Os verbos de forma passiva e sentido ativo: como reconhecê-los pela entrada de dicionário (hortor, hortārī, hortātus sum), como conjugá-los nas quatro conjugações com o que você já sabe da passiva, como traduzi-los, quais formas eles têm com aparência ativa, os cinco depoentes que pedem ablativo (ūtor, fruor, fungor, potior, vescor) e os semidepoentes audeō, gaudeō, soleō e fīdō.
Neste capítulo você vai
Reconhecer um verbo depoente pela entrada de dicionário (hortor, hortārī, hortātus sum), sem confundi-lo com a passiva de um verbo comum.
Conjugar depoentes das quatro conjugações e do tipo patior nos seis tempos do indicativo, reaproveitando as terminações passivas dos capítulos 23 e 24.
Traduzir depoentes sempre na voz ativa, inclusive os transitivos com objeto no acusativo (Dux mīlitēs hortātur).
Usar o ablativo com ūtor, fruor, fungor, potior e vescor, entendendo por que esse caso aparece.
Conjugar os semidepoentes audeō, gaudeō, soleō, fīdō e reconhecer o particípio perfeito ativo dos depoentes (hortātus, "tendo exortado").
verbos depoentesforma passiva, sentido ativoentrada de dicionário com três partesdepoentes das quatro conjugaçõesdepoentes em -ior (patior)oriortradução ativadepoentes transitivos com acusativoimperativo dos depoentes (menção)formas de aparência ativa (menção)particípio perfeito com sentido ativoūtor, fruor, fungor, potior, vescor + ablativosemidepoentes: audeō, gaudeō, soleō, fīdōfīō (menção)análise de frases autênticas
Antes deste capítulo: Capítulos 23 e 24: as terminações da voz passiva no infectum (-or, -ris, -tur, -mur, -minī, -ntur; -bar, -bor, -ar; infinitivo em -rī e -ī) e a passiva do perfectum (particípio perfeito + sum, com concordância). Também o capítulo 13 (partes principais) e o capítulo 21 (ablativo de meio). · capítulo 13 · capítulo 21 · capítulo 23 · capítulo 24
Nos capítulos 23 e 24 você aprendeu que hortātur, se viesse de um verbo comum, seria uma passiva: o sujeito sofre a ação ("é exortado"). Agora vem a surpresa. O latim tem algumas centenas de verbos que só existem com essas terminações passivas e que, apesar disso, têm sentido ativo: hortātur quer dizer "ele exorta", sequitur quer dizer "ele segue", loquimur quer dizer "nós falamos". Esses verbos se chamam depoentes. A definição das gramáticas é sempre a mesma: forma passiva, significado ativo (Bennett § 112; Allen e Greenough § 190; Ravizza n. 110).
O nome vem do particípio dēpōnēns, de dēpōnere, "pôr de lado, depor". O termo é dos gramáticos latinos tardios (Carísio, Diomedes, Prisciano; Lewis & Short, s.v. dēpōnō), e a explicação tradicional, registrada por Lewis & Short, é que esses verbos teriam "deposto" o sentido passivo e ficado só com o ativo. A explicação histórica é um pouco diferente, e ajuda a entendê-los: muitos depoentes exprimem uma ação que o sujeito pratica em si mesmo ou no seu próprio interesse, aquilo que a gramática grega chama de voz média (Allen e Greenough § 190.e). Laetor é "alegro-me"; vescor, "alimento-me"; ūtor, "sirvo-me de". O português faz algo parecido com os verbos pronominais: dizemos "eu me queixo", "ele se alegra", e ninguém entende "se alegra" como passiva. Em latim, essa nuance ficou na terminação: queror, "queixo-me"; laetātur, "alegra-se".
Como reconhecer um depoente: a entrada de dicionário
Você não precisa adivinhar se um verbo é depoente: o dicionário diz. Um verbo comum tem quatro partes principais (capítulo 13): amō, amāre, amāvī, amātum. Um depoente tem três, todas de forma passiva: a primeira pessoa do presente em -or, o infinitivo presente passivo e o perfeito composto com sum.
A entrada de dicionário de um depoente
Verbo comum (quatro partes)
Depoente (três partes)
O que cada parte é
amō
hortor
1ª pessoa do singular do presente: -ō no verbo comum, -or no depoente
amāre
hortārī
infinitivo presente: ativo em -re, passivo em -rī (ou -ī na 3ª conjugação)
amāvī
hortātus sum
perfeito: ativo em -ī; no depoente, particípio + sum, como na passiva do capítulo 24
amātum
—
o supino ou particípio, que no depoente já aparece dentro da terceira parte
A regra prática é, portanto, uma só: se a entrada do dicionário começa em -or e termina em sum, o verbo é depoente, e todas as suas formas pessoais, embora pareçam passivas, se traduzem pela ativa. Não existe *hortō, nem *sequō, nem *loquit: essas formas ativas simplesmente não existem, e quem procura *hortō no dicionário não encontra nada.
Mesma terminação, sentido oposto
Forma
Verbo
É depoente?
Tradução
laudātur
laudō, laudāre, laudāvī, laudātum
não (verbo comum)
ele é elogiado (passiva)
hortātur
hortor, hortārī, hortātus sum
sim
ele exorta (ativa)
regitur
regō, regere, rēxī, rēctum
não
ele é governado
sequitur
sequor, sequī, secūtus sum
sim
ele segue
laudātus est
laudō
não
ele foi elogiado
hortātus est
hortor
sim
ele exortou
Decore com a entrada completa. Recite sempre as três partes juntas, como você faz com rēx, rēgis: hortor, hortārī, hortātus sum; sequor, sequī, secūtus sum. A terceira parte é indispensável, porque o particípio de muitos depoentes é imprevisível (patior → passus, ūtor → ūsus, nāscor → nātus). O português guarda vários desses particípios: paixão e passivo (de passus), uso (de ūsus), nato e nação (de nātus), locução (de locūtus), consecutivo (de secūtus).
A boa notícia é que um depoente não traz nenhuma terminação nova. Ele se conjuga exatamente como a passiva de um verbo comum da mesma conjugação: as terminações -or, -ris, -tur, -mur, -minī, -ntur do capítulo 23 no presente, no imperfeito e no futuro, e o particípio perfeito com sum do capítulo 24 no perfeito, no mais-que-perfeito e no futuro perfeito. Os modelos tradicionais são um verbo de cada conjugação, mais um da terceira em -ior (Bennett § 113 usa mīror, vereor, sequor, largior e patior; aqui o modelo da 1ª é hortor e o da 4ª é partior):
Presente do indicativo e infinitivo presente dos depoentes
Pessoa
hortor (1ª) · exortar
vereor (2ª) · temer
sequor (3ª) · seguir
partior (4ª) · repartir
patior (3ª em -ior) · sofrer
1ª sing.
hortor
vereor
sequor
partior
patior
2ª sing.
hortāris
verēris
sequeris
partīris
pateris
3ª sing.
hortātur
verētur
sequitur
partītur
patitur
1ª pl.
hortāmur
verēmur
sequimur
partīmur
patimur
2ª pl.
hortāminī
verēminī
sequiminī
partīminī
patiminī
3ª pl.
hortantur
verentur
sequuntur
partiuntur
patiuntur
Infinitivo
hortārī
verērī
sequī
partīrī
patī
Compare com o capítulo 23: hortātur se forma como amātur, verētur como monētur, sequitur como regitur, partītur como audītur, e patitur, patiuntur como capitur, capiuntur. O infinitivo também é o passivo: -rī na 1ª, 2ª e 4ª conjugações, só -ī na 3ª (sequī, patī, loquī, ūtī). Esse infinitivo curto da 3ª é a forma que mais engana: sequī não é um genitivo da 2ª declinação nem um perfeito em -ī; é "seguir".
Os outros tempos
Imperfeito e futuro seguem o mesmo princípio, e o perfectum é o do capítulo 24: particípio perfeito + sum, eram, erō, com o particípio concordando com o sujeito em gênero e número (Rēgīna hortāta est, "a rainha exortou"; Mīlitēs secūtī sunt, "os soldados seguiram").
Os seis tempos do indicativo (1ª pessoa, e o começo do imperfeito e do futuro)
Tempo
hortor (1ª)
vereor (2ª)
sequor (3ª)
partior (4ª)
patior (3ª em -ior)
Imperfeito
hortābar, hortābāris, hortābātur…
verēbar, verēbāris…
sequēbar, sequēbāris…
partiēbar, partiēbāris…
patiēbar, patiēbāris…
Futuro
hortābor, hortāberis, hortābitur…
verēbor, verēberis…
sequar, sequēris, sequētur…
partiar, partiēris…
patiar, patiēris…
Perfeito
hortātus sum
veritus sum
secūtus sum
partītus sum
passus sum
Mais-que-perfeito
hortātus eram
veritus eram
secūtus eram
partītus eram
passus eram
Futuro perfeito
hortātus erō
veritus erō
secūtus erō
partītus erō
passus erō
Um detalhe de pronúncia separa dois tempos na 3ª conjugação: sequeris, com e breve, é presente ("tu segues"); sequēris, com ē longo, é futuro ("tu seguirás"), como regeris e regēris na passiva comum. Nos textos sem macrons, só o contexto decide.
Vocabulário: depoentes frequentes
Mais da metade dos depoentes é da 1ª conjugação, e todos esses são regulares (Allen e Greenough § 191). Os da 3ª são menos numerosos, mas muito frequentes, e têm particípios que precisam ser aprendidos um a um.
Traduzir um depoente pela ativa é fácil; o difícil é lembrar de fazê-lo quando o olho, treinado nos capítulos 23 e 24, vê -tur e pensa "passiva". O procedimento que evita o erro tem dois passos: diante de uma forma passiva, procure o verbo no dicionário antes de traduzir; se a entrada for em -or, traduza pela ativa e trate a frase como uma frase ativa qualquer. Isso tem uma consequência importante: muitos depoentes são transitivos e levam objeto direto no acusativo, coisa que uma passiva verdadeira nunca faz (Kennedy § 110 dá justamente hortor vōs, "exorto-vos").
Dux mīlitēs verbīs hortātur = O general exorta os soldados com palavras. Se hortātur fosse passiva, mīlitēs não poderia ser objeto; como é depoente, a frase é ativa e o acusativo é o objeto.
Repare que a frase acima não tem, nem pode ter, um agente da passiva com ā / ab: não há "por alguém" num verbo de sentido ativo. Um ablativo como verbīs é ablativo de meio (capítulo 21), "com palavras". Se você vir um depoente acompanhado de ā + ablativo, esse ablativo terá o valor normal da preposição (afastamento, origem): Ā patre proficīscitur, "parte de junto do pai".
Puerī magistrum sequuntur.
Os meninos seguem o professor. (magistrum, acusativo, é objeto: sequor é transitivo)
Rōmānī Graecōs imitābantur.
Os romanos imitavam os gregos. (imperfeito de imitor)
Fīlia mātrī multa pollicita est.
A filha prometeu muitas coisas à mãe. (perfeito; pollicita, feminino, concorda com fīlia)
Cūr quereris? Nēmō tē verētur?
Por que te queixas? Ninguém te respeita? (quereris: presente da 3ª, e breve)
Crās proficīscēmur.
Amanhã partiremos. (futuro da 3ª: -ēmur)
Multī in bellō mortuī sunt.
Muitos morreram na guerra. (mortuus sum, de morior: "morri", não "fui morto")
O particípio perfeito com sentido ativo
O particípio perfeito de um verbo comum é passivo: laudātus é "elogiado", alguém que recebeu o elogio. O dos depoentes, como a forma pessoal de que faz parte, costuma ter sentido ativo: hortātus é "tendo exortado", secūtus é "tendo seguido", locūtus é "tendo falado" (Ravizza n. 110: "imitatus, tendo imitado"). É uma vantagem que os verbos comuns não têm: o latim não possui um particípio ativo do passado para laudō (não se pode dizer "tendo elogiado" numa palavra), mas possui para todos os depoentes (Kennedy § 392, nota 1). Kennedy (§ 391) traz, com a indicação "CAES.", uma frase que mostra o uso (não a localizamos literalmente nos comentários de César; pode ser exemplo adaptado):
Caesar mīlitēs hortātus castra mōvit.
César, tendo exortado os soldados, levantou o acampamento. (frase citada por Kennedy § 391; hortātus concorda com Caesar e tem objeto, mīlitēs)
Como o particípio é assunto do capítulo 29, aqui basta reconhecê-lo e traduzi-lo. Duas ressalvas. Alguns particípios de depoentes também se usam em sentido passivo, como adeptus, "obtido" ou "tendo obtido", e expertus, "experimentado" (Allen e Greenough § 190.b; Ravizza n. 110, observação; Kennedy § 126 dá outros, como confessus e pollicitus). E uns poucos verbos comuns têm, ao contrário, um particípio perfeito de sentido ativo: cēnātus, "tendo jantado", prānsus, "tendo almoçado", pōtus, "tendo bebido" (Bennett § 114.2).
Formas de aparência ativa
Os depoentes não são passivos em tudo. Algumas formas nominais do verbo que a passiva não possui, eles as tomam emprestadas da ativa, com forma ativa e sentido ativo (Bennett § 112.a; Allen e Greenough § 190.a, c): o particípio presente (hortāns, "exortando") e o particípio futuro (hortātūrus, "que vai exortar"), que você estudará no capítulo 29; o infinitivo futuro (hortātūrus esse, "haver de exortar"), no capítulo 27; o gerúndio (hortandī, "de exortar") e o supino (hortātum), no capítulo 31. O gerundivo (hortandus, "que deve ser exortado") é a única forma do depoente com sentido sempre passivo (Bennett § 112.b), também no capítulo 31. Por enquanto, basta saber que essas formas existem e que, ao encontrá-las, você não deve pensar que o verbo "deixou de ser depoente".
Cinco depoentes muito frequentes, e seus compostos, constroem o complemento no ablativo, e não no acusativo (Bennett § 218.1; Allen e Greenough § 410; Kennedy § 242; Ravizza n. 208): ūtor, "usar"; fruor, "desfrutar"; fungor, "desempenhar, cumprir"; potior, "apoderar-se de"; vescor, "alimentar-se de". Em português todos parecem transitivos ("uso a espada", "desfruto a paz"), e por isso o erro de pôr o complemento no acusativo é inevitável no começo.
Ūtor, fruor, fungor, potior, vescor + ablativo
Entrada de dicionário
Significado
Exemplo
Tradução
ūtor, ūtī, ūsus sum
usar, servir-se de
Gladiō ūtitur.
Usa a espada.
fruor, fruī, frūctus sum
desfrutar, gozar de
Pāce fruimur.
Desfrutamos a paz.
fungor, fungī, fūnctus sum
desempenhar, cumprir
Officiō suō fūnctus est.
Cumpriu o seu dever.
potior, potīrī, potītus sum
apoderar-se de
Rōmānī oppidō potītī sunt.
Os romanos apoderaram-se da cidade.
vescor, vescī (sem perfeito)
alimentar-se de, comer
Lacte et carne vescuntur.
Alimentam-se de leite e de carne.
Por que o ablativo? Porque esses verbos guardam o sentido médio da seção 1, e o complemento deles é, na origem, um ablativo de meio, o mesmo do capítulo 21. As gramáticas dão a tradução literal: ūtor gladiō é "sirvo-me por meio da espada"; vescor carne, "alimento-me por meio de carne"; fruor pāce, "deleito-me com a paz"; potior oppidō, "torno-me poderoso por meio da cidade" (Bennett § 218.1; Allen e Greenough § 410, nota). Pensando assim, o ablativo deixa de ser uma exceção a decorar e passa a ser o caso esperado. O português, aliás, ainda diz "servir-se de", "alimentar-se de", "apoderar-se de", "gozar de": a preposição "de" é a pista.
Tito Lívio põe na boca de Maarbal, comandante da cavalaria cartaginesa, uma frase célebre dita a Aníbal depois da vitória de Canas, quando o general hesitou em marchar imediatamente sobre Roma:
Vincere scīs, Hannibal; victōriā ūtī nescīs.
Vencer, sabes, Aníbal; usar a vitória, não sabes. (Lívio 22.51.4)
Scīs e nescīs são "sabes" e "não sabes" (sciō, scīre; nesciō, nescīre, 4ª conjugação), e cada um tem como complemento um infinitivo: vincere, ativo da 3ª conjugação, e ūtī, o infinitivo do depoente ūtor. O complemento de ūtī está no ablativo, victōriā: "servir-se da vitória". A frase toda é construída sobre o contraste das duas metades, e o leitor só a entende se reconhecer ūtī (curto como todo infinitivo de depoente da 3ª) e se esperar o ablativo.
Como lembrar os cinco. Muitos estudantes decoram a sequência na ordem das gramáticas, ūtor, fruor, fungor, potior, vescor, como se fosse um verso. Ao encontrar qualquer um deles numa frase, procure logo um ablativo por perto: ele é o complemento do verbo, não um adjunto solto.
Entre os verbos comuns e os depoentes há um pequeno grupo misto: os semidepoentes, que são ativos nos tempos do infectum e depoentes nos tempos do perfectum (Bennett § 114.1; Allen e Greenough § 192; Kennedy § 127; Ravizza n. 115). O sentido é ativo do começo ao fim; o que muda é só a forma: o presente é audeō, "ouso", e o perfeito é ausus sum, "ousei". A explicação histórica é que esses verbos não tinham um perfeito ativo próprio, e a língua o supriu com o particípio e sum, como num depoente (Allen e Greenough § 192). São quatro:
Os quatro semidepoentes
Entrada de dicionário
Significado
Infectum (forma ativa)
Perfectum (forma depoente)
audeō, audēre, ausus sum
ousar, atrever-se
audeō, audēbam, audēbō
ausus sum, ausus eram, ausus erō
gaudeō, gaudēre, gāvīsus sum
alegrar-se
gaudeō, gaudēbam, gaudēbō
gāvīsus sum, gāvīsus eram, gāvīsus erō
soleō, solēre, solitus sum
costumar, ter o hábito de
soleō, solēbam, solēbō
solitus sum, solitus eram, solitus erō
fīdō, fīdere, fīsus sum
confiar (em)
fīdō, fīdēbam, fīdam
fīsus sum, fīsus eram, fīsus erō
Três desses verbos são da 2ª conjugação e se conjugam no infectum exatamente como moneō; fīdō é da 3ª, como regō, e tem os compostos cōnfīdō, "confiar", e diffīdō, "desconfiar". Audeō e soleō costumam vir com um infinitivo: Nōn audeō loquī, "não ouso falar"; Māne surgere solet, "costuma levantar-se cedo". Fīdō e cōnfīdō levam dativo da pessoa em quem se confia (Bennett § 219.1.a): Amīcīs cōnfīdō, "confio nos amigos". No perfectum, como em qualquer depoente, o particípio concorda com o sujeito: Puella gāvīsa est, "a menina alegrou-se"; Mīlitēs nōn ausī sunt, "os soldados não ousaram".
Nautae in marī nāvigāre audent.
Os marinheiros ousam navegar no mar. (presente, forma ativa)
Nēmō rēgī resistere ausus est.
Ninguém ousou resistir ao rei. (perfeito, forma depoente; nēmō, ninguém; resistō + dativo)
Avus in hortō ambulāre solēbat.
O avô costumava passear no jardim. (imperfeito, forma ativa)
Māter fīliī victōriā gāvīsa est.
A mãe alegrou-se com a vitória do filho. (perfeito; victōriā, ablativo de causa)
Bennett (§ 114.3) registra ainda um caso inverso: revertor, "voltar", é depoente no infectum (revertitur, "volta") mas, na prosa clássica, faz o perfeito ativo revertī, "voltei". É raro o bastante para ficar como curiosidade; o dicionário o indica.
O Sermão da Montanha, no Evangelho de Mateus, termina as bem-aventuranças com uma frase em que um depoente tem objeto no acusativo e um semidepoente aparece no imperativo:
Gaudēte, et exsultāte, quoniam mercēs vestra cōpiōsa est in caelīs. Sīc enim persecūtī sunt prophētās, quī fuērunt ante vōs.
Alegrai-vos e exultai, porque a vossa recompensa é grande nos céus. Pois assim perseguiram os profetas que existiram antes de vós. (Mt 5,12, Vulgata Clementina)
A primeira palavra, gaudēte, é o imperativo plural de gaudeō, com forma ativa, porque o infectum do semidepoente é ativo. A segunda frase é a que interessa analisar palavra a palavra:
Mt 5,12b, palavra a palavra
Palavra
Dicionário
Análise
Função
Sīc
sīc (advérbio), assim
invariável
modo: "assim", do mesmo modo
enim
enim (conjunção), pois
invariável, posposta à primeira palavra
explica a frase anterior
persecūtī sunt
persequor, persequī, persecūtus sum, perseguir (depoente, composto de sequor)
perfeito do indicativo, 3ª pl.; particípio no nominativo pl. masculino
acusativo plural, 1ª declinação (masculino, como nauta)
objeto direto de persecūtī sunt
quī
quī, quae, quod, que (relativo)
nominativo plural masculino
sujeito da oração relativa; antecedente prophētās
fuērunt
sum, esse, fuī, ser, estar, existir
perfeito do indicativo, 3ª pl.
verbo da relativa: "existiram, viveram"
ante
ante (preposição + acusativo), antes de
invariável
tempo: "antes de"
vōs
vōs, vestrum (pronome pessoal), vós
acusativo plural (regido por ante)
"antes de vós"
O ponto central é persecūtī sunt prophētās. Quem lê persecūtī sunt como passiva traduz "foram perseguidos" e fica sem saber o que fazer com o acusativo prophētās; quem reconhece o depoente lê "perseguiram os profetas", e o acusativo é simplesmente o objeto. O particípio persecūtī está no masculino plural porque concorda com o sujeito implícito ("eles", os perseguidores), exatamente como na passiva do capítulo 24. O composto per-sequor segue o simples sequor em tudo; o português herdou o verbo com o mesmo prefixo: perseguir.
Duas frases ainda mais curtas mostram outros depoentes num contexto autêntico. No Evangelho de João, Jesus diz:
Ego sum lūx mundī: quī sequitur mē, nōn ambulat in tenebrīs.
Eu sou a luz do mundo: quem me segue não anda nas trevas. (Jo 8,12; sequitur, presente de sequor, com objeto mē)
Laetātus sum in hīs quae dicta sunt mihi.
Alegrei-me com as coisas que me foram ditas. (Sl 121,1 (122,1), na numeração da Vulgata; laetātus sum, perfeito de laetor, ao lado de dicta sunt, passiva verdadeira de dīcō)
A frase do Salmo é um bom teste: tem duas formas com particípio e sum, lado a lado. Dicta sunt vem de dīcō, dīcere, dīxī, dictum, verbo comum: é passiva, "foram ditas". Laetātus sum vem de laetor, laetārī, laetātus sum, depoente: é ativa, "alegrei-me". A forma é a mesma; o dicionário é que decide.
Resumo
Depoente = forma passiva, sentido ativo. A entrada tem três partes: hortor, hortārī, hortātus sum. Não existem formas pessoais ativas (*hortō).
Conjugação: as terminações passivas dos capítulos 23 e 24, sem nada de novo. Infinitivo presente em -rī (1ª, 2ª, 4ª) ou -ī (3ª: sequī, patī, ūtī).
Tradução sempre ativa; muitos depoentes são transitivos e levam acusativo (Dux mīlitēs hortātur); não há agente da passiva.
Particípio perfeito em geral ativo: hortātus, "tendo exortado". Têm forma ativa: particípios presente e futuro, infinitivo futuro, gerúndio e supino (capítulos 27, 29 e 31).
Erro: Traduzir o depoente pela passiva: hortātur = *"é exortado"; locūtus est = *"foi falado".
Por quê, e como evitar: A forma é passiva, mas o sentido é ativo: "exorta", "falou". Diante de qualquer forma passiva, confira a entrada no dicionário; se ela começar em -or e terminar em sum, traduza pela ativa.
Erro: Inventar formas ativas: *sequō, *loquit, *hortāre como infinitivo.
Por quê, e como evitar: Os depoentes não têm formas pessoais ativas. O infinitivo presente é passivo na forma: hortārī, sequī, loquī. (Hortāre existe, mas é imperativo singular ou 2ª pessoa alternativa do presente, não infinitivo.)
Erro: Pôr o complemento de ūtor, fruor, fungor, potior, vescor no acusativo: *ūtitur gladium.
Por quê, e como evitar: Esses cinco verbos pedem ablativo, um antigo ablativo de meio: gladiō ūtitur, "serve-se da espada". O "de" do português ("servir-se de", "gozar de") ajuda a lembrar.
Erro: Ler sequēris (futuro) como presente, ou sequeris (presente) como futuro.
Por quê, e como evitar: Na 3ª conjugação, o presente tem e breve (sequeris, "segues") e o futuro tem ē longo (sequēris, "seguirás"), como na passiva comum (regeris × regēris). Sem macrons, decida pelo contexto e pelas outras pessoas (sequitur × sequētur).
Erro: Esquecer a concordância do particípio no perfeito: *Rēgīna hortātus est; *Mīlitēs secūtus est.
Por quê, e como evitar: O perfectum dos depoentes funciona como o da passiva do capítulo 24: o particípio concorda com o sujeito em gênero e número. Rēgīna hortāta est; Mīlitēs secūtī sunt.
Erro: Conjugar semidepoentes como verbos comuns no perfeito: *audēvit, *gauduit; ou traduzir gāvīsus sum como passiva.
Por quê, e como evitar: Os semidepoentes não têm perfeito ativo. O perfeito é ausus sum, "ousei"; gāvīsus sum, "alegrei-me"; solitus sum, "costumei"; fīsus sum, "confiei", sempre com sentido ativo.
Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.
Prática guiada 1 · Depoente ou passiva?
Leia e analise, na ordem latina: Mīlitēs ā duce laudātī sunt; deinde hostēs secūtī sunt. Vocabulário: mīles, mīlitis (m.), soldado; dux, ducis (m.), general; hostis, hostis (m.), inimigo; deinde, depois; laudō, laudāre, laudāvī, laudātum, elogiar; sequor, sequī, secūtus sum, seguir.
As duas orações terminam com particípio + sunt. Basta isso para traduzir?Ver o passo
Não. A forma é a mesma (perfeito com particípio no masculino plural), mas é preciso saber de que verbo cada particípio vem. Laudātī vem de laudō, verbo comum; secūtī vem de sequor, depoente.
Como se traduz Mīlitēs ā duce laudātī sunt?Ver o passo
Laudō é verbo comum, então laudātī sunt é passiva verdadeira, "foram elogiados". Mīlitēs é o sujeito paciente e ā duce é o agente da passiva (capítulo 23): "Os soldados foram elogiados pelo general."
E hostēs, na segunda oração?Ver o passo
Nominativo ou acusativo plural da 3ª declinação. Secūtī sunt é depoente, logo ativo e transitivo ("seguiram"); o sujeito continua sendo os soldados (o particípio masculino plural concorda com eles), e hostēs é o objeto: "seguiram os inimigos".
Por que não traduzir "os inimigos foram seguidos"?Ver o passo
Porque isso exigiria uma passiva de sequor, que não existe: secūtī sunt só pode ser ativo. Se hostēs fosse o sujeito, a frase estaria dizendo "os inimigos seguiram", e o contexto (os soldados elogiados avançam) torna mais natural manter o mesmo sujeito.
Monte a tradução.Ver o passo
"Os soldados foram elogiados pelo general; depois, seguiram os inimigos."
Conclusão: particípio + sum pode ser passiva (verbo comum) ou ativa (depoente). O dicionário decide, e o resto da frase (agente com ā / ab, ou objeto no acusativo) confirma a leitura.
Prática guiada 2 · Um depoente com ablativo
Traduza para o latim: "Os agricultores usam os bois e desfrutam a paz." Vocabulário: agricola, -ae (m.), agricultor; bōs, bovis (m.), boi (dat./abl. pl. bōbus ou būbus); pāx, pācis (f.), paz; ūtor; fruor.
Que forma de ūtor e de fruor você precisa?Ver o passo
Presente, 3ª do plural: ūtuntur e fruuntur (3ª conjugação, como sequuntur).
Em que caso vão "os bois" e "a paz"?Ver o passo
No ablativo, porque são complementos de ūtor e de fruor: bōbus (ablativo plural irregular de bōs) e pāce (ablativo singular).
Monte a frase.Ver o passo
Agricolae bōbus ūtuntur et pāce fruuntur. O sujeito no nominativo plural, os dois complementos no ablativo, cada verbo no fim do seu membro.
Traduza e diga se a forma do verbo é ativa ou depoente.
Puer in silvam intrāre nōn audet.Ver resposta
"O menino não ousa entrar na floresta." Presente: forma ativa (infectum).
Puer in silvam intrāre nōn ausus est.Ver resposta
"O menino não ousou entrar na floresta." Perfeito: forma depoente (ausus est), sentido ativo.
Cīvēs victōriā gāvīsī sunt.Ver resposta
"Os cidadãos alegraram-se com a vitória." Perfeito de gaudeō, forma depoente; gāvīsī no plural concorda com cīvēs; victōriā, ablativo de causa, como no exemplo da seção 5.
Agricola prīmā lūce surgere solet.Ver resposta
"O agricultor costuma levantar-se ao raiar do dia." Solet: presente, forma ativa, com infinitivo.
Mīlitēs ducī suō fīsī sunt.Ver resposta
"Os soldados confiaram no seu general." Perfeito de fīdō, forma depoente; dativo da pessoa, ducī.
Exercício 5 · Traduza lendo em ordem
Identifique cada depoente antes de traduzir. Vocabulário: Rōmānus, -a, -um, romano; Graecus, -a, -um, grego; verbum, -ī, palavra; urbs, urbis (f.), cidade; lingua, -ae, língua.
"Os romanos imitaram os gregos durante muitos anos." Imitātī sunt: perfeito de imitor, ativo, com objeto Graecōs; multōs annōs, acusativo de duração (capítulo 19).
Puella Latīnē loquī cōnātur.Ver resposta
"A menina tenta falar latim." Cōnātur (presente de cōnor) com o infinitivo loquī (de loquor); Latīnē, advérbio, "em latim".
Dux mīlitēs paucīs verbīs hortātus est.Ver resposta
"O general exortou os soldados com poucas palavras." Perfeito de hortor; paucīs verbīs, ablativo de meio.
Crās ex urbe proficīscēmur.Ver resposta
"Amanhã partiremos da cidade." Futuro de proficīscor (3ª: -ēmur).
Cūr semper quereris?Ver resposta
"Por que te queixas sempre?" Quereris: presente, 2ª do singular, de queror (com e breve; o futuro seria querēris).
Nautae nāvibus ūtēbantur.Ver resposta
"Os marinheiros usavam os navios." Imperfeito de ūtor, com ablativo nāvibus.
Exercício 6 · Do português para o latim
Traduza usando o vocabulário do capítulo.
O menino segue o pai.Ver resposta
Puer patrem sequitur.Sequor é depoente e transitivo: forma passiva, objeto no acusativo.
As meninas falaram com a mãe.Ver resposta
Puellae cum mātre locūtae sunt. Perfeito de loquor; locūtae, feminino plural, concorda com puellae.
Os soldados não temem os inimigos.Ver resposta
Mīlitēs hostēs nōn verentur. Presente de vereor, 3ª do plural.
Usaremos as palavras dos poetas.Ver resposta
Verbīs poētārum ūtēmur. Futuro de ūtor (3ª: -ēmur), com ablativo verbīs.
A rainha ousou falar.Ver resposta
Rēgīna loquī ausa est. Perfeito do semidepoente audeō, no feminino, com o infinitivo do depoente loquor.
Leituras recomendadas
Latin for Beginners, de D'Ooge, e a Familia Romana, de Ørberg, apresentam os depoentes depois da passiva e oferecem muita prática de leitura com eles. As fábulas de Fedro e a vida de Aníbal de Cornélio Nepos são os primeiros textos autênticos em que você vai encontrar depoentes a cada poucas linhas (loquor, sequor, ūtor, proficīscor, morior); a vida de Aníbal é também o contexto da frase de Lívio analisada na seção 4. Na Vulgata, releia Mateus 5,1–12 e João 8,12–20 procurando os depoentes e os semidepoentes. Para consulta, Bennett traz os paradigmas completos no § 113 e os semidepoentes no § 114.
Etapa I · Prima VerbaDificuldade 1 · ElementarDidático ÁudioCom notas
Latin for Beginners
Benjamin L. D'Ooge
Curso completo de primeiro ano (1911), em inglês: 79 lições curtas com explicação, frases para traduzir, pequenas narrativas e vocabulário, com macrons. Gratuito e de domínio público, é a melhor alternativa aberta ao método Ørberg para quem lê inglês. As três primeiras lições têm gravação no LibriVox (coleção de aprendizado de línguas, vol. 4).
Método · Moderno (material didático) · alguns meses · Project Gutenberg
Etapa I · Prima VerbaDificuldade 1 · ElementarDidáticoComercial
Lingua Latina per se Illustrata, Pars I: Familia Romana
Hans H. Ørberg
O método de latim mais recomendado hoje: 35 capítulos inteiramente em latim, com ilustrações e notas marginais que explicam cada palavra nova pelo contexto, sem tradução. Narra a vida de uma família romana. Livro comercial da Hackett Publishing; aqui, apenas a referência oficial.
Método · Moderno (material didático) · alguns meses · Hackett Publishing
Etapa IV · Ad FontesDificuldade 3 · IntermediárioOriginalCom notasTexto na biblioteca
Fabulae Aesopiae
Phaedrus
As fábulas de Fedro (o lobo e o cordeiro, a raposa e as uvas, a rã e o boi), poemas curtíssimos em senários iâmbicos. Sem notas, com análise de palavras ao clique. Verso simples e histórias conhecidas: a primeira poesia autêntica para muitos estudantes.
Fábula · Pós-clássico · algumas semanas · Perseus Digital Library
Ler aqui: texto latino da edição de Lucian Mueller (1876)
Etapa IV · Ad FontesDificuldade 3 · IntermediárioOriginalCom notas
Vita Hannibalis
Cornelius Nepos
A Vida de Aníbal completa (13 capítulos), em latim simples e direto, com vocabulário por capítulo, notas e mapas. Costuma ser o primeiro autor autêntico lido nos cursos universitários. Edição impressa e PDF gratuitos na Open Book Publishers.
Biografia · Clássico · uma ou duas semanas · Dickinson College Commentaries
Etapa VI · Latinitas ChristianaDificuldade 2 · BásicoOriginal Áudio
Biblia Sacra Vulgata (editio Clementina)
Hieronymus Stridonensis (Vulgata)
A Vulgata Clementina completa, do Gênesis ao Apocalipse, livro a livro. Comece por Marcos, Gênesis ou os Salmos: frases curtas, vocabulário repetitivo e um texto que você já conhece em português. A leitura cristã fundamental e, para muitos, a primeira obra longa lida em latim. No LibriVox há, por ora, só o Salmo 22 gravado.
Escritura (Vulgata) · Tardio e patrístico · anos, um capítulo por dia · Vicifons (Latin Wikisource)
Gramática de referência compacta (1918), em inglês, com macrons: sons, flexões, sintaxe, prosódia. Mais curta e mais fácil de consultar que Allen & Greenough; cabe num leitor de EPUB.
Bibliotheca Latina. Conteúdo original com trechos de obras em domínio público; licença CC BY 4.0.
Fontes consultadas
New Latin Grammar, Charles E. Bennett (no catálogo) · domínio público · § 109.2.c (gradior, morior, patior seguem capiō), § 112 (depoentes: forma passiva, sentido ativo; formas ativas: infinitivo futuro, particípios presente e futuro, gerúndio, supino; gerundivo passivo), § 113 (paradigmas mīror, vereor, sequor, largior, patior), § 114.1–3 (semidepoentes audeō, gaudeō, soleō, fīdō; particípios perfeitos de sentido ativo como cēnātus; revertor), § 123.VII (orior segue em geral a 3ª conjugação: oreris, oritur), § 218.1 (ūtor, fruor, fungor, potior, vescor + ablativo), § 219.1.a (fīdō, cōnfīdō + dativo da pessoa)
Allen and Greenough's New Latin Grammar, J. H. Allen e J. B. Greenough (no catálogo) · domínio público · § 190 (definição; a–g: particípios das duas vozes, particípio perfeito ativo, infinitivo futuro ativo, gerundivo passivo, sentido médio ou reflexivo), § 191 (mais da metade dos depoentes são da 1ª conjugação; lista dos irregulares: loquor, morior, nāscor, orior, patior, proficīscor, sequor, ūtor…), § 192 (semidepoentes; 192.b, fierī entre os verbos de forma ativa e sentido passivo), § 410 (ablativo com ūtor, fruor, fungor, potior, vescor; 410.a, potīrī rērum)
Kennedy's Revised Latin Primer, Benjamin Hall Kennedy (no catálogo) · domínio público · § 109 (definição de depoente), § 110 (depoentes transitivos e intransitivos: hortor vos; loquor), § 126 (particípios perfeitos de depoentes usados também em sentido passivo), § 127 (semidepoentes), § 128 (verbos de forma ativa e sentido passivo, entre eles fīō), § 129 (cēnātus, iūrātus), § 242 (fungor, fruor, vescor, ūtor, potior + ablativo), § 391 (Caesar milites hortatus castra movit, com a sigla CAES.; não localizada literalmente em César), § 392 nota 1 (só os depoentes têm particípio perfeito ativo)
Gramática Latina, Pe. João Ravizza (no catálogo) · domínio público · n. 110 (definição de depoente; formas ativas conservadas; particípio perfeito ativo, "imitatus, tendo imitado", e, na observação, os particípios também passivos, como adeptus e expertus), n. 115 (os quatro semidepoentes), nn. 122–125 (listas de depoentes por conjugação), n. 126 (semidepoentes), n. 208 (frui, fungi, uti, vesci, potiri com ablativo; potiri rerum)
Biblia Sacra Vulgata (editio Clementina): Mt 5,12; Jo 8,12; Sl 121,1 (122,1) (no catálogo) · domínio público · frases autênticas da seção 6, conferidas na Wikisource latina (páginas "Evangelium Secundum Matthaeum", "Evangelium Secundum Joannem" e "Liber Psalmorum"); ortografia adaptada (ae por æ) e macrons acrescentados
Ab urbe condita, livro XXII, cap. 51, Tito Lívio (no catálogo) · domínio público · fala de Maarbal a Aníbal depois de Canas (Lívio 22.51.4), conferida no texto da Latin Library e nas edições Perseus de Weissenborn e Müller (Teubner, domínio público) e de Conway e Walters (Oxford, 1929), ambas com a frase na subseção 4; o capítulo segue a pontuação de Conway e Walters e da Latin Library ("vincere scis, Hannibal; victoria uti nescis"); Weissenborn e Müller pontuam com vírgula ("vincere scis, Hannibal, victoria uti nescis"), variante só de pontuação; ortografia adaptada (v por u consonantal) e macrons acrescentados