As formas em -nd- e o supino: o gerúndio, substantivo verbal que dá ao infinitivo os casos que lhe faltam (ars scrībendī, ad discendum); o gerundivo, adjetivo verbal passivo de obrigação, que substitui o gerúndio com objeto (ad urbem capiendam); as conjugações perifrásticas passiva (Carthāgō dēlenda est, com dativo de agente) e ativa (-ūrus sum); e os dois supinos (vēnit spectātum; mīrābile dictū). Com tabelas e um procedimento para decidir, diante de uma forma em -nd-, qual delas é.
Neste capítulo você vai
Formar e declinar o gerúndio e o gerundivo de qualquer verbo, inclusive depoentes, e formar os dois supinos.
Traduzir o gerúndio em cada caso (genitivo, dativo, ad + acusativo, ablativo) e com causā.
Reconhecer o gerundivo como adjetivo passivo de obrigação e usar a construção gerundiva no lugar do gerúndio com objeto (ad urbem capiendam).
Traduzir as conjugações perifrásticas passiva (com dativo de agente e na forma impessoal) e ativa.
Aplicar um procedimento para decidir, diante de uma forma em -nd-, em -tum ou em -tū, de que construção se trata.
gerúndiodeclinação do gerúndioad + gerúndiocausā + genitivo do gerúndiogerundivoconstrução gerundivaconjugação perifrástica passivadativo de agenteperifrástica impessoalconjugação perifrástica ativasupino em -umsupino em -ūcomo reconhecer as formas em -nd-análise de frase autêntica
Antes deste capítulo: Capítulo 29 (os particípios: o gerundivo é a quarta forma participial, e o particípio futuro em -ūrus forma a perifrástica ativa). Ajudam o capítulo 20 (o dativo de posse, de onde vem o dativo de agente) e o capítulo 27 (o infinitivo como substantivo verbal, que o gerúndio completa). · capítulo 20 · capítulo 27 · capítulo 29
No capítulo 27 você viu o infinitivo funcionando como substantivo: Errāre hūmānum est, "errar é humano". Mas o infinitivo latino é quase indeclinável: serve de sujeito e de objeto direto, e para por aí. Quando o latim precisa de "a arte de escrever", "para aprender", "aprendendo", ele usa um substantivo verbal com casos, o gerúndio. Ao lado do gerúndio vive uma forma adjetiva muito parecida, o gerundivo, e um pequeno substantivo verbal de uso restrito, o supino. Este capítulo reúne os três, porque os três se confundem facilmente.
As três formas deste capítulo
Forma
Natureza
Terminações
Exemplo
Sentido básico
gerúndio
substantivo verbal neutro, voz ativa, só casos oblíquos
-ndī, -ndō, -ndum, -ndō
amandī
"de amar"
gerundivo
adjetivo verbal, voz passiva, sentido de obrigação
-ndus, -nda, -ndum
amandus
"que deve ser amado"
supino
substantivo verbal da 4ª declinação, só dois casos
-tum (-sum) e -tū (-sū)
amātum, amātū
"para amar"; "de amar"
O gerúndio e o gerundivo formam-se do tema do presente com -nd-, com a mesma vogal do particípio presente: ama-nd-, mone-nd-, reg-end-, audi-end-, capi-end-. O verbo eō faz eundī; textos antigos às vezes trazem -undus por -endus (faciundus). O supino tem a forma do particípio perfeito trocando -us por -um ou -ū (amāt-um, amāt-ū); é por isso que muitos dicionários dão como quarta parte principal o supino amātum, e não o particípio.
Gerúndio, gerundivo e supinos dos verbos-modelo
Verbo
Gerúndio (gen.)
Gerundivo
Supino em -um
Supino em -ū
amō, amāre
amandī
amandus, -a, -um
amātum
amātū
moneō, monēre
monendī
monendus
monitum
monitū
regō, regere
regendī
regendus
rēctum
rēctū
audiō, audīre
audiendī
audiendus
audītum
audītū
capiō, capere
capiendī
capiendus
captum
captū
sequor, sequī (dep.)
sequendī (ativo)
sequendus (passivo!)
secūtum
(pouco usado)
Repare na linha do depoente: o gerúndio e o supino de sequor têm sentido ativo ("de seguir"), mas o gerundivo é passivo ("que deve ser seguido"). O gerundivo é a única forma dos depoentes com sentido passivo garantido.
O gerúndio é o substantivo verbal que completa o infinitivo. No nominativo, e como objeto direto, continua-se usando o infinitivo (Scrībere est ūtile, "escrever é útil"); nos outros casos, entra o gerúndio, que se declina como um neutro da 2ª declinação, sem plural e sem nominativo. Por ser verbo, aceita advérbios (bene vīvendī, "de viver bem") e, no genitivo e no ablativo sem preposição, até um objeto direto.
O gerúndio de discō, discere, "aprender"
Caso
Forma
Uso típico
Genitivo
discendī
ars discendī, "a arte de aprender"; discendī causā, "para aprender"
Dativo
discendō
aptus discendō, "apto para aprender" (raro)
Acusativo
(ad) discendum
ad discendum, "para aprender" (só com preposição)
Ablativo
discendō
discendō, "aprendendo, por aprender"; in discendō, "no aprender"
Genitivo: "de" + infinitivo
Depende de nomes (ars, cupiditās, studium, tempus, occāsiō, spēs) e de adjetivos que pedem genitivo (cupidus, "desejoso"; perītus, "perito"). Com causā ou grātiā, que vêm depois do genitivo, exprime finalidade: discendī causā, "por causa de aprender", isto é, "para aprender".
ars scrībendī
a arte de escrever
cupidus audiendī
desejoso de ouvir
Rōmam vēnī discendī causā.
Vim a Roma para estudar (por causa de aprender).
Acusativo: só depois de preposição, sobretudo ad
Ad + gerúndio é a maneira mais comum de exprimir finalidade sem oração: ad discendum, "para aprender". Outras preposições são raras (inter cēnandum, "durante o jantar").
Puer ad discendum in lūdum it.
O menino vai à escola para aprender. (lūdus, escola)
Nōn ad dormiendum, sed ad labōrandum vīvimus.
Não vivemos para dormir, mas para trabalhar.
Ablativo: meio, causa, e depois de in, dē, ex, ab
Sem preposição, o ablativo do gerúndio diz o meio ou o modo: "fazendo", "por fazer". Com in diz a ocupação ("no fazer"); com dē, o assunto ("sobre fazer").
Errandō discimus.
Aprendemos errando.
Corpus exercendō firmātur.
O corpo se fortalece com o exercício (exercitando-se). (exerceō, exercitar; firmō, fortalecer)
Multum tempus in legendō cōnsūmit.
Gasta muito tempo lendo. (cōnsūmō, gastar)
Dativo: raro
Aparece com alguns adjetivos de aptidão e em fórmulas (aptus bibendō, "próprio para beber"). Na prosa clássica, é muito menos frequente que ad + acusativo.
O gerundivo é um adjetivo verbal passivo que exprime obrigação, necessidade ou conveniência: amandus, "que deve ser amado, digno de ser amado". Declina-se como bonus, -a, -um e concorda com o seu nome. As gramáticas o chamam também de particípio futuro passivo, mas o sentido central é de dever, não de futuro.
liber legendus
um livro que deve ser lido, que merece ser lido
vir laudandus
um homem digno de louvor
lēgēs servandae
leis que devem ser observadas (servō, observar, guardar)
O gerundivo no lugar do gerúndio com objeto
É o uso mais frequente do gerundivo, e aquele em que ele não exprime obrigação. Quando o gerúndio teria um objeto direto ("o desejo de ver a cidade"), o latim prefere outra construção: o objeto passa para o caso que o gerúndio teria, e o gerundivo concorda com ele. Em vez de cupidus urbem videndī, diz-se cupidus urbis videndae, literalmente "desejoso da cidade a ser vista". A tradução é a mesma; a construção é outra.
Gerúndio com objeto e construção gerundiva
Construção gerundiva (preferida)
Gerúndio com objeto
Tradução
cupidus urbis videndae
cupidus urbem videndī
desejoso de ver a cidade
pācis petendae causā
pācem petendī causā
para pedir a paz
ad urbem capiendam
(não se usa)
para tomar a cidade
in librīs legendīs
(não se usa)
na leitura dos livros, ao ler os livros
lēgibus mūtandīs
lēgēs mūtandō
mudando as leis, pela mudança das leis
A regra prática tem duas partes. No genitivo e no ablativo sem preposição, as duas construções são possíveis, e a gerundiva é mais comum. No dativo e depois de preposição (ad, in, dē, ex), a construção gerundiva é obrigatória: nunca *ad capiendum urbem, sempre ad urbem capiendam. Como o gerundivo é passivo, só verbos transitivos o admitem nesse uso; os intransitivos ficam no gerúndio (ad currendum, "para correr"). Duas exceções: quando o objeto é um adjetivo neutro substantivado (vērum investīgandī, "de investigar a verdade") e os depoentes ūtor, fruor, fungor, potior, que admitem o gerundivo apesar do ablativo.
Gerundivo com verbos de dar e de cuidar
Com verbos como cūrō ("providenciar"), dō, trādō ("entregar"), o gerundivo concordando com o objeto indica o que se manda fazer ou se entrega para ser feito:
Dux pontem faciendum cūrāvit.
O comandante mandou fazer uma ponte. (lit. "providenciou a ponte a ser feita"; pōns, pontis, ponte)
Puerum magistrō docendum trādidit.
Entregou o menino ao professor para ser educado. (doceō, ensinar)
"Perifrástica" quer dizer "dita com rodeio": em vez de uma forma simples, o latim junta um particípio às formas de sum. Há duas, e uma é o espelho da outra.
A perifrástica passiva: gerundivo + sum (obrigação)
Com as formas de sum, o gerundivo predica uma obrigação do sujeito: Liber legendus est, "o livro deve ser lido". O tempo de sum dá o tempo da obrigação: legendus erat, "devia ser lido"; legendus erit, "deverá ser lido". A pessoa que tem o dever vai para o dativo, o chamado dativo de agente, parente do dativo de posse do capítulo 20: mihi liber est, "eu tenho um livro"; mihi liber legendus est, "eu tenho um livro a ser lido", isto é, "eu devo ler o livro".
Mihi epistula scrībenda est.
Eu devo escrever uma carta. (lit. "para mim uma carta deve ser escrita")
Nōbīs lēgēs servandae sunt.
Nós devemos observar as leis.
Haec agenda erant.
Estas coisas deviam ser feitas.
Carthāgō dēlenda est.
Cartago deve ser destruída. (dēleō, destruir)
A última frase é a mais famosa da perifrástica passiva, mas, nessa forma exata, não está nas fontes antigas que contam a história; também a forma longa que se costuma citar, Cēterum cēnseō Carthāginem esse dēlendam, não aparece assim nos textos antigos conferidos para este capítulo. Os antigos atribuem a ideia a Catão, o Velho, que a repetia no senado, e a transmitem em discurso indireto, com o gerundivo no acusativo (a oração infinitiva do capítulo 28): Plínio, o Velho, conta que Catão clāmāret omnī senātū Carthāginem dēlendam, "clamava em todas as sessões do senado que Cartago devia ser destruída" (NH 15.74); Floro escreve Catō inexpiābilī odiō dēlendam esse Carthāginem … prōnūntiābat, "Catão, com ódio implacável, declarava que Cartago devia ser destruída" (1.31 [2.15]); o Dē virīs illūstribus atribuído a Aurélio Victor resume: Carthāginem dēlendam cēnsuit, "votou que Cartago fosse destruída" (47.8); e Plutarco, em grego, dá a fórmula com que Catão fechava todos os seus votos: "parece-me também que Cartago não deve existir" (Catão, o Velho 27.1). Como ilustração gramatical, porém, a frase moderna é perfeita: sujeito no nominativo, gerundivo concordando com ele (feminino singular), est.
Com verbos intransitivos (ou transitivos sem objeto), a perifrástica é impessoal: o gerundivo fica no neutro singular, o verbo na 3ª pessoa do singular, e o complemento do verbo conserva o seu caso.
Mihi eundum est.
Eu devo ir. (lit. "por mim deve ser ido")
Omnibus moriendum est.
Todos devem morrer.
Lēgibus pārendum est.
Deve-se obedecer às leis. (pāreō + dativo, obedecer)
A perifrástica ativa: particípio futuro + sum (intenção, iminência)
Com o particípio futuro em -ūrus (capítulo 29), as formas de sum exprimem o que o sujeito está para fazer ou tem a intenção de fazer: amātūrus sum, "estou para amar, vou amar, hei de amar". Também aqui sum dá o tempo: scrīptūrus eram, "eu ia escrever, estava para escrever".
Epistulam scrīptūrus sum.
Vou escrever (estou para escrever) uma carta.
Nautae nāvigātūrī erant.
Os marinheiros estavam para navegar (iam navegar).
O supino é um substantivo verbal da 4ª declinação que só sobreviveu em dois casos, cada um com um uso fixo.
Supino em -um: finalidade depois de verbos de movimento
Depois de verbos como eō, veniō, mittō, o supino em -um diz para que alguém vai ou é mandado. Pode ter objeto direto, porque continua sendo verbo.
Spectātum vēnērunt.
Vieram para ver (assistir). (spectō, olhar, assistir)
Lēgātī auxilium petītum ad rēgem vēnērunt.
Os embaixadores vieram ao rei pedir ajuda. (lēgātus, embaixador; auxilium, ajuda; petō, petītum, pedir)
Eō dormītum.
Vou dormir.
Supino em -ū: "de" + infinitivo depois de adjetivos
Com adjetivos como facilis, difficilis, mīrābilis, incrēdibilis, optimus, horribilis e com fās e nefās, o supino em -ū diz em relação a que ação a qualidade vale. É sempre curto e nunca tem objeto; só uns poucos verbos o usam com frequência: dictū, factū, vīsū, audītū, cognitū, memorātū, inventū.
mīrābile dictū
admirável de dizer, espantoso de contar
rēs facilis factū
uma coisa fácil de fazer
horribile vīsū
horrível de ver
Hōc fās est dictū?
É lícito dizer isto?
Note que o português traduz o supino em -ū exatamente como o genitivo do gerúndio, com "de" + infinitivo. A diferença está do lado latino: o supino em -ū depende de um adjetivo de qualidade e não aceita objeto. Mesmo com facilis e difficilis, a prosa prefere muitas vezes ad + gerúndio (facilis ad intellegendum).
As formas deste capítulo se parecem muito: amandum pode ser gerúndio ou gerundivo; amātum pode ser supino ou particípio. O procedimento a seguir resolve quase todos os casos.
Procedimento de decisão
Pergunta
Se sim
Exemplo
1. A forma em -nd- está com uma forma de sum (expressa ou subentendida)?
perifrástica passiva: obrigação; procure o dativo de agente
Mihi eundum est. Devo ir.
2. A forma em -nd- concorda com um nome (gênero, número, caso)?
gerundivo: construção gerundiva (traduza como "de/para + infinitivo + objeto") ou adjetivo de obrigação
ad urbem capiendam; liber legendus
3. A forma em -ndī, -ndō, -ndum está sozinha, neutra, no singular, sem nominativo?
gerúndio: traduza pelo caso (de + inf., para + inf., gerúndio português)
ars scrībendī; errandō discimus
4. Uma forma em -tum/-sum segue um verbo de movimento, sem concordar com nada?
supino em -um: finalidade
spectātum vēnērunt
5. Uma forma em -tū/-sū segue um adjetivo ou fās/nefās?
supino em -ū: "de + infinitivo"
mīrābile dictū
6. -ūrus com uma forma de sum?
perifrástica ativa: intenção, iminência
scrīptūrus sum
O livro do Eclesiastes, na Vulgata, tem uma das sequências de gerúndios mais conhecidas da literatura latina:
Omnia tempus habent, et suīs spatiīs trānseunt ūniversa sub caelō. Tempus nāscendī, et tempus moriendī; tempus plantandī, et tempus ēvellendī quod plantātum est.
Tudo tem o seu tempo, e todas as coisas passam debaixo do céu nos seus prazos. Tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que foi plantado. (Eclesiastes 3,1–2, Vulgata Clementina)
Eclesiastes 3,2, palavra a palavra
Palavra
Dicionário
Análise
Função
Tempus
tempus, temporis (n.), tempo
nominativo singular, 3ª declinação
núcleo da expressão (há um tempo...); verbo est subentendido
nāscendī
nāscor, nāscī, nātus sum, nascer
gerúndio, genitivo; depoente, mas o gerúndio tem forma e sentido ativos
adjunto de tempus: "de nascer"
et
et (conjunção)
invariável
liga os dois membros
tempus
tempus, temporis (n.)
nominativo singular
segundo núcleo
moriendī
morior, morī, mortuus sum, morrer
gerúndio, genitivo (verbo em -ior: -iend-)
"de morrer"
plantandī
plantō, plantāre, plantar
gerúndio, genitivo, 1ª conjugação
"de plantar"
ēvellendī
ēvellō, ēvellere, ēvellī, ēvulsum, arrancar
gerúndio, genitivo, 3ª conjugação
"de arrancar"; tem como objeto a oração relativa seguinte
quod
quī, quae, quod
pronome relativo, nominativo singular neutro
sujeito de plantātum est; com o antecedente "aquilo" subentendido, é o objeto de ēvellendī
plantātum est
plantō
perfeito passivo, 3ª pessoa do singular, neutro
"foi plantado"
Repare em três coisas. Todos os genitivos dependem de tempus, como em ars scrībendī: é o uso básico do gerúndio genitivo com nome. Os dois primeiros são de depoentes (nāscor, morior), e mesmo assim o gerúndio é ativo: "de nascer", "de morrer". E ēvellendī tem um objeto, a oração quod plantātum est: como o objeto é uma oração e não um nome, não há com que fazer concordar um gerundivo, e o gerúndio fica.
A construção gerundiva com ad: Lēgātī ad amīcitiam petendam Rōmam vēnērunt = Os embaixadores vieram a Roma para pedir amizade (amīcitia, amizade). Com supino: amīcitiam petītum; com causā: amīcitiae petendae causā.
Dois versos célebres fecham o capítulo. Virgílio, ao falar dos enxertos e das estacas, interrompe a frase para se espantar: quīn et caudicibus sectīs (mīrābile dictū) / trūditur ē siccō rādīx oleāgina lignō, "e até de troncos cortados (espantoso de dizer!) brota de um lenho seco uma raiz de oliveira" (Geórgicas 2.30–31). Há ali um supino em -ū (dictū) e um ablativo absoluto (caudicibus sectīs, capítulo 30). E Horácio, no verso que você leu no capítulo 30, junta um gerundivo impessoal a dois ablativos absolutos: Nīl dēspērandum Teucrō duce et auspice Teucrō, "não se deve desesperar de nada, sendo Teucro o guia e o áugure" (Odes 1.7.27; subentende-se est).
Resumo
Gerúndio (-ndī, -ndō, -ndum, -ndō): substantivo verbal ativo; genitivo "de + inf." (também com causā), ad + acusativo "para + inf.", ablativo "fazendo, por fazer".
Gerundivo (-ndus, -a, -um): adjetivo passivo de obrigação; substitui o gerúndio com objeto (ad urbem capiendam), obrigatoriamente no dativo e depois de preposição.
Perifrástica passiva: gerundivo + sum = dever; agente no dativo; impessoal com intransitivos (mihi eundum est).
Perifrástica ativa: -ūrus + sum = intenção, iminência.
Supino: -um depois de verbos de movimento (finalidade); -ū depois de adjetivos (mīrābile dictū).
Erro: Traduzir todo gerúndio latino pelo gerúndio português: ars scrībendī → *"a arte escrevendo".
Por quê, e como evitar: Só o ablativo do gerúndio se traduz bem pelo nosso gerúndio. O genitivo pede "de + infinitivo" ("a arte de escrever"), e ad + acusativo pede "para + infinitivo". Identifique o caso antes de traduzir.
Erro: Traduzir o gerundivo como ativo: liber legendus → *"um livro que lê", vir laudandus → *"um homem que louva".
Por quê, e como evitar: O gerundivo é passivo e exprime dever: "um livro que deve ser lido", "um homem digno de ser louvado". Na construção gerundiva (ad urbem capiendam), a tradução portuguesa usa o infinitivo ativo ("para tomar a cidade"), mas é só porque o português não tem essa construção.
Erro: Ler o dativo da perifrástica passiva como objeto indireto: Mihi epistula scrībenda est → *"Uma carta deve ser escrita para mim".
Por quê, e como evitar: Com o gerundivo, o dativo indica quem tem o dever: "eu devo escrever uma carta". Transforme sempre a frase em ativa com "dever": o dativo vira o sujeito português.
Erro: Confundir a perifrástica passiva com o futuro passivo: Carthāgō dēlenda est → *"Cartago será destruída".
Por quê, e como evitar: O gerundivo com sum diz obrigação, não futuro: "Cartago deve ser destruída". O futuro passivo é dēlēbitur (capítulo 23). E dēlētūra est seria a perifrástica ativa ("está para destruir"), outra coisa.
Erro: Escrever o gerúndio com objeto depois de preposição: *ad capiendum urbem, *in legendō librōs.
Por quê, e como evitar: Depois de preposição (e no dativo), a construção gerundiva é obrigatória: o objeto vai para o caso do gerúndio e o gerundivo concorda com ele: ad urbem capiendam, in librīs legendīs.
Erro: Tomar o supino em -um por um objeto direto ou por um particípio: Spectātum vēnērunt → *"Vieram o espetáculo" ou *"vieram vistos".
Por quê, e como evitar: Depois de um verbo de movimento, uma forma em -tum que não concorda com nada é supino de finalidade: "vieram para ver". O particípio concordaria com algum nome; o supino é invariável.
Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.
Prática guiada 1 · Três formas em -nd- numa só passagem
Classifique cada forma em -nd- e traduza: Mīlitēs ad oppidum oppugnandum missī sunt; nam Rōmānīs oppidum capiendum erat, et dux pugnandī cupidus erat. Vocabulário: oppidum, cidade fortificada; oppugnō, atacar; mittō, missum, enviar; nam, pois; capiō, tomar; pugnō, combater; cupidus + genitivo, desejoso de.
ad oppidum oppugnandum: gerúndio ou gerundivo?Ver o passo
Oppugnandum concorda com oppidum (acusativo singular neutro), regido por ad: é a construção gerundiva de finalidade, obrigatória depois de preposição. "Para atacar a cidade."
Rōmānīs oppidum capiendum erat: que construção é?Ver o passo
Gerundivo + forma de sum (erat): perifrástica passiva no imperfeito. Capiendum concorda com o sujeito oppidum; Rōmānīs é dativo de agente. "Os romanos tinham de tomar a cidade."
pugnandī cupidus?Ver o passo
Pugnandī está sozinho, no genitivo, sem nome com que concordar, regido pelo adjetivo cupidus: gerúndio. Pugnō é intransitivo, por isso não poderia haver gerundivo. "Desejoso de combater."
E missī sunt?Ver o passo
Perfeito passivo de mittō (capítulo 24), concordando com mīlitēs: "foram enviados". Não confunda com a perifrástica: aqui é o particípio perfeito, não o gerundivo.
Monte a tradução.Ver o passo
"Os soldados foram enviados para atacar a cidade; pois os romanos tinham de tomá-la, e o comandante estava desejoso de combater."
Prática guiada 2 · Do "dever" português à perifrástica latina
Passe para o latim com a perifrástica passiva. Vocabulário: liber, librī, livro; legō, ler; labōrō, trabalhar; parentēs, -um, os pais; pāreō + dativo, obedecer.
"Eu devo ler este livro."Ver o passo
Transforme em passiva com "dever": "este livro deve ser lido por mim". Sujeito: hīc liber; gerundivo concordando: legendus; agente no dativo: mihi. Mihi hīc liber legendus est.
"Tu deves trabalhar."Ver o passo
Labōrō é intransitivo: perifrástica impessoal, gerundivo no neutro singular. Tibi labōrandum est.
"Os filhos deviam obedecer aos pais."Ver o passo
Pāreō pede dativo (parentibus), e um segundo dativo para o agente seria ambíguo: o agente vai para ā + ablativo. Impessoal no imperfeito: Parentibus ā fīliīs pārendum erat.
Conclusão: na perifrástica passiva, o sujeito português ("eu", "tu") vira dativo; o objeto português, se houver, vira sujeito latino; e com verbos intransitivos tudo fica impessoal, no neutro.
Faça por escrito ou em voz alta; abra "Ver resposta" só depois de tentar. A explicação da resposta faz parte da lição.
Exercício 1 · Identifique a forma
Diga se a forma destacada é gerúndio, gerundivo, supino ou particípio futuro, e o seu caso e uso. Vocabulário: ars, arte; canō, cantar; currō, correr; parātus, pronto; lūdī, -ōrum, os jogos; spectō, olhar, assistir; īmus, vamos (de eō); horribilis, horrível; mittō, missum, enviar.
ars canendīVer resposta
Gerúndio, genitivo, dependendo de ars: "a arte de cantar".
Puerī ad currendum parātī sunt.Ver resposta
Gerúndio, acusativo com ad: "Os meninos estão prontos para correr." Currō é intransitivo: só gerúndio.
Haec epistula legenda est.Ver resposta
Gerundivo, nominativo singular feminino, com est: perifrástica passiva. "Esta carta deve ser lida."
Lūdōs spectātum īmus.Ver resposta
Supino em -um depois de verbo de movimento (īmus): "Vamos assistir aos jogos." Tem objeto, lūdōs.
rēs horribilis audītūVer resposta
Supino em -ū com adjetivo: "uma coisa horrível de ouvir".
Lēgātōs missūrus est.Ver resposta
Particípio futuro com est: perifrástica ativa. "Ele está para enviar (vai enviar) embaixadores."
in librīs legendīsVer resposta
Gerundivo, ablativo plural masculino, concordando com librīs, depois de in: construção gerundiva. "Na leitura dos livros, lendo livros."
"A memória aumenta com o exercício (exercitando-se)." Ablativo do gerúndio, meio.
Dē bene vīvendō disputābant. (disputō, discutir)Ver resposta
"Discutiam sobre viver bem." Dē + ablativo do gerúndio; o advérbio bene modifica o gerúndio, que continua sendo verbo.
Exercício 3 · Do gerúndio ao gerundivo
Reescreva com a construção gerundiva e traduza. Diga se a troca era opcional ou obrigatória.
cupidus urbem videndīVer resposta
cupidus urbis videndae, "desejoso de ver a cidade". Opcional (genitivo), mas a gerundiva é mais comum.
ad capiendum castra (forma incorreta)Ver resposta
ad castra capienda, "para tomar o acampamento". Obrigatória: depois de preposição o gerúndio não leva objeto. Castra é neutro plural, e o gerundivo também: capienda.
lēgēs mūtandōVer resposta
lēgibus mūtandīs, "mudando as leis". Opcional (ablativo sem preposição).
pācem petendī causāVer resposta
pācis petendae causā, "para pedir a paz". Opcional (genitivo com causā).
in servandō patriam (forma incorreta)Ver resposta
in patriā servandā, "em salvar a pátria". Obrigatória: depois de in.
Exercício 4 · As perifrásticas
Traduza, distinguindo obrigação (passiva) de intenção (ativa). Vocabulário: pūniō, punir; servō, salvar; proficīscor, profectus sum, partir; pugnō, combater; cīvis, cidadão.
Hīc mīles pūniendus est.Ver resposta
"Este soldado deve ser punido." Perifrástica passiva pessoal.
Nōbīs patria servanda est.Ver resposta
"Nós devemos salvar a pátria." Nōbīs, dativo de agente, vira sujeito em português.
Cōnsul profectūrus erat.Ver resposta
"O cônsul estava para partir (ia partir)." Perifrástica ativa com particípio futuro do depoente proficīscor.
Cīvibus pugnandum erit.Ver resposta
"Os cidadãos deverão combater." Perifrástica impessoal (verbo intransitivo), no futuro.
Mihi multa eō diē agenda erant. (multa, muitas coisas; eō diē, naquele dia)Ver resposta
"Eu tinha de fazer muitas coisas naquele dia." Multa (neutro plural) é o sujeito, e agenda concorda com ele; por isso erant está no plural.
Exercício 5 · O supino e as maneiras de dizer finalidade
Traduza para o latim de duas maneiras: com supino e com ad + gerundivo (ou gerúndio, se o verbo for intransitivo). Vocabulário: veniō, vir; salūtō, saudar; rēx, rēgis, rei; mittō, enviar; auxilium, ajuda; petō, petītum, pedir; eō, ir; cubō, cubitum, deitar-se.
Vieram saudar o rei.Ver resposta
Supino: Rēgem salūtātum vēnērunt. Gerundivo: Ad rēgem salūtandum vēnērunt. O supino conserva o objeto no acusativo; o gerundivo concorda com ele.
Enviaram mensageiros para pedir ajuda.Ver resposta
Supino: Nūntiōs auxilium petītum mīsērunt. Gerundivo: Nūntiōs ad auxilium petendum mīsērunt. (nūntius, mensageiro.) Mittō é verbo de movimento (fazer ir), por isso admite o supino.
Vou deitar-me.Ver resposta
Supino: Eō cubitum. Com gerúndio (o verbo é intransitivo, não há gerundivo): Eō ad cubandum. Com verbos de ir e vir e sem objeto, o supino é a forma mais curta e idiomática.
Isto é fácil de fazer.Ver resposta
Hōc facile est factū. Supino em -ū depois de adjetivo. Também se diz Hōc facile est ad faciendum, e a prosa usa as duas.
Exercício 6 · Leitura autêntica
Identifique cada forma em -nd-, diga se é gerúndio ou gerundivo e traduza. Vocabulário: potestās, -ātis, poder; cūrō, curar; īnfirmitās, -ātis, doença; ēiciō, expulsar; daemonium, demônio; dīrigō, dirigir; pēs, pedis, pé; via, caminho; pāx, pācis, paz.
Et dedit illīs potestātem cūrandī īnfirmitātēs et ēiciendī daemonia. (Marcos 3,15)Ver resposta
Cūrandī e ēiciendī: gerúndios no genitivo, dependendo de potestātem, cada um com um objeto direto (īnfirmitātēs, daemonia). O gerúndio com objeto é possível no genitivo, embora a construção gerundiva (īnfirmitātum cūrandārum) também existisse. "E deu-lhes o poder de curar as doenças e de expulsar os demônios."
... ad dīrigendōs pedēs nostrōs in viam pācis. (Lucas 1,79, fim do versículo)Ver resposta
Dīrigendōs: gerundivo, acusativo plural masculino, concordando com pedēs, regido por ad: construção gerundiva obrigatória depois de preposição. "Para dirigir os nossos pés no caminho da paz."
Nīl dēspērandum Teucrō duce et auspice Teucrō. (Horácio, Odes 1.7.27)Ver resposta
Dēspērandum: gerundivo neutro em perifrástica impessoal, com est subentendido; nīl funciona como complemento ("de nada"). "Não se deve desesperar de nada, sendo Teucro o guia e o protetor." Teucrō duce e auspice Teucrō são ablativos absolutos nominais (capítulo 30).
Leituras recomendadas
Os exercícios de gerúndio e gerundivo de Latin for Beginners, de D'Ooge, e as frases graduadas de Gradatim fixam as formas. Nas vidas do De viris illustribus de Lhomond, procure ad + gerundivo e causā + genitivo, a cada página. Na Vulgata, leia Eclesiastes 3,1–8 inteiro (uma lista de gerúndios) e o cântico de Zacarias, Lucas 1,68–79. As fábulas de Fedro (capítulo 42) são uma boa primeira leitura autêntica para reencontrar estas formas em contexto. Bennett (§§ 337.8–340) resume tudo em quatro páginas.
Etapa I · Prima VerbaDificuldade 1 · ElementarDidático ÁudioCom notas
Latin for Beginners
Benjamin L. D'Ooge
Curso completo de primeiro ano (1911), em inglês: 79 lições curtas com explicação, frases para traduzir, pequenas narrativas e vocabulário, com macrons. Gratuito e de domínio público, é a melhor alternativa aberta ao método Ørberg para quem lê inglês. As três primeiras lições têm gravação no LibriVox (coleção de aprendizado de línguas, vol. 4).
Método · Moderno (material didático) · alguns meses · Project Gutenberg
Etapa III · FundamentaDificuldade 2 · BásicoAdaptadoCom notas
Urbis Romae viri illustres (seleções)
Charles François Lhomond
Vidas dos grandes romanos, de Rômulo a Augusto, reescritas por Lhomond (1779) em latim simples a partir de Tito Lívio e outros; edição escolar de 1896 com texto macronizado, notas e vocabulário. Durante dois séculos foi a primeira leitura contínua de todo estudante de latim.
Etapa VI · Latinitas ChristianaDificuldade 2 · BásicoOriginal Áudio
Biblia Sacra Vulgata (editio Clementina)
Hieronymus Stridonensis (Vulgata)
A Vulgata Clementina completa, do Gênesis ao Apocalipse, livro a livro. Comece por Marcos, Gênesis ou os Salmos: frases curtas, vocabulário repetitivo e um texto que você já conhece em português. A leitura cristã fundamental e, para muitos, a primeira obra longa lida em latim. No LibriVox há, por ora, só o Salmo 22 gravado.
Escritura (Vulgata) · Tardio e patrístico · anos, um capítulo por dia · Vicifons (Latin Wikisource)
Etapa IV · Ad FontesDificuldade 3 · IntermediárioOriginalCom notasTexto na biblioteca
Fabulae Aesopiae
Phaedrus
As fábulas de Fedro (o lobo e o cordeiro, a raposa e as uvas, a rã e o boi), poemas curtíssimos em senários iâmbicos. Sem notas, com análise de palavras ao clique. Verso simples e histórias conhecidas: a primeira poesia autêntica para muitos estudantes.
Fábula · Pós-clássico · algumas semanas · Perseus Digital Library
Ler aqui: texto latino da edição de Lucian Mueller (1876)
Gramática de referência compacta (1918), em inglês, com macrons: sons, flexões, sintaxe, prosódia. Mais curta e mais fácil de consultar que Allen & Greenough; cabe num leitor de EPUB.
Bibliotheca Latina. Conteúdo original com trechos de obras em domínio público; licença CC BY 4.0.
Fontes consultadas
New Latin Grammar, Charles E. Bennett (no catálogo) · domínio público · § 101 (gerúndio, gerundivo e supinos de amō), § 112.a–b (depoentes: gerúndio e supino ativos, gerundivo passivo), § 115 (as duas conjugações perifrásticas), § 116.2 (gerundivo em -undus), § 189.1 (dativo de agente com o gerundivo; 189.1.a ā + ablativo para evitar ambiguidade), § 337.4 (particípio futuro fora da perifrástica), § 337.8 (gerundivo atributivo e predicativo; perifrástica impessoal; cūrō + gerundivo), § 338 (os casos do gerúndio), § 339.1–5 (construção gerundiva; quando é obrigatória; só verbos transitivos; suī servandī causā), § 340 (supinos em -um e em -ū)
Allen and Greenough's New Latin Grammar, J. H. Allen e J. B. Greenough (no catálogo) · domínio público · § 158.d (o gerundivo), § 159 (gerúndio e supino; o nominativo é suprido pelo infinitivo), §§ 193–196 (conjugações perifrásticas), § 374 (dativo de agente; nota 1, ab + ablativo), § 500 (gerundivo: obrigação; perifrástica impessoal; com verbos de dar e cuidar), §§ 501–503 (gerúndio; construção gerundiva), §§ 504–507 (os casos do gerúndio e do gerundivo; nota sobre a origem do gerúndio românico), §§ 508–510 (o supino)
Kennedy's Revised Latin Primer, Benjamin Hall Kennedy (no catálogo) · domínio público · § 107 (definições de gerúndio, gerundivo e supinos), a seção "Periphrastic Conjugation" depois do § 113, § 222 (dativo de agente), §§ 374–384 (gerúndio e gerundivo; quadro petendī pācem / petendae pācis), §§ 385–388 (supinos)
Gramática Latina, Pe. João Ravizza (no catálogo) · domínio público · n. 117 (conjugação perifrástica ativa e passiva comparada com "haver de", "ter de"), n. 398 (particípio futuro passivo ou gerundivo; dativo da pessoa; uso impessoal em -dum), nn. 401–402 (gerúndio e construção com o gerundivo, com os casos em que é obrigatória), nn. 405–406 (supino ativo em -um e passivo em -u)
Catão e Cartago: Plínio, NH 15.74; Floro 1.31 (2.15); De viris illustribus 47.8; Plutarco, Catão, o Velho 27.1 · domínio público · Plínio na edição de Mayhoff (Teubner, 1892–1909), TEI da Perseus (PerseusDL); Floro e De viris illustribus no texto da The Latin Library (florus1.html; victor/victor.ill.html), edição não identificada na página; Plutarco no grego da Perseus (ed. Perrin, Loeb, 1914) e na tradução de Perrin em LacusCurtius. Citações breves; macrons acrescentados
Virgílio, Geórgicas 2.30–31; Horácio, Odes 1.7.27 · domínio público · mīrābile dictū e nīl dēspērandum, conferidos na Latin Library (Horácio em https://www.thelatinlibrary.com/horace/carm1.shtml); macrons acrescentados