New Latin Grammar
Charles E. Bennett
Gramática de referência compacta (1918), em inglês, com macrons: sons, flexões, sintaxe, prosódia. Mais curta e mais fácil de consultar que Allen & Greenough; cabe num leitor de EPUB.
Elementa Linguae Latinae·Parte III · Lectio·Capítulo 27·60 minReportar problema
Dē īnfīnītīvīs
As seis formas do infinitivo latino (presente, perfeito e futuro, na ativa e na passiva), como formá-las em todas as conjugações, em esse e nos irregulares, o tempo relativo que elas exprimem e os usos que não pedem sujeito no acusativo: o infinitivo complementar, o infinitivo sujeito de expressões impessoais e o infinitivo histórico.
Antes deste capítulo: Capítulos 13 (partes principais), 23 e 24 (a passiva, com amātus, -a, -um no perfectum), 25 (depoentes) e 26 (sum, possum, volō, eō, ferō, fīō). Ajuda rever o capítulo 22, onde aparece nōlī + infinitivo. · capítulo 13 · capítulo 23 · capítulo 24 · capítulo 25 · capítulo 26
Você usa infinitivos o tempo todo em português: "quero ler", "é bom descansar", "posso sair?". O infinitivo é a forma do verbo que dá nome à ação sem dizer quem a faz: não tem pessoa nem número, e por isso os gramáticos o classificam entre as formas nominais do verbo, ao lado do particípio (capítulo 29) e do gerúndio (capítulo 31). Ele vive entre dois mundos. Como verbo, tem tempo e voz, pede os mesmos complementos que as formas pessoais do mesmo verbo (patriam amāre, com acusativo; dominō servīre, com dativo) e é modificado por advérbios (bene vīvere, "viver bem"). Como substantivo, pode ser sujeito ou objeto de outro verbo, e é tratado como um neutro singular: o adjetivo que se diz dele fica no neutro (Bennett § 325; A&G § 451; Kennedy § 365).
O infinitivo latino é mais rico que o português num ponto e mais pobre noutro. Mais rico, porque tem três tempos em duas vozes, ao todo seis formas, entre elas um infinitivo futuro que o português não tem (precisamos de uma perífrase: "haver de amar", "estar para amar"). Mais pobre, porque não existe em latim o nosso infinitivo pessoal ("para amarmos", "é hora de partirem"): o infinitivo latino nunca se flexiona em pessoa. Quando é preciso dizer quem faz a ação do infinitivo, o latim usa outros meios, que são o assunto do capítulo 28.
| Latim | Tempo e voz | Português |
|---|---|---|
| amāre | presente ativo | amar |
| amārī | presente passivo | ser amado |
| amāvisse | perfeito ativo | ter amado |
| amātus esse | perfeito passivo | ter sido amado |
| amātūrus esse | futuro ativo | haver de amar, estar para amar |
| amātum īrī | futuro passivo | haver de ser amado |
Cada infinitivo é construído sobre uma das partes principais, e por isso basta saber as quatro partes para formar todos. Veja a regra de cada forma e, em seguida, o quadro das cinco conjugações (Bennett §§ 101–111; Ravizza n. 92).
| Infinitivo | Formação | Exemplo (amō, amāre, amāvī, amātum) |
|---|---|---|
| Presente ativo | 2ª parte principal | amāre |
| Presente passivo | -re → -rī na 1ª, 2ª e 4ª conjugações; na 3ª (também nos verbos em -iō) a terminação inteira -ere → -ī | amārī; mas reg-ere → regī, cap-ere → capī |
| Perfeito ativo | tema do perfeito (3ª parte sem o -ī) + -isse | amāvisse |
| Perfeito passivo | -us, -a, -um (o mesmo de amātus sum, capítulo 24) + esse | amātus (-a, -um) esse |
| Futuro ativo | tema da 4ª parte (sem o -um) + -ūrus, -ūra, -ūrum + esse | amātūrus (-a, -um) esse |
| Futuro passivo | a 4ª parte, invariável, + īrī | amātum īrī |
| amō, -āre (1ª) | moneō, -ēre (2ª) | regō, -ere (3ª) | audiō, -īre (4ª) | capiō, -ere (3ª, -iō) | |
|---|---|---|---|---|---|
| Pres. ativo | amāre | monēre | regere | audīre | capere |
| Pres. passivo | amārī | monērī | regī | audīrī | capī |
| Perf. ativo | amāvisse | monuisse | rēxisse | audīvisse | cēpisse |
| Perf. passivo | amātus esse | monitus esse | rēctus esse | audītus esse | captus esse |
| Fut. ativo | amātūrus esse | monitūrus esse | rēctūrus esse | audītūrus esse | captūrus esse |
| Fut. passivo | amātum īrī | monitum īrī | rēctum īrī | audītum īrī | captum īrī |
Três pontos merecem atenção. Primeiro, o presente passivo da terceira conjugação, que você já encontrou no capítulo 23: regī, e não "regerī". A terceira conjugação perde a sílaba -er- inteira, porque o -ī se junta direto à raiz; é por isso que regī e capī são tão curtos e tão fáceis de confundir com outras formas (o dativo rēgī, de rēx, tem ē longo).
Segundo, as duas formas compostas com esse contêm um elemento que concorda. Em amātus esse está o mesmo amātus, -a, -um que você usou na passiva do perfectum; em amātūrus esse está uma forma em -ūrus, -ūra, -ūrum, que é o particípio futuro ativo. O capítulo 29 estuda os particípios por si mesmos; aqui basta tratá-los como peças do infinitivo, que, como adjetivos de primeira classe, concordam em gênero, número e caso com o sujeito do infinitivo: Mārcus laudātus esse, Iūlia laudāta esse, puerī laudātī esse. Neste capítulo esse sujeito estará sempre no nominativo; no capítulo 28 você o verá no acusativo (laudātum, laudātam, laudātōs esse).
Terceiro, o futuro passivo amātum īrī é a única forma composta que não muda: amātum é a quarta parte principal (o supino, que o capítulo 31 explica), e īrī é o infinitivo passivo impessoal de eō, "ir" (A&G § 193, nota; Kennedy § 387). Ao pé da letra, algo como "haver ida para amar". É uma forma rara; em seu lugar o latim usa também uma perífrase com fore ut e o subjuntivo, obrigatória nos verbos sem supino, que você poderá reconhecer depois dos capítulos sobre o subjuntivo (Bennett § 270.3).
O verbo sum não tem voz passiva e, portanto, tem só três infinitivos: esse ("ser"), fuisse ("ter sido") e futūrus esse ("haver de ser"). Para este último existe uma forma curta e invariável, muito usada: fore (Bennett § 100 e nota 32; A&G § 170.a; Ravizza n. 82). Fore não concorda com nada, e é por isso cômoda: futūrus esse, futūra esse, futūrī esse podem ser todos substituídos por fore.
| Verbo | Presente | Perfeito | Futuro | Observação |
|---|---|---|---|---|
| sum, esse, fuī | esse | fuisse | futūrus esse = fore | sem passiva |
| possum, posse, potuī | posse | potuisse | (não tem) | sem supino, sem futuro; posse pode ter sentido futuro |
| volō, velle, voluī | velle | voluisse | (não tem) | assim também nōlle, mālle |
| eō, īre, iī (īvī), itum | īre | īsse (īvisse, iisse) | itūrus esse | passiva só impessoal: īrī |
| ferō, ferre, tulī, lātum | ferre · ferrī | tulisse · lātus esse | lātūrus esse · lātum īrī | ativa · passiva |
| fīō, fierī, factus sum | fierī | factus esse | factum īrī | serve de passiva a faciō |
Os depoentes (capítulo 25) têm forma passiva e sentido ativo também no infinitivo: hortārī é "exortar", e hortātus esse é "ter exortado". A exceção é o futuro, que tem forma ativa, porque o latim não usa -um īrī com sentido ativo: hortātūrus esse, "haver de exortar" (Bennett § 112.a e § 113). Assim: sequī, secūtus esse, secūtūrus esse; loquī, locūtus esse, locūtūrus esse; morī, mortuus esse, moritūrus esse.
Este é o ponto mais importante do capítulo, e o que mais confunde quem vem do português. O "presente", o "perfeito" e o "futuro" do infinitivo não indicam o tempo em relação a quem fala, mas em relação ao verbo de que o infinitivo depende (Bennett § 270; A&G § 486; Ravizza n. 384; Kennedy § 412):
Veja o efeito com vidētur, "parece" (literalmente "é visto", a passiva de videō), que se usa pessoalmente com um infinitivo: Mārcus labōrāre vidētur, "Marco parece trabalhar".
| Latim | Relação | Português |
|---|---|---|
| Mārcus labōrāre vidētur. | simultânea ao presente | Marco parece trabalhar (agora). |
| Mārcus labōrāvisse vidētur. | anterior ao presente | Marco parece ter trabalhado. |
| Mārcus labōrātūrus esse vidētur. | posterior ao presente | Marco parece estar para trabalhar (parece que vai trabalhar). |
| Mārcus labōrāre vidēbātur. | simultânea ao passado | Marco parecia trabalhar (naquele momento). |
| Mārcus labōrāvisse vidēbātur. | anterior ao passado | Marco parecia ter trabalhado (antes daquele momento). |
| Mārcus labōrātūrus esse vidēbātur. | posterior ao passado | Marco parecia estar para trabalhar (parecia que ia trabalhar). |
Repare nas duas linhas com labōrāre: a forma latina é a mesma, mas a tradução muda conforme o verbo principal esteja no presente ou no passado. O infinitivo "presente" depois de vidēbātur descreve algo que acontecia no passado. Por isso, quando você classificar um infinitivo, pergunte sempre "em relação a quê?". Essa pergunta é a chave da oração infinitiva no capítulo 28, onde a mesma regra decide se se traduz "diz que vem", "disse que vinha" ou "disse que viria".
Neste capítulo o infinitivo aparece sem um sujeito próprio no acusativo: ou ele tem o mesmo sujeito do verbo principal, ou não tem sujeito pessoal nenhum. O caso em que o infinitivo tem um sujeito próprio no acusativo (dīcō Mārcum venīre) é a oração infinitiva, tema do capítulo 28.
Muitos verbos têm sentido incompleto e pedem outro verbo para completá-lo, com o mesmo sujeito: "posso ler", "quero sair", "comecei a escrever". Em latim esse segundo verbo vai para o infinitivo, exatamente como em português (Bennett § 328.1; A&G § 456; Kennedy § 369; Ravizza n. 375 b). Os principais: possum (posso), volō, nōlō, mālō (quero, não quero, prefiro), cupiō (desejo), dēbeō (devo), soleō (costumo), audeō (ouso), incipiō e coepī (começo, comecei), dēsinō (deixo de), cōnstituō e statuō (decido), discō (aprendo), sciō (sei, no sentido de "sei fazer").
Se o infinitivo complementar for esse (ou outro verbo de ligação), o predicativo concorda com o sujeito do verbo principal e fica, portanto, no nominativo (Bennett § 328.2; A&G § 458): Discipulī bonī esse volunt, "Os alunos querem ser bons"; Iūlia laeta esse nōn potest, "Júlia não consegue estar alegre".
Com est + adjetivo ou substantivo neutro (dulce est, facile est, difficile est, tempus est) e com os verbos impessoais (necesse est, "é necessário"; oportet, "convém, é preciso"; licet, "é permitido"; iuvat, "agrada"; placet, "parece bem"), o infinitivo funciona como sujeito: o que "é necessário" ou "é agradável" é a própria ação (Bennett § 327; A&G §§ 452, 454; Kennedy § 366; Ravizza n. 165 c e n. 375 a). Como sujeito, ele é neutro singular, e por isso o adjetivo predicativo vai para o neutro.
A pessoa a quem algo é necessário, permitido ou agradável vem em geral no dativo (nōbīs licet, mihi placet); com oportet e, às vezes, com necesse est, ela aparece no acusativo, como sujeito do infinitivo, construção que o capítulo 28 explica (A&G § 455 e nota).
Nas narrativas vivas, sobretudo em Salústio, Lívio e Tácito, o infinitivo presente aparece no lugar do imperfeito do indicativo, com o sujeito no nominativo e sem verbo nenhum de que dependa (Bennett § 335; A&G § 463; Kennedy § 372). O efeito é o de uma sucessão rápida de ações, como numa cena filmada. Traduza-o pelo imperfeito:
Você não precisa produzir essa construção; basta reconhecê-la quando um infinitivo aparece com sujeito no nominativo e nenhum verbo pessoal por perto.
No Sermão da Montanha, na tradução de São Jerônimo, há uma frase curta com um infinitivo complementar perfeito para análise (Mt 6,24, Vulgata Clementina):
| Palavra | Dicionário | Análise | Função |
|---|---|---|---|
| Nēmō | nēmō, nēminis (m./f.), ninguém | nominativo singular | sujeito de potest |
| potest | possum, posse, potuī, poder | presente do indicativo, 3ª pessoa do singular | verbo principal, de sentido incompleto |
| duōbus | duo, duae, duo, dois | dativo plural masculino (capítulo 19) | concorda com dominīs |
| dominīs | dominus, -ī (m.), senhor | dativo plural, 2ª declinação | complemento de servīre (verbo que pede dativo, capítulo 20) |
| servīre | serviō, servīre, servīvī, servītum, servir | infinitivo presente ativo, 4ª conjugação | infinitivo complementar de potest: ação simultânea, mesmo sujeito |
Dois raciocínios estão em jogo. O primeiro é de valência: potest sozinho não diz nada ("ninguém pode... o quê?"), e o infinitivo que vem no fim da frase fecha a expectativa. O segundo é de regência: o dativo duōbus dominīs não depende de "poder", mas de "servir", que em latim pede dativo, como mostra também a segunda frase, onde Deō e mammōnae (de mammōna, masculino da 1ª declinação, palavra de origem aramaica, "riqueza") estão ambos no dativo. O infinitivo conserva a regência do seu verbo: é o lado "verbo" da forma nominal.
O próximo capítulo dá ao infinitivo um sujeito próprio, no acusativo: Dīcō Mārcum venīre, "Digo que Marco vem". É a construção mais característica da prosa latina, e tudo o que você aprendeu aqui sobre o tempo relativo será usado ali a cada frase.
Erro: Formar o presente passivo da 3ª conjugação com -erī ("regerī", "caperī").
Por quê, e como evitar: Na 3ª conjugação, inclusive nos verbos em -iō, a terminação -ere inteira se troca por -ī: regī, capī, dūcī, mittī. Só a 1ª, a 2ª e a 4ª trocam -re por -rī (amārī, monērī, audīrī).
Erro: Confundir amātum esse, amātūrum esse e amātum īrī.
Por quê, e como evitar: São três tempos diferentes. Amātum esse (com esse) é perfeito passivo, "ter sido amado"; amātūrum esse (com -ūr-) é futuro ativo, "haver de amar"; amātum īrī (com īrī) é futuro passivo, "haver de ser amado". Olhe para o elemento que acompanha: esse ou īrī, e se há ou não -ūr-.
Erro: Traduzir o infinitivo presente sempre pelo presente.
Por quê, e como evitar: O tempo do infinitivo é relativo. Labōrāre vidēbātur é "parecia trabalhar", não "parece trabalhar"; o infinitivo apenas diz que o trabalho era simultâneo ao "parecer", que está no passado. Pergunte sempre "simultâneo, anterior ou posterior a quê?".
Erro: Deixar invariável o particípio dos infinitivos compostos ("Iūlia laudātus esse vidētur").
Por quê, e como evitar: Laudātus e laudātūrus declinam-se como adjetivos de primeira classe e concordam com o sujeito do infinitivo: Iūlia laudāta esse vidētur, "Júlia parece ter sido elogiada"; puerī laudātūrī esse videntur, "os meninos parecem estar para elogiar". Só -tum īrī e fore não variam.
Erro: Traduzir dēbuit venīre por "deve ter vindo".
Por quê, e como evitar: O latim põe a obrigação no passado e o infinitivo no presente: dēbuit venīre = "devia ter vindo" (era obrigação dele vir, naquele momento). "Deve ter vindo", no sentido de suposição, é outra ideia. Veja Bennett § 270.2.
Erro: Procurar o verbo de que depende um infinitivo histórico.
Por quê, e como evitar: No infinitivo histórico não há verbo regente: o sujeito está no nominativo e o infinitivo faz as vezes de um imperfeito (Tum Catilīna pollicērī..., "Então Catilina prometia..."). Se uma série de infinitivos tem sujeitos no nominativo e nenhum verbo pessoal, você está diante dessa construção.
Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.
Forme os seis infinitivos de mittō, mittere, mīsī, missum (3ª conjugação, "enviar") e traduza cada um.
O presente ativo é a 2ª parte principal: mittere, "enviar". Como o verbo é da 3ª conjugação, o passivo troca -ere por -ī: mittī, "ser enviado" (não "mitterī").
Tema do perfeito: mīs- (de mīsī) + -isse: mīsisse, "ter enviado".
Tema da 4ª parte, miss-, + -us, -a, -um + esse: missus (missa, missum) esse, "ter sido enviado". O -us concorda com o sujeito: epistula missa esse vidētur, "a carta parece ter sido enviada".
miss- + -ūrus + esse: missūrus (-a, -um) esse, "haver de enviar". Também concorda com o sujeito.
A 4ª parte inteira, invariável, + īrī: missum īrī, "haver de ser enviado". Não muda, qualquer que seja o sujeito.
Quadro final: mittere, mittī; mīsisse, missus esse; missūrus esse, missum īrī. Com as quatro partes principais, nenhum infinitivo precisa ser decorado à parte.
Analise e traduza: Necesse est mīlitibus pugnāre; sed hostēs iam fūgisse videntur. Vocabulário: mīles, mīlitis, soldado; pugnō, -āre, lutar; hostis, -is, inimigo; fugiō, fugere, fūgī, fugir; iam, já; videntur, "parecem".
O infinitivo pugnāre: o que "é necessário" é lutar. É um infinitivo sujeito de expressão impessoal.
Dativo plural: a pessoa para quem a ação é necessária (A&G § 455). "É necessário aos soldados lutar", isto é, "os soldados precisam lutar".
Perfeito ativo de fugiō (tema fūg- + -isse). Depende de videntur, cujo sujeito é hostēs; o mesmo sujeito vale para o infinitivo.
Anterioridade em relação a videntur (presente): a fuga aconteceu antes do momento em que "parece". Daí "parecem ter fugido", reforçado por iam.
"É necessário que os soldados lutem (os soldados precisam lutar); mas os inimigos parecem já ter fugido."
Faça por escrito ou em voz alta; abra "Ver resposta" só depois de tentar. A explicação da resposta faz parte da lição.
Diga o tempo e a voz de cada infinitivo, de que verbo vem e traduza.
Perfeito ativo de moneō (tema monu- + -isse): "ter advertido".
Presente passivo de audiō (4ª conjugação, -re → -rī): "ser ouvido".
Futuro ativo de regō (tema da 4ª parte rēct- + -ūrus + esse), masculino singular: "haver de reger".
Futuro passivo de capiō, invariável: "haver de ser capturado".
Presente passivo de regō: "ser regido". Não confunda com rēgī, dativo de rēx, que tem ē longo; num texto sem macrons, decida pelo contexto (um verbo como vult ou dēbet pede infinitivo; um verbo de dar pede dativo).
Perfeito passivo de laudō, com o particípio no feminino plural (nominativo): "terem sido louvadas", referindo-se a um sujeito feminino plural.
Futuro de sum, forma curta e invariável de futūrus esse: "haver de ser".
Presente passivo do irregular ferō: "ser levado".
Futuro do depoente hortor. Embora o verbo seja depoente, o infinitivo futuro tem forma ativa (Bennett § 112.a): "haver de exortar".
Perfeito ativo de amō, forma contraída de amāvisse (Bennett § 116.1): "ter amado".
Dê os infinitivos presente, perfeito e futuro, ativos e passivos, a partir das partes principais.
dūcere, dūcī; dūxisse, ductus esse; ductūrus esse, ductum īrī. Presente passivo em -ī, porque o verbo é da 3ª conjugação.
dēlēre, dēlērī; dēlēvisse (dēlēsse), dēlētus esse; dēlētūrus esse, dēlētum īrī.
scrībere, scrībī; scrīpsisse, scrīptus esse; scrīptūrus esse, scrīptum īrī.
Ativa: facere, fēcisse, factūrus esse. Passiva: o presente é fierī, de fīō (capítulo 26), e não "facī"; depois factus esse, factum īrī.
Ativa: venīre, vēnisse, ventūrus esse. Por ser intransitivo, veniō não tem passiva pessoal ("ser vindo" não faz sentido); só tem a passiva impessoal do capítulo 24 (ventum est, "veio-se, chegou-se"), cujos infinitivos são raros e não precisam ser praticados.
Traduza, prestando atenção à relação de tempo entre o infinitivo e o verbo principal. Vocabulário: vidētur, videntur, parece(m); vidēbātur, vidēbantur, parecia(m); urbs, urbis, cidade.
"O rei parece ser bom." Infinitivo presente: simultâneo a vidētur; bonus, predicativo no nominativo, concorda com rēx.
"O rei parece ter sido bom." Perfeito: anterior ao presente.
"A cidade parecia ter sido tomada." Perfeito passivo, anterior a um passado; capta concorda com urbs (feminino singular).
"Os inimigos parecem estar para vir" (parece que virão). Futuro: posterior; ventūrī no masculino plural, com hostēs.
"Os meninos pareciam dormir." Presente: simultâneo a um passado, por isso traduzido como ação daquele momento passado.
Classifique o infinitivo (complementar, sujeito ou histórico) e traduza. Vocabulário: discō, -ere, aprender; omnis, -e, todo; templum, -ī, templo; sub arboribus, sob as árvores; nostrī, os nossos (soldados); sequor, sequī, perseguir; fortis, -e, corajoso.
Complementar de discunt, com o mesmo sujeito: "Os alunos aprendem a escrever em latim."
Sujeito de necesse est; omnibus é dativo da pessoa: "É necessário a todos trabalhar" ("todos precisam trabalhar").
Sujeito de licet, com a pessoa no dativo: "Não nos é permitido dormir no templo."
Sujeito de iuvat: "É agradável ler sob as árvores."
Infinitivos históricos: sujeitos no nominativo (hostēs, nostrī) e nenhum verbo regente. Traduza pelo imperfeito: "Então os inimigos fugiam, os nossos os perseguiam."
Complementar de dēbent; fortēs é predicativo no nominativo, concordando com mīlitēs: "Os soldados devem ser corajosos."
Passe para o latim. Use o vocabulário dos exercícios anteriores.
Puerī laudārī volunt (ou cupiunt). Infinitivo presente passivo, complementar.
Puella dormīre nōn potest.
Necesse est multōs librōs legere. Librōs é objeto de legere, que conserva a regência do verbo.
Rēx mīlitēs mittere cōnstituit. Cōnstituō + infinitivo complementar (mesmo sujeito).
Mīlitēs victī esse videntur. Perfeito passivo de vincō (victum), com victī no nominativo masculino plural, concordando com mīlitēs.
Nōlī timēre! Proibição com nōlī + infinitivo (capítulo 22); a vários: Nōlīte timēre!
Identifique cada infinitivo, seu tempo, sua voz e seu uso. Os textos estão citados com macrons acrescentados.
Morī: infinitivo presente do depoente morior (forma passiva, sentido ativo), sujeito de est. Os predicativos dulce e decōrum estão no neutro porque o sujeito é um infinitivo. "É doce e honroso morrer pela pátria."
Servīre: presente ativo, complementar de potestis; Deō e mammōnae são dativos regidos por servīre. "Não podeis servir a Deus e à riqueza."
Pollicērī: presente do depoente polliceor, infinitivo histórico (sujeito Catilīna no nominativo, nenhum verbo regente). "Então Catilina prometia a abolição das dívidas."
Adōrāre: presente ativo, sujeito do impessoal oportet. "Em Jerusalém está o lugar onde é preciso adorar."
Para consultar as formas, os paradigmas de Bennett (§§ 100–113) trazem os seis infinitivos de cada conjugação, e o Pe. Ravizza explica em português o infinito como sujeito e como objeto (n. 375). As Fabulae Faciles e o Breviarium de Eutrópio estão cheios de infinitivos complementares com possum, volō e cōnstituō, bons para treinar o reconhecimento. Em Salústio (Bellum Catilinae) procure séries de infinitivos históricos; nos Evangelhos da Vulgata, infinitivos complementares e sujeitos de oportet.
Charles E. Bennett
Gramática de referência compacta (1918), em inglês, com macrons: sons, flexões, sintaxe, prosódia. Mais curta e mais fácil de consultar que Allen & Greenough; cabe num leitor de EPUB.
Pe. João Ravizza
Gramática latina completa em português, usada por gerações nas escolas brasileiras, com um compêndio de história da literatura latina. Nona edição (1940), em domínio público (autor falecido em 1941). Fac-símile em PDF no Internet Archive.
Francis Ritchie (ed. J. C. Kirtland)
Quatro narrativas contínuas escritas para iniciantes (Perseu, Hércules, os Argonautas, Ulisses), com notas em inglês e vocabulário completo. O leitor graduado mais usado do mundo anglófono há mais de um século; a sintaxe cresce aos poucos ao longo das histórias. A história de Perseu tem gravação no LibriVox (coleção de aprendizado de línguas, vol. 1).
Eutropius
Resumo da história de Roma, da fundação ao século IV, em dez livros curtos e de sintaxe muito simples: foi durante séculos o primeiro texto autêntico dos estudantes. Com macrons, vocabulário corrente e notas. Ideal para a transição dos leitores graduados ao latim real.
Gaius Sallustius Crispus
A Conjuração de Catilina completa (edição Ahlberg, 1919), sem notas. Monografia curta, de estilo arcaizante e sentencioso; combina bem com as Catilinárias de Cícero sobre os mesmos fatos. EPUB com notas em inglês (edição Schmitz e Zumpt) no Project Gutenberg.
Hieronymus Stridonensis (Vulgata)
A Vulgata Clementina completa, do Gênesis ao Apocalipse, livro a livro. Comece por Marcos, Gênesis ou os Salmos: frases curtas, vocabulário repetitivo e um texto que você já conhece em português. A leitura cristã fundamental e, para muitos, a primeira obra longa lida em latim. No LibriVox há, por ora, só o Salmo 22 gravado.