Leitura comentada dos vinte primeiros versos do livro II da Eneida: Eneias começa a contar a Dido a queda de Troia e os gregos constroem o cavalo de madeira. Texto da edição Greenough, vocabulário e notas, escansão do hexâmetro com elisão, os traços do estilo épico, análise de um período e tradução própria.
Neste capítulo você vai
Situar o livro II da Eneida na obra e reconhecer quem fala, a quem e em que momento.
Ler e traduzir Eneida II, 1–20 com apoio das notas, identificando as construções já estudadas (ablativo absoluto, interrogativa indireta, subjuntivo potencial, gerúndio).
Escandir um hexâmetro datílico, aplicando a elisão e a regra da posição, e localizar a cesura principal.
Reconhecer marcas do estilo épico: perfeito em -ēre, genitivo em -um, hipérbato, enjambement, presente histórico e hendíadis.
Comparar a sua tradução com o latim e justificar as escolhas de ordem e de tempo verbal.
VirgílioEneida IIleitura comentadahexâmetro datílicoescansãoelisãoectlipse e sinalefacesurasinizese e i consonantal (abiete)perfeito em -ēregenitivo plural em -um (Danaum, virum)acusativo plural em -īsinterrogativa indireta com utsubjuntivo potencialgerúndio no ablativoablativo absoluto na poesiapresente históricohipérbatoenjambementhendíadisestilo épicotradução de poesia
Antes deste capítulo: Capítulo 46 (Ovídio), em que você leu pela primeira vez um trecho longo em hexâmetros; por trás dele, o capítulo 40 (métrica e figuras). Usamos também o ablativo absoluto (capítulo 30), a interrogativa indireta (capítulo 35), o subjuntivo independente (capítulo 32), o gerúndio (capítulo 31) e os depoentes (capítulo 25). · capítulo 46 · capítulo 40 · capítulo 30 · capítulo 35
Públio Vergílio Marão (Pūblius Vergilius Marō, 70–19 a.C.) nasceu perto de Mântua e escreveu três obras: as Bucólicas, dez poemas pastoris; as Geórgicas, quatro livros sobre o trabalho do campo; e a Eneida, a epopeia em doze livros a que dedicou os últimos dez anos de vida. O poema conta como Eneias, príncipe troiano, sobrevive à destruição de Troia e, depois de anos de viagem, chega ao Lácio, onde seus descendentes fundarão Roma. Virgílio morreu antes de dar a última demão à obra (restam versos incompletos, como você notará se ler o poema inteiro), e ela foi publicada por ordem de Augusto.
No fim do livro I, Eneias, náufrago, é recebido em Cartago pela rainha Dido, que oferece um banquete aos troianos e lhe pede que conte desde o início a ruína da cidade e as suas viagens. Os livros II e III são essa narrativa, na primeira pessoa: o herói passa a ser narrador, como Ulisses na corte dos feácios na Odisseia, modelo que Virgílio tem em mente. O livro II, o da queda de Troia, é o mais lido nas escolas desde a Antiguidade: o cavalo de madeira, a serpente que mata Laocoonte, o fantasma de Heitor, o incêndio, a morte de Príamo e a fuga de Eneias com o pai às costas.
Os vinte versos deste capítulo são a abertura. Os dois primeiros ainda são do narrador do poema; a partir do v. 3 fala Eneias. Ele recusa e aceita ao mesmo tempo (a dor é "indizível", mas ele contará), e no v. 13 passa, sem transição, à história: os gregos, cansados de dez anos de guerra, constroem o cavalo e escondem nele os melhores guerreiros.
Leia o texto em voz alta duas vezes antes de olhar as notas: primeiro devagar, palavra por palavra; depois tentando respeitar as elisões (seção 4). Os números à esquerda são os dos versos, pelos quais o trecho é citado.
Texto latino: ed. J. B. Greenough (1900), domínio público; macrons deste livro
v.
Vergílio, Eneida II, 1–20
1
Conticuēre omnēs, intentīque ōra tenēbant.
2
Inde torō pater Aenēās sīc ōrsus ab altō:
3
Īnfandum, rēgīna, iubēs renovāre dolōrem,
4
Trōiānās ut opēs et lāmentābile rēgnum
5
ēruerint Danaī; quaeque ipse miserrima vīdī,
6
et quōrum pars magna fuī. Quis tālia fandō
7
Myrmidonum Dolopumve aut dūrī mīles Ulixī
8
temperet ā lacrimīs? Et iam nox ūmida caelō
9
praecipitat, suādentque cadentia sīdera somnōs.
10
Sed sī tantus amor cāsūs cognōscere nostrōs
11
et breviter Trōiae suprēmum audīre labōrem,
12
quamquam animus meminisse horret, lūctūque refūgit,
13
incipiam. Frāctī bellō fātīsque repulsī
14
ductōrēs Danaum, tot iam lābentibus annīs,
15
īnstar montis equum dīvīnā Palladis arte
16
aedificant, sectāque intexunt abiete costās:
17
vōtum prō reditū simulant; ea fāma vagātur.
18
Hūc dēlēcta virum sortītī corpora fūrtim
19
inclūdunt caecō laterī, penitusque cavernās
20
ingentīs uterumque armātō mīlite complent.
Tradução deste livro, linha a linha quanto ao sentido, sem pretensão poética:
[1–2] Calaram-se todos e, atentos, mantinham os rostos voltados para ele. Então o pai Eneias, do alto do seu leito, começou assim:
[3–8] "Mandas-me, rainha, renovar uma dor indizível: contar como os gregos derrubaram o poderio troiano e o reino digno de lágrimas, as coisas tristíssimas que eu mesmo vi e das quais fui parte importante. Quem, ao narrar tais coisas, seja dos mirmidões ou dos dólopes, seja soldado do duro Ulisses, se conteria das lágrimas?
[8–13] E já a noite úmida se precipita do céu, e as estrelas que se põem convidam ao sono. Mas, se é tão grande o teu desejo de conhecer as nossas desgraças e de ouvir em poucas palavras a provação final de Troia, embora a alma estremeça de lembrar e tenha recuado de dor, começarei.
[13–20] Alquebrados pela guerra e repelidos pelos fados, os chefes dos gregos, passados já tantos anos, constroem, com a arte divina de Palas, um cavalo do tamanho de um monte, e entretecem as suas costelas com tábuas de abeto; fingem que é uma oferenda votiva pelo regresso: essa é a notícia que corre. Ali, às escondidas, encerram no flanco escuro guerreiros escolhidos por sorteio, e enchem por dentro de soldados armados as cavernas enormes do ventre."
Por que o presente em "constroem", "fingem", "encerram"? Virgílio narra o passado no presente (aedificant, simulant, inclūdunt, complent): é o presente histórico (Bennett § 259.3), que torna a cena visível. Em português o presente também funciona bem numa narrativa oral; a tradução o mantém.
A tabela segue a ordem dos versos. As palavras do vocabulário básico dos capítulos anteriores não estão glosadas; as formas difíceis estão explicadas onde aparecem.
Notas a Eneida II, 1–20
v.
Palavra ou expressão
Nota
1
conticuēre
perfeito de conticēscō, -ere, conticuī, "calar-se": 3ª pl. em -ēre, forma alternativa de conticuērunt (seção 5). Não é infinitivo.
1
intentī … ōra tenēbant
intentus, "atento"; ōs, ōris (n.), "boca, rosto". Literalmente "atentos, mantinham os rostos": isto é, olhavam fixamente para Eneias.
2
torō … ab altō
torus, -ī (m.), "leito" (o divã do banquete). As duas palavras emolduram o verso, com o sujeito no meio (hipérbato).
2
ōrsus
particípio de ordior, ordīrī, ōrsus sum (depoente), "começar"; subentenda est: "começou".
3
īnfandum … dolōrem
īnfandus, "indizível, que não se deve dizer" (in- + gerundivo de for, fārī, "falar"). Adjetivo no início do verso e nome no fim: a dor ocupa a linha toda.
3
iubēs renovāre
iubeō + infinitivo, "mandas renovar". Rēgīna é vocativo: Dido.
4–5
Trōiānās ut opēs … ēruerint Danaī
ut aqui é "como", e introduz uma interrogativa indireta (subjuntivo perfeito ēruerint, de ēruō, "arrancar, derrubar") que explica dolōrem. Note o ut deslocado para depois de Trōiānās. Opēs: "poder, riqueza". Danaī: os gregos.
5–6
quaeque … miserrima vīdī / et quōrum pars magna fuī
relativas com antecedente subentendido ("e as coisas tristíssimas que…"); quōrum, genitivo partitivo com pars: "das quais fui grande parte".
6
tālia fandō
fandō, gerúndio de for, fārī, no ablativo, com objeto direto tālia: "ao contar tais coisas" (Bennett § 338.4.a e 338.5).
7
Myrmidonum Dolopumve
genitivos plurais (3ª declinação) partitivos de quis: "quem dos mirmidões ou dos dólopes" (tropas de Aquiles). -ve, "ou".
7
dūrī … Ulixī
genitivo de Ulixēs (Ulisses), na forma Ulixī (Lewis & Short registra esta passagem); dūrus, "duro, implacável".
6–8
quis … temperet ā lacrimīs?
temperō ā + ablativo, "abster-se de". Subjuntivo potencial (Bennett § 280.2): "quem se conteria?", isto é, se contasse estas coisas. A resposta implícita é "ninguém": pergunta retórica.
8–9
nox ūmida caelō praecipitat
praecipitō aqui é intransitivo, "lançar-se, descer depressa"; caelō, ablativo: "do céu". Já é tarde da noite.
9
suādent … cadentia sīdera somnōs
suādeō, "aconselhar, convidar a"; cadentia, particípio presente de cadō: as estrelas "que caem", isto é, que se põem. Somnōs, plural poético.
10
sī tantus amor (est) cāsūs cognōscere nostrōs
subentenda est. Amor + infinitivo, "desejo de conhecer", construção poética. Cāsūs: acusativo plural de cāsus, -ūs, "queda, desgraça".
11
suprēmum … labōrem
"a provação final", objeto de audīre.
12
meminisse horret
horreō, "arrepiar-se, ter horror", + infinitivo; meminī, "lembrar-se", verbo defectivo: só tem formas de perfeito, com sentido de presente.
12
lūctūque refūgit
lūctus, -ūs, "luto, dor"; ablativo de causa. Refūgit é perfeito de refugiō (o presente seria refugit, com u breve): o metro garante a vogal longa, porque a sílaba ocupa o início do sexto pé. "Recuou", e o efeito dura: a alma recuou e ainda recua.
13
incipiam
futuro de incipiō: "começarei". O verbo fica isolado no início do verso, depois de três versos de condição e concessão (enjambement).
13
frāctī … repulsī
particípios perfeitos de frangō ("quebrar") e repellō ("repelir"), concordando com ductōrēs: particípio conjunto. Bellō e fātīs, ablativos de causa ou de meio.
ablativo absoluto com particípio presente do depoente lābor, "escorregar, passar": "passando já tantos anos".
15
īnstar montis
īnstar, substantivo neutro indeclinável, "tamanho, equivalente", + genitivo: "do tamanho de um monte".
15
dīvīnā Palladis arte
ablativo de meio com genitivo encaixado: "pela arte divina de Palas" (Atena, a Minerva dos romanos).
16
sectāque intexunt abiete costās
intexō, "entretecer"; costa, -ae, "costela"; abiēs, abietis (f.), "abeto", ablativo de meio; secta, "cortada". No metro, o i de abiete vale consoante (seção 4).
17
vōtum prō reditū simulant
vōtum, "oferenda prometida aos deuses"; reditus, -ūs, "regresso"; simulō, "fingir": fingem que o cavalo é um ex-voto pela volta. Vagātur: depoente vagor, "espalhar-se".
18
dēlēcta virum … corpora
virum = virōrum. "Corpos escolhidos de homens" é perífrase épica para "homens escolhidos".
18
sortītī
particípio perfeito do depoente sortior, "tirar à sorte", com sentido ativo: "tendo-os sorteado".
19
caecō laterī
caecus, "cego, escuro"; latus, -eris (n.), "lado, flanco". Dativo com o composto inclūdō, onde a prosa diria in latere.
19–20
cavernās ingentīs uterumque
ingentīs = ingentēs, acusativo plural em -īs (seção 5); uterus, -ī, "ventre". "As cavernas enormes e o ventre" = as cavernas enormes do ventre: hendíadis (Bennett § 374.4).
20
armātō mīlite complent
mīles no singular coletivo, "soldados"; ablativo com o verbo de encher compleō.
O capítulo 40 apresentou o hexâmetro datílico e o capítulo 46 o pôs em prática com Ovídio. Recapitulando o essencial: o verso tem seis pés; os quatro primeiros podem ser dáctilos (– ˘ ˘) ou espondeus (– –), o quinto é quase sempre dáctilo e o sexto tem duas sílabas, a última das quais pode ser breve ou longa (Bennett § 368.1; Kennedy § 477). Uma sílaba é longa se tem vogal longa ou ditongo, ou se a vogal é seguida de duas consoantes, mesmo que a segunda esteja na palavra seguinte.
A novidade aqui é a elisão. Quando uma palavra termina em vogal, ditongo ou vogal + m e a seguinte começa por vogal ou h, a sílaba final da primeira some na leitura métrica (Bennett § 366.7). As gramáticas dão nomes diferentes ao fenômeno, e vale a pena conhecê-los para não se confundir ao consultá-las:
Os nomes da elisão nas gramáticas
Exemplo
Bennett
Kennedy
Ravizza
Conticuēre omnēs (v. 1)
elisão
elisão ou sinalefa
sinalefa
quamquam animus (v. 12)
elisão
ectlipse (vogal + m)
elisão
meminisse horret (v. 12)
elisão (antes de h)
elisão
sinalefa
A gramática do Pe. Ravizza (n. 535) usa justamente dois versos deste trecho como exemplos: Conticuēre omnēs para a sinalefa e suprēmum audīre labōrem (v. 11) para a elisão em -m. Na leitura em voz alta, a sílaba elidida pode ser pronunciada de leve ou cair; na escansão, ela simplesmente não conta.
Verso 1, com duas elisões
Conticuēre omnēs, intentīque ōra tenēbant (v. 1)
Pé
1
2
3
4
5
6
Sílabas
Con-ti-cu
ē-r(e) om
nēs in
ten-tī
qu(e) ō-ra te
nē-bant
Quantidade
– ˘ ˘
– –
– –
– –
– ˘ ˘
– –
Pé
dáctilo
espondeu
espondeu
espondeu
dáctilo
espondeu
Repare por que Con-, -nēs, in- e -ten- são longas: Con- e in- por posição (vogal breve + n + consoante), -nēs por natureza. Os três espondeus seguidos tornam o verso lento e grave: é o silêncio da sala antes da narrativa.
Verso 3, sem elisão
Īnfandum, rēgīna, iubēs renovāre dolōrem (v. 3)
Pé
1
2
3
4
5
6
Sílabas
Īn-fan
dum rē
gī-na iu
bēs re-no
vā-re do
lō-rem
Quantidade
– –
– –
– ˘ ˘
– ˘ ˘
– ˘ ˘
– –
O i de iubēs é consoante (soa como o i de "iate"), por isso -na continua breve: está diante de uma só consoante.
Verso 5, com uma elisão
ēruerint Danaī; quaeque ipse miserrima vīdī (v. 5)
Pé
1
2
3
4
5
6
Sílabas
ē-ru-e
rint Da-na
ī quae
qu(e) ip-se mi
ser-ri-ma
vī-dī
Quantidade
– ˘ ˘
– ˘ ˘
– –
– ˘ ˘
– ˘ ˘
– –
A cesura
Na maioria dos hexâmetros há um corte de palavra logo depois da primeira sílaba do terceiro pé, a cesura principal: Īnfandum, rēgīna, || iubēs; ēruerint Danaī; || quaeque. O v. 2 é o exemplo que Bennett (§ 368.3.b) dá do tipo menos comum, com cortes no segundo e no quarto pés: Inde torō || pater Aenēās || sīc ōrsus ab altō. Observe que Bennett cita o verso com est no fim (ab altō est), palavra que nenhuma das edições conferidas para este capítulo traz (Greenough; O. Ribbeck, Leipzig, Teubner, 1861; J. Conington, reimpressão de Nova York, 1895; H. R. Fairclough, Loeb, 1916; The Latin Library): seguimos o texto delas, e a forma de Bennett fica registrada como variante; a diferença não muda a escansão, porque altō est se pronuncia altōst, com a mesma última sílaba longa.
Quase tudo no trecho é gramática que você já conhece. O que dá estranheza é um conjunto de hábitos da poesia épica, que convém reconhecer de uma vez.
Formas próprias da poesia
Formas que a prosa usaria de outro modo
Forma
Equivale a
Explicação
conticuēre (v. 1)
conticuērunt
como você viu em Ovídio (capítulo 46), a 3ª pessoa do plural do perfeito tem duas terminações, -ērunt e -ēre (Bennett § 101; A&G § 163, nota 3). A forma em -ēre é frequente nos poetas e nos historiadores. Não confunda com o infinitivo presente da 2ª conjugação (monēre): aqui o tema é o do perfeito, conticu-.
Danaum (v. 14), virum (v. 18)
Danaōrum, virōrum
genitivo plural da 2ª declinação em -um, forma antiga conservada em certas palavras e muito usada na poesia (Bennett § 25.6.c; o mesmo com deum por deōrum, § 25.4). Não é acusativo singular: o contexto pede "dos gregos", "de homens".
ingentīs (v. 20)
ingentēs
acusativo plural em -īs dos temas em -i e dos adjetivos da 3ª declinação (Bennett § 67.3.a; capítulo 10).
Ulixī (v. 7)
Ulixis
genitivo de um nome de origem grega, em forma contraída; Lewis & Short a registra nesta passagem, em outros versos de Virgílio e também em Cícero.
A ordem das palavras
A poesia latina separa o que concorda, e o faz de propósito. O hipérbato (separação de palavras que formam um grupo; Bennett § 350.11.a; capítulo 40) cria molduras: torō … ab altō (v. 2), īnfandum … dolōrem (v. 3), dīvīnā Palladis arte (v. 15, adjetivo e nome em volta do genitivo), caecō laterī diante de cavernās ingentīs. Até a conjunção se desloca: Trōiānās ut opēs (v. 4) põe ut em segunda posição. Para ler, aplique o que você aprendeu no capítulo 39: anote o caso e o gênero de cada adjetivo e espere o nome com que ele concorda.
O enjambement (a frase continua no verso seguinte) também conta. A condição e a concessão dos vv. 10–12 terminam com incipiam, isolado no início do v. 13 e seguido de pausa forte: a palavra "começarei" cai sozinha, depois de toda a hesitação.
O registro épico
Três traços dão o tom elevado. As perífrases: dēlēcta virum corpora, "corpos escolhidos de homens", em vez de "homens escolhidos". A hendíadis, que exprime uma ideia por dois nomes coordenados: cavernās … uterumque, "as cavernas e o ventre" = "as cavernas do ventre" (Bennett § 374.4). E o singular coletivo: armātō mīlite, "com soldado armado", isto é, com soldados. A isso se somam o presente histórico (vv. 16–20) e o ablativo absoluto, que você conhece da prosa e que a poesia usa com a mesma função: tot iam lābentibus annīs, "passando já tantos anos" (capítulo 30; Bennett § 227).
A sintaxe que já é sua
O trecho exercita construções da parte III: a interrogativa indireta com ut, "como" (Trōiānās ut opēs … ēruerint, capítulo 35; Bennett § 300), o subjuntivo potencial numa pergunta retórica (quis … temperet, capítulo 32; Bennett § 280.2; A&G §§ 445–447), o gerúndio no ablativo com objeto (tālia fandō, capítulo 31), a condicional real (sī tantus amor …, incipiam, capítulo 36) e a concessiva com quamquam e indicativo (quamquam animus … horret, capítulo 37).
A primeira frase da narrativa propriamente dita é um bom exemplo do período poético: sujeito com dois particípios, um ablativo absoluto intercalado, o objeto envolvido pelos seus determinantes e o verbo guardado para o início do verso seguinte.
Frāctī bellō fātīsque repulsī / ductōrēs Danaum, tot iam lābentibus annīs, / īnstar montis equum dīvīnā Palladis arte / aedificant.
Alquebrados pela guerra e repelidos pelos fados, os chefes dos gregos, passados já tantos anos, constroem com a arte divina de Palas um cavalo do tamanho de um monte. (Eneida II, 13–16)
Eneida II, 13–16, palavra a palavra
Palavra
Dicionário
Análise
Função
Frāctī
frangō, -ere, frēgī, frāctum, quebrar
particípio perfeito passivo, nom. pl. masc.
particípio conjunto, concorda com ductōrēs
bellō
bellum, -ī (n.), guerra
ablativo singular
causa/meio de frāctī
fātīsque
fātum, -ī (n.), destino + -que
ablativo plural
causa/meio de repulsī
repulsī
repellō, -ere, reppulī, repulsum, repelir
particípio perfeito passivo, nom. pl. masc.
particípio conjunto, concorda com ductōrēs
ductōrēs
ductor, -ōris (m.), chefe
nominativo plural
sujeito de aedificant
Danaum
Danaī, -ōrum (m. pl.), gregos
genitivo plural em -um
complemento de ductōrēs
tot … annīs
tot (indeclinável), tantos; annus, -ī (m.), ano
ablativo plural
ablativo absoluto com lābentibus
iam
advérbio
invariável
"já"
lābentibus
lābor, lābī, lāpsus sum, deslizar, passar
particípio presente (depoente), abl. pl.
predicado do ablativo absoluto
īnstar
īnstar (n., indeclinável), tamanho
acusativo (aposto a equum)
"do tamanho de"
montis
mōns, montis (m.), monte
genitivo singular
complemento de īnstar
equum
equus, -ī (m.), cavalo
acusativo singular
objeto direto de aedificant
dīvīnā … arte
dīvīnus, -a, -um; ars, artis (f.), arte
ablativo singular
ablativo de meio
Palladis
Pallas, -adis (f.), Palas
genitivo singular
complemento de arte
aedificant
aedificō, -āre, construir
presente do indicativo, 3ª pl. (presente histórico)
verbo principal
O esqueleto do período: ductōrēs Danaum … equum aedificant; o resto pendura-se nessas três palavras.
A estratégia de leitura é a do capítulo 39. Os particípios no nominativo plural (frāctī, repulsī) anunciam um sujeito masculino plural, que chega no verso seguinte (ductōrēs). O ablativo absoluto se fecha sozinho (tot … lābentibus annīs). No v. 15, equum é o único acusativo que pode ser objeto, e īnstar montis se prende a ele; o verbo só chega no v. 16. Repare também na diferença entre os dois tipos de particípio: frāctī e repulsī concordam com o sujeito (particípio conjunto), enquanto lābentibus concorda com annīs, que não tem papel nenhum na oração principal (ablativo absoluto).
Por quê, e como evitar: O tema conticu- é o do perfeito (conticuī), e o verso precisa de um verbo finito para omnēs. Toda forma em -ēre sobre tema de perfeito é 3ª pessoa do plural: conticuēre = conticuērunt, "calaram-se".
Erro: Tomar Danaum ou virum como acusativo singular.
Por quê, e como evitar: Na poesia, -um pode ser genitivo plural (= -ōrum). Teste as duas leituras: "os chefes os gregos" não faz sentido; "os chefes dos gregos" faz. O mesmo com dēlēcta virum corpora, "corpos escolhidos de homens".
Erro: Traduzir o ut do v. 4 por "para que" ou "de modo que".
Por quê, e como evitar: Depois de renovāre dolōrem, a oração com ut e subjuntivo explica qual é a dor: "como os gregos derrubaram…". É ut interrogativo, "como", numa interrogativa indireta (capítulo 35), não final nem consecutivo.
Erro: Contar as sílabas elididas na escansão.
Por quê, e como evitar: Em Conticuēre omnēs, o -re não forma sílaba: o verso só tem seis pés se você o eliminar. Antes de marcar longas e breves, risque todas as vogais finais (e as terminações em -m) que vêm antes de vogal ou h.
Erro: Ler a-bi-e-te com quatro sílabas.
Por quê, e como evitar: Quatro breves seguidas não cabem no hexâmetro. Quando a escansão "não fecha", procure um i ou u que possa valer como consoante (Bennett § 367.4) ou duas vogais que se fundem numa sílaba (sinizese).
Erro: Tratar nox como objeto e sīdera como sujeito de praecipitat.
Por quê, e como evitar:Praecipitat está no singular e é intransitivo: o sujeito é nox ūmida, e caelō diz de onde ela desce. Cadentia sīdera é sujeito do outro verbo, suādent, que está no plural.
Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.
Prática guiada 1 · O primeiro período de Eneias (vv. 3–6)
Leia Īnfandum, rēgīna, iubēs renovāre dolōrem, Trōiānās ut opēs et lāmentābile rēgnum ēruerint Danaī; quaeque ipse miserrima vīdī, et quōrum pars magna fuī. Use as notas da seção 3.
Qual é o verbo principal e quem é o sujeito?Ver o passo
Iubēs, 2ª pessoa do singular: o sujeito é "tu", a rainha, chamada no vocativo rēgīna. O complemento é o infinitivo renovāre, que tem por objeto dolōrem.
Com que palavra concorda īnfandum?Ver o passo
Com dolōrem, no fim do verso: acusativo singular masculino. O adjetivo abre o verso e o nome o fecha, e a palavra "indizível" ganha destaque por vir antes de tudo.
O que é a oração com ut?Ver o passo
Uma interrogativa indireta com subjuntivo perfeito (ēruerint, sequência primária depois do presente iubēs): "como os gregos derrubaram". Ela explica em que consiste a dor. Danaī é o sujeito; opēs e rēgnum são os objetos.
E as relativas quaeque … vīdī et quōrum … fuī?Ver o passo
O antecedente está subentendido ("e [as coisas] tristíssimas que eu mesmo vi"). Quae é neutro plural, objeto de vīdī; miserrima concorda com ele. Quōrum é genitivo partitivo de pars: "das quais fui parte importante".
Monte a tradução.Ver o passo
"Mandas-me, rainha, renovar uma dor indizível: [contar] como os gregos derrubaram o poderio troiano e o reino digno de lágrimas, e as coisas tristíssimas que eu mesmo vi e das quais fui parte importante."
Sim: sectāqu(e) intexunt, porque -que termina em vogal e intexunt começa por vogal.
Marque as sílabas certamente longas.Ver o passo
ae- (ditongo), -cant e sec- (vogal + duas consoantes), -tā- (vogal longa), -quin- (depois da elisão, qu(e) in- forma uma sílaba fechada por n + t), -tex- (o x vale duas consoantes), -unt, cos-, -tās.
Os seis pés fecham?Ver o passo
ae-di-fi | cant sec | tā quin | tex-unt | a-bi-e-te? | cos-tās: com abiete em quatro breves sobram sílabas e o quinto pé não é dáctilo. Lendo ab-je-te, fica ab-je-te = – ˘ ˘.
Faça por escrito ou em voz alta; abra "Ver resposta" só depois de tentar. A explicação da resposta faz parte da lição.
Exercício 1 · Compreensão
Responda em português, com base no texto latino.
Quem fala nos vv. 1–2, e quem fala a partir do v. 3?Ver resposta
Nos vv. 1–2 fala o narrador do poema, que descreve o silêncio e apresenta Eneias (pater Aenēās sīc ōrsus). A partir do v. 3 fala Eneias, que se dirige a Dido (rēgīna, vocativo).
Que dois argumentos Eneias dá para hesitar antes de contar?Ver resposta
A dor da lembrança (īnfandum dolōrem; animus meminisse horret) e a hora avançada (nox ūmida caelō praecipitat, suādentque cadentia sīdera somnōs). Mesmo assim, ele começa (incipiam).
Por que Eneias menciona mirmidões, dólopes e Ulisses?Ver resposta
São os inimigos mais duros de Troia (as tropas de Aquiles e o astuto Ulisses). Se até eles chorariam ao ouvir a história, o sofrimento é imenso: é um argumento a fortiori, em forma de pergunta retórica.
Que pretexto os gregos espalham sobre o cavalo?Ver resposta
Que é uma oferenda votiva pelo seu regresso (vōtum prō reditū simulant); simulant, "fingem", mostra que é mentira.
Exercício 2 · Morfologia
Identifique a forma e dê o verbete de dicionário.
conticuēreVer resposta
Perfeito do indicativo ativo, 3ª pl., forma em -ēre = conticuērunt; conticēscō, -ere, conticuī, "calar-se".
ēruerintVer resposta
Perfeito do subjuntivo ativo, 3ª pl.; ēruō, -ere, ēruī, ērutum, "arrancar, derrubar". O subjuntivo vem da interrogativa indireta.
fandōVer resposta
Gerúndio, ablativo; for, fārī, fātus sum (depoente), "falar, dizer".
cāsūs (v. 10)Ver resposta
Acusativo plural da 4ª declinação; cāsus, -ūs (m.), "queda, desgraça". Concorda com nostrōs.
sortītīVer resposta
Particípio perfeito, nom. pl. masc.; sortior, -īrī, sortītus sum (depoente), "tirar à sorte". Sentido ativo: "tendo sorteado".
vagāturVer resposta
Presente do indicativo, 3ª sing., de um depoente: vagor, -ārī, vagātus sum, "vaguear, espalhar-se". Forma passiva, sentido ativo (capítulo 25).
Exercício 3 · Sintaxe
Explique a construção destacada.
Quis … temperet ā lacrimīs?Ver resposta
Subjuntivo potencial numa pergunta retórica: "quem se conteria?", com a condição implícita "se contasse estas coisas" (Bennett § 280.2). A resposta esperada é "ninguém".
tot iam lābentibus annīsVer resposta
Ablativo absoluto com particípio presente (de depoente): a circunstância de tempo, simultânea, "passando já tantos anos". Annīs não tem função na oração principal.
et iam nox ūmida caelō praecipitatVer resposta
Ablativo de lugar de onde (separação), sem preposição, como é comum na poesia: "desce do céu".
īnstar montis equumVer resposta
Īnstar é um substantivo indeclinável, "equivalente, tamanho", aposto a equum, com o genitivo montis: "um cavalo do tamanho de um monte".
uterumque armātō mīlite complentVer resposta
Ablativo com verbo de encher (compleō), da família do ablativo de meio: "enchem de soldados armados". Mīlite é singular coletivo.
Exercício 4 · Escansão
Escanda os versos, marcando elisões, longas (–) e breves (˘).
v. 13: incipiam. Frāctī bellō fātīsque repulsīVer resposta
in-ci-pi | am frāc | tī bel | lō fā | tīs-que re | pul-sī: – ˘ ˘ | – – | – – | – – | – ˘ ˘ | – –. Não há elisão: incipiam termina em -m, mas a palavra seguinte começa por consoante, e -am fica longa por posição.
v. 17: vōtum prō reditū simulant; ea fāma vagāturVer resposta
v. 12: quamquam animus meminisse horret, lūctūque refūgitVer resposta
Duas elisões: quamqu(am) animus (vogal + m) e meminiss(e) horret (antes de h). quam-qua-ni | mus me-mi | nis-s(e) hor | ret lūc | tū-que re | fū-git: – ˘ ˘ | – ˘ ˘ | – – | – – | – ˘ ˘ | – ˘. A última sílaba é indiferente (Bennett § 366.10), mas a primeira do sexto pé tem de ser longa (§ 368.1): por isso a forma é o perfeito refūgit, e não o presente refugit, de u breve. A escansão serve também para decidir uma forma.
v. 20: ingentīs uterumque armātō mīlite complentVer resposta
Prosa: Hūc virōrum corpora dēlēcta sortītī fūrtim in caecō latere inclūdunt. "Ali, depois de os sortear, encerram às escondidas no flanco escuro homens escolhidos."
sed sī tantus amor cāsūs cognōscere nostrōs …, incipiamVer resposta
Prosa: Sed sī tantus tibi amor est cāsūs nostrōs cognōscere, incipiam. "Mas, se tens tanto desejo de conhecer as nossas desgraças, começarei." Condicional real (capítulo 36): indicativo nas duas orações.
Leituras recomendadas
Continue o livro II nas Seleções do DCC, que trazem macrons, vocabulário e notas verso a verso: depois deste trecho vêm Laocoonte (vv. 40–56) e o fantasma de Heitor (vv. 268–297). Quando quiser ler sem apoio, use o texto integral de Greenough no Perseus, com análise morfológica ao clique e o Lewis & Short ao lado. O livro IV (Dido), na edição comentada de Gildenhard, é a continuação natural; e Ovídio (capítulo 46) serve de contraste: o mesmo metro, um ritmo muito mais leve.
Etapa V · Auctores RomaniDificuldade 4 · AvançadoOriginal ÁudioCom notas
Aeneis (seleções)
Publius Vergilius Maro
Mais de 1.600 versos da Eneida (livro I; a queda de Troia no II; Dido no IV; a descida aos infernos no VI), com macrons, vocabulário corrente, notas e áudio. A seleção tradicional para quem lê Virgílio pela primeira vez.
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Etapa V · Auctores RomaniDificuldade 5 · SuperiorOriginal ÁudioCom notasTexto na biblioteca
Aeneis (texto integral)
Publius Vergilius Maro
Os doze livros da Eneida (edição Greenough, 1900), sem notas, com análise morfológica ao clique. Para quem terminou as seleções comentadas e quer o poema inteiro. EPUB (edição diferente) no Project Gutenberg. Gravação completa no LibriVox.
Poesia épica · Clássico · muitos meses · Perseus Digital Library
Ler aqui: texto latino da edição de J. B. Greenough (1881)
Etapa V · Auctores RomaniDificuldade 4 · AvançadoOriginalCom notas
Aeneis IV, 1–299 (Dido)
Publius Vergilius Maro
O início do livro IV da Eneida (Dido apaixonada), com introdução, perguntas de estudo, comentário detalhado e ensaios interpretativos de Ingo Gildenhard. Sem vocabulário corrente nem tradução: combine com as seleções do DCC. Livro de acesso aberto, PDF gratuito.
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Etapa V · Auctores RomaniDificuldade 4 · AvançadoOriginalCom notasTexto na biblioteca
Metamorphoses (texto integral)
Publius Ovidius Naso
Os quinze livros das Metamorfoses (edição Magnus, 1892), sem notas, com análise de palavras ao clique. Episódios curtos e autocontidos (Dafne, Faetonte, Píramo e Tisbe, Orfeu) permitem leitura aos poucos.
Poesia épica · Clássico · muitos meses · Perseus Digital Library
Ler aqui: texto latino da edição de Hugo Magnus (1892)
O grande dicionário latino-inglês de 1879, integral e pesquisável, ligado a cada palavra dos textos do Perseus. Verbetes com etimologia, sentidos e exemplos de autores. Continua sendo a referência gratuita mais completa.
Bibliotheca Latina. Conteúdo original com trechos de obras em domínio público; licença CC BY 4.0.
Fontes consultadas
Vergílio, Aeneis II, 1–20, ed. J. B. Greenough (Boston, Ginn & Co., 1900), Públio Vergílio Marão (no catálogo) · domínio público · texto da leitura, conferido verso a verso no Perseus e no TEI do PerseusDL (phi0690.phi003, que indica a impressão de 1881); v. 2 (ab altō, sem est) conferido também em Ribbeck 1861, Conington 1895 e Fairclough 1916 (archive.org); pontuação de Greenough; macrons acrescentados por este livro
New Latin Grammar, Charles E. Bennett (no catálogo) · domínio público · § 25.6.c (genitivo plural em -um), § 67.3.a (acusativo plural em -īs dos adjetivos da 3ª declinação), § 101 (perfeito em -ērunt ou -ēre), § 227 (ablativo absoluto), § 259.3 (presente histórico), § 280.2 (subjuntivo potencial), § 300 (interrogativa indireta), § 338.4.a e 338.5 (gerúndio no ablativo, com objeto), §§ 366.7 e 366.10 (elisão; sílaba final anceps), § 367.4 (i consonantal: abjete por abiete), § 368 (hexâmetro; 368.3 cesuras, com o v. 2 deste trecho como exemplo), § 350.11.a (hipérbato), § 374.4 (hendíadis)
Allen and Greenough's New Latin Grammar, J. H. Allen e J. B. Greenough (no catálogo) · domínio público · § 163, nota 3 (as terminações -ērunt e -ēre do perfeito), § 419 (ablativo absoluto), §§ 445–447 (subjuntivo potencial), §§ 573–574 (interrogativa indireta), § 598 (ordem das palavras)
Kennedy's Revised Latin Primer, Benjamin Hall Kennedy (no catálogo) · domínio público · § 474 (elisão ou sinalefa da vogal final; ectlipse da vogal + m; hiato), § 477 (hexâmetro datílico: os quatro primeiros pés dáctilos ou espondeus, o quinto dáctilo, o sexto espondeu ou troqueu)
Gramática Latina, Pe. João Ravizza (no catálogo) · domínio público · n. 535 (figuras de escansão: "elisão" para a sílaba final em -m, com o exemplo suprēmum audīre labōrem, Eneida II, 11; "sinalefa" para a vogal final, com o exemplo Conticuēre omnēs, Eneida II, 1), n. 536 (o hexâmetro)