A regra de formação do comparativo é uma só para as duas classes de adjetivos: tome o genitivo singular, tire a terminação (-ī na primeira classe, -is na segunda) e acrescente -ior para o masculino e o feminino, -ius para o neutro. O genitivo é o ponto de partida pela mesma razão do capítulo 9: em adjetivos como fēlīx ou prūdēns, só ele mostra o tema (fēlīc-, prūdent-).
Formação do comparativo: genitivo sem a terminação + -ior, -ius
Positivo (nom. · gen.)
Tema
Comparativo m./f. · n.
Significado
longus · longī
long-
longior · longius
longo → mais longo
altus · altī
alt-
altior · altius
alto, profundo → mais alto
clārus · clārī
clār-
clārior · clārius
claro, famoso → mais famoso
līber · līberī
līber-
līberior · līberius
livre → mais livre
pulcher · pulchrī
pulchr-
pulchrior · pulchrius
belo → mais belo
fortis · fortis
fort-
fortior · fortius
forte, valente → mais forte
brevis · brevis
brev-
brevior · brevius
breve → mais breve
ācer · ācris
ācr-
ācrior · ācrius
agudo, enérgico → mais enérgico
fēlīx · fēlīcis
fēlīc-
fēlīcior · fēlīcius
feliz → mais feliz
prūdēns · prūdentis
prūdent-
prūdentior · prūdentius
prudente → mais prudente
A declinação do comparativo
O comparativo tem, no nominativo, só duas formas (longior para o masculino e o feminino, longius para o neutro), como os adjetivos de segunda classe do capítulo 10 (fortis, forte). Mas atenção: ele não se declina como fortis. Os comparativos são temas consonantais: o tema real é longiōr-, e as terminações são exatamente as de rēx e corpus, que você aprendeu no capítulo 9. Isso dá três diferenças em relação a fortis: ablativo singular em -e (longiōre, não *longiōrī), genitivo plural em -um (longiōrum, não *longiōrium) e neutro plural em -a (longiōra, não *longiōria).
Comparativo: longior, longius, "mais longo"
Caso
m./f. · sing.
neutro · sing.
m./f. · pl.
neutro · pl.
Nominativo
longior
longius
longiōrēs
longiōra
Genitivo
longiōris
longiōris
longiōrum
longiōrum
Dativo
longiōrī
longiōrī
longiōribus
longiōribus
Acusativo
longiōrem
longius
longiōrēs
longiōra
Vocativo
longior
longius
longiōrēs
longiōra
Ablativo
longiōre
longiōre
longiōribus
longiōribus
Repare na vogal: o o é breve no nominativo masculino e feminino (longior) e longo em todos os outros casos (longiōris, longiōrem). O neutro longius conserva no nominativo e no acusativo um antigo s que, entre vogais, passou a r nos outros casos: é o mesmo rotacismo de corpus, corporis (capítulo 9). Por isso longius, apesar do -us, é neutro e não tem nada a ver com a segunda declinação: iter longius, "um caminho mais longo", e nunca *vir longius.
fortis (capítulo 10) e o seu comparativo fortior: onde diferem
Caso
fortis, forte (tema em -i)
fortior, fortius (tema consonantal)
ablativo singular
fortī
fortiōre
genitivo plural
fortium
fortiōrum
nom./ac. plural neutro
fortia
fortiōra
nominativo singular
fortis · forte
fortior · fortius
As gramáticas registram também um ablativo em -ī e um acusativo plural em -īs para o comparativo, mas como formas raras; Kennedy (§ 77) observa que o ablativo em -ī é raro e de escritores tardios, e Ravizza (n. 55) recomenda o -e. Escreva sempre -e.
O superlativo regular se forma do mesmo tema que o comparativo, com o sufixo -issimus, -issima, -issimum, e se declina inteiramente como bonus, -a, -um, nos três gêneros: longissimus, fortissima, fēlīcissimum, prūdentissimōrum. Duas famílias de adjetivos fogem a essa regra, e a terceira forma vem de outro procedimento.
Adjetivos em -er: -errimus
Os adjetivos com nominativo masculino em -er, da primeira ou da segunda classe, acrescentam -rimus ao próprio nominativo, e não ao tema: pulcher → pulcherrimus; līber → līberrimus; miser → miserrimus; ācer → ācerrimus; celer (rápido) → celerrimus. O comparativo deles é regular, tirado do genitivo: pulchrior, līberior, miserior, ācrior, celerior. Note a diferença em pulcher e ācer: o comparativo perde o e (pulchr-ior, ācr-ior), o superlativo o conserva (pulcher-rimus, ācer-rimus).
Seis adjetivos em -lis: -illimus
Seis adjetivos em -lis fazem o superlativo em -limus junto ao tema, o que dá -illimus: facilis (fácil) → facillimus; difficilis (difícil) → difficillimus; similis (semelhante) → simillimus; dissimilis (diferente) → dissimillimus; humilis (baixo, humilde) → humillimus; gracilis (delgado) → gracillimus. O comparativo é regular (facilior, similior). A lista de seis é a de Allen e Greenough (§ 126), Kennedy (§ 78) e Ravizza (n. 56); Bennett (§ 71.4) dá cinco, sem gracilis. Os outros adjetivos em -ilis seguem a regra geral: nōbilis (nobre) → nōbilissimus.
Os três tipos de superlativo
Positivo
Comparativo
Superlativo
Herança em português
longus, -a, -um
longior, -ius
longissimus, -a, -um
longuíssimo
fortis, -e
fortior, -ius
fortissimus
fortíssimo
fēlīx, gen. fēlīcis
fēlīcior, -ius
fēlīcissimus
felicíssimo
pulcher, -chra, -chrum
pulchrior, -ius
pulcherrimus
pulquérrimo
miser, -era, -erum
miserior, -ius
miserrimus
misérrimo
ācer, ācris, ācre
ācrior, -ius
ācerrimus
acérrimo
facilis, -e
facilior, -ius
facillimus
facílimo
difficilis, -e
difficilior, -ius
difficillimus
dificílimo
similis, -e
similior, -ius
simillimus
simílimo
humilis, -e
humilior, -ius
humillimus
humílimo
A última coluna mostra que o português culto herdou esses superlativos quase intactos: "facílimo", "dificílimo", "misérrimo", "acérrimo", "pulquérrimo". Quem conhece essas formas portuguesas já tem a regra latina na memória.
Magis e maximē
Alguns adjetivos não têm comparativo e superlativo por sufixo e usam os advérbios magis ("mais") e maximē ("ao máximo"), como o português "mais" e "muitíssimo". São sobretudo os adjetivos em -us precedido de vogal (-eus, -ius, -uus): idōneus (apto) → magis idōneus, maximē idōneus; dubius (duvidoso) → magis dubius. A razão é a pronúncia: *idōneior juntaria vogais demais. Os adjetivos em -quus não entram aqui, porque o u deles é consonantal (antīquus, antigo → antīquior, antīquissimus).
O que o superlativo significa
O superlativo latino serve a dois usos que o português distingue. Com um termo de comparação, é o superlativo relativo: mōns altissimus Graeciae, "o monte mais alto da Grécia". Sem termo de comparação, é quase sempre o superlativo absoluto: mōns altissimus, "um monte altíssimo, muito alto". Bennett (§ 240.2) dá o exemplo vir fortissimus, "um homem muito valente", e é essa a leitura mais comum na prosa; a frase de Lucas 2,14 que você analisou no capítulo 9 (Glōria in altissimīs Deō) tem um superlativo sem termo de comparação, "nos lugares altíssimos". Para dizer "o mais … de todos", o latim usa o genitivo (fortissimus omnium, "o mais valente de todos") ou ex, dē com ablativo (fortissimus ex omnibus); o genitivo que indica o todo do qual se toma uma parte é estudado no capítulo 20.
Quam + superlativo. Diante de um superlativo, quam não significa "do que", e sim "o mais … possível": quam celerrimus, "o mais rápido possível"; quam plūrimī, "o maior número possível" (Bennett § 240.3; Allen e Greenough § 291.c). Vel reforça o superlativo: vel maximus, "até o maior, o maior de todos".
Os adjetivos mais usados da língua são justamente os que fogem à regra: o comparativo e o superlativo de "bom", "mau", "grande", "pequeno" e "muito" vêm de outras raízes, como em português ("bom, melhor, ótimo"). Esses têm de ser decorados, e o português ajuda muito, porque conservou quase todos.
Comparação irregular
Positivo
Comparativo m./f. · n.
Superlativo
Em português
bonus, -a, -um, bom
melior · melius
optimus, -a, -um
melhor · ótimo
malus, -a, -um, mau
peior · peius
pessimus
pior · péssimo
magnus, -a, -um, grande
maior · maius
maximus
maior · máximo
parvus, -a, -um, pequeno
minor · minus
minimus
menor · mínimo
multus, -a, -um, muito
— · plūs (só neutro)
plūrimus
— (o português diz "mais")
multī, -ae, -a, muitos
plūrēs · plūra
plūrimī, -ae, -a
"plural" e "pluralidade" vêm desta raiz
Melior, peior, maior, minor se declinam exatamente como longior: meliōris, meliōrī, meliōrem, meliōre; maiōrēs, maiōrum. Em peior e maior, o i entre vogais soa como consoante e se pronuncia dobrado (pei-ior, mai-ior), de modo que a primeira sílaba é longa (Allen e Greenough § 11.d e nota). O plural maiōrēs tem ainda um sentido especial: "os antepassados", os que nasceram antes (mōs maiōrum, "o costume dos antepassados").
Plūs é o único comparativo com declinação própria. No singular, só existe o neutro, usado como substantivo ("mais, uma quantidade maior"), e a coisa medida vem no genitivo: plūs pecūniae, "mais dinheiro" (literalmente "mais de dinheiro"). No plural, plūrēs, plūra é um adjetivo comum, "mais numerosos, vários": plūrēs librī, "mais livros".
plūs, "mais" (Bennett § 70)
Caso
m./f. · sing.
neutro · sing.
m./f. · pl.
neutro · pl.
Nominativo
—
plūs
plūrēs
plūra
Genitivo
—
plūris
plūrium
plūrium
Dativo
—
—
plūribus
plūribus
Acusativo
—
plūs
plūrēs
plūra
Vocativo
—
—
plūrēs
plūra
Ablativo
—
plūre
plūribus
plūribus
Note o genitivo plural plūrium, com -ium: é a exceção dentro dos comparativos.
Comparativos e superlativos sem positivo
Um grupo de comparativos indica posição no espaço ou no tempo e vem de advérbios e preposições, não de um adjetivo de uso corrente. Você não precisa decorá-los agora, mas vai reconhecê-los com facilidade, porque o português os herdou como palavras comuns:
Comparativos sem positivo de uso corrente (Bennett § 73; Allen e Greenough § 130)
Origem
Comparativo
Superlativo
Em português
prae, prō, diante
prior, prius, anterior, primeiro (de dois)
prīmus, primeiro
prior · primeiro
suprā, acima (superus)
superior, mais alto
summus ou suprēmus, o mais alto; último
superior · sumo, supremo
īnfrā, abaixo (īnferus)
īnferior, mais baixo
īnfimus ou īmus, o mais baixo
inferior · ínfimo
prope, perto
propior, mais próximo
proximus, o mais próximo, vizinho
próximo
ultrā, além
ulterior, mais distante
ultimus, o mais distante, último
ulterior · último
intrā, dentro
interior, interior
intimus, o mais íntimo
interior · íntimo
extrā, fora (exterus)
exterior, exterior
extrēmus, o mais externo, extremo
exterior · extremo
post, depois (posterus)
posterior, posterior
postrēmus, o último
posterior · postremo
Alguns desses superlativos indicam a parte de uma coisa, e não qual coisa: summus mōns é "o alto do monte", e não "o monte mais alto"; extrēma via, "o fim do caminho" (Allen e Greenough § 293). Quando a tradução literal não fizer sentido, experimente essa leitura.
O comparativo pede, quase sempre, um segundo termo: mais alto do que quê? O latim tem duas construções para isso, e o leitor precisa reconhecer as duas.
1. Quam + o mesmo caso
A conjunção quam ("do que") liga os dois termos, e o segundo termo fica no mesmo caso que o primeiro, porque os dois exercem, cada um na sua oração, a mesma função. Em Sōl maior est quam terra ("o sol é maior do que a terra"), terra está no nominativo porque é, por assim dizer, o sujeito de um segundo "é" subentendido: "o sol é maior do que a terra [é]".
2. O ablativo de comparação
Em vez de quam, o segundo termo pode ir para o ablativo, sem preposição: Sōl terrā maior est, com o mesmo sentido. A explicação tradicional (Allen e Greenough § 406, nota de rodapé) é que esse ablativo é um caso de "ponto de partida": a comparação parte da terra e vai além dela. Por isso se traduz por "do que": terrā = "do que a terra".
Sōl maior est quam terra.
O sol é maior do que a terra. (terra, nominativo, como sōl)
Sōl terrā maior est.
O sol é maior do que a terra. (terrā, ablativo de comparação)
Lūna minor est quam terra · Lūna terrā minor est.
A lua é menor do que a terra.
Nautae nāvem longiōrem quam scapham habent.
Os marinheiros têm um navio mais longo do que um bote. (scapham, acusativo, como nāvem; nāvis, navio; scapha, -ae, bote)
As duas construções não são livres em todos os casos. Bennett (§ 217.2) e Allen e Greenough (§ 407.a) dão a regra prática: o ablativo de comparação, na prosa, só substitui quam quando o primeiro termo está no nominativo ou no acusativo. Se o primeiro termo está em outro caso, quam é obrigatório, porque um ablativo ao lado de um dativo ou de um genitivo tornaria a frase ambígua.
Agricolae magis crēdō quam nautae.
Confio mais no agricultor do que no marinheiro. (crēdō + dativo, "confio em"; agricolae e nautae são dativos, e só quam é possível)
Mārcus tē magis amat quam Paulum.
Marcos ama você mais do que [ama] Paulo. (Paulum, acusativo, como tē)
Mārcus tē magis amat quam Paulus.
Marcos ama você mais do que Paulo [ama]. (Paulus, nominativo, como Mārcus)
Os dois últimos exemplos mostram por que quam é às vezes indispensável: Mārcus tē magis amat Paulō não deixaria claro se Paulo é quem ama ou quem é amado. O caso depois de quam resolve. Com advérbios no comparativo (seção 5), a prosa também prefere quam (Allen e Greenough § 407.e).
Quanto mais? Multō, paulō
Para dizer por quanto uma coisa supera a outra, o latim usa outro ablativo, o de grau de diferença: multō ("muito", literalmente "por muito") e paulō ("um pouco, por pouco"), além de números. Sōl multō maior est quam terra, "o sol é muito maior do que a terra"; paulō altior, "um pouco mais alto" (Bennett § 223; Allen e Greenough § 414). Repare: diante de um comparativo, "muito" se diz multō, e não valdē ou multum; Ravizza (n. 59.c) dá o exemplo multō doctior, "muito mais sábio".
A maioria dos advérbios de modo latinos ("bem", "corajosamente", "depressa") deriva de adjetivos, como os advérbios portugueses em "-mente". A formação depende da classe do adjetivo.
Adjetivos de primeira classe (bonus, -a, -um): troque o -ī do genitivo por -ē. Lātus (largo) → lātē, "largamente"; longus → longē, "longe, de longe"; cārus → cārē, "caro"; pulcher, pulchrī → pulchrē, "belamente"; līber, līberī → līberē, "livremente"; miser, miserī → miserē, "miseravelmente"; amārus (amargo) → amārē, "amargamente". Allen e Greenough (§ 214.a) explicam o -ē como resto de um antigo ablativo.
Adjetivos de segunda classe (fortis, forte): troque o -is do genitivo por -iter. Fortis → fortiter, "corajosamente"; ācer, ācris → ācriter, "energicamente"; celer, celeris → celeriter, "rapidamente"; brevis → breviter, "brevemente"; fēlīx, fēlīcis → fēlīciter, "felizmente". Os adjetivos em -ns acrescentam só -er ao tema: prūdēns, prūdentis → prūdenter; sapiēns (sábio) → sapienter. Note também audāx, audācis (ousado) → audācter (Bennett § 76.1).
Há ainda advérbios que são formas de caso fossilizadas. O acusativo neutro de alguns adjetivos serve de advérbio: facile, "facilmente"; multum, "muito"; paulum, "um pouco"; prīmum, "em primeiro lugar". O ablativo em -ō forma outros: subitō, "de repente"; rārō, "raramente"; crēbrō, "frequentemente" (Bennett § 77.2–3). E os dois advérbios mais frequentes de todos são irregulares e têm e breve: bene, "bem", de bonus, e male, "mal", de malus.
Comparativo e superlativo dos advérbios
A regra é simples e se apoia no que você acabou de aprender. O comparativo do advérbio é o acusativo neutro singular do comparativo do adjetivo, em -ius: longius, "mais longe"; fortius, "mais corajosamente". O superlativo do advérbio troca o -us do superlativo do adjetivo por -ē: longissimē, "muito longe, o mais longe"; fortissimē; pulcherrimē; facillimē (Bennett § 76.2; Allen e Greenough § 218).
Advérbios e seus graus (Bennett §§ 76–77; Allen e Greenough § 218)
Adjetivo
Advérbio
Comparativo
Superlativo
lātus, largo
lātē
lātius
lātissimē
pulcher, belo
pulchrē
pulchrius
pulcherrimē
fortis, valente
fortiter
fortius
fortissimē
celer, rápido
celeriter
celerius
celerrimē
prūdēns, prudente
prūdenter
prūdentius
prūdentissimē
facilis, fácil
facile
facilius
facillimē
bonus, bom
bene, bem
melius
optimē
malus, mau
male, mal
peius
pessimē
magnus, grande
magnopere, grandemente
magis
maximē
multus, muito
multum, muito
plūs
plūrimum
parvus, pequeno
parum, pouco
minus
minimē
—
diū, por muito tempo
diūtius
diūtissimē
—
saepe, muitas vezes
saepius
saepissimē
Uma consequência para a leitura: formas como longius, melius, fortius podem ser o adjetivo neutro (iter longius, "um caminho mais longo") ou o advérbio (longius ambulat, "caminha mais longe"). A diferença está na função: se a forma concorda com um nome neutro, é adjetivo; se modifica um verbo, é advérbio. E minimē, que é o superlativo de parum, serve também, na conversa, de "de modo algum, não".
Mīlitēs fortiter pugnant.
Os soldados combatem corajosamente. (pugnant, combatem)
Puella celerius currit quam frāter.
A menina corre mais depressa do que o irmão. (currit, corre; com advérbio, quam)
Horácio, na primeira das suas Epístolas, resume numa linha a escala de valores que ele critica. O verso tem dois ablativos de comparação e um verbo subentendido:
Vīlius argentum est aurō, virtūtibus aurum.
A prata vale menos do que o ouro; o ouro, menos do que as virtudes. (Horácio, Ep. 1.1.52)
O adjetivo vīlis, vīle (de segunda classe, como fortis) significa "barato, de pouco valor"; o comparativo vīlior, vīlius é "mais barato, de menos valor". A segunda metade do verso não repete vīlius est: o leitor o tira da primeira metade.
ablativo de comparação da segunda oração: "do que as virtudes"
aurum
aurum, -ī (n.), ouro
nominativo singular
sujeito da segunda oração (vīlius est subentendido)
Lendo em ordem: Vīlius argentum est aurō = "Mais barata é a prata do que o ouro". O ablativo sem preposição, depois de um comparativo, se lê "do que".
Três coisas deste capítulo estão no verso. Vīlius não é um nominativo masculino da segunda declinação: é o neutro do comparativo, e concorda com argentum, neutro. Aurō e virtūtibus são ablativos sem preposição, e o que permite lê-los como "do que" é o comparativo ao lado. E o ablativo é permitido porque o primeiro termo de cada comparação (argentum, aurum) está no nominativo; em prosa, também se poderia dizer vīlius argentum est quam aurum.
O Evangelho de Mateus, na Vulgata, tem a mesma construção, agora com um comparativo irregular e um sujeito de segunda pessoa. Jesus diz aos discípulos que não tenham medo (Nōlīte ergō timēre, um imperativo negativo, assunto do capítulo 22) e acrescenta:
Multīs passeribus meliōrēs estis vōs.
Vós valeis mais do que muitos pardais. (Mt 10,31; passer, passeris, m., pardal: multīs passeribus, ablativo de comparação; meliōrēs, nominativo plural de melior, predicativo de vōs)
Hōc est maximum, et prīmum mandātum.
Este é o maior e o primeiro mandamento. (Mt 22,38; maximum, superlativo irregular de magnus; prīmum, superlativo sem positivo, ligado a prae)
Et ēgressus forās, flēvit amārē.
E, saindo para fora, chorou amargamente. (Mt 26,75; amārē, advérbio de amārus, amargo, em -ē; flēvit, chorou, perfeito de fleō)
César, ao descrever os povos da Gália no início da Guerra da Gália, usa um superlativo relativo com genitivo e, logo em seguida, superlativos de advérbios:
Hōrum omnium fortissimī sunt Belgae.
De todos estes, os mais valentes são os belgas. (César, BG 1.1.3; hōrum omnium, genitivo plural, "de todos estes": o todo do qual se tira a parte)
… ā cultū atque hūmānitāte prōvinciae longissimē absunt …
… estão muito longe da civilização e da cultura da província … (a mesma frase; longissimē, superlativo do advérbio longē; absunt, estão distantes)
Fortissimī aqui é relativo ("os mais valentes"), porque há um termo de comparação (hōrum omnium); longissimē, sem termo de comparação, se traduz melhor como absoluto ("muitíssimo longe").
Resumo
Comparativo: genitivo sem a terminação + -ior (m./f.), -ius (n.); declina-se como tema consonantal: -ōris, -ōrī, -ōrem, -ōre; -ōrēs, -ōrum, -ōribus; neutro plural -ōra.
Superlativo: -issimus; adjetivos em -er: -errimus (pulcherrimus); seis em -lis: -illimus (facillimus); declina-se como bonus. Em -eus, -ius: magis, maximē.
"Do que": quam + o mesmo caso; ou ablativo de comparação, só se o primeiro termo estiver no nominativo ou no acusativo. "Muito mais": multō + comparativo.
Superlativo relativo ("o mais") com genitivo ou ex + ablativo; absoluto ("muito", "-íssimo") sem termo de comparação; quam + superlativo = "o mais … possível".
Advérbios: -ē (1ª classe), -iter ou -ter (2ª classe); comparativo em -ius, superlativo em -issimē; bene, melius, optimē; male, peius, pessimē.
No próximo capítulo, outro grupo de adjetivos com regras próprias, os numerais, e as expressões de tempo e de lugar, onde os ordinais (prīmus, secundus) e o ablativo voltam a aparecer.
Erro: Declinar o comparativo como fortis: *longiōrī no ablativo, *meliōrium, *maiōria.
Por quê, e como evitar: O comparativo é tema consonantal: ablativo longiōre, genitivo plural meliōrum, neutro plural maiōra. Pense em rēx e corpus (capítulo 9), não em fortis (capítulo 10). A única exceção de uso corrente é plūrium.
Erro: Ler longius, melius, maius como masculinos da segunda declinação: *vir melius.
Por quê, e como evitar: O -ius do comparativo é neutro (nominativo e acusativo singular) ou advérbio. O masculino é melior: vir melior, "um homem melhor"; bellum maius, "uma guerra maior"; melius cantat, "canta melhor".
Erro: Usar o ablativo de comparação com qualquer caso: *Agricolae magis crēdō nautā.
Por quê, e como evitar: Na prosa, o ablativo só substitui quam quando o primeiro termo está no nominativo ou no acusativo. Aqui o primeiro termo (agricolae) é dativo: diga quam nautae, no mesmo caso.
Erro: Pôr o segundo termo no caso errado depois de quam: *Mārcus altior est quam Paulum.
Por quê, e como evitar: Depois de quam, o segundo termo fica no caso do primeiro, porque tem a mesma função: Mārcus altior est quam Paulus (os dois nominativos). Se puser o acusativo, a frase muda de sentido ou fica errada.
Erro: Traduzir todo superlativo por "o mais": vir fortissimus = "o homem mais valente".
Por quê, e como evitar: Sem termo de comparação, o superlativo latino é em geral absoluto: "um homem muito valente, valentíssimo". "O mais … " exige um termo de comparação (um genitivo como omnium, ou ex + ablativo) ou um contexto que o imponha.
Erro: Formar advérbios de adjetivos de segunda classe com -ē: *fortē, *celerē; ou de bonus: *bonē.
Por quê, e como evitar: Adjetivos de segunda classe fazem -iter (fortiter, celeriter) ou -ter (prūdenter). Forte existe, mas é o neutro do adjetivo ou o advérbio "por acaso". De bonus e malus, os advérbios são bene e male, com e breve.
Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.
Prática guiada 1 · Um ablativo que significa "do que"
Analise e traduza: Sōl terrā multō maior est, lūna terrā minor. Vocabulário: sōl, sōlis (m.), sol; terra, -ae, terra; lūna, -ae, lua.
Onde estão os verbos, e quantas orações há?Ver o passo
Há um só verbo, est, mas duas orações paralelas, separadas pela vírgula. Na segunda, o leitor subentende est, como no verso de Horácio.
Que forma é maior, e com que concorda?Ver o passo
Comparativo irregular de magnus, nominativo singular masculino ou feminino. Concorda com sōl (m.), sujeito: "o sol é maior".
Terrā é lugar onde, "na terra"?Ver o passo
Não: não há preposição in, e há um comparativo ao lado. É ablativo de comparação: "do que a terra". O primeiro termo (sōl) está no nominativo, por isso o ablativo é permitido.
E multō?Ver o passo
Ablativo de grau de diferença: diz por quanto o sol supera a terra. Diante de comparativo, multō = "muito": "muito maior".
Analise a segunda oração.Ver o passo
Lūna, nominativo, sujeito; terrā, de novo ablativo de comparação; minor, comparativo de parvus, nominativo feminino, concordando com lūna; est subentendido.
Monte a tradução e reescreva com quam.Ver o passo
"O sol é muito maior do que a terra; a lua, menor do que a terra." Com quam: Sōl multō maior est quam terra, lūna minor quam terra. O segundo termo fica no nominativo, como o primeiro.
Prática guiada 2 · Advérbio, comparativo e quam
Traduza e explique cada grau: Mārcus fortiter pugnat, sed Paulus fortius, et rēx ipse fortissimē. Vocabulário: pugnō, -āre, combater; ipse, ele próprio (capítulo 15).
Que palavra é fortiter, e de onde vem?Ver o passo
Advérbio de modo, formado de fortis (segunda classe) com -iter: "corajosamente". Modifica pugnat.
Fortius é adjetivo ou advérbio?Ver o passo
Advérbio: não há nome neutro com que concorde, e o sentido pede "combate" subentendido (Paulus fortius [pugnat]). É o comparativo do advérbio, igual ao neutro do adjetivo: "mais corajosamente".
E fortissimē?Ver o passo
Superlativo do advérbio, de fortissimus com -ē. Sem termo de comparação expresso, mas depois de uma gradação, pode ser lido como "o mais corajosamente de todos" ou "corajosíssimamente".
Monte a tradução.Ver o passo
"Marcos combate corajosamente, mas Paulo, com mais coragem, e o próprio rei, com a maior coragem de todos." A gradação justifica a leitura relativa do superlativo.
Como diria "Paulo combate mais corajosamente do que Marcos"?Ver o passo
Paulus fortius pugnat quam Mārcus. Com advérbios no comparativo, a prosa usa quam; Mārcus fica no nominativo, como Paulus.
Conclusão: o mesmo tema (fort-) dá o adjetivo nos três graus (fortis, fortior, fortissimus) e o advérbio nos três graus (fortiter, fortius, fortissimē).
Faça por escrito ou em voz alta; abra "Ver resposta" só depois de tentar. A explicação da resposta faz parte da lição.
Exercício 1 · Forme os graus
Dê o comparativo (m./f. e n.) e o superlativo (m.) e diga qual regra usou.
clārus, -a, -um, famosoVer resposta
clārior, clārius; clārissimus. Regra geral: tema clār- + -ior/-ius, -issimus.
brevis, -e, breveVer resposta
brevior, brevius; brevissimus. Regra geral, do genitivo brevis.
fēlīx, gen. fēlīcis, felizVer resposta
fēlīcior, fēlīcius; fēlīcissimus. O tema fēlīc- só aparece no genitivo.
pulcher, -chra, -chrum, beloVer resposta
pulchrior, pulchrius; pulcherrimus. Adjetivo em -er: o superlativo se faz sobre o nominativo, com -rimus.
ācer, ācris, ācre, enérgicoVer resposta
ācrior, ācrius; ācerrimus. Também em -er: o comparativo perde o e, o superlativo o mantém.
similis, -e, semelhanteVer resposta
similior, similius; simillimus. Um dos seis adjetivos em -lis com -illimus.
nōbilis, -e, nobreVer resposta
nōbilior, nōbilius; nōbilissimus. Não está entre os seis: segue a regra geral.
idōneus, -a, -um, aptoVer resposta
magis idōneus; maximē idōneus. Adjetivo em -eus: comparação com advérbios.
Exercício 2 · Reconheça as formas irregulares
Diga o positivo, o grau, e o caso e o número possíveis (ou "advérbio").
meliōremVer resposta
De bonus: comparativo, acusativo singular masculino ou feminino, "melhor".
pessimīVer resposta
De malus: superlativo, genitivo singular masculino ou neutro, ou nominativo plural masculino.
maiōraVer resposta
De magnus: comparativo, nominativo ou acusativo plural neutro. Não é feminino: o -a é do neutro plural dos temas consonantais.
minimēVer resposta
Advérbio, superlativo de parum: "muitíssimo pouco", "de modo algum".
plūrēsVer resposta
De multī: comparativo, nominativo ou acusativo plural masculino ou feminino, "mais numerosos, vários".
optimēVer resposta
Advérbio, superlativo de bene (de bonus): "muito bem, otimamente".
peiusVer resposta
De malus: comparativo neutro (nominativo ou acusativo singular), "pior"; ou advérbio comparativo de male, "pior".
summōVer resposta
Superlativo sem positivo corrente (superior, summus): dativo ou ablativo singular masculino ou neutro, "o mais alto" ou "o alto de".
Exercício 3 · Faça concordar o comparativo
Escreva o adjetivo entre parênteses no comparativo, concordando com o nome, e explique.
in viā ___ (longus)Ver resposta
longiōre: ablativo singular feminino, com -e, não *longiōrī.
rēgum ___ (fortis)Ver resposta
fortiōrum: genitivo plural masculino, com -um; o positivo faria fortium.
carmina ___ (pulcher), como objetoVer resposta
pulchriōra: acusativo plural neutro, com -a.
iter ___ (brevis), como sujeitoVer resposta
brevius: nominativo singular neutro. Iter, itineris (caminho) é neutro, por isso não *brevior.
puellae ___ (bonus), dativo singularVer resposta
meliōrī: dativo singular feminino de melior.
mīlitēs ___ (multī), como sujeitoVer resposta
plūrēs: nominativo plural masculino, "mais soldados, vários soldados".
Exercício 4 · Quam ou ablativo?
Reescreva com o ablativo de comparação quando for possível; quando não for, explique por quê.
Aurum cārius est quam argentum. (cārus, caro)Ver resposta
Aurum argentō cārius est. O primeiro termo (aurum) é nominativo, então o ablativo é possível: "o ouro é mais caro do que a prata".
Puer frātrem altiōrem quam patrem habet.Ver resposta
Os termos comparados são frātrem e patrem, os dois no acusativo; o ablativo é possível: Puer frātrem patre altiōrem habet, "o menino tem um irmão mais alto do que o pai".
Fīliae plūs pecūniae dō quam fīliō. (dō, dou)Ver resposta
Não é possível: fīliae e fīliō são dativos, e o ablativo de comparação só substitui quam depois de nominativo ou acusativo. "Dou mais dinheiro à filha do que ao filho."
Mārcus celerius currit quam Paulus.Ver resposta
Com advérbio no comparativo (celerius), a prosa usa quam; o ablativo é raro e poético. Fica como está: "Marcos corre mais depressa do que Paulo".
Nihil est melius quam sapientia. (nihil, nada)Ver resposta
Nihil est sapientiā melius. O primeiro termo (nihil) é nominativo; numa frase negativa como esta, o ablativo é até a construção mais comum (Allen e Greenough § 407.b): "nada é melhor do que a sabedoria".
Exercício 5 · Os advérbios
Forme o advérbio no positivo, no comparativo e no superlativo; depois traduza a frase.
lātus, largo · Flūmen lātē patet. (patet, estende-se)Ver resposta
lātē, lātius, lātissimē. "O rio estende-se largamente." Primeira classe: -ē.
sapienter, sapientius, sapientissimē. "O rei reina sabiamente." Adjetivo em -ns: só -er.
bonus · Discipulī melius legunt quam scrībunt.Ver resposta
bene, melius, optimē. "Os alunos leem melhor do que escrevem." Melius é aqui advérbio: modifica legunt.
multus · Puer plūrimum dormit.Ver resposta
multum, plūs, plūrimum. "O menino dorme muitíssimo."
Exercício 6 · Traduza e retroverta
Traduza as três primeiras para o português e as três últimas para o latim. Vocabulário: īnsula, -ae, ilha; mōns, montis (m.), monte; urbs, urbis (f.), cidade; omnium, de todos.
Haec īnsula multō maior est quam illa. (haec · illa, esta · aquela)Ver resposta
"Esta ilha é muito maior do que aquela." Multō: grau de diferença; illa, nominativo como īnsula.
Rōma urbs pulcherrima est.Ver resposta
"Roma é uma cidade belíssima." Superlativo absoluto: não há termo de comparação.
Mārcus omnium discipulōrum dīligentissimus est. (dīligēns, diligente)Ver resposta
"Marcos é o mais diligente de todos os alunos." Superlativo relativo, com o genitivo omnium discipulōrum.
A menina é mais prudente do que o irmão.Ver resposta
Puella prūdentior est quam frāter ou Puella frātre prūdentior est. Os dois termos no nominativo, então as duas construções servem.
Este monte é altíssimo.Ver resposta
Hīc mōns altissimus est. Superlativo absoluto, masculino, concordando com mōns.
Os soldados combatem o mais corajosamente possível.Ver resposta
Mīlitēs quam fortissimē pugnant.Quam + superlativo do advérbio = "o mais … possível".
Leituras recomendadas
Latin for Beginners, de D'Ooge, tem lições e exercícios graduados sobre a comparação de adjetivos e advérbios. Em Familia Romana, de Ørberg, observe como o texto apresenta os comparativos e superlativos em contexto, sem tradução. Nas seleções da Guerra da Gália, leia o capítulo 1 do livro I até o fim: ele traz fortissimī, longissimē, minimē e proximī. Na Vulgata, procure em Mateus 10,29–31 e 22,34–40 os comparativos e superlativos. Ravizza (nn. 55–60) e Allen e Greenough (§§ 120–131, 291–292, 406–407) servem para consulta.
Etapa I · Prima VerbaDificuldade 1 · ElementarDidático ÁudioCom notas
Latin for Beginners
Benjamin L. D'Ooge
Curso completo de primeiro ano (1911), em inglês: 79 lições curtas com explicação, frases para traduzir, pequenas narrativas e vocabulário, com macrons. Gratuito e de domínio público, é a melhor alternativa aberta ao método Ørberg para quem lê inglês. As três primeiras lições têm gravação no LibriVox (coleção de aprendizado de línguas, vol. 4).
Método · Moderno (material didático) · alguns meses · Project Gutenberg
Etapa I · Prima VerbaDificuldade 1 · ElementarDidáticoComercial
Lingua Latina per se Illustrata, Pars I: Familia Romana
Hans H. Ørberg
O método de latim mais recomendado hoje: 35 capítulos inteiramente em latim, com ilustrações e notas marginais que explicam cada palavra nova pelo contexto, sem tradução. Narra a vida de uma família romana. Livro comercial da Hackett Publishing; aqui, apenas a referência oficial.
Método · Moderno (material didático) · alguns meses · Hackett Publishing
Etapa IV · Ad FontesDificuldade 3 · IntermediárioOriginal ÁudioCom notas
Commentarii de Bello Gallico (seleções)
Gaius Iulius Caesar
Seleções dos livros I, IV, V e VI da Guerra da Gália (a campanha contra os helvécios, a travessia para a Britânia, o cerco ao acampamento de Cícero, os druidas), com macrons, vocabulário corrente e notas em inglês. A porta de entrada clássica para a prosa autêntica.
Historiografia · Clássico · algumas semanas · Dickinson College Commentaries
Etapa VI · Latinitas ChristianaDificuldade 2 · BásicoOriginal Áudio
Biblia Sacra Vulgata (editio Clementina)
Hieronymus Stridonensis (Vulgata)
A Vulgata Clementina completa, do Gênesis ao Apocalipse, livro a livro. Comece por Marcos, Gênesis ou os Salmos: frases curtas, vocabulário repetitivo e um texto que você já conhece em português. A leitura cristã fundamental e, para muitos, a primeira obra longa lida em latim. No LibriVox há, por ora, só o Salmo 22 gravado.
Escritura (Vulgata) · Tardio e patrístico · anos, um capítulo por dia · Vicifons (Latin Wikisource)
Gramática latina completa em português, usada por gerações nas escolas brasileiras, com um compêndio de história da literatura latina. Nona edição (1940), em domínio público (autor falecido em 1941). Fac-símile em PDF no Internet Archive.
Gramática · Moderno (material didático) · consulta · Internet Archive
Allen and Greenough's New Latin Grammar (edição DCC)
J. H. Allen e J. B. Greenough
A gramática de referência clássica em inglês (1903), em hipertexto com os parágrafos numerados tradicionais: pronúncia, morfologia, sintaxe, prosódia. Os comentários do DCC remetem a ela em cada nota. Para consultar, não para decorar.
Bibliotheca Latina. Conteúdo original com trechos de obras em domínio público; licença CC BY 4.0.
Fontes consultadas
New Latin Grammar, Charles E. Bennett (no catálogo) · domínio público · § 69 e 69.1 (declinação de fortior; todos os comparativos se declinam assim), § 70 (declinação de plūs), §§ 71–75 (formação do comparativo e do superlativo; -rimus; cinco adjetivos em -ilis; comparação irregular, defectiva e com magis/maximē), §§ 76–77 (formação e comparação dos advérbios), § 217 (ablativo de comparação e seus limites), § 223 (ablativo de grau de diferença), § 240 (comparativo "um tanto, demasiado"; superlativo "muito"; vel e quam com o superlativo; dois comparativos)
Allen and Greenough's New Latin Grammar, J. H. Allen e J. B. Greenough (no catálogo) · domínio público · § 120 (declinação dos comparativos; plūs), §§ 123–128 (formação; seis adjetivos em -lis; magis e maximē), §§ 129–131 (comparação irregular e defectiva), § 214 (formação dos advérbios), § 218 (comparação dos advérbios), § 11.d e nota (sílaba pesada antes de i consonantal: maior, peius), §§ 291–292 (sentidos do comparativo e do superlativo; quam, vel, ūnus; 292.a nota, mistura de comparativo e positivo, rara), §§ 406–407 (ablativo de comparação e quam), § 414 (grau de diferença)
Kennedy's Revised Latin Primer, Benjamin Hall Kennedy (no catálogo) · domínio público · §§ 76–82 (os três graus; declinação de tristior, com a observação de que o ablativo em -ī é raro e tardio; superlativo de temas em -ro-, -ri- e dos seis em -ili-; comparação irregular; plūs), §§ 85–86 (comparação dos advérbios)
Gramática Latina, Pe. João Ravizza (no catálogo) · domínio público · nn. 55–58 (graus; formação; comparativo com ablativo em -e, plural neutro em -a e genitivo plural em -um; seis adjetivos em -ilis; irregulares; advérbios), nn. 59–60 (sintaxe: comparativo com quam ou ablativo; multō; superlativo absoluto e relativo)
Horácio, Epístolas I, 1, 52 · domínio público · verso da seção 6, conferido na The Latin Library; grafia u/v normalizada para v e macrons acrescentados
César, De bello Gallico I, 1, 3 (no catálogo) · domínio público · frase da seção 6, conferida na The Latin Library; macrons acrescentados