Como o latim transforma uma pergunta em oração dependente: o interrogativo conservado e o verbo no subjuntivo, regido pela sequência dos tempos; -ne e num como o "se" português; utrum… an e necne nas perguntas duplas; a posterioridade com -ūrus sim e -ūrus essem; a diferença entre quid e quod (interrogativa indireta e oração relativa) e entre a pergunta indireta e a oração infinitiva; e como traduzir tudo isso para um português natural.
Neste capítulo você vai
Reconhecer uma interrogativa indireta pelo interrogativo que a introduz (quis, quid, ubi, cūr, quōmodo…) e pelo verbo no subjuntivo, e identificar o verbo de que ela depende.
Transformar perguntas diretas em indiretas aplicando a sequência dos tempos, inclusive a posterioridade com -ūrus sim e -ūrus essem.
Traduzir -ne e num por "se", e utrum… an e necne por "se… ou…" e "ou não", sem confundir esse "se" com o "se" condicional.
Distinguir a interrogativa indireta da oração relativa (quid × quod) e da oração infinitiva (pergunta × afirmação).
Verter a interrogativa indireta para um português natural, sem decalcar o subjuntivo latino.
interrogativa indiretapergunta direta e indiretaverbos que introduzem perguntassubjuntivo na interrogativa indiretasequência dos temposposterioridade: -ūrus sim, -ūrus essemsubjuntivo deliberativo dependente-ne e num = "se"sī depois de verbos de tentar e esperarperguntas duplas: utrum… annecnehaud sciō annesciō quisquid × quod: interrogativa × relativainterrogativa × oração infinitivatradução para o portuguêsanálise de frase autêntica
Antes deste capítulo: Capítulo 17 (os interrogativos quis, quid, quī, uter, quālis, quantus, quot, ubi, unde, cūr e as partículas -ne, num, nōnne da pergunta direta) e capítulo 34 (a sequência dos tempos). Você também vai usar as formas do subjuntivo (capítulo 32), o particípio futuro em -ūrus (capítulo 29) e, para comparar, a oração infinitiva (capítulo 28) e a oração relativa (capítulo 16). · capítulo 16 · capítulo 17 · capítulo 28 · capítulo 29 · capítulo 32 · capítulo 34
No capítulo 17 você aprendeu a fazer perguntas: Quis venit?, "Quem vem?"; Ubi est Mārcus?, "Onde está Marcos?"; Cūr lacrimās?, "Por que você chora?". Essas são perguntas diretas: a frase inteira é a pergunta, e na escrita ela termina com ponto de interrogação. Muitas vezes, porém, a pergunta não é feita, e sim relatada ou mencionada dentro de outra frase: "Não sei onde Marcos está", "Pergunto quem vem", "Diga-me por que você chora". A pergunta passou a ser uma oração dependente, o objeto (ou o sujeito) de outro verbo. É a interrogativa indireta, que os gramáticos latinos chamavam interrogātiō oblīqua, "pergunta oblíqua", isto é, feita de lado, através de outra frase.
O latim marca essa dependência de dois modos. Conserva a palavra interrogativa da pergunta direta (quis, ubi, cūr…) e põe o verbo da pergunta no subjuntivo. É uma regra sem exceção na prosa clássica (Bennett § 300.1; Allen e Greenough § 574): o subjuntivo aqui não exprime dúvida, desejo ou possibilidade, como nos usos independentes do capítulo 32; ele é simplesmente o modo da oração subordinada que relata uma pergunta. Compare:
A mesma pergunta, direta e indireta
Pergunta direta
Pergunta indireta
Tradução
Quid agis?
Rogō quid agās.
Pergunto o que você está fazendo.
Ubi est Mārcus?
Nesciō ubi Mārcus sit.
Não sei onde Marcos está.
Cūr lacrimās?
Māter quaerit cūr lacrimēs.
A mãe quer saber por que você chora.
Quis vēnit?
Scīre volō quis vēnerit.
Quero saber quem veio.
Quot librōs habēs?
Dīc mihi quot librōs habeās.
Diga-me quantos livros você tem.
Repare que só o verbo muda de modo; a palavra interrogativa, o sujeito e os complementos ficam onde estavam. Repare também que o português faz quase a mesma operação, mas sem mudar o modo: "onde Marcos está", "quem veio", com o indicativo. Essa diferença será importante na hora de traduzir (seção 5).
Que verbos introduzem uma pergunta indireta
Qualquer verbo ou expressão que possa ter como complemento "o quê, quem, onde, se…": verbos de perguntar (rogō, quaerō, "pergunto, procuro saber"; com quaerō a pessoa a quem se pergunta vem em ex ou ā + ablativo: quaerō ex tē), de saber e não saber (sciō, nesciō, ignōrō), de perceber e entender (videō, intellegō, cognōscō, sentiō), de dizer e mostrar (dīcō, nārrō, doceō, ostendō, sobretudo no imperativo: dīc mihi…), de pensar e duvidar (cōgitō, dubitō), de admirar-se (mīror, "pergunto-me, admiro-me") e expressões impessoais como incertum est, nihil interest, "não faz diferença". Bennett resume: verbos "de perguntar, de investigar, de contar e semelhantes".
Os interrogativos do capítulo 17 na pergunta indireta
Interrogativo
Valor
Exemplo de pergunta indireta
Tradução
quis, quid
quem? o quê?
Nesciō quid dīcās.
Não sei o que você está dizendo.
quī, quae, quod (adjetivo)
que…? qual…?
Rogō quem librum legās.
Pergunto que livro você está lendo.
uter, utra, utrum
qual dos dois?
Incertum est uter vincat.
Não se sabe qual dos dois vence.
quālis, quantus, quot
de que tipo? quão grande? quantos?
Vidēs quanta sit urbs.
Você vê como a cidade é grande.
ubi, unde, quō, quā
onde? de onde? para onde? por onde?
Dīc mihi unde veniās.
Diga-me de onde você vem.
cūr, quārē, quam ob rem
por quê?
Mīror cūr taceās.
Pergunto-me por que você se cala.
quōmodo, quemadmodum
como?
Doce mē quōmodo scrībam.
Ensine-me como escrever.
quandō, quam diū
quando? por quanto tempo?
Rogāmus quandō discēdās.
Perguntamos quando você parte.
quam (+ adjetivo ou advérbio)
quão? como…!
Sciō quam fessus sīs.
Sei como você está cansado.
O último exemplo mostra que também uma exclamação pode ficar indireta: Quam fessus es!, "Como você está cansado!", vira Sciō quam fessus sīs. Allen e Greenough (§ 573) observam que, na forma gramatical, a exclamação indireta não se distingue da pergunta indireta.
O tempo do subjuntivo numa pergunta indireta segue a sequência dos tempos do capítulo 34, sem nenhuma regra nova: depois de um tempo primário, ou principal (presente, futuro, futuro perfeito, imperativo) usa-se o presente ou o perfeito do subjuntivo; depois de um tempo secundário, ou histórico (imperfeito, perfeito, mais-que-perfeito) usa-se o imperfeito ou o mais-que-perfeito. Dentro de cada grupo, a escolha depende da relação de tempo entre a pergunta e o verbo principal: simultaneidade (presente ou imperfeito do subjuntivo) ou anterioridade (perfeito ou mais-que-perfeito). Lembre que o perfeito do indicativo conta, em regra, como tempo secundário, mesmo quando o traduzimos por "tenho feito" (Bennett § 268.1).
A pergunta indireta, porém, usa muito a terceira casa do quadro do capítulo 34, que as orações finais e as completivas de ordem não usam: a posterioridade. "Não sei onde Marcos estará." O subjuntivo latino não tem futuro, e o presente sit seria ambíguo ("onde está" ou "onde estará"?). Para ser claro, o latim usa a perifrástica ativa: o particípio futuro em -ūrus (capítulo 29) com o presente do subjuntivo de sum depois de tempo primário (futūrus sit) e com o imperfeito depois de tempo secundário (futūrus esset). Bennett (§ 269.3) diz que essas formas aparecem "sobretudo nas perguntas indiretas", e Allen e Greenough (§ 575.a) explicam que elas evitam a ambiguidade do presente. O particípio concorda com o sujeito da pergunta: quid factūra sit (ela), quid factūrī sint (eles).
A sequência dos tempos na pergunta indireta, com sum
Verbo principal
Simultânea
Anterior
Posterior
Primário: Sciō (sei)
ubi Mārcus sit onde Marcos está
ubi Mārcus fuerit onde Marcos esteve
ubi Mārcus futūrus sit onde Marcos estará
Secundário: Sciēbam (sabia)
ubi Mārcus esset onde Marcos estava
ubi Mārcus fuisset onde Marcos tinha estado
ubi Mārcus futūrus esset onde Marcos estaria (ia estar)
Rogō quandō ventūrus sīs.
Pergunto quando você virá. (direta: Quandō veniēs?; primário + posterior)
Rogāvī quandō ventūrus essēs.
Perguntei quando você viria. (secundário + posterior)
Nesciēbāmus quid puellae factūrae essent.
Não sabíamos o que as meninas iam fazer. (o particípio concorda com puellae: nominativo plural feminino)
Dīc mihi quid heri fēcerīs.
Diga-me o que você fez ontem. (imperativo = tempo primário; anterior: perfeito do subjuntivo)
Intellēxit cūr frāter tacuisset.
Entendeu por que o irmão tinha ficado calado. (secundário + anterior)
Dois casos especiais completam o quadro. Verbos sem particípio futuro (como possum) e verbos na voz passiva não podem formar a perifrástica; nesses casos o latim usa o presente ou o imperfeito do subjuntivo, e o contexto, ou um advérbio como mox ("em breve"), mostra que se trata do futuro (Bennett § 269.4): Nesciō quandō epistula mittātur, "não sei quando a carta será enviada". E quando a pergunta direta já era um subjuntivo deliberativo (capítulo 32: Quid faciam?, "Que hei de fazer?"), ela continua no subjuntivo, ajustando só o tempo à sequência (Bennett § 300.2; Allen e Greenough § 575.b): Nesciō quid faciam, "não sei o que fazer"; Nesciēbat quō fugeret, "não sabia para onde fugir". O português traduz esse caso muito bem com o infinitivo.
Leia agora uma frase do Evangelho de João que usa exatamente a casa da posterioridade em sequência secundária. Jesus pergunta a Filipe onde comprar pão para a multidão, e o evangelista comenta: ipse enim sciēbat quid esset factūrus.
João 6,6: ipse enim sciēbat quid esset factūrus = pois ele mesmo sabia o que ia fazer. Sciēbat é secundário, e a ação de fazer é posterior ao saber: imperfeito do subjuntivo de sum com o particípio futuro.
Nem toda pergunta começa por uma palavra interrogativa. As perguntas que se respondem com "sim" ou "não" usam, na forma direta, as partículas -ne, num e nōnne (capítulo 17). Na forma indireta, -ne e num se usam sem diferença de sentido (Bennett § 300.1.b): os dois equivalem ao "se" português depois de "perguntar, não saber, ver". O num indireto, portanto, não carrega a expectativa de resposta negativa que tinha na pergunta direta. Nōnne indireto ("se não") é raro e aparece quase só depois de quaerō (nota de Bennett ao mesmo parágrafo).
Rogā patrem num domī sit frāter.
Pergunte ao pai se o irmão está em casa. (direta: Estne frāter domī?)
Rogā patrem domīne sit frāter.
Mesmo sentido: -ne se junta à palavra enfatizada.
Nautae quaesīvērunt num portus procul abesset.
Os marinheiros perguntaram se o porto estava longe. (secundário + simultânea)
Depois de verbos de tentar e de esperar (cōnor, temptō, experior, exspectō), encontra-se também sī no sentido de "se, para ver se" (Bennett § 300.3; Allen e Greenough § 576.a): Hostēs temptāvērunt sī flūmen trānsīre possent, "os inimigos tentaram ver se podiam atravessar o rio". Note que esse sī introduz uma pergunta, não uma condição: não há resultado que dependa dele. Por isso o verbo está no subjuntivo da pergunta indireta.
Perguntas duplas: utrum… an, -ne… an, necne
Uma pergunta dupla (ou alternativa) oferece duas possibilidades: "Você fica ou parte?". As mesmas partículas da pergunta direta dupla servem para a indireta (Bennett § 300.4): utrum… an, -ne… an, ou nada no primeiro membro e an no segundo. O utrum inicial não se traduz; ele só anuncia que vem uma alternativa. Para "ou não" no segundo membro, o latim usa necne (menos frequentemente an nōn).
As perguntas duplas indiretas
Forma
Exemplo
Tradução
utrum… an
Quaerō utrum Mārcus domī sit an in forō.
Pergunto se Marcos está em casa ou no fórum.
-ne… an
Quaerō domīne Mārcus sit an in forō.
O mesmo.
— … an
Quaerō domī Mārcus sit an in forō.
O mesmo.
utrum… necne
Dīc mihi utrum crās ventūrus sīs necne.
Diga-me se você virá amanhã ou não.
Uma expressão idiomática nasce da pergunta dupla da qual se omitiu o primeiro membro: haud sciō an ou nesciō an, com o subjuntivo, que não significa "não sei se", e sim "inclino-me a crer que, talvez" (Bennett § 300.5; Kennedy § 420): Haud sciō an hōc vērum sit, "talvez isto seja verdade", "creio até que seja verdade". Quem diz isso está mais perto do "sim" do que do "não".
Três construções latinas podem aparecer depois de verbos como "saber", "dizer", "ver", e o português às vezes as traduz com as mesmas palavras. Distinguir as três é o passo mais importante deste capítulo, porque cada uma diz uma coisa diferente.
Quid ou quod: pergunta indireta ou oração relativa
Em português, "Sei o que você fez" pode querer dizer duas coisas: "sei qual foi a sua ação" (resposta a uma pergunta: "O que você fez?") ou "conheço a coisa que você fez" (uma coisa concreta, um objeto). O latim separa as duas. A pergunta indireta usa o interrogativo (quid, quis, quem adjetivo…) e o subjuntivo; a oração relativa usa o relativo (quod, quae, quem…), em geral com um antecedente expresso ou subentendido (id quod, "aquilo que"), e o indicativo quando relata um fato. Bennett (§ 300, nota) mostra a diferença com uma frase de Cícero: effugere nēmō id potest quod futūrum est, "ninguém pode escapar daquilo que vai acontecer" (relativa: a coisa que acontecerá), e saepe nē ūtile quidem est scīre quid futūrum sit, "muitas vezes nem é útil saber o que vai acontecer" (pergunta indireta: qual será o futuro).
Interrogativa indireta × oração relativa
Latim
Construção
Tradução
Como reconhecer
Nesciō quid acciderit.
pergunta indireta
Não sei o que aconteceu.
quid interrogativo; subjuntivo; equivale a "Quid accidit?"
Vīdī id quod accidit.
relativa
Vi aquilo que aconteceu.
antecedente id; relativo quod; indicativo
Rogō quem librum lēgerīs.
pergunta indireta
Pergunto que livro você leu.
quem adjetivo interrogativo junto de librum
Laudō librum quem lēgistī.
relativa
Elogio o livro que você leu.
quem relativo, retomando o antecedente librum
Audiō quae dīcās.
pergunta indireta
Ouço que coisas você diz (presto atenção ao que diz).
subjuntivo: o conteúdo está em questão
Audiō quae dīcis.
relativa
Ouço as coisas que você diz.
indicativo: as palavras são um fato, um objeto
Os dois últimos pares mostram que, quando a forma do pronome é igual (quem, quae), o modo decide. No plural neutro, quae é ao mesmo tempo relativo e interrogativo; o subjuntivo diz que há uma pergunta, o indicativo diz que há uma coisa. O teste prático é sempre o mesmo: consigo voltar à pergunta direta? Se Nesciō quid acciderit corresponde a "Quid accidit?", é pergunta indireta. Se Vīdī id quod accidit corresponde a "Vi a coisa; a coisa aconteceu", é relativa.
Pergunta ou afirmação: a interrogativa e a oração infinitiva
Depois de verbos de dizer e saber, o latim pode relatar duas coisas: uma afirmação ou uma pergunta. A afirmação relatada é a oração infinitiva do capítulo 28 (acusativo e infinitivo); a pergunta relatada é a interrogativa indireta (interrogativo e subjuntivo). Não se misturam: o latim não diz *Rogō Mārcum venīre para "pergunto se Marcos vem", nem *Dīcit quod pater vēnit para "diz que o pai veio".
Afirmação relatada × pergunta relatada
Latim
Construção
Tradução
Pergunta ou afirmação direta
Puer dīcit patrem vēnisse.
oração infinitiva
O menino diz que o pai veio.
Pater vēnit.
Puer dīcit quandō pater vēnerit.
pergunta indireta
O menino diz quando o pai veio.
Quandō pater vēnit?
Puer rogat num pater vēnerit.
pergunta indireta (sim ou não)
O menino pergunta se o pai veio.
Vēnitne pater?
Sciō tē fessum esse.
oração infinitiva
Sei que você está cansado.
Fessus es.
Sciō quam fessus sīs.
exclamação indireta
Sei como você está cansado.
Quam fessus es!
O português ajuda a distinguir, desde que você preste atenção à conjunção: "diz que…" (afirmação) corresponde à oração infinitiva; "pergunta se…", "diz quando, onde, por que…" corresponde à pergunta indireta. No capítulo 38 (discurso indireto) você verá as duas construções lado a lado num mesmo discurso relatado: as afirmações no infinitivo, as perguntas no subjuntivo.
A regra de ouro é: o subjuntivo latino da pergunta indireta não se traduz pelo subjuntivo português. Ele é uma marca gramatical de subordinação, que o português não usa nesse caso. Traduza pelo tempo do indicativo que o português usaria naturalmente, guiando-se pela relação de tempo que a sequência indica:
Correspondências de tradução
Forma latina
Relação de tempo
Tradução portuguesa
Exemplo
presente do subj. (depois de primário)
simultânea
presente do indicativo
Nesciō ubi sit. Não sei onde ele está.
perfeito do subj. (depois de primário)
anterior
pretérito perfeito
Nesciō ubi fuerit. Não sei onde ele esteve.
-ūrus sit
posterior
futuro do presente (ou "vai…")
Nesciō ubi futūrus sit. Não sei onde ele estará.
imperfeito do subj. (depois de secundário)
simultânea
pretérito imperfeito
Nesciēbam ubi esset. Não sabia onde ele estava.
mais-que-perfeito do subj.
anterior
mais-que-perfeito (composto ou simples)
Nesciēbam ubi fuisset. Não sabia onde ele tinha estado (estivera).
-ūrus esset
posterior
futuro do pretérito (ou "ia…")
Nesciēbam ubi futūrus esset. Não sabia onde ele estaria.
subj. deliberativo
dever, possibilidade
infinitivo ("o que fazer") ou "devia, havia de"
Nesciēbam quid facerem. Não sabia o que fazer.
Três cuidados completam a tabela. Primeiro, o "se": o português usa a mesma palavra para a pergunta indireta ("pergunto se ele vem") e para a condição ("se ele vier, eu saio"), mas o latim usa palavras diferentes: -ne, num (pergunta) e sī (condição, capítulo 36). Ao traduzir do português para o latim, pergunte-se: "esse se responde a uma pergunta de sim ou não?" Se responde, é num ou -ne. Segundo, o verbo principal nem sempre deve ser traduzido ao pé da letra: quaerō com pergunta indireta é muitas vezes "quero saber", "procuro saber"; mīror cūr… é "pergunto-me por que…", "estranho que…". Terceiro, quando a pergunta indireta vem antes do verbo principal, como gosta de fazer o latim (Quid sit futūrum crās, fuge quaerere, Horácio), a tradução portuguesa costuma devolvê-la para depois: "evite perguntar o que acontecerá amanhã".
Leitura em ordem latina. Ao encontrar um interrogativo no meio de uma frase (quid, cūr, ubi, num, utrum), não procure ponto de interrogação: procure o verbo no subjuntivo que vem adiante e o verbo de perguntar, saber ou dizer que está antes ou depois. Os três juntos (verbo principal, interrogativo, subjuntivo) formam a pergunta indireta. Então pergunte qual é a relação de tempo e traduza com o indicativo português correspondente.
No relato da Anunciação, o Evangelho de Lucas descreve a reação de Maria à saudação do anjo. A frase reúne o que os capítulos 34 e 35 ensinaram: uma oração com cum e o mais-que-perfeito do subjuntivo e, no fim, uma pergunta indireta em sequência secundária.
Quae cum audīsset, turbāta est in sermōne eius, et cōgitābat quālis esset ista salūtātiō.
Ela, tendo ouvido isso, perturbou-se com essas palavras e pensava que saudação seria aquela. (Lucas 1,29, Vulgata Clementina)
Duas observações antes da análise. Quae, no começo da frase, é um relativo que liga a frase à anterior, como um "e ela" ou "ela então": o latim gosta de começar períodos assim, retomando com o relativo quem acabou de ser mencionado (aqui, Maria). E audīsset é a forma contraída de audīvisset, frequente nos perfeitos em -īvī.
Lucas 1,29, palavra a palavra
Palavra
Dicionário
Análise
Função
Quae
quī, quae, quod, relativo
nominativo singular feminino
sujeito de audīsset; retoma Maria: "ela"
cum
cum, conjunção
com subjuntivo
introduz a circunstância (capítulo 34)
audīsset
audiō, -īre, -īvī, -ītum, ouvir
mais-que-perfeito do subjuntivo, 3ª sing. (= audīvisset)
ação anterior ao verbo principal: "tendo ouvido"
turbāta est
turbō, -āre, -āvī, -ātum, perturbar
perfeito do indicativo passivo, 3ª sing. fem.
verbo principal: "perturbou-se"
in sermōne
sermō, -ōnis (m.), fala, palavra
in + ablativo singular
aquilo diante do qual ela se perturba: "com a palavra"
eius
is, ea, id
genitivo singular
"dele" (do anjo)
et
et, conjunção
invariável
liga os dois verbos principais
cōgitābat
cōgitō, -āre, pensar, refletir
imperfeito do indicativo, 3ª sing.
segundo verbo principal; tempo secundário, que pede imperfeito ou mais-que-perfeito do subjuntivo
quālis
quālis, -e, interrogativo
nominativo singular feminino
introduz a pergunta indireta; predicativo de salūtātiō: "de que tipo"
esset
sum, esse
imperfeito do subjuntivo, 3ª sing.
verbo da pergunta indireta: simultânea a cōgitābat
ista
iste, ista, istud
nominativo singular feminino
concorda com salūtātiō: "essa, aquela"
salūtātiō
salūtātiō, -ōnis (f.), saudação
nominativo singular
sujeito de esset
A pergunta direta de Maria seria Quālis est ista salūtātiō?, "Que saudação é esta?". Relatada depois de cōgitābat, tempo secundário, ela passa a quālis esset: o imperfeito do subjuntivo marca a simultaneidade (Maria pensava enquanto ouvia, não depois). Na tradução, o português pode dizer "pensava que saudação era aquela" ou, com um matiz de hesitação, "que saudação seria aquela"; as duas são aceitáveis, porque o latim não distingue aqui as duas nuances. O que não se deve fazer é traduzir esset por um subjuntivo português ("que saudação fosse"), que soaria artificial.
Resumo
Pergunta indireta = palavra interrogativa (ou -ne, num, ou utrum… an) + verbo no subjuntivo, como sujeito ou objeto de um verbo de perguntar, saber, ver, dizer.
O tempo segue a sequência: primário → presente (simultânea), perfeito (anterior), -ūrus sim (posterior); secundário → imperfeito, mais-que-perfeito, -ūrus essem.
-ne e num = "se"; utrum… an = "se… ou"; necne = "ou não"; haud sciō an = "talvez".
Em português, traduza com o indicativo (ou com o infinitivo, no caso deliberativo).
Nos capítulos 36 e 37 você verá outras orações adverbiais com o subjuntivo (condicionais, causais, concessivas e comparativas), e no capítulo 38 a pergunta indireta voltará como parte do discurso indireto.
Erro: Traduzir o subjuntivo da pergunta indireta por um subjuntivo português ou por "talvez": Nesciō ubi sit → *"Não sei onde esteja".
Por quê, e como evitar: O subjuntivo latino aqui é só a marca da oração dependente; não exprime dúvida. O português usa o indicativo: "Não sei onde ele está". O tempo português sai da relação de tempo (simultânea, anterior, posterior), não do nome do tempo latino.
Erro: Confundir pergunta indireta e oração relativa porque o português diz "o que" nas duas: traduzir Vīdī id quod accidit e Nesciō quid acciderit do mesmo modo, ou escrever *Nesciō quod acciderit.
Por quê, e como evitar: Pergunta indireta usa o interrogativo (quid) e o subjuntivo; a relativa usa o relativo (quod), quase sempre com antecedente (id quod), e o indicativo quando relata um fato. Teste: dá para voltar a uma pergunta direta ("Quid accidit?")? Então é quid + subjuntivo.
Erro: Usar a oração infinitiva para relatar uma pergunta: *Rogō Mārcum venīre para "pergunto se Marcos vem".
Por quê, e como evitar: O acusativo com infinitivo relata afirmações ("diz que…"); perguntas relatadas usam interrogativo e subjuntivo: Rogō num Mārcus veniat (ou veniatne). Se o português tem "se", "quem", "onde", "por que", a construção latina é a pergunta indireta.
Erro: Traduzir o num indireto como na pergunta direta ("por acaso…?"), ou trocar o "se" da pergunta pelo sī condicional: *Rogō sī Mārcus veniat.
Por quê, e como evitar: Na pergunta indireta, num e -ne valem simplesmente "se". O sī é a conjunção das condições ("se ele vier, …"); com valor de "para ver se" aparece só depois de verbos de tentar e esperar. Para "pergunto se…", use num ou -ne.
Erro: Exprimir o futuro com o presente do subjuntivo quando o contexto não o deixa claro: *Rogāvī quandō venīret para "perguntei quando ele viria".
Por quê, e como evitar:Quandō venīret se lê, antes de tudo, como "quando ele vinha". Para marcar a posterioridade, use a perifrástica: Rogāvī quandō ventūrus esset, com o particípio concordando com o sujeito. O presente ou imperfeito com valor futuro fica para verbos sem particípio futuro e para a passiva.
Erro: Pôr no subjuntivo o verbo depois de nesciō quis indefinido: *Nesciō quis iānuam pulset para "alguém bate à porta".
Por quê, e como evitar: Quando nesciō quis é um bloco que significa "alguém", não há pergunta: o verbo fica no indicativo (Nesciō quis iānuam pulsat). Com o subjuntivo, a frase muda de sentido: "não sei quem está batendo à porta".
Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.
Prática guiada 1 · Duas perguntas relatadas
Analise e traduza: Mīlitēs ex captīvō quaesīvērunt quot hostēs in silvā essent et quandō oppidum oppugnātūrī essent. Vocabulário: captīvus, -ī (m.), prisioneiro; quaerō, -ere, quaesīvī, quaesītum, perguntar (ex + ablativo: "a alguém"); silva, -ae, floresta; oppidum, -ī, cidade fortificada; oppugnō, -āre, atacar.
Qual é o verbo principal, e que sequência ele impõe?Ver o passo
Quaesīvērunt, perfeito do indicativo, 3ª pl.: "perguntaram". O perfeito é tempo secundário, então as perguntas dependentes terão imperfeito, mais-que-perfeito ou -ūrus essem.
Quantas perguntas indiretas há, e como se reconhecem?Ver o passo
Duas, ligadas por et: a primeira começa com quot ("quantos") e termina em essent; a segunda começa com quandō ("quando") e termina em oppugnātūrī essent. Os dois verbos estão no subjuntivo.
Que relação de tempo exprime essent?Ver o passo
Imperfeito do subjuntivo depois de tempo secundário: simultaneidade. A pergunta direta era Quot hostēs in silvā sunt?, "Quantos inimigos há na floresta?".
E oppugnātūrī essent?Ver o passo
Particípio futuro de oppugnō (nominativo plural masculino, concordando com o sujeito subentendido, "os inimigos") + imperfeito do subjuntivo de sum: posterioridade em sequência secundária. A pergunta direta era Quandō oppidum oppugnābunt?.
Monte a tradução.Ver o passo
"Os soldados perguntaram ao prisioneiro quantos inimigos havia na floresta e quando eles iam atacar a cidade (atacariam a cidade)." Note: "havia" (indicativo imperfeito) para essent; "iam atacar" ou "atacariam" para a perifrástica.
Prática guiada 2 · Relativa ou pergunta?
Distinga as duas orações e traduza: Nauta verba quae dux dīxerat nōn intellēxit; itaque rogāvit quid dux dīxisset. Vocabulário: nauta, -ae (m.), marinheiro; verbum, -ī, palavra; itaque, por isso.
Que é quae na primeira oração?Ver o passo
Relativo, nominativo ou acusativo plural neutro, com antecedente verba. Dentro da relativa, dux é o sujeito e quae o objeto de dīxerat: "as palavras que o comandante tinha dito".
Por que dīxerat está no indicativo?Ver o passo
Porque a relativa relata um fato: as palavras foram realmente ditas e são uma coisa concreta, o objeto de intellēxit. É o mais-que-perfeito do indicativo, anterior a intellēxit.
E quid… dīxisset, na segunda oração?Ver o passo
Pergunta indireta: quid interrogativo, sem antecedente, e dīxisset, mais-que-perfeito do subjuntivo, objeto de rogāvit. A pergunta direta era Quid dīxistī?, "O que você disse?". Depois de rogāvit (secundário), a anterioridade pede o mais-que-perfeito.
Monte a tradução.Ver o passo
"O marinheiro não entendeu as palavras que o comandante tinha dito; por isso perguntou o que o comandante tinha dito." Em português, "o que" aparece nas duas metades, mas na primeira há um objeto ("as palavras") e na segunda uma pergunta.
Conclusão: antecedente + relativo + indicativo designa uma coisa; interrogativo + subjuntivo, depois de um verbo de perguntar ou saber, relata uma pergunta.
Faça por escrito ou em voz alta; abra "Ver resposta" só depois de tentar. A explicação da resposta faz parte da lição.
Exercício 1 · Que construção é esta?
Classifique a oração destacada como pergunta indireta, oração relativa, oração infinitiva ou indefinido (nesciō quis), e traduza a frase.
Videō quid faciās.Ver resposta
Pergunta indireta: interrogativo quid e subjuntivo presente, simultâneo a videō. "Vejo o que você está fazendo."
Videō librum quem legis.Ver resposta
Oração relativa: quem retoma o antecedente librum, e o verbo está no indicativo. "Vejo o livro que você está lendo."
Videō tē librum legere.Ver resposta
Oração infinitiva (capítulo 28): acusativo tē + infinitivo legere, uma afirmação. "Vejo que você está lendo um livro" ou "vejo você ler um livro".
Rogat utrum domī maneāmus an exeāmus.Ver resposta
Pergunta indireta dupla: utrum… an, subjuntivos presentes. "Pergunta se ficamos em casa ou saímos."
Nesciō quis iānuam pulsat.Ver resposta
Indefinido: nesciō quis = "alguém", com o verbo no indicativo. "Alguém está batendo à porta."
Intellegō quae dīcās.Ver resposta
Pergunta indireta: quae interrogativo neutro plural e subjuntivo. "Entendo o que (que coisas) você está dizendo", isto é, entendo o sentido das suas palavras. Com dīcis (indicativo) seria relativa: "entendo as coisas que você diz".
Exercício 2 · Da pergunta direta à indireta
Transforme cada pergunta em pergunta indireta depois de (a) Rogō e (b) Rogāvī. Explique os tempos. Vocabulário: habitō, morar; eō, īre, iī, itum, ir (particípio futuro itūrus).
Ubi habitās?Ver resposta
(a) Rogō ubi habitēs (presente do subjuntivo: simultânea, sequência primária). (b) Rogāvī ubi habitārēs (imperfeito: simultânea, sequência secundária).
Quid heri fēcistī?Ver resposta
(a) Rogō quid heri fēcerīs (perfeito do subjuntivo: anterior). (b) Rogāvī quid heri fēcissēs (mais-que-perfeito: anterior). Numa narrativa, heri ("ontem") poderia virar prīdiē ("na véspera"), mas isso é questão de ponto de vista, não de gramática.
Quandō veniēs?Ver resposta
(a) Rogō quandō ventūrus sīs. (b) Rogāvī quandō ventūrus essēs. A pergunta é sobre o futuro, e a perifrástica evita ler "quando você vem" ou "quando você vinha".
Estne pater domī?Ver resposta
(a) Rogō num pater domī sit (ou sitne pater domī). (b) Rogāvī num pater domī esset. Na indireta, -ne e num valem "se", sem diferença.
Utrum Rōmam an Athēnās ībis?Ver resposta
(a) Rogō utrum Rōmam an Athēnās itūrus sīs. (b) Rogāvī utrum Rōmam an Athēnās itūrus essēs. As partículas da pergunta dupla ficam; o futuro vira perifrástica.
Exercício 3 · Escolha a forma
Escolha a forma correta entre parênteses e justifique pela sequência dos tempos e pela relação de tempo.
Nesciēbāmus cūr puer (lacrimet · lacrimāret · lacrimāvisset), "não sabíamos por que o menino chorava".Ver resposta
lacrimāret: nesciēbāmus é imperfeito (secundário) e o choro é simultâneo: imperfeito do subjuntivo.
vēnerit: o imperativo é tempo primário e a vinda é anterior: perfeito do subjuntivo.
Mīrābar quid amīcī (factūrī sint · factūrī essent · facerent), "eu me perguntava o que os amigos iam fazer".Ver resposta
factūrī essent: mīrābar é secundário e a ação é posterior; o particípio vai ao nominativo plural masculino, concordando com amīcī.
Incertum est utrum hostēs (vēnerint · vēnissent) necne, "não se sabe se os inimigos vieram ou não".Ver resposta
vēnerint: incertum est é presente (primário) e a vinda é anterior.
Nesciō quid (faciam · facerem), "não sei o que fazer".Ver resposta
faciam: deliberativo conservado na pergunta indireta; depois de nesciō (primário), presente do subjuntivo.
Exercício 4 · Leitura de frases autênticas
Encontre a pergunta indireta, diga o tempo do subjuntivo e a relação de tempo, e traduza. As frases são citadas com a ortografia adaptada e macrons acrescentados.
Scit enim Pater vester quid opus sit vōbīs, antequam petātis eum. (Mateus 6,8) opus est + dativo, "é necessário a alguém"; antequam petātis, "antes que vocês lhe peçam".Ver resposta
Pergunta indireta: quid opus sit vōbīs, presente do subjuntivo depois de scit (primário), simultânea. "Pois o vosso Pai sabe do que precisais antes que lho peçais" (literalmente "o que vos é necessário").
Et ipsī coepērunt quaerere inter sē quis esset ex eīs quī hōc factūrus esset. (Lucas 22,23) coepērunt, começaram.Ver resposta
Pergunta indireta: quis esset ex eīs, imperfeito do subjuntivo, simultâneo a coepērunt quaerere (secundário). Dentro dela, a relativa quī hōc factūrus esset também está no subjuntivo, por depender de uma oração no subjuntivo (atração do modo, Bennett § 324.1), e exprime a posterioridade com a perifrástica. "E eles começaram a perguntar entre si quem dentre eles seria aquele que ia fazer isso."
Quid sit futūrum crās, fuge quaerere. (Horácio, Odes 1.9.13) fuge + infinitivo, "evita…", "não queiras…".Ver resposta
Pergunta indireta antecipada: quid sit futūrum crās, objeto de quaerere. Sit futūrum é a perifrástica de sum (presente do subjuntivo + particípio futuro neutro): posterioridade em sequência primária. "Não queiras saber o que será amanhã."
Quālis esset nātūra montis et quālis in circuitū ascēnsus, quī cognōscerent mīsit. (César, BG 1.21) circuitus, -ūs, volta, contorno; ascēnsus, -ūs, subida; quī cognōscerent, "homens para descobrir" (relativa com valor final, capítulo 33).Ver resposta
Duas perguntas indiretas coordenadas, quālis esset nātūra montis e quālis (esset) in circuitū ascēnsus, objeto de cognōscerent; imperfeito do subjuntivo em sequência secundária (mīsit), simultâneo. César põe as perguntas no começo para destacá-las. "Mandou homens para descobrir como era a natureza do monte e como era a subida pelos lados."
Exercício 5 · Do português para o latim
Traduza para o latim, usando a sequência dos tempos. Vocabulário: rogō, perguntar; sciō, saber; nesciō, não saber; maneō, -ēre, mānsī, mānsum, ficar; cūr, por quê; discipulus, aluno; magister, professor.
Não sei onde está o professor.Ver resposta
Nesciō ubi magister sit. Primário + simultânea: presente do subjuntivo.
O professor perguntou aos alunos por que tinham chegado tarde.Ver resposta
Magister ex discipulīs quaesīvit (ou discipulōs rogāvit) cūr sērō vēnissent.Sērō, "tarde". Secundário + anterior: mais-que-perfeito do subjuntivo.
Pergunto-lhe se você vai ficar ou não.Ver resposta
Rogō tē utrum mānsūrus sīs necne. Pergunta dupla com necne; posterioridade em sequência primária: mānsūrus sīs.
Sabíamos o que os alunos estavam lendo.Ver resposta
Sciēbāmus quid discipulī legerent. Secundário + simultânea: imperfeito do subjuntivo. Não confunda com Sciēbāmus quod discipulī legēbant, que seria "conhecíamos aquilo que os alunos liam" (relativa).
Diga-me se o seu irmão veio.Ver resposta
Dīc mihi num frāter tuus vēnerit (ou vēneritne frāter tuus). O imperativo é primário; a vinda é anterior: perfeito do subjuntivo. "Se" = num, não sī.
Leituras recomendadas
Na Vulgata, leia Lucas 1,26–38 e João 6,1–14 procurando os verbos de saber e perguntar e as perguntas que deles dependem. Nas seleções de César (Guerra da Gália 1.21–22) há várias perguntas indiretas em sequência secundária, que mostram como um general relata o que mandou investigar. Eutrópio e a Vida de Aníbal, de Cornélio Nepos, são prosa narrativa simples em que as perguntas indiretas aparecem com frequência. Para consulta, Allen e Greenough §§ 573–576 trazem a regra completa com exemplos clássicos.
Etapa VI · Latinitas ChristianaDificuldade 2 · BásicoOriginal Áudio
Biblia Sacra Vulgata (editio Clementina)
Hieronymus Stridonensis (Vulgata)
A Vulgata Clementina completa, do Gênesis ao Apocalipse, livro a livro. Comece por Marcos, Gênesis ou os Salmos: frases curtas, vocabulário repetitivo e um texto que você já conhece em português. A leitura cristã fundamental e, para muitos, a primeira obra longa lida em latim. No LibriVox há, por ora, só o Salmo 22 gravado.
Escritura (Vulgata) · Tardio e patrístico · anos, um capítulo por dia · Vicifons (Latin Wikisource)
Etapa IV · Ad FontesDificuldade 3 · IntermediárioOriginal ÁudioCom notas
Commentarii de Bello Gallico (seleções)
Gaius Iulius Caesar
Seleções dos livros I, IV, V e VI da Guerra da Gália (a campanha contra os helvécios, a travessia para a Britânia, o cerco ao acampamento de Cícero, os druidas), com macrons, vocabulário corrente e notas em inglês. A porta de entrada clássica para a prosa autêntica.
Historiografia · Clássico · algumas semanas · Dickinson College Commentaries
Etapa IV · Ad FontesDificuldade 2 · BásicoOriginalCom notas
Breviarium ab urbe condita
Eutropius
Resumo da história de Roma, da fundação ao século IV, em dez livros curtos e de sintaxe muito simples: foi durante séculos o primeiro texto autêntico dos estudantes. Com macrons, vocabulário corrente e notas. Ideal para a transição dos leitores graduados ao latim real.
Historiografia · Tardio e patrístico · algumas semanas · Dickinson College Commentaries
Etapa IV · Ad FontesDificuldade 3 · IntermediárioOriginalCom notas
Vita Hannibalis
Cornelius Nepos
A Vida de Aníbal completa (13 capítulos), em latim simples e direto, com vocabulário por capítulo, notas e mapas. Costuma ser o primeiro autor autêntico lido nos cursos universitários. Edição impressa e PDF gratuitos na Open Book Publishers.
Biografia · Clássico · uma ou duas semanas · Dickinson College Commentaries
Allen and Greenough's New Latin Grammar (edição DCC)
J. H. Allen e J. B. Greenough
A gramática de referência clássica em inglês (1903), em hipertexto com os parágrafos numerados tradicionais: pronúncia, morfologia, sintaxe, prosódia. Os comentários do DCC remetem a ela em cada nota. Para consultar, não para decorar.
Bibliotheca Latina. Conteúdo original com trechos de obras em domínio público; licença CC BY 4.0.
Fontes consultadas
New Latin Grammar, Charles E. Bennett (no catálogo) · domínio público · § 162 (perguntas diretas: perguntas de palavra e de frase; -ne, num, nōnne; perguntas duplas com utrum… an, annōn, necne), § 267 (tempos principais e históricos; regra da sequência, com exemplos de pergunta indireta), § 268.1 (o perfeito do indicativo como tempo histórico), § 269.1–4 (o futuro no subjuntivo: presente ou imperfeito; 269.3 as formas em -ūrus sim, -ūrus essem, sobretudo nas perguntas indiretas; 269.4 verbos sem particípio futuro), § 300.1–6 (perguntas indiretas: interrogativos; nota sobre a diferença em relação às relativas; num e -ne sem diferença de sentido; nōnne só depois de quaerō; 300.2 deliberativo; 300.3 sī depois de verbos de tentar e esperar; 300.4 perguntas duplas e necne; 300.5 haud sciō an; 300.6 indicativo no latim arcaico e na poesia), § 324.1 (atração do modo em orações que dependem de um subjuntivo)
Allen and Greenough's New Latin Grammar, J. H. Allen e J. B. Greenough (no catálogo) · domínio público · §§ 573–574 (definição; o verbo no subjuntivo; pergunta indireta como sujeito, objeto ou aposto; perguntas duplas com necne), § 575 (a sequência dos tempos na pergunta indireta; 575.a futuro com a perifrástica ativa, que evita a ambiguidade do presente; 575.b o deliberativo conservado; 575.c indicativo no latim arcaico e na poesia; 575.d nesciō quis e expressões como mīrum quantum, sem subjuntivo), § 576 (acusativo de antecipação; 576.a sī no sentido de "se, para ver se"); §§ 483–485 (página "sequence-tenses": regra geral e casos especiais)
Kennedy's Revised Latin Primer, Benjamin Hall Kennedy (no catálogo) · domínio público · § 420 (a pergunta indireta: interrogativo dependente com o verbo no conjuntivo; a oração como sujeito, objeto ou aposto; pergunta simples ou alternativa; haud sciō an)
Gramática Latina, Pe. João Ravizza (no catálogo) · domínio público · n. 423 (perguntas diretas e indiretas; a indireta sempre no subjuntivo; nesciō quid agam), n. 432 (perguntas duplas e "ou não": an nōn, necne), n. 433 (interrogação indireta simples: -ne e num = "se"; nōnne = "se não"; sī depois de cōnor, exspectō, temptō), n. 434 (perguntas duplas indiretas; utrum… necne)
Biblia Sacra Vulgata (editio Clementina): Lucas 1,29 e 22,23; João 6,6; Mateus 6,8 (no catálogo) · domínio público · Lucas 1,29 analisado na seção 6; João 6,6 no diagrama da seção 2; Lucas 22,23 e Mateus 6,8 no exercício 4. Texto conferido na Wikisource latina (páginas "Vulgata Clementina/Evangelium Secundum Lucam", "Evangelium Secundum Joannem" e "Evangelium Secundum Matthaeum"); ortografia adaptada (ae por æ, i por j) e macrons acrescentados