A conjunção cum nos seus sentidos principais (temporal com indicativo, cum inversum, cum histórico ou circunstancial com imperfeito e mais-que-perfeito do subjuntivo, cum causal e cum concessivo) e a regra completa da sequência dos tempos: tempos primários e secundários, contemporaneidade, anterioridade e posterioridade (com -ūrus sim / -ūrus essem), reunidas num quadro único; e as outras orações temporais (postquam, ubi, simul ac com o perfeito; dum, dōnec, quoad; antequam, priusquam), com o indicativo do fato e o subjuntivo da espera ou da antecipação. O capítulo se estuda em duas sessões: cum e a sequência dos tempos; depois, as outras orações temporais.
Neste capítulo você vai
Distinguir cum preposição de cum conjunção e reconhecer, pelo modo do verbo e pelo contexto, os sentidos temporal, inverso, histórico, causal e concessivo.
Traduzir o cum histórico com imperfeito ou mais-que-perfeito do subjuntivo por construções naturais em português ("quando", "como", gerúndio, "depois que").
Classificar qualquer verbo principal como de tempo primário ou secundário e escolher, numa subordinada, o tempo do subjuntivo que exprime contemporaneidade, anterioridade ou posterioridade.
Usar o quadro completo da sequência dos tempos, incluindo as formas perifrásticas -ūrus sim e -ūrus essem.
Reconhecer e traduzir as outras orações temporais: postquam, ubi, ut, simul ac com o perfeito; dum com o presente; dum, dōnec, quoad e antequam, priusquam com o indicativo do fato ou o subjuntivo da espera e da antecipação.
Analisar palavra a palavra frases autênticas da Vulgata e de Cícero com cum.
cum conjunção × cum preposiçãocum temporal com indicativotum … cumcum explicativocum inversumcum iterativocum histórico (narrativo, circunstancial)cum causalquippe cum, praesertim cumquae cum ita sintcum concessivo e tamensequência dos tempos (cōnsecūtiō temporum)tempos primários e secundárioscontemporaneidade, anterioridade, posterioridadeperifrástica -ūrus sim / -ūrus essempresente histórico e sequênciapostquam, ubi, ut, simul ac com o perfeitodum + presente ("enquanto")dum, dōnec, quoad ("enquanto", "até que")antequam, priusquam (ante … quam)análise de frase autêntica
Antes deste capítulo: Capítulo 33: as orações com ut/nē e a regra simples do tempo (presente depois de presente, imperfeito depois de passado). Este capítulo usa ainda o perfeito e o mais-que-perfeito do subjuntivo (capítulo 32), a passiva do perfectum (capítulo 24), os depoentes (capítulo 25) e o particípio futuro com a perifrástica ativa (capítulos 29 e 31). · capítulo 33 · capítulo 32 · capítulo 24 · capítulo 25 · capítulo 31
Você conhece cum desde os primeiros capítulos como preposição com ablativo: cum amīcō, "com o amigo". Há, porém, outra palavra cum, uma conjunção, que na língua antiga se escrevia quom e que nasceu de uma forma do relativo quī (A&G § 544). A conjunção introduz uma oração inteira, com verbo próprio, e significa, conforme o caso, "quando", "como", "já que" ou "embora". A distinção é fácil na prática: depois da preposição vem um ablativo; depois da conjunção vem uma oração, com o seu verbo mais adiante.
Cum amīcīs ambulat.
Passeia com os amigos. (preposição + ablativo)
Cum amīcī venīrent, ambulābat.
Quando os amigos chegaram (estavam chegando), ele passeava. (conjunção; amīcī é nominativo, sujeito de venīrent)
A conjunção cum é a mais frequente das subordinadas latinas, e o seu sentido depende de dois fatores. O primeiro é o modo: com o indicativo, cum é quase sempre puramente temporal ("quando", "no tempo em que"); com o subjuntivo, acrescenta uma relação de circunstância, causa ou concessão. O segundo é o contexto, que decide entre esses três últimos valores. O quadro abaixo resume o capítulo:
Quando a oração com cum apenas situa no tempo a ação principal, o verbo fica no indicativo. Isso acontece sempre que a referência é ao presente ou ao futuro (Bennett § 289; A&G § 547) e, no passado, quando cum data um momento preciso, muitas vezes anunciado na principal por tum, eō tempore, eō diē ("então, naquele tempo, naquele dia") (Bennett § 288.1.A e 288.1.a; A&G § 545; Kennedy § 433; Ravizza n. 483.a).
Cum vidēbis, tum sciēs.
Quando vires, então saberás. (futuro; exemplo de Bennett § 289)
Cum pater domī est, puerī tacent.
Quando o pai está em casa, os meninos ficam calados.
Eō tempore pāruit cum pārēre necesse erat.
Obedeceu no tempo em que era necessário obedecer. (exemplo de Bennett § 288; pāreō, obedecer)
Repare num detalhe do primeiro exemplo: o português diz "quando vires" (futuro do subjuntivo), mas o latim usa o futuro do indicativo (vidēbis), porque, para o latim, o momento futuro é um dado e não uma hipótese. O falante de português deve resistir à tentação de pôr subjuntivo aqui.
Cum explicativo: "quando" = "pelo fato de que"
Com o indicativo, cum pode também identificar duas ações, como se uma fosse a outra (Bennett § 290.1; A&G § 549.a). O exemplo clássico está na Primeira Catilinária, quando Cícero interpreta o silêncio dos senadores diante de Catilina:
Dē tē autem, Catilīna, cum quiēscunt, probant, cum patiuntur, dēcernunt, cum tacent, clāmant.
Quanto a ti, Catilina, quando se aquietam, aprovam; quando toleram, decretam; quando se calam, gritam. (Cícero, Cat. 1.21)
O silêncio dos senadores é um grito. Os três cum estão no presente do indicativo, como os verbos principais, porque as ações coincidem.
Cum inversum: "quando, de repente"
Na narração, às vezes a ação mais importante vem na oração com cum, e a principal só descreve o pano de fundo. A principal costuma ter iam, vix, nōndum ("já, mal, ainda não") e um imperfeito ou mais-que-perfeito; a oração com cum, colocada depois, tem o perfeito do indicativo ou o presente histórico, e muitas vezes repente, "de repente". É o cum inversum (Bennett § 288.2; A&G § 546.a; Kennedy § 434; Ravizza n. 483.a.III):
Iam vēr appetēbat cum Hannibal ex hībernīs mōvit.
Já se aproximava a primavera quando Aníbal saiu dos quartéis de inverno. (frase de Kennedy § 434, que a atribui a Tito Lívio; no texto de Lívio, 22.1.1, conferido nas edições de Weissenborn e de Foster, lê-se iam vēr appetēbat; itaque Hannibal ex hībernīs mōvit, sem cum: a forma com cum inversum é uma adaptação escolar)
Vix epistulam lēgeram cum amīcus vēnit.
Mal eu tinha lido a carta, quando o amigo chegou.
Traduza mantendo a ordem latina, com "quando" ou "quando de repente": o efeito de surpresa depende dela.
Cum iterativo: "sempre que"
Com o sentido de "sempre que, toda vez que", cum também leva o indicativo; no passado, de preferência o mais-que-perfeito na oração com cum e o imperfeito na principal: cum ad oppidum vēnerat, … dēferēbātur, "sempre que chegava a uma cidade, era levado…" (Bennett § 288.3; A&G § 548). O mais-que-perfeito marca que a ação de cum se completava antes de cada repetição da principal.
O uso mais frequente de cum na prosa narrativa é com o imperfeito ou o mais-que-perfeito do subjuntivo, numa narração no passado. A oração com cum não data o fato principal; ela descreve a situação, as circunstâncias em que ele aconteceu (Bennett § 288.1.B; A&G § 546; Kennedy § 435; Ravizza n. 483.b.IV). Por isso se chama cumhistórico, narrativo ou circunstancial. Bennett observa que, no passado, o subjuntivo é bem mais frequente com cum do que o indicativo (§ 288.1.a).
O tempo do subjuntivo indica a relação com a ação principal: o imperfeito marca ação simultânea (em curso enquanto a principal acontece); o mais-que-perfeito marca ação anterior (já concluída quando a principal acontece) (Kennedy § 435, nota).
Cum Caesar in Galliā esset, lēgātī ad eum vēnērunt.
Estando César na Gália (quando César estava na Gália), vieram a ele embaixadores. (simultâneo: imperfeito)
Cum Caesar in Galliam vēnisset, lēgātī ad eum vēnērunt.
Tendo César chegado à Gália (depois que César chegou), vieram a ele embaixadores. (anterior: mais-que-perfeito)
Cum hostēs appropinquārent, agricolae in urbem fūgērunt.
Como os inimigos se aproximassem (aproximando-se os inimigos), os agricultores fugiram para a cidade.
Como traduzir? O português tem várias saídas, e a melhor depende do estilo. "Quando + indicativo" é a mais simples ("quando César estava na Gália"). "Como + subjuntivo" ("como César estivesse na Gália") reproduz a construção latina e é corrente na prosa culta, sobretudo com nuance causal; Ravizza traduz assim cum hostium īnsidiās timēret, "como receasse alguma cilada dos inimigos" (n. 483). O gerúndio ("estando César na Gália"; "tendo César chegado") é muitas vezes a solução mais natural. Para o mais-que-perfeito, "depois que" ou "tendo + particípio".
Análise gramatical: Mateus 2,1
O relato da visita dos magos começa com um cum histórico. A frase é curta e tem tudo o que este capítulo descreve: cum + mais-que-perfeito do subjuntivo (aqui, de um depoente) para a circunstância anterior, e o perfeito do indicativo para o fato principal:
Cum ergō nātus esset Iēsūs in Bethlehem Iuda in diēbus Hērōdis rēgis, ecce magī ab oriente vēnērunt Ierosolymam.
Tendo, pois, nascido Jesus em Belém de Judá, nos dias do rei Herodes, eis que magos do Oriente vieram a Jerusalém. (Mateus 2,1, Vulgata Clementina)
Mateus 2,1: a oração com cum descreve o pano de fundo já concluído (o nascimento); a principal, no indicativo, narra o fato (a chegada dos magos).
Mateus 2,1, palavra a palavra
Palavra
Dicionário
Análise
Função
Cum
cum (conjunção)
com subjuntivo
introduz a oração circunstancial: "tendo…", "quando"
ergō
ergō, pois, portanto
advérbio (conjunção coordenativa)
liga a narração ao capítulo anterior
nātus esset
nāscor, nāscī, nātus sum, nascer (depoente)
3ª sing., mais-que-perfeito do subjuntivo (particípio + esset)
ação anterior à principal, num contexto passado
Iēsūs
Iēsūs, -ū (m.), Jesus
nominativo singular
sujeito de nātus esset
in Bethlehem Iuda
Bethlehem (indeclinável); Iuda, Judá
in + ablativo (nome indeclinável)
lugar onde: "em Belém de Judá"
in diēbus
diēs, diēī (m.), dia
in + ablativo plural, 5ª declinação
tempo: "nos dias"
Hērōdis rēgis
Hērōdēs, -is (m.), Herodes; rēx, rēgis, rei
genitivo singular (aposição)
"do rei Herodes"
ecce
ecce, eis
interjeição
destaca a entrada dos novos personagens
magī
magus, -ī (m.), mago
nominativo plural
sujeito de vēnērunt
ab oriente
oriēns, -entis (m.), o oriente
ab + ablativo singular
origem: "do Oriente"
vēnērunt
veniō, -īre, vēnī, ventum, vir
3ª pl., perfeito do indicativo
verbo principal: o fato narrado; tempo secundário
Ierosolymam
Ierosolyma, -ae (f.), Jerusalém
acusativo singular, sem preposição
direção com nome de cidade: "a Jerusalém" (capítulo 19)
Note como a sequência funciona: vēnērunt é um perfeito narrativo, tempo secundário; o nascimento é anterior à chegada dos magos; logo, mais-que-perfeito do subjuntivo, nātus esset. Se o evangelista quisesse dizer "enquanto Jesus nascia", teria usado o imperfeito, cum nāscerētur.
Com o subjuntivo, cum pode apresentar a circunstância como causa ou como obstáculo da ação principal. Os dois valores nascem do circunstancial (A&G § 549, nota 2) e se distinguem pelo sentido; o modo é sempre o subjuntivo, em qualquer tempo exigido pela sequência (Bennett §§ 286.2 e 309.3; A&G § 549; Kennedy § 426; Ravizza n. 483.b).
Cum causal: "já que, como"
O cum causal se traduz por "já que", "uma vez que", "visto que", "como". O sentido costuma ser reforçado por quippe ("visto que, naturalmente") ou praesertim ("sobretudo"): quippe cum, praesertim cum (Bennett § 286.2.a; A&G § 549, nota 1).
Cum sīs mortālis, quae mortālia sunt cūrā.
Já que és mortal, cuida do que é mortal. (exemplo de Bennett § 286.2; cūrō, cuidar)
Puerī domī mānsērunt, cum plueret.
Os meninos ficaram em casa, já que chovia.
Nec reprehendō, quippe cum ipse istam reprehēnsiōnem nōn fūgerim.
Nem censuro, visto que eu mesmo não escapei a essa censura. (Cícero, citado por A&G § 549, nota 1)
A fórmula mais famosa do cum causal é quae cum ita sint, "uma vez que as coisas são assim", com que Cícero abre a conclusão de vários argumentos. Na Primeira Catilinária ela aparece no momento em que Cícero manda Catilina sair de Roma:
Quae cum ita sint, Catilīna, perge quō coepistī; ēgredere aliquandō ex urbe.
Sendo assim as coisas, Catilina, segue por onde começaste: sai enfim da cidade. (Cícero, Cat. 1.10; pergō, prosseguir; ēgredior, sair)
Quae é um relativo de ligação: retoma o que acabou de ser dito e vale et haec, "e estas coisas". Sint é presente do subjuntivo porque o verbo principal (perge, imperativo) é primário e a situação é contemporânea.
Cum concessivo: "embora"
O cum concessivo apresenta um fato que deveria impedir a ação principal e não impede. Traduz-se por "embora", "ainda que", "se bem que", e a principal tem muitas vezes tamen, "contudo, mesmo assim", que é o melhor sinal deste valor.
Atticus honōrēs nōn petiit, cum eī patērent.
Ático não buscou cargos públicos, embora lhe estivessem abertos. (Cornélio Nepos, Atticus 6.2, citado por Bennett § 309.3)
Cum prīmī ōrdinēs concidissent, tamen ācerrimē reliquī resistēbant.
Embora as primeiras fileiras tivessem caído, mesmo assim os demais resistiam com grande vigor. (César, BG 7.62, citado por A&G § 549)
Cum dīves esset, tamen parcē vīvēbat.
Embora fosse rico, vivia com moderação. (dīves, rico; parcē, com parcimônia)
Para decidir entre os valores do cum com subjuntivo, faça a pergunta: a oração com cum explica a principal (causal), contraria-a (concessivo) ou só a enquadra no tempo (histórico)? Sinais externos ajudam: quippe, praesertim → causal; tamen na principal → concessivo; narração no passado sem nenhum desses sinais → histórico. Quando dois valores couberem, a tradução por gerúndio ("estando", "sendo") costuma preservar a ambiguidade do latim.
As orações causais com quod, quia, quoniam e as concessivas com quamquam, etsī, quamvīs, licet são assunto do capítulo 37.
No capítulo 33 você aprendeu a forma simples da regra: presente do subjuntivo depois de um presente ou futuro; imperfeito depois de um passado. A regra completa acrescenta uma segunda pergunta: a ação da subordinada é simultânea, anterior ou posterior à da principal? Com as duas perguntas, cada subjuntivo tem o seu lugar (Bennett §§ 267–269; A&G §§ 482–485; Kennedy § 411; Ravizza n. 416).
Primeira pergunta: o verbo principal é primário ou secundário?
Os tempos verbais se dividem em dois grupos. São primários (ou principais) os que se referem ao presente ou ao futuro: o presente, o futuro e o futuro perfeito do indicativo, o imperativo e o presente e o perfeito do subjuntivo usados em oração independente. São secundários (ou históricos) os que se referem ao passado: o imperfeito, o perfeito e o mais-que-perfeito do indicativo, e o imperfeito e o mais-que-perfeito do subjuntivo (A&G § 482).
Dois casos merecem atenção. O perfeito do indicativo é normalmente secundário, mesmo quando o português o traduz por um tempo composto ("tenho mostrado"); só admite a sequência primária quando o escritor pensa claramente no presente (Bennett § 268.1; A&G § 485.a). E o presente histórico, tão frequente em César, pode ser tratado como primário ou como secundário (Bennett § 268.3; A&G § 485.e): Sulla suōs hortātur ut fortī animō sint ao lado de Gallōs hortātur ut arma caperent, os dois exemplos em Bennett.
Segunda pergunta: simultânea, anterior ou posterior?
A resposta escolhe o tempo do subjuntivo dentro de cada grupo. Na sequência primária: presente para a ação simultânea, perfeito para a anterior, -ūrus sim (particípio futuro + presente do subjuntivo de sum) para a posterior. Na sequência secundária: imperfeito para a simultânea, mais-que-perfeito para a anterior, -ūrus essem para a posterior. A forma em -ūrus é a perifrástica ativa do capítulo 31 posta no subjuntivo, e supre a falta de um futuro do subjuntivo (Bennett § 269.3).
Quadro consolidado da sequência dos tempos (Bennett §§ 267–269; A&G §§ 483–484; Ravizza n. 416)
Veja a regra funcionando com um cum causal, em que as três relações de tempo são possíveis:
Cum causal nas seis casas do quadro
Latim
Relação
Português
Cum aegrōtet, nōn venit.
primária · simultânea
Como está doente, não vem.
Cum aegrōtāverit, nōn venit.
primária · anterior
Como esteve doente, não vem.
Cum crās abitūrus sit, hodiē nōbīs valē dīcit.
primária · posterior
Como vai partir amanhã, despede-se de nós hoje.
Cum aegrōtāret, nōn vēnit.
secundária · simultânea
Como estava doente, não veio.
Cum aegrōtāvisset, nōn vēnit.
secundária · anterior
Como tinha estado doente, não veio.
Cum postrīdiē abitūrus esset, nōbīs valē dīxit.
secundária · posterior
Como ia partir no dia seguinte, despediu-se de nós.
Algumas observações tornam o quadro mais fácil de usar. 1. Nas orações finais e nas completivas de ordem e pedido, a ação é sempre vista como ainda por fazer: só existem as colunas da ação simultânea (presente ou imperfeito), e é por isso que a regra simples do capítulo 33 bastava para elas. 2. Quando o contexto deixa claro que a ação é futura, o latim se contenta muitas vezes com o presente ou o imperfeito, sem a perifrástica: timeō nē veniat, "temo que ele venha" (Bennett § 269.2). As formas em -ūrus sim / essem aparecem sobretudo onde é preciso precisão, em especial nas interrogativas indiretas do capítulo 35. 3. Depois de um tempo primário, o perfeito do subjuntivo serve para qualquer ação passada, seja ela pontual ou contínua (A&G § 485.b): timeō nē Verrēs fēcerit, "temo que Verres tenha feito". 4. Nas consecutivas, como você viu no capítulo 33, o perfeito do subjuntivo pode aparecer depois de um tempo secundário (Bennett § 268.6).
Outras orações temporais: postquam, ubi, simul ac, dum, antequam ⚑
Cum é a conjunção temporal mais frequente, mas não a única. Na narração, as orações que dizem depois que, assim que, enquanto, até que e antes que têm conjunções próprias, e cada uma tem as suas preferências de modo e de tempo. A regra geral é simples: quando a oração indica apenas o tempo de um fato real, o verbo fica no indicativo; quando acrescenta a ideia de espera, intenção ou antecipação (algo que ainda não aconteceu, ou que se quer impedir), passa ao subjuntivo (Kennedy §§ 427 e 431–432; Ravizza n. 439).
As outras conjunções temporais (Bennett §§ 287 e 291–293; A&G §§ 543 e 550–556)
Conjunção
Modo e tempo
Português
postquam (posteāquam), ubi, ut, simul, simul ac (simul atque), cum prīmum
perfeito do indicativo (ou presente histórico); mais-que-perfeito para ação repetida ou intervalo definido
depois que, quando, assim que, logo que
dum "enquanto" (pano de fundo de um fato passado)
presente do indicativo, mesmo numa narração no passado
enquanto + imperfeito
dum, dōnec, quoad "enquanto, durante todo o tempo em que"
indicativo, no tempo do fato
enquanto, o mesmo tempo
dum, dōnec, quoad "até que" (fato real)
indicativo (no passado, perfeito)
até que + indicativo
dum, dōnec, quoad "até que" (espera, intenção)
subjuntivo (presente ou imperfeito, pela sequência)
até que + subjuntivo
antequam, priusquam (fato real)
indicativo (presente, futuro perfeito, perfeito)
antes que + subjuntivo; antes de + infinitivo
antequam, priusquam (ação antecipada, preparada ou impedida)
subjuntivo (presente ou imperfeito, pela sequência)
antes que + subjuntivo; antes de + infinitivo
Postquam, ubi, ut, simul ac: "depois que, assim que"
Referidas a um fato único no passado, essas conjunções levam regularmente o perfeito do indicativo, ou o presente histórico em seu lugar (Bennett § 287.1 e 287.1.a; A&G § 543; Kennedy § 428; Ravizza n. 440–441). Isso surpreende quem espera um mais-que-perfeito: a ação de postquam é anterior à principal, e o português culto diria "depois que tinha chegado" ou "depois que chegara". O latim não precisa marcar essa anterioridade no verbo, porque a própria conjunção já a diz: "depois que", "assim que". O perfeito apenas registra o fato. Na tradução, o português aceita as duas soluções: o perfeito ("depois que chegou", a mais natural na fala) ou o mais-que-perfeito ("depois que chegara, tinha chegado", mais formal). Ubi e ut são, aqui, "quando, assim que": com o indicativo e numa narração, não confunda ubi com o "onde" dos capítulos 17 e 35, nem ut com o ut final do capítulo 33.
Postquam nūntius vēnit, omnēs ad forum cucurrērunt.
Depois que o mensageiro chegou (tinha chegado), todos correram ao fórum.
Simul atque sōl ortus est, nautae nāvem solvērunt.
Assim que o sol nasceu, os marinheiros zarparam. (orior, ortus sum, nascer, depoente; nāvem solvō, zarpar)
Eō postquam Caesar pervēnit, obsidēs, arma, servōs quī ad eōs perfūgissent, poposcit.
Depois que César chegou lá, exigiu reféns, armas e os escravos que tinham fugido para junto deles. (César, BG 1.27.3; obses, -idis, refém; perfugiō, -fūgī, refugiar-se; poscō, poposcī, exigir; o subjuntivo perfūgissent reproduz a exigência de César, como você verá no capítulo 38)
Dois desvios previsíveis. Para uma ação repetida ("sempre que"), ut, ubi, simul atque levam o mais-que-perfeito, exatamente como o cum iterativo (Bennett § 287.2). E com um intervalo definido de tempo, postquam também usa o mais-que-perfeito: sextō ferē annō postquam erat expulsus, "cerca de seis anos depois que fora expulso" (Bennett § 287.3; Ravizza n. 440.c).
Dum "enquanto" com o presente
Quando dum descreve uma ação em curso durante a qual acontece o fato principal, o latim usa o presente do indicativo, mesmo que a narração inteira esteja no passado (Bennett § 293.I; A&G § 556; Kennedy § 430). É um presente histórico fixo: o português o traduz pelo imperfeito ("enquanto se faziam"). César usa a fórmula a cada passo:
Dum haec in conloquiō geruntur, Caesarī nūntiātum est equitēs Ariovistī propius tumulum accēdere.
Enquanto isso se passava na conferência, foi anunciado a César que os cavaleiros de Ariovisto se aproximavam da colina. (César, BG 1.46.1, citado também por Kennedy § 430; conloquium, conferência; tumulus, colina; equitēs … accēdere é oração infinitiva, capítulo 28)
Dum puerī in hortō lūdunt, pater domum rediit.
Enquanto os meninos brincavam no jardim, o pai voltou para casa.
Dum, dōnec, quoad: "enquanto" e "até que"
Com o sentido de "enquanto, durante todo o tempo em que", as três conjunções levam o indicativo, no mesmo tempo que o fato exige: dum anima est, spēs est, "enquanto há vida, há esperança" (Bennett § 293.II; A&G § 555; Kennedy § 429; Ravizza n. 442.a). Com o sentido de "até que", a escolha do modo tem significado. Se a oração narra um fato real, indicativo: dōnec rediit, silentium fuit, "houve silêncio até que ele voltou" (Tito Lívio, citado por A&G § 554 e Bennett § 293.III.1). Se exprime espera ou intenção, isto é, algo que se aguarda e talvez nem aconteça, subjuntivo, no tempo exigido pela sequência: exspectāvit Caesar dum nāvēs convenīrent, "César esperou até que os navios se reunissem" (Bennett § 293.III.2; A&G § 553; Kennedy § 432; Ravizza n. 442.b). Verbos de esperar (exspectō, moror) são o sinal típico.
Três dum, três sentidos. Com o indicativo: "enquanto" (temporal). Com o subjuntivo depois de um verbo de esperar ou numa ação que se aguarda: "até que". Com o subjuntivo numa ressalva, com negação nē: "contanto que" (capítulo 36). O modo separa o primeiro dos outros dois; o contexto, e o nē, separam o segundo do terceiro.
Antequam, priusquam: "antes que"
Antequam e priusquam são formados de um advérbio (ante, prius, "antes") e de quam, "do que". Por isso aparecem muitas vezes separados: o advérbio fica na principal e quam abre a subordinada (ante … quam, prius … quam) (Bennett § 291; A&G § 550). Com uma principal negativa, a tradução mais natural é "não… antes que", "só… quando": neque prius fugere dēstitērunt quam ad flūmen pervēnērunt, "e não pararam de fugir antes de chegar ao rio" (César, BG 1.53, citado por A&G § 551.a).
O modo segue o princípio geral. Com o indicativo, a oração apresenta um fato: no futuro, presente ou futuro perfeito (priusquam dē cēterīs rēbus respondeō, dē amīcitiā pauca dīcam, "antes de responder ao resto, direi algumas palavras sobre a amizade", Cícero, citado por Kennedy § 431 e A&G § 551.c); no passado, sobretudo o perfeito (Bennett § 291; Ravizza n. 443). Com o subjuntivo, a ação é antecipada: algo para que se prepara a principal, ou que a principal impede de acontecer (Bennett § 292; A&G § 551.b). Daí o imperfeito do subjuntivo tão frequente na narração para uma ação que não chegou a acontecer: priusquam tēlum adicī posset, omnis aciēs terga vertit, "antes que se pudesse lançar um dardo, o exército inteiro fugiu" (Bennett § 292.1.b). A Vulgata usa a mesma construção ao falar de Maria e José:
Cum esset dēspōnsāta māter eius Maria Ioseph, antequam convenīrent inventa est in uterō habēns dē Spīritū Sānctō.
Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes que coabitassem, achou-se grávida por obra do Espírito Santo. (Mateus 1,18, Vulgata Clementina; conveniō, aqui "unir-se, coabitar"; in uterō habēns, "trazendo no ventre", isto é, grávida)
Note que o português usa sempre o subjuntivo depois de "antes que" (ou o infinitivo depois de "antes de"), qualquer que seja o modo latino. A diferença entre indicativo e subjuntivo com antequam é, portanto, uma informação que você recebe ao ler, mas que a tradução raramente consegue mostrar; ao escrever em latim, pergunte-se se a ação é um fato (indicativo) ou algo antecipado, esperado ou impedido (subjuntivo).
Com cum e com a sequência dos tempos você já tem tudo para ler um período narrativo típico de César ou de Nepos. Faça sempre os mesmos passos. 1. Ache o verbo principal (indicativo) e classifique-o: primário ou secundário? 2. Ache cada subordinada com subjuntivo e a conjunção que a introduz (cum, ut, nē). 3. Pelo tempo do subjuntivo, deduza a relação: simultânea, anterior ou posterior. 4. Decida o valor de cum (histórico, causal, concessivo) pelo contexto e pelos sinais (tamen, quippe, praesertim). 5. Traduza escolhendo a construção portuguesa mais natural: o gerúndio é seu aliado.
Veja o método aplicado a uma frase com duas subordinadas, inspirada na abertura da Guerra da Gália:
Cum Orgetorīx cīvibus persuāsisset ut ex fīnibus exīrent, Helvētiī omnia parābant.
Tendo Orgetórix persuadido os cidadãos a sair do território, os helvécios preparavam tudo.
Parābant é imperfeito do indicativo: tempo secundário. Persuāsisset é mais-que-perfeito do subjuntivo depois de cum: ação anterior, numa narração (cum histórico). Exīrent é imperfeito do subjuntivo depois de ut, completiva de persuādeō: depende de persuāsisset, também secundário, e a ação de sair é vista como ainda por fazer, logo imperfeito. A cadeia de dependências respeita a sequência em cada elo.
Resumo
Cum + indicativo: temporal ("quando", sempre no presente e no futuro; no passado, com tum, eō tempore), explicativo, inverso (iam… cum repente + perfeito) e iterativo ("sempre que", mais-que-perfeito).
Cum + subjuntivo: histórico (imperfeito = simultâneo; mais-que-perfeito = anterior), causal ("já que"; quippe cum, quae cum ita sint), concessivo ("embora"; tamen na principal).
O perfeito do indicativo é secundário; o presente histórico pode ser uma coisa ou outra.
Outras temporais: postquam, ubi, ut, simul ac + perfeito do indicativo ("depois que, assim que"); dum + presente ("enquanto", mesmo no passado); dum, dōnec, quoad, antequam, priusquam: indicativo para o fato, subjuntivo para a espera ou a antecipação.
O quadro da sequência é a ferramenta dos próximos capítulos: a interrogativa indireta (capítulo 35) usa as seis casas, inclusive as formas em -ūrus, e o discurso indireto (capítulo 38) põe longos trechos inteiros no subjuntivo segundo a mesma regra.
Erro: Ler cum sempre como preposição ("com") e procurar um ablativo: *"Com César estava na Gália…"
Por quê, e como evitar: Se depois de cum vem um nominativo ou uma oração com verbo próprio, é a conjunção: Cum Caesar in Galliā esset = "estando César na Gália". Confira se a palavra seguinte pode ser ablativo e se há um verbo conjugado no fim da oração.
Erro: Traduzir todo cum com subjuntivo por "quando" e perder a causa ou a concessão.
Por quê, e como evitar: Com o subjuntivo, cum pode ser causal ("já que") ou concessivo ("embora"). Leia a principal: se ela contraria a oração com cum, sobretudo com tamen, é concessivo (cum dīves esset, tamen parcē vīvēbat); se a oração com cum explica a principal, é causal.
Erro: Pôr subjuntivo depois de cum referido ao futuro, imitando o português "quando vires": *cum videās, sciēs.
Por quê, e como evitar: Com referência ao presente ou ao futuro, cum temporal leva o indicativo: cum vidēbis, sciēs (Bennett § 289). O futuro do subjuntivo português não tem correspondente latino.
Erro: Confundir o imperfeito e o mais-que-perfeito do subjuntivo depois de cum: traduzir cum vēnisset por "quando vinha".
Por quê, e como evitar: O imperfeito marca a ação simultânea ("estando", "quando vinha"); o mais-que-perfeito, a anterior ("tendo vindo", "depois que veio"). Cum nātus esset Iēsūs é "tendo nascido Jesus", e não "enquanto Jesus nascia".
Erro: Tratar o perfeito do indicativo como tempo primário porque o português o traduz por "tenho feito" ou porque parece "recente": *Vēnī ut tē videam.
Por quê, e como evitar: O perfeito do indicativo é, em regra, secundário (Bennett § 268.1): vēnī ut tē vidērem. A sequência primária depois dele é exceção, quando o escritor pensa no presente (A&G § 485.a).
Erro: Traduzir o dum "enquanto" com o presente ao pé da letra numa narração no passado: Dum haec geruntur, Caesarī nūntiātum est… → *"Enquanto estas coisas se fazem, foi anunciado a César…"; ou, ao contrário, achar que postquam "pede" o mais-que-perfeito latino.
Por quê, e como evitar: Com dum "enquanto", o presente é a construção normal do latim para o pano de fundo de um fato passado (Bennett § 293.I; A&G § 556): traduza pelo imperfeito, "enquanto isso se passava". E postquam, ubi, simul ac levam regularmente o perfeito do indicativo (Bennett § 287.1): postquam vēnit = "depois que chegou (tinha chegado)".
Erro: Usar o perfeito ou o mais-que-perfeito do subjuntivo numa oração final: *Vēnit ut vīderit.
Por quê, e como evitar: A finalidade é sempre uma ação por fazer: a final só admite presente ou imperfeito (vēnit ut vidēret). As colunas da ação anterior servem para cum, para as consecutivas, para os temores e, no capítulo 35, para as interrogativas indiretas.
Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.
Prática guiada 1 · Um cum, três leituras
Classifique o cum e traduza cada frase. Vocabulário: labōrō, -āre, trabalhar; fessus, -a, -um, cansado; quiēscō, -ere, descansar; tamen, contudo. (a) Cum fessī essent, agricolae quiēvērunt. (b) Cum fessī essent, agricolae tamen labōrābant. (c) Cum agricolae labōrant, dominus quiēscit.
(a) Qual o modo e o tempo de essent, e qual o valor de cum?Ver o passo
Imperfeito do subjuntivo: ação simultânea, num contexto passado (quiēvērunt, perfeito). O cansaço explica o descanso: cum causal (ou histórico com nuance causal). "Como estavam cansados, os agricultores descansaram."
(b) O que muda com tamen?Ver o passo
A principal agora contraria a oração com cum: estavam cansados e, mesmo assim, trabalhavam. Cum concessivo: "Embora estivessem cansados, os agricultores continuavam trabalhando."
(c) Por que labōrant está no indicativo?Ver o passo
Referência ao presente, com puro valor de tempo: cum temporal + indicativo (Bennett § 289). "Quando os agricultores trabalham, o senhor descansa." (Pode ter também o valor iterativo, "sempre que".)
Conclusão: o modo separa o cum temporal (indicativo) dos outros; entre os valores com subjuntivo, quem decide é a relação lógica entre as orações.
Prática guiada 2 · Aplicar o quadro da sequência
Passe para o passado (principal no perfeito) a frase Cum hostēs appropinquent, cīvēs portās claudunt nē urbs capiātur. Vocabulário: appropinquō, -āre, aproximar-se; claudō, -ere, clausī, fechar; porta, -ae, porta; capiō, capere, tomar.
Qual é o novo verbo principal, e que sequência ele pede?Ver o passo
Claudunt → clausērunt (perfeito do indicativo): tempo secundário.
Como fica cum hostēs appropinquent?Ver o passo
A aproximação é simultânea ao fechar das portas: na sequência secundária, imperfeito do subjuntivo: cum hostēs appropinquārent.
E nē urbs capiātur?Ver o passo
Oração final: só pode ser simultânea (ação por fazer). Secundária → imperfeito passivo: nē urbs caperētur (de capere + -rētur).
Monte a frase e traduza.Ver o passo
Cum hostēs appropinquārent, cīvēs portās clausērunt nē urbs caperētur. "Como os inimigos se aproximavam, os cidadãos fecharam as portas para que a cidade não fosse tomada."
Faça por escrito ou em voz alta; abra "Ver resposta" só depois de tentar. A explicação da resposta faz parte da lição.
Exercício 1 · Que cum é este?
Diga se cum é preposição, temporal (indicativo), inverso, histórico, causal ou concessivo, e traduza. Vocabulário: adveniō, -īre, -vēnī, chegar; dormiō, dormir; pauper, pobre.
Cum frātre in agrō labōrat.Ver resposta
Preposição + ablativo (frātre): "Trabalha no campo com o irmão."
Cum nūntius advēnisset, omnēs gaudēbant. (nūntius, mensageiro; gaudeō, alegrar-se)Ver resposta
Histórico, mais-que-perfeito: ação anterior. "Tendo chegado o mensageiro (depois que o mensageiro chegou), todos se alegravam."
Cum vēneris, omnia tibi nārrābō.Ver resposta
Temporal com indicativo (futuro perfeito vēneris; referência ao futuro): "Quando vieres, contar-te-ei tudo." O português usa futuro do subjuntivo; o latim, indicativo.
Iam dormiēbāmus, cum subitō clāmor audītus est. (subitō, de repente; clāmor, grito)Ver resposta
Cum inversum: principal com iam + imperfeito, cum + perfeito do indicativo e subitō. "Já dormíamos, quando de repente se ouviu um grito."
Cum pauper esset, tamen omnibus auxilium dabat.Ver resposta
Concessivo (subjuntivo e tamen): "Embora fosse pobre, mesmo assim ajudava a todos."
Cum nox esset, domum rediimus. (redeō, voltar)Ver resposta
Causal (ou histórico com nuance causal), imperfeito: simultâneo. "Como era noite, voltamos para casa."
Exercício 2 · Primário ou secundário?
Classifique o verbo principal e escolha o tempo do subjuntivo para uma ação simultânea.
Rogābō ut ___ (veniō)Ver resposta
Futuro: primário → presente, veniās (ou outra pessoa: veniat).
Rogāvī ut ___ (veniō)Ver resposta
Perfeito do indicativo: secundário → imperfeito, venīrēs.
Rogābam ut ___ (veniō)Ver resposta
Imperfeito: secundário → venīrēs.
Rogā eum ut ___ (veniō)Ver resposta
Imperativo: primário → veniat.
Rogāverō ut ___ (veniō)Ver resposta
Futuro perfeito: primário → veniās.
Caesar mīlitēs hortātur ut fortēs ___ (sum)Ver resposta
Presente histórico: pode ser primário (sint) ou secundário (essent); os dois ocorrem (Bennett § 268.3).
Exercício 3 · Simultânea, anterior ou posterior
Complete com a forma do subjuntivo pedida e traduza. Vocabulário: legō, -ere, lēgī, lēctum, ler; abeō, -īre, -iī, -itūrus, partir.
Cum librum ___, laetus est. (legō, anterior)Ver resposta
lēgerit: primário (est) + anterior → perfeito do subjuntivo. "Como leu o livro, está contente."
Cum librum ___, laetus erat. (legō, anterior)Ver resposta
lēgisset: secundário + anterior → mais-que-perfeito. "Como tinha lido o livro, estava contente."
Cum librum ___, tacēbat. (legō, simultânea)Ver resposta
legeret: secundário + simultânea → imperfeito. "Como estava lendo o livro, ficava calado." (ou "enquanto lia")
abitūrus sit: primário + posterior → -ūrus sim. "Como vai partir amanhã, despede-se hoje."
Cum postrīdiē ___, valē dīxit. (abeō, posterior)Ver resposta
abitūrus esset: secundário + posterior → -ūrus essem. "Como ia partir no dia seguinte, despediu-se."
Exercício 4 · Passe para o passado
Reescreva com o verbo principal no perfeito do indicativo, ajustando a sequência, e traduza.
Cum pluat, domī manēmus.Ver resposta
Cum plueret, domī mānsimus. Simultânea: presente → imperfeito. "Como chovia, ficamos em casa."
Cum epistulam lēgerit, respondet. (respondeō, respondī, responder)Ver resposta
Cum epistulam lēgisset, respondit. Anterior: perfeito → mais-que-perfeito. "Tendo lido a carta, respondeu."
Imperat mīlitibus ut castra mūniant.Ver resposta
Imperāvit mīlitibus ut castra mūnīrent. Completiva de ordem: só simultânea; presente → imperfeito. "Ordenou aos soldados que fortificassem o acampamento."
Timeō nē hostēs vēnerint.Ver resposta
Timuī nē hostēs vēnissent. Temor de um fato já passado: perfeito → mais-que-perfeito. "Temi que os inimigos tivessem vindo."
Exercício 5 · Leitura de frases autênticas
Classifique o cum, explique o tempo e traduza. Textos conferidos na fonte; macrons acrescentados.
Quī é relativo de ligação (= et illī, "e eles"). Cum audīssent: histórico, mais-que-perfeito (forma sincopada de audīvissent: os perfeitos em -īvī perdem muitas vezes o vi antes de s, Bennett § 116.1), ação anterior a abiērunt. "E eles, tendo ouvido o rei, partiram."
Caesarī cum id nūntiātum esset, eōs per prōvinciam nostram iter facere cōnārī, mātūrat ab urbe proficīscī. (César, BG 1.7.1; nūntiō, anunciar; cōnor, tentar; mātūrō, apressar-se; proficīscor, partir)Ver resposta
Cum … nūntiātum esset: histórico, mais-que-perfeito passivo, ação anterior. O verbo principal mātūrat é presente histórico, tratado aqui como secundário (A&G § 546 cita a frase). Eōs … cōnārī é oração infinitiva (capítulo 28) que explica id. "Tendo sido anunciado a César que eles tentavam passar pela nossa província, ele se apressa a partir de Roma."
Cum Pausaniās dē templō ēlātus esset, cōnfestim animam efflāvit. (Kennedy § 435, adaptando Cornélio Nepos, Pausânias 5.4, que diz Hīc cum sēmianimis dē templō ēlātus esset, cōnfestim animam efflāvit, conferido na Latin Library; sēmianimis, semimorto; efferō, ēlātus, levar para fora; cōnfestim, imediatamente; animam efflō, expirar)Ver resposta
Histórico, mais-que-perfeito passivo de efferō (capítulo 26): anterior a efflāvit. "Tendo Pausânias sido levado para fora do templo, expirou imediatamente."
Dē tē autem, Catilīna, cum quiēscunt, probant. (Cícero, Cat. 1.21)Ver resposta
Temporal/explicativo com indicativo presente: as duas ações coincidem. "Quanto a ti, Catilina, quando se aquietam, aprovam."
Exercício 6 · Do português para o latim
Traduza usando cum com o modo e o tempo corretos. Vocabulário: urbs, urbis, cidade; perveniō, -īre, -vēnī, chegar; amīcus; dīves, -itis, rico; miser, -era, -erum, infeliz; pluit, chove; maneō, -ēre, mānsī, ficar; domī, em casa.
Tendo chegado à cidade, o mensageiro procurou os amigos. (quaerō, -ere, quaesīvī, procurar)Ver resposta
Cum nūntius in urbem pervēnisset, amīcōs quaesīvit. Histórico; anterior + secundário → mais-que-perfeito.
Embora fosse rico, era infeliz.Ver resposta
Cum dīves esset, (tamen) miser erat. Concessivo; simultâneo + secundário → imperfeito.
Como chove, ficamos em casa.Ver resposta
Cum pluat, domī manēmus. Causal; simultâneo + primário → presente.
Quando chegares, ficarás em nossa casa. (apud nōs, em nossa casa)Ver resposta
Cum vēneris, apud nōs manēbis. Temporal referido ao futuro: indicativo (futuro perfeito para a ação anterior), nunca subjuntivo.
Exercício 7 · Outras orações temporais
Identifique a conjunção, explique o modo e o tempo e traduza. Vocabulário: fugiō, -ere, fūgī, fugir; redeō, -īre, rediī, voltar; lūdō, -ere, brincar; contendō, -ere, contendī, dirigir-se depressa; exspectō, -āre, esperar; mūniō, -īre, fortificar.
Postquam hostēs fūgērunt, mīlitēs in castra rediērunt.Ver resposta
Postquam + perfeito do indicativo: fato único no passado; a conjunção já diz a anterioridade. "Depois que os inimigos fugiram (tinham fugido), os soldados voltaram para o acampamento."
Simul atque nūntium audīvit, ad urbem contendit. (nūntius, notícia)Ver resposta
Simul atque + perfeito do indicativo, "assim que" (Bennett § 287.1). "Assim que ouviu a notícia, dirigiu-se depressa para a cidade."
Dum puerī in viā lūdunt, plaustrum subitō appāruit. (plaustrum, carroça; appāreō, -uī, aparecer)Ver resposta
Dum "enquanto" + presente do indicativo, pano de fundo de um fato passado (appāruit, perfeito): traduz-se pelo imperfeito. "Enquanto os meninos brincavam na rua, de repente apareceu uma carroça."
Exspectābimus dum frāter veniat.Ver resposta
Dum "até que" + presente do subjuntivo: expectativa (verbo de esperar); presente porque o verbo principal, futuro, é primário. "Esperaremos até que o irmão venha." Não é o dum "contanto que" do capítulo 36: aqui não há ressalva, e sim espera.
Priusquam hostēs castra mūnīre possent, Caesar impetum fēcit. (impetus, -ūs, ataque)Ver resposta
Priusquam + imperfeito do subjuntivo: ação antecipada e impedida (os inimigos não chegaram a fortificar), em sequência secundária (fēcit) (Bennett § 292.1.b; A&G § 551.b). "Antes que os inimigos pudessem fortificar o acampamento, César atacou."
Fuge in Aegyptum, et estō ibi usque dum dīcam tibi. (Mateus 2,13, Vulgata Clementina; estō, "fica, permanece", forma de imperativo de sum; usque, até)Ver resposta
Usque dum + presente do subjuntivo dīcam: "até que" com ideia de espera (o momento ainda não chegou e depende de outra ordem), em sequência primária (imperativo). "Foge para o Egito e fica lá até que eu te diga."
Leituras recomendadas
Mateus 2 (a visita dos magos e a fuga para o Egito) é a leitura ideal deste capítulo: tem cum histórico, ut final e ordens indiretas em frases curtas. Nas Vidas de Cornélio Nepos o cum histórico abre quase todos os episódios; leia algumas, contando os cum e classificando cada um. Os primeiros capítulos da Guerra da Gália mostram o presente histórico com as duas sequências. A Primeira Catilinária, que o capítulo 48 lê em detalhe, traz o Quae cum ita sint (§ 10) e o cum tacent, clāmant (§ 21). Latin for Beginners, de D'Ooge, trata da sequência dos tempos na lição LXIII e de cum na lição LXX. Para consulta, Bennett §§ 267–269 e 288–290.
Etapa VI · Latinitas ChristianaDificuldade 2 · BásicoOriginal Áudio
Biblia Sacra Vulgata (editio Clementina)
Hieronymus Stridonensis (Vulgata)
A Vulgata Clementina completa, do Gênesis ao Apocalipse, livro a livro. Comece por Marcos, Gênesis ou os Salmos: frases curtas, vocabulário repetitivo e um texto que você já conhece em português. A leitura cristã fundamental e, para muitos, a primeira obra longa lida em latim. No LibriVox há, por ora, só o Salmo 22 gravado.
Escritura (Vulgata) · Tardio e patrístico · anos, um capítulo por dia · Vicifons (Latin Wikisource)
Etapa IV · Ad FontesDificuldade 3 · IntermediárioOriginal ÁudioCom notas
Commentarii de Bello Gallico (seleções)
Gaius Iulius Caesar
Seleções dos livros I, IV, V e VI da Guerra da Gália (a campanha contra os helvécios, a travessia para a Britânia, o cerco ao acampamento de Cícero, os druidas), com macrons, vocabulário corrente e notas em inglês. A porta de entrada clássica para a prosa autêntica.
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Etapa IV · Ad FontesDificuldade 3 · IntermediárioOriginalCom notasTexto na biblioteca
De viris illustribus (Vitae)
Cornelius Nepos
Todas as vidas de Nepos (edição Fleckeisen, 1886): Milcíades, Temístocles, Alcibíades, Catão, Ático e outros. Sem notas; para continuar Nepos depois de Aníbal.
Biografia · Clássico · alguns meses · Perseus Digital Library
Ler aqui: texto latino da edição de Alfred Fleckeisen e Karl Halm (1886)
Etapa V · Auctores RomaniDificuldade 4 · AvançadoOriginalCom notasTexto na biblioteca
In Catilinam I–IV
Marcus Tullius Cicero
As quatro Catilinárias completas (edição Clark, 1908), o discurso mais lido de Cícero ("Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?"). Sem notas; cada palavra abre a análise morfológica e o dicionário. EPUB (edição diferente) no Project Gutenberg.
Oratória · Clássico · algumas semanas · Perseus Digital Library
Ler aqui: texto latino da edição de Albert Curtis Clark (1908)
Etapa I · Prima VerbaDificuldade 1 · ElementarDidático ÁudioCom notas
Latin for Beginners
Benjamin L. D'Ooge
Curso completo de primeiro ano (1911), em inglês: 79 lições curtas com explicação, frases para traduzir, pequenas narrativas e vocabulário, com macrons. Gratuito e de domínio público, é a melhor alternativa aberta ao método Ørberg para quem lê inglês. As três primeiras lições têm gravação no LibriVox (coleção de aprendizado de línguas, vol. 4).
Método · Moderno (material didático) · alguns meses · Project Gutenberg
Gramática de referência compacta (1918), em inglês, com macrons: sons, flexões, sintaxe, prosódia. Mais curta e mais fácil de consultar que Allen & Greenough; cabe num leitor de EPUB.
Bibliotheca Latina. Conteúdo original com trechos de obras em domínio público; licença CC BY 4.0.
Fontes consultadas
New Latin Grammar, Charles E. Bennett (no catálogo) · domínio público · § 266 (tempos do subjuntivo em orações dependentes), § 267 (tempos principais e históricos; regra da sequência; 267.3 ação incompleta × completa), § 268 (particularidades: 268.1 perfeito do indicativo como tempo histórico; 268.3 presente histórico), § 269 (o futuro no subjuntivo: 269.1–2 presente e imperfeito; 269.3 -ūrus sim, -ūrus essem), § 286.2 (cum causal; quae cum ita sint; cum praesertim), § 287 (postquam, ut, ubi, simul ac: 287.1 perfeito do indicativo, 287.1.a presente histórico; 287.2 mais-que-perfeito de ação repetida; 287.3 mais-que-perfeito com intervalo definido), § 288 (cum referido ao passado: 288.1 indicativo × subjuntivo; 288.2 cum inversum; 288.3 cum iterativo), § 289 (cum referido ao presente e ao futuro), § 290 (cum explicativo; cum … tum), § 291 (antequam, priusquam com indicativo; ante … quam, prius … quam), § 292 (com subjuntivo: ação antecipada; 292.1.b priusquam tēlum adicī posset), § 293.I–III (dum + presente histórico; dum, dōnec, quoad "enquanto"; "até que" com indicativo do fato e subjuntivo da expectativa), § 309.3 (cum concessivo)
Allen and Greenough's New Latin Grammar, J. H. Allen e J. B. Greenough (no catálogo) · domínio público · §§ 482–485 (sequência dos tempos: tempos primários e secundários; 484 ação completa × incompleta; 485.a perfeito com sequência primária; 485.b perfeito do subjuntivo para qualquer ação passada; 485.e presente histórico), § 544 (cum como forma do relativo), § 545 (cum temporal com indicativo; 545.a identidade de tempo), § 546 (cum com imperfeito e mais-que-perfeito do subjuntivo, "narrative cum"; 546.a cum inversum), § 547 (cum com presente e futuro), § 548 (cum iterativo), § 549 (cum causal e concessivo; nota 1 quippe, praesertim; 549.a cum explicativo, Cum tacent, clāmant), § 543 (postquam, ubi, ut, simul atque com o perfeito ou o presente histórico; 543.a imperfeito e mais-que-perfeito), §§ 550–551 (antequam e priusquam: origem; 551.a perfeito do indicativo, com B. G. 1,53; 551.b imperfeito do subjuntivo; 551.c referência ao futuro, com Phil. 2.3), §§ 552–556 (dum, dōnec, quoad: 553 subjuntivo de intenção ou expectativa; 554 "até que" com o perfeito do indicativo; 555 "enquanto" com o indicativo; 556 dum + presente para ação contínua no passado); páginas DCC "temporal-clauses", "antequam-and-priusquam" e "dum-donec-and-quoad"
Kennedy's Revised Latin Primer, Benjamin Hall Kennedy (no catálogo) · domínio público · § 411 (sequência dos tempos), § 426 (cum causal; Quae cum ita sint), § 433 (cum temporal com indicativo; tum cum), § 434 (cum inversum), § 435 (cum histórico com imperfeito e mais-que-perfeito do conjuntivo), § 427 (orações temporais: indicativo se a relação é só de tempo), § 428 (ubi, ut, postquam, simul ac com o indicativo), §§ 429–430 (dum, dōnec, quoad "enquanto"; dum com o presente histórico), §§ 431–432 ("até que", antequam, priusquam: indicativo para o tempo puro, conjuntivo para a espera)
Gramática Latina, Pe. João Ravizza (no catálogo) · domínio público · n. 416 (consecutio temporum: contemporânea, anterior, posterior; tempos principais e históricos; perifrástica com sim e essem), n. 483 (cum com indicativo: temporal, iterativo, inverso; cum com subjuntivo: causal, adversativo, concessivo, histórico), n. 439–443 (proposições temporais: 440 postquam com perfeito, imperfeito e mais-que-perfeito; 441 ubi, ut, simul ac; 442 dum, quoad, dōnec com indicativo e com subjuntivo de intenção; 443 antequam, priusquam)
D'Ooge, Latin for Beginners, Benjamin L. D'Ooge (no catálogo) · domínio público · lições LXIII (sequência dos tempos) e LXX (construções com cum); conferidas no sumário da edição do Projeto Gutenberg
Biblia Sacra Vulgata (editio Clementina): Mateus 1,18; 2,1; 2,9 e 2,13 (no catálogo) · domínio público · Mt 2,1 analisada e diagramada na seção 3; Mt 1,18 (antequam convenīrent) na seção 6; Mt 2,13 (usque dum dīcam tibi) no exercício 7; conferidos no texto da Wikisource latina; ortografia adaptada (i por j) e macrons acrescentados
César, De Bello Gallico 1.7.1; 1,27,3; 1,46,1, Gaius Iulius Caesar (no catálogo) · domínio público · 1,7,1 no exercício 5; 1,27,3 (Eō postquam Caesar pervēnit) e 1,46,1 (Dum haec in conloquiō geruntur, só a primeira parte) na seção 6; conferidos no texto da Latin Library (marcas [27] e [46] e numeração das frases); macrons acrescentados