O período hipotético latino: prótase e apódose; as condições reais com o indicativo (inclusive o futuro com futuro perfeito, que o português diz com o futuro do subjuntivo); a condição potencial com o presente do subjuntivo; as irreais do presente e do passado com o imperfeito e o mais-que-perfeito; as condições mistas; sī, nisi, sī nōn, sīn e as ressalvas com dum, modo, dummodo; um quadro de decisão para ler e para escrever, e um versículo de João analisado palavra a palavra.
Neste capítulo você vai
Separar prótase e apódose e dizer, pelo modo e pelo tempo, se a condição é real, potencial ou irreal.
Traduzir as condições reais de futuro (sī veniēs, sī vēneris) com o futuro do subjuntivo português ("se você vier").
Distinguir a condição potencial (presente do subjuntivo) da irreal do presente (imperfeito do subjuntivo), embora o português traduza as duas com "se fosse… seria".
Reconhecer as irreais do passado e as condições mistas, e o indicativo de possum e dēbeō na apódose irreal.
Usar nisi, sī nōn, sīn, sī minus e as ressalvas com dum, modo, dummodo, e escolher a construção latina certa a partir de uma frase portuguesa.
período hipotéticoprótase e apódosecondição real (indicativo)futuro mais vívidofuturo perfeito na prótasefuturo do subjuntivo portuguêsapódose no imperativocondição geralcondição potencialpresente e perfeito do subjuntivocondição irreal do presentecondição irreal do passadocondições mistasindicativo na apódose irreal (possum, dēbeō)nisi × sī nōnsīn, sī minusnisi forte, nisi vērōnōn… nisisīve… sīvedum, modo, dummodo (ressalva)quadro de decisãoanálise de frase autêntica
Antes deste capítulo: Capítulo 34 (a sequência dos tempos) e, portanto, as formas do subjuntivo dos capítulos 32 e 33. Você deve reconhecer com segurança o futuro e o futuro perfeito do indicativo (capítulos 12 e 13) e os quatro tempos do subjuntivo. Ajuda ter feito o capítulo 35, para não confundir o "se" condicional com o "se" da pergunta indireta. · capítulo 12 · capítulo 13 · capítulo 32 · capítulo 34 · capítulo 35
"Se você estudar, vai aprender." Uma frase assim tem duas partes: a condição ("se você estudar") e a consequência ("vai aprender"). A gramática chama o conjunto de período hipotético; a oração com "se" é a prótase (do grego, "o que se põe antes"), e a oração principal é a apódose ("o que se devolve em resposta"). Em latim, a prótase vem quase sempre introduzida por sī ("se") ou nisi ("se não, a menos que"), e a apódose pode ser anunciada por um correlativo como tum ("então") ou ita ("assim, com essa condição"). Atenção: a apódose é a oração principal, mesmo quando vem depois (Allen e Greenough § 512).
O que decide a forma do período latino não é o tempo cronológico, e sim o que quem fala dá a entender sobre a realidade da condição. Há três atitudes possíveis, e cada uma tem o seu modo (Bennett §§ 301–304; Ravizza nn. 476–479):
Os três tipos de período hipotético
Tipo
O que quem fala dá a entender
Modo
Exemplo
Real (ou neutra)
nada sobre a verdade da condição; se ela se cumpre, a consequência se cumpre
indicativo, qualquer tempo
Sī Mārcus adest, laetī sumus. Se Marcos está aqui, estamos contentes.
Potencial
a condição é imaginada como possível, sobretudo no futuro, mas incerta
a condição é falsa: não se cumpre agora, ou não se cumpriu
imperfeito (presente) ou mais-que-perfeito (passado) do subjuntivo
Sī Mārcus adesset, laetī essēmus. Se Marcos estivesse aqui, estaríamos contentes (mas não está).
Note a simetria: nos três tipos o latim usa o mesmo modo nos dois membros, indicativo com indicativo e subjuntivo com subjuntivo (Kennedy § 437). O português não é tão regular. A partir das próximas seções, a dificuldade principal de quem fala português será justamente esta: o português usa o subjuntivo na prótase real de futuro ("se você vier"), onde o latim usa o indicativo, e traduz o potencial e o irreal do presente com as mesmas formas ("se fosse… seria"), que o latim distingue.
Na condição real, quem fala não diz se a condição se cumpre ou não: só afirma o vínculo entre as duas partes. O latim usa o indicativo nos dois membros, em qualquer tempo que o sentido peça (Bennett § 302.1; Allen e Greenough § 515), e o português faz igual quando a condição é presente ou passada:
Sī aeger es, domī manē.
Se você está doente, fique em casa. (presente; a apódose pode ser um imperativo: Bennett § 302.4)
Sī pater hōc vīdit, īrātus fuit.
Se o pai viu isso, ficou zangado. (passado: quem fala não sabe se o pai viu)
Sī fessī estis, quiēscāmus.
Se vocês estão cansados, descansemos. (apódose com subjuntivo exortativo, capítulo 32; quiēscō, descansar)
A condição real de futuro: o ponto delicado
Quando a condição se refere ao futuro, o latim põe o futuro do indicativo nos dois membros ("futuro mais vívido": Allen e Greenough § 516.a). Se a ação da prótase deve estar concluída antes da apódose, usa-se na prótase o futuro perfeito (§ 516.c; Ravizza n. 477, obs. 2). O português, nesse mesmo lugar, usa o futuro do subjuntivo, um tempo que o latim não tem: "se você vier", "se você tiver lido".
Condição real de futuro: latim × português
Latim
Forma latina na prótase
Português
Forma portuguesa na prótase
Sī mē vocābis, veniam.
futuro do indicativo
Se você me chamar, irei.
futuro do subjuntivo
Sī librum lēgeris, rem intellegēs.
futuro perfeito do indicativo
Se você ler (tiver lido) o livro, entenderá o assunto.
futuro do subjuntivo (simples ou composto)
Nisi properābimus, sērō adveniēmus.
futuro do indicativo
Se não nos apressarmos, chegaremos tarde.
futuro do subjuntivo
O futuro perfeito na prótase é muito frequente, mais do que nas línguas modernas, porque o latim é cuidadoso com a ordem dos fatos: primeiro você terá lido, depois entenderá. Traduza-o normalmente pelo futuro do subjuntivo simples ("se você ler"); o composto ("se você tiver lido") só quando a anterioridade precisar de destaque. Allen e Greenough (§ 516.a, nota) registram que às vezes se encontra também o presente do indicativo nessa prótase, como no português falado ("se você vem, eu vou"), mas a norma da prosa clássica é o futuro. Leia o Evangelho de Mateus:
Sī enim dīmīseritis hominibus peccāta eōrum, dīmittet et vōbīs Pater vester caelestis dēlicta vestra.
Pois, se perdoardes aos homens as suas faltas, também vosso Pai celeste vos perdoará as vossas. (Mateus 6,14: dīmīseritis, futuro perfeito na prótase; dīmittet, futuro na apódose)
Condições gerais
Algumas condições reais valem para qualquer caso: "se alguém faz isso, é sempre censurado". O latim as diz, em geral, como as particulares, com o indicativo (Allen e Greenough § 514.D). Dois detalhes ajudam a reconhecê-las. Com o sujeito indefinido "você" (qualquer pessoa), a prótase pode ir para a 2ª pessoa do singular do subjuntivo, sem que a condição deixe de ser real (Bennett § 302.2; Ravizza n. 477, obs. 1): Memoria minuitur, nisi eam exerceās, "a memória diminui, se não a exercitamos" (exemplo citado por Bennett nesse parágrafo). E para ações repetidas no passado usa-se o mais-que-perfeito na prótase e o imperfeito na apódose: Sī quis aegrōtāverat, medicus veniēbat, "se alguém adoecia, o médico vinha" (Bennett § 302.3).
Na condição potencial, quem fala imagina um caso possível, quase sempre futuro, sem afirmar que ele vá acontecer. As gramáticas inglesas a chamam de "should–would" (Bennett § 303) ou "futuro menos vívido" (Allen e Greenough § 516.b); Ravizza (n. 478), de "modo da possibilidade". O latim usa o presente do subjuntivo nos dois membros; se a ação da prótase deve estar concluída antes da apódose, o perfeito do subjuntivo na prótase (Allen e Greenough § 516.c). O subjuntivo da apódose é o potencial do capítulo 32 ("seria, poderia ser").
Sī quis hōc dīcat, erret.
Se alguém dissesse isto, estaria errado. (presente do subjuntivo nos dois membros)
Sī frātrem tuum nunc videās, eum nōn agnōscās.
Se você visse agora o seu irmão, não o reconheceria. (agnōscō, reconhecer)
Sī mīlle annōs vīvam, haec nōn oblīvīscar.
Se eu vivesse mil anos, não esqueceria isto. (oblīvīscor, depoente: oblīvīscar é presente do subjuntivo)
A grande dificuldade é a tradução. O português não tem forma própria para o potencial: diz "se fosse… seria", exatamente como na irreal do presente (Ravizza n. 478 já traduz assim). Por isso, ao ler, não confie na tradução portuguesa para classificar: olhe o tempo latino. Presente do subjuntivo é possibilidade aberta ("se, por acaso, viesse a…"); imperfeito do subjuntivo é negação implícita ("se fosse, mas não é"). Na tradução, você pode marcar o potencial com "por acaso", "viesse a", "um dia", quando o contexto pedir.
Potencial × irreal do presente
Latim
Tipo
Tradução
O que fica implícito
Sī pater veniat, gaudeāmus.
potencial
Se o pai viesse (viesse a vir), ficaríamos alegres.
é possível que venha; não se sabe
Sī pater venīret, gaudērēmus.
irreal do presente
Se o pai viesse, ficaríamos alegres.
ele não vem; a alegria não existe
Sī dīves sim, nāvem emam.
potencial
Se eu ficasse rico (um dia), compraria um navio.
pode acontecer
Sī dīves essem, nāvem emerem.
irreal do presente
Se eu fosse rico, compraria um navio.
não sou rico
Cícero usa o potencial num trecho famoso da primeira Catilinária. Depois de imaginar a pátria falando a Catilina, ele pergunta: Haec sī tēcum, ita ut dīxī, patria loquātur, nōnne impetrāre dēbeat, etiamsī vim adhibēre nōn possit?, "Se a pátria te falasse assim, como eu disse, não deveria ela ser atendida, ainda que não pudesse usar a força?" (Cat. 1.19, citado por Allen e Greenough § 516.b). O presente do subjuntivo (loquātur, dēbeat) não diz que a pátria não fala: apresenta a cena como uma possibilidade que Catilina deveria levar a sério.
Quando a apódose vem no indicativo. Às vezes uma prótase potencial tem a apódose no indicativo, quando quem fala quer afirmar o resultado com mais firmeza (Bennett § 303.b): aliter sī faciat, nūllam habet auctōritātem, "se ele agisse de outro modo, não tem autoridade nenhuma" (exemplo citado por Bennett). Não é erro do autor: é uma escolha de ênfase.
Na condição irreal, quem fala dá a entender que a condição é falsa. O latim usa o imperfeito do subjuntivo para o que não se cumpre agora e o mais-que-perfeito do subjuntivo para o que não se cumpriu no passado, nos dois membros (Bennett § 304.1; Allen e Greenough § 517; Ravizza n. 479). Aqui o português corresponde bem: imperfeito do subjuntivo e futuro do pretérito no presente ("se eu soubesse, diria"); mais-que-perfeito do subjuntivo e futuro do pretérito composto no passado ("se eu tivesse sabido, teria dito").
As condições irreais e as mistas
Tempo
Prótase
Apódose
Exemplo
Tradução
presente
imperfeito do subj.
imperfeito do subj.
Sī hōc scīrem, tibi dīcerem.
Se eu soubesse isto, eu te diria. (não sei)
passado
mais-que-perfeito do subj.
mais-que-perfeito do subj.
Sī mē vocāvissēs, vēnissem.
Se você me tivesse chamado, eu teria vindo. (não chamou)
misto: passado → presente
mais-que-perfeito do subj.
imperfeito do subj.
Sī mē herī vocāvissēs, nunc tēcum essem.
Se você me tivesse chamado ontem, agora eu estaria com você.
misto: presente → passado
imperfeito do subj.
mais-que-perfeito do subj.
Sī fortis essēs, nōn fūgissēs.
Se você fosse corajoso, não teria fugido.
As condições mistas (Allen e Greenough §§ 515 e 517) não são uma regra nova: cada membro toma o tempo que corresponde ao seu próprio momento. No terceiro exemplo, o chamado não feito é do passado (mais-que-perfeito), e a companhia que não existe é de agora (imperfeito). No quarto, a covardia é um traço permanente (imperfeito: "se você fosse, como não é, corajoso"), e a fuga, um fato passado. O Evangelho de João tem um bom exemplo: Sī dē mundō fuissētis, mundus quod suum erat dīligeret, "se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu" (João 15,19), com o mais-que-perfeito na prótase e o imperfeito, de valor presente, na apódose.
Duas particularidades completam o quadro. Primeiro, as irreais não seguem a sequência dos tempos quando dependem de outro verbo: o imperfeito e o mais-que-perfeito se mantêm, porque exprimem irrealidade, não tempo relativo (Bennett § 268.4). Segundo, na apódose irreal, verbos e expressões de poder, dever e necessidade (possum, dēbeō, oportet, necesse est) e as perifrásticas costumam ficar no indicativo (imperfeito ou perfeito), porque o poder ou o dever existiam de fato; irreal é só a ação que não aconteceu (Bennett § 304.3; Kennedy § 440; Ravizza n. 479, obs. 1):
Hostēs vincere potuērunt, nisi dux fūgisset.
Os inimigos poderiam ter vencido, se o comandante não tivesse fugido. (potuērunt: perfeito do indicativo; a possibilidade existiu)
Hunc librum legere dēbēbās, sī magistrum audīrēs.
Você deveria ler este livro, se escutasse o professor.
Para negar a condição, o latim tem dois recursos (Bennett § 306.1; Allen e Greenough § 525.a). Nisi ("a menos que, se não") nega a prótase inteira e apresenta o caso como a única exceção: a apódose vale sempre, menos naquele caso. Sī nōn nega uma só palavra, e a apódose vale só naquele caso negativo. Muitas vezes a diferença é pequena, mas compare:
Miser essem, nisi amīcōs habērem.
Eu seria infeliz, a menos que (se não) tivesse amigos. (os amigos são o que me salva)
Miser essem, sī amīcōs nōn habērem.
Eu seria infeliz se NÃO tivesse amigos. (a ênfase cai sobre a falta)
Sī vēneris, gaudēbō; sī nōn vēneris, ignōscam.
Se você vier, ficarei contente; se não vier, perdoarei. (prótase afirmativa repetida na forma negativa: Bennett § 306.2.b)
Quando o verbo da segunda prótase se omite, diz-se sī minus ou sīn minus, "se não, caso contrário": Sī poteris, venī; sī minus, scrībe, "se puder, venha; se não, escreva". E quando a segunda prótase é afirmativa, mas oposta à primeira, usa-se sīn, "mas se" (Bennett § 306.3): Sī vērum dīcis, laudāberis; sīn mentīris, pūniēris, "se você diz a verdade, será elogiado; mas, se mente, será castigado". Para duas hipóteses alternativas, sīve… sīve (seu… seu), "quer… quer", "seja… seja" (Allen e Greenough § 525.c).
A ressalva: dum, modo, dummodo
Uma condição pode funcionar como ressalva: "contanto que, desde que, com tal que". O latim usa dum, modo ou dummodo com o subjuntivo, e a negação é nē, não nōn (Bennett § 310.II; Allen e Greenough § 528; Kennedy § 442). A frase mais famosa é um verso trágico, ōderint, dum metuant, "que me odeiem, contanto que me temam". Cícero o cita como fala do tirano Atreu numa tragédia, sem nomear o poeta (Off. 1.97); Suetônio conta que Calígula o repetia como "aquele verso trágico" (Calígula 30), e Sêneca diz que foi escrito no tempo de Sila (Dē īrā 1.20.4). Nenhuma dessas passagens nomeia o autor; os editores modernos costumam atribuí-lo ao Atreu de Ácio, poeta trágico dessa época.
Omnia tibi dabō, modo mē amēs.
Dar-te-ei tudo, contanto que me ames.
Manē hīc, dummodo nē dormiās.
Fique aqui, desde que não durma.
Ōderint, dum metuant.
Que (me) odeiem, contanto que (me) temam. (verso trágico citado por Cícero, Off. 1.97; ōderint, perfeito do subjuntivo de ōdī, com valor de presente, aqui exortativo)
Cuidado com dum: com o indicativo, ele é temporal ("enquanto"); com o subjuntivo e o sentido de condição, é "contanto que". Para "mesmo que, ainda que" (etsī, etiamsī), que se constroem como sī, veja o capítulo 37, sobre as concessivas.
Quadro de decisão e análise de uma frase autêntica ⚑
Na leitura, o caminho é sempre do latim para o sentido: olhe o modo e o tempo da prótase e da apódose e classifique. Na escrita, o caminho é do sentido para o latim: decida primeiro o que você quer dar a entender sobre a condição. Os dois quadros abaixo resumem o capítulo.
Para ler: do latim ao tipo
Na prótase e na apódose há…
Tipo
Tradução portuguesa
indicativo presente ou passado
real
mesmo tempo do indicativo: "se está…, é…"; "se viu…, ficou…"
futuro ou futuro perfeito do indicativo (prótase) + futuro (apódose)
Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. (João 11,21, Vulgata Clementina)
João 11,21: irreal do passado. As duas condições são falsas para Marta: Jesus não estava lá, e o irmão morreu.
João 11,21, palavra a palavra
Palavra
Dicionário
Análise
Função
Domine
dominus, -ī (m.), senhor
vocativo singular
chamamento: "Senhor"
sī
sī, conjunção
invariável
introduz a prótase
fuissēs
sum, esse, fuī
mais-que-perfeito do subjuntivo, 2ª sing.
verbo da prótase: irreal do passado, "se tivesses estado"
hīc
hīc, advérbio
invariável
lugar: "aqui" (o pronome hīc, "este", tem a mesma grafia; aqui não há nome com que concordar, e o contexto pede o advérbio)
frāter
frāter, frātris (m.), irmão
nominativo singular
sujeito da apódose
meus
meus, -a, -um, meu
nominativo singular masculino
concorda com frāter
nōn
nōn, advérbio
invariável
nega a apódose
fuisset mortuus
morior, morī, mortuus sum, morrer (depoente)
mais-que-perfeito do subjuntivo, 3ª sing. masc.; = mortuus esset
verbo da apódose: "teria morrido"
Os dois membros estão no mais-que-perfeito do subjuntivo: é o tipo irreal do passado, e o português corresponde com "se tivesses estado… não teria morrido". Repare em fuisset mortuus: no latim clássico o mais-que-perfeito do subjuntivo de morior é mortuus esset; a forma com fuisset no lugar de esset é uma variante que Bennett registra como ocasional (nota ao paradigma passivo de amō, § 101: fuissem por essem), e o sentido é o mesmo. Não traduza fuissēs por "estiveste" nem fuisset mortuus por "tinha morrido": esses tempos do indicativo português afirmariam fatos, e a frase de Marta diz justamente o que não aconteceu.
Resumo
Real: indicativo nos dois membros; no futuro, futuro ou futuro perfeito na prótase ("se você vier": futuro do subjuntivo português).
Potencial: presente (ou perfeito) do subjuntivo; possibilidade aberta.
Irreal: imperfeito (presente) ou mais-que-perfeito (passado) do subjuntivo; condição falsa. Mistas: cada membro no seu tempo.
O português traduz potencial e irreal do presente com as mesmas formas: classifique pelo latim.
Nisi = "a menos que"; sī nōn = "se não" enfático; sīn = "mas se"; nōn… nisi = "só"; dum, modo, dummodo + subjuntivo = "contanto que" (negação nē).
Erro: Pôr o presente do indicativo (ou um subjuntivo) na prótase real de futuro, decalcando o português "se você vier": *Sī veniās, gaudēbō.
Por quê, e como evitar: O futuro do subjuntivo português ("vier", "fizer") corresponde, na prótase latina, ao futuro ou ao futuro perfeito do indicativo: Sī veniēs (ou vēneris), gaudēbō. O presente do subjuntivo veniās faria da frase uma potencial ("se você viesse"), e então a apódose também deveria estar no subjuntivo.
Erro: Classificar a condição pela tradução portuguesa: ler Sī pater veniat, gaudeāmus como irreal porque se traduz "se o pai viesse, ficaríamos alegres".
Por quê, e como evitar: O português usa as mesmas formas para o potencial e para o irreal do presente; o latim não. Presente do subjuntivo = possibilidade (potencial); imperfeito do subjuntivo = condição falsa (irreal). Classifique sempre pelo tempo latino, e só depois escolha a tradução.
Erro: Traduzir o mais-que-perfeito do subjuntivo pelo mais-que-perfeito do indicativo: sī mē vocāvissēs, vēnissem → *"se você me tinha chamado, eu tinha vindo".
Por quê, e como evitar: O mais-que-perfeito do subjuntivo nas condições é irreal do passado: "se você me tivesse chamado, eu teria vindo". O indicativo português afirmaria que os fatos aconteceram, que é o contrário do que a frase latina diz.
Erro: Ler nōn… nisi como duas negações separadas: Nihil cōgitat nisi pecūniam → *"não pensa em nada se não o dinheiro".
Por quê, e como evitar: Com negativos, nisi significa "a não ser, exceto", e o conjunto vale "só": "só pensa em dinheiro", "não pensa em nada a não ser dinheiro". O mesmo com nēmō… nisi ("ninguém a não ser") e nōn… nisi ("só").
Erro: Usar sī para o "se" da pergunta indireta: *Rogō sī veniās para "pergunto se você vem".
Por quê, e como evitar:Sī é condicional: introduz uma prótase, de que depende uma apódose. O "se" depois de "perguntar, não saber" introduz uma pergunta indireta e se diz num ou -ne (capítulo 35): Rogō num veniās. Teste: dá para pôr "caso" no lugar de "se"? Então é condicional.
Erro: Traduzir o dum de ressalva por "enquanto", ou negá-lo com nōn: ōderint, dum metuant → *"que odeiem enquanto temem"; *dum nōn dormiās.
Por quê, e como evitar: Com o subjuntivo e sentido de condição, dum (como modo e dummodo) é "contanto que", e a negação é nē: dummodo nē dormiās. O dum temporal, "enquanto", leva em geral o indicativo.
Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.
Prática guiada 1 · Classificar e traduzir
Classifique e traduza: Sī cōnsul mīlitēs mīsisset, urbs nunc lībera esset. Vocabulário: cōnsul, -is (m.), cônsul; mittō, -ere, mīsī, missum, enviar; līber, -era, -erum, livre.
Onde termina a prótase e começa a apódose?Ver o passo
A prótase é Sī cōnsul mīlitēs mīsisset (até o verbo depois de sī); a apódose, a oração principal, é urbs nunc lībera esset.
Que modo e tempo há em cada membro?Ver o passo
Mīsisset: mais-que-perfeito do subjuntivo. Esset: imperfeito do subjuntivo. Subjuntivo nos dois membros, mas em tempos diferentes.
Que tipo de condição é?Ver o passo
Irreal mista: a prótase é irreal do passado (o cônsul não enviou os soldados) e a apódose é irreal do presente (a cidade não está livre agora). O advérbio nunc confirma o presente da apódose.
Monte a tradução.Ver o passo
"Se o cônsul tivesse enviado os soldados, a cidade agora estaria livre." Implícito: não enviou, e a cidade não está livre.
Prática guiada 2 · Do português para o latim, decidindo o tipo
Traduza para o latim as três frases, decidindo o tipo de cada uma: (a) "Se você vier amanhã, veremos o rio." (b) "Se você viesse um dia, veríamos o rio." (c) "Se você estivesse aqui, veríamos o rio (mas você não está)." Vocabulário: veniō, -īre, vēnī, ventum, vir; videō, -ēre, ver; flūmen, -inis (n.), rio; crās, amanhã; adsum, adesse, estar presente.
Frase (a): o que quem fala dá a entender?Ver o passo
Nada sobre a vinda: só liga a vinda à visita ao rio, no futuro. Condição real de futuro: Sī crās veniēs (ou vēneris, se a vinda deve vir antes), flūmen vidēbimus. O "vier" português vira futuro do indicativo latino.
Frase (b)?Ver o passo
Hipótese imaginada, possível, sem compromisso: potencial. Sī quandō veniās, flūmen videāmus. (sī quandō, "se alguma vez"; presente do subjuntivo nos dois membros.)
Frase (c)?Ver o passo
Condição falsa no presente: irreal. Sī adessēs, flūmen vidērēmus. Imperfeito do subjuntivo nos dois membros.
O que mostram as três traduções juntas?Ver o passo
O português usou "vier" em (a) e "viesse/estivesse… veríamos" em (b) e (c). O latim separa as três atitudes: indicativo (real), presente do subjuntivo (potencial), imperfeito do subjuntivo (irreal).
Conclusão: para escrever uma condição em latim, decida primeiro a atitude (real, possível, falsa) e só depois os tempos.
Faça por escrito ou em voz alta; abra "Ver resposta" só depois de tentar. A explicação da resposta faz parte da lição.
Exercício 1 · Classifique e traduza
Diga se a condição é real, potencial, irreal do presente, irreal do passado ou mista, e traduza. Vocabulário: hostis, -is (m.), inimigo; fugiō, -ere, fūgī, fugir; legō, -ere, lēgī, ler; sciō, saber; plūra, mais coisas.
Sī hostēs veniunt, fugimus.Ver resposta
Real (presente, indicativo nos dois membros). "Se os inimigos vêm, fugimos."
Sī hostēs vēnerint, fugiēmus.Ver resposta
Real de futuro: futuro perfeito na prótase, futuro na apódose. "Se os inimigos vierem, fugiremos."
Sī hostēs veniant, fugiāmus.Ver resposta
Potencial: presente do subjuntivo nos dois membros. "Se os inimigos viessem (por acaso), fugiríamos."
Sī hostēs venīrent, fugerēmus.Ver resposta
Irreal do presente: imperfeito do subjuntivo. "Se os inimigos estivessem vindo, fugiríamos" (mas não estão).
Sī hostēs vēnissent, fūgissēmus.Ver resposta
Irreal do passado: mais-que-perfeito do subjuntivo. "Se os inimigos tivessem vindo, teríamos fugido" (mas não vieram).
Sī librōs lēgissēs, nunc plūra scīrēs.Ver resposta
Mista: prótase irreal do passado (mais-que-perfeito), apódose irreal do presente (imperfeito). "Se você tivesse lido os livros, agora saberia mais."
Exercício 2 · Transforme
Reescreva a frase real Sī mē vocās, veniō ("se você me chama, eu venho") nos outros tipos, e traduza cada versão.
Real de futuro, com a chamada antes da vinda.Ver resposta
Sī mē vocāveris, veniam. Futuro perfeito na prótase, futuro na apódose. "Se você me chamar, eu irei."
Potencial.Ver resposta
Sī mē vocēs, veniam. Presente do subjuntivo nos dois membros (veniam é aqui subjuntivo, idêntico ao futuro na 1ª pessoa: o tipo se reconhece pela prótase). "Se você me chamasse, eu viria."
Irreal do presente.Ver resposta
Sī mē vocārēs, venīrem. Imperfeito do subjuntivo. "Se você me chamasse (e não chama), eu viria."
Irreal do passado.Ver resposta
Sī mē vocāvissēs, vēnissem. Mais-que-perfeito do subjuntivo. "Se você me tivesse chamado, eu teria vindo."
Real (presente): es no indicativo, apódose no imperativo dīc, que rege um ut completivo (capítulo 33). "Se és Filho de Deus, dize que estas pedras se tornem pães." O tentador não afirma nem nega que Jesus seja o Filho de Deus.
Haec omnia tibi dabō, sī cadēns adōrāveris mē. (Mateus 4,9) cadēns, prostrando-te; adōrō, adorar.Ver resposta
Real de futuro: adōrāveris, futuro perfeito (a adoração antes da entrega), e dabō, futuro. "Tudo isto te darei, se, prostrado, me adorares." O futuro perfeito latino vira futuro do subjuntivo português.
Sī dīligerētis mē, gaudērētis utique, quia vādō ad Patrem. (João 14,28) dīligō, amar; utique, certamente; vādō, vou.Ver resposta
Irreal do presente: imperfeito do subjuntivo nos dois membros. "Se me amásseis, certamente vos alegraríeis, porque vou para o Pai." Implícito: o amor deles não é ainda o que deveria.
Sī dē mundō fuissētis, mundus quod suum erat dīligeret. (João 15,19)Ver resposta
Mista: prótase no mais-que-perfeito do subjuntivo, apódose no imperfeito, de valor presente. "Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu." Quod suum erat é relativa: "aquilo que era seu".
Haec sī tēcum, ita ut dīxī, patria loquātur, nōnne impetrāre dēbeat? (Cícero, Cat. 1.19) impetrō, obter o que se pede.Ver resposta
Potencial: presente do subjuntivo (loquātur, depoente; dēbeat). "Se a pátria te falasse assim, como eu disse, não deveria ela ser atendida?" Cícero apresenta a cena como possível, não como falsa.
Se o pai tivesse partido, a mãe teria chorado.Ver resposta
Irreal do passado: Sī pater discessisset, māter flēvisset (fleō, flēvī, chorar).
A menos que você me ajude, não terminarei o trabalho.Ver resposta
Real de futuro com nisi: Nisi mē adiūveris (adiuvābis), opus nōn perficiam. (perficiō, terminar) O futuro perfeito marca que a ajuda vem antes.
Se alguém, por acaso, perguntasse isso, eu não saberia responder.Ver resposta
Potencial: Sī quis hōc roget, respondēre nōn possim. Presente do subjuntivo nos dois membros (possim, de possum). "Por acaso" indica possibilidade, não falsidade.
Leituras recomendadas
Na Vulgata, leia João 11,17–44 (Lázaro) e Mateus 4,1–11 (as tentações), que reúnem condições reais, de futuro e irreais. A primeira Catilinária de Cícero (sobretudo §§ 17–19) usa o potencial e o irreal com força retórica; leia-a com notas. O Laelius de amicitia e as cartas de Sêneca trazem muitas condições gerais e potenciais em argumentação moral, em prosa mais calma. Allen e Greenough §§ 511–517 e 525 servem para consultar os casos especiais.
Etapa VI · Latinitas ChristianaDificuldade 2 · BásicoOriginal Áudio
Biblia Sacra Vulgata (editio Clementina)
Hieronymus Stridonensis (Vulgata)
A Vulgata Clementina completa, do Gênesis ao Apocalipse, livro a livro. Comece por Marcos, Gênesis ou os Salmos: frases curtas, vocabulário repetitivo e um texto que você já conhece em português. A leitura cristã fundamental e, para muitos, a primeira obra longa lida em latim. No LibriVox há, por ora, só o Salmo 22 gravado.
Escritura (Vulgata) · Tardio e patrístico · anos, um capítulo por dia · Vicifons (Latin Wikisource)
Etapa V · Auctores RomaniDificuldade 4 · AvançadoOriginalCom notasTexto na biblioteca
In Catilinam I–IV
Marcus Tullius Cicero
As quatro Catilinárias completas (edição Clark, 1908), o discurso mais lido de Cícero ("Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra?"). Sem notas; cada palavra abre a análise morfológica e o dicionário. EPUB (edição diferente) no Project Gutenberg.
Oratória · Clássico · algumas semanas · Perseus Digital Library
Ler aqui: texto latino da edição de Albert Curtis Clark (1908)
Etapa V · Auctores RomaniDificuldade 4 · AvançadoOriginalCom notasTexto na biblioteca
Laelius de Amicitia
Marcus Tullius Cicero
O diálogo sobre a amizade, completo, em latim (texto da edição Loeb de 1923). Prosa filosófica de Cícero mais serena que a dos discursos; sem notas, com análise de palavras ao clique.
Filosofia · Clássico · algumas semanas · Perseus Digital Library
Ler aqui: texto latino da edição de William Armistead Falconer (1923)
Etapa V · Auctores RomaniDificuldade 3 · IntermediárioOriginal ÁudioCom notas
Epistulae Morales ad Lucilium
Lucius Annaeus Seneca
As 124 cartas a Lucílio completas (texto da edição Loeb). Frases curtas, vocabulário repetitivo e conteúdo moral de leitura imediata: Sêneca é a prosa clássica mais fácil depois de César e Nepos. Uma carta por dia é um ótimo hábito. Uma seleção de cartas tem gravação no LibriVox.
Filosofia · Pós-clássico · meses, uma carta por dia · Perseus Digital Library
Allen and Greenough's New Latin Grammar (edição DCC)
J. H. Allen e J. B. Greenough
A gramática de referência clássica em inglês (1903), em hipertexto com os parágrafos numerados tradicionais: pronúncia, morfologia, sintaxe, prosódia. Os comentários do DCC remetem a ela em cada nota. Para consultar, não para decorar.
Bibliotheca Latina. Conteúdo original com trechos de obras em domínio público; licença CC BY 4.0.
Fontes consultadas
New Latin Grammar, Charles E. Bennett (no catálogo) · domínio público · § 268.4–5 (as irreais não seguem a sequência dos tempos; o imperfeito irreal tratado como histórico), § 301 (prótase e apódose; sī, nisi, sīn; os três tipos), § 302.1–4 (primeiro tipo: indicativo, qualquer tempo; 302.2 2ª pessoa indefinida no subjuntivo; 302.3 ação repetida; 302.4 imperativo ou subjuntivo independente na apódose), § 303 (segundo tipo, "should–would": presente ou perfeito do subjuntivo; 303.b indicativo na apódose), § 304.1–3 (terceiro tipo, irreal: imperfeito = presente, mais-que-perfeito = passado; 304.2 imperfeito referido ao passado; 304.3 indicativo na apódose com expressões de poder e dever e com as perifrásticas), § 305 (prótase sem sī), § 306.1–5 (nisi × sī nōn; sī minus, sīn; nisi com negativos; nisi forte, nisi vērō), § 310 (dum, modo, dummodo: desejo e ressalva, negação nē)
Allen and Greenough's New Latin Grammar, J. H. Allen e J. B. Greenough (no catálogo) · domínio público · § 511 (origem do período hipotético), § 512 (prótase e apódose; partículas; correlativos ita, tum), §§ 513–514 (classificação e quadro dos tipos: simples, futuras mais e menos vívidas, contrárias ao fato; condições gerais), § 515 (presente e passado no indicativo; condições mistas; apódose em qualquer forma), § 516 (futuras: 516.a futuro nos dois membros, com nota sobre o presente na prótase; 516.b presente do subjuntivo, com Cat. 1.19; 516.c futuro perfeito e perfeito do subjuntivo na prótase), § 517 (contrárias ao fato; mistas; 517.a imperfeito com valor passado; 517.b–d indicativo na apódose), § 525 (sī, nisi, sī nōn; nisi vērō e nisi forte; sīve… sīve; sīn), § 528 (dum, modo, dummodo: ressalva, negação nē)
Kennedy's Revised Latin Primer, Benjamin Hall Kennedy (no catálogo) · domínio público · § 437 (prótase e apódose; indicativo nos dois membros ou conjuntivo nos dois), § 438 (indicativo; notas sobre o imperativo e o optativo na apódose), § 439 (conjuntivo: (a) presente, possível; (b) histórico, puramente imaginário), § 440 (indicativo na apódose irreal com verbos de dever e poder e com a perifrástica), § 441 (sī omitido; nisi forte; sī nōn; sīve… sīve), § 442 (dum, dummodo, modo com o conjuntivo)
Gramática Latina, Pe. João Ravizza (no catálogo) · domínio público · n. 476 (proposições condicionais; período hipotético, prótase e apódose; três tipos), n. 477 (1º tipo, modo da realidade; obs. 1: 2ª pessoa indefinida; obs. 2: futuro e futuro perfeito na prótase), n. 478 (2º tipo, modo da possibilidade: subjuntivo potencial; em português, imperfeito do subjuntivo e condicional), n. 479 (3º tipo, modo da irrealidade; obs. 1–2: indicativo na apódose com posse, dēbēre e as perifrásticas; obs. 4: imperfeito com valor passado)
Biblia Sacra Vulgata (editio Clementina): João 11,21; 14,28; 15,19; Mateus 4,3; 4,9; 6,14–15 (no catálogo) · domínio público · João 11,21 analisado na seção 6; Mateus 6,14 na seção 2; os demais no exercício 4. Texto conferido na Wikisource latina ("Vulgata Clementina/Evangelium Secundum Joannem" e "Evangelium Secundum Matthaeum"); ortografia adaptada (ae por æ, i por j) e macrons acrescentados
M. Tullius Cicero, In Catilinam 1.19; De officiis 1.97 (no catálogo) · domínio público · Cat. 1.19 (potencial) na seção 3 e no exercício 4; Off. 1.97 (o verso trágico "oderint, dum metuant", posto na boca de Atreu e citado por Cícero) na seção 5. Conferidos na The Latin Library (cicero/cat1 e cicero/off1), assim como Suetônio, Calígula 30 (suetonius/suet.cal.html: Tragicum illud subinde iactabat: Oderint, dum metuant) e Sêneca, De ira 1.20.4 (sen/sen.ira1.shtml: Sullano scias saeculo scriptam), que também não nomeiam o poeta; macrons acrescentados