Exercitia Latina II
Hans H. Ørberg
Caderno de exercícios para Roma Aeterna. Livro comercial da Hackett Publishing; aqui, apenas a referência oficial.
Elementa Linguae Latinae·Parte III · Lectio·Capítulo 41·80 minReportar problema
Dē compositiōne
Um método para passar do português ao latim: entender o sentido antes das palavras, escolher a construção (oração infinitiva, ut/nē, ablativo absoluto, gerundivo, interrogativa indireta), ordenar a frase e pôr os conectivos no lugar certo, evitar os decalques do português (artigos, o "que" para tudo, possessivos demais, o "seu") e usar as expressões idiomáticas latinas. Com uma frase de César como modelo e exercícios graduados de retroversão com respostas-modelo e alternativas comentadas.
Antes deste capítulo: Toda a sintaxe das partes II e III, em especial a oração infinitiva (capítulo 28), o ablativo absoluto (30), o gerúndio e o gerundivo (31), as orações com ut e nē (33), cum e a sequência dos tempos (34), a interrogativa indireta (35), as condicionais (36), as causais e concessivas (37) e o discurso indireto (38). Os pronomes reflexivos e possessivos do capítulo 14 e o relativo de ligação do capítulo 16 são usados o tempo todo. · capítulo 14 · capítulo 16 · capítulo 28 · capítulo 30 · capítulo 31 · capítulo 33 · capítulo 34 · capítulo 38
Ler latim é reconhecer; escrever latim é escolher. Quem só lê pode adivinhar que ut introduz alguma coisa e seguir em frente; quem escreve precisa decidir se é ut com subjuntivo, ad com gerundivo ou uma oração relativa, em que tempo e com que ordem das palavras. Por isso a retroversão, a tradução do português para o latim, foi durante séculos o principal exercício das escolas: ela obriga a saber exatamente o que se sabe só de vista. Este capítulo não pretende fazer de você um prosador ciceroniano. O objetivo é mais modesto e mais útil: que você consiga escrever frases corretas e naturais, e que, ao fazê-lo, leia os autores com mais precisão.
O erro de quem começa é traduzir palavra por palavra, na ordem do português, procurando cada termo no dicionário. O resultado é português com terminações latinas. O caminho certo começa antes das palavras:
| Passo | Pergunta | Exemplo: "Os embaixadores disseram que o rei viria logo." |
|---|---|---|
| 1. Sentido | O que a frase quer dizer, e quais são as relações lógicas (tempo, causa, finalidade, fala relatada)? | uma fala relatada: alguém afirmou algo |
| 2. Construção | Que construção latina exprime essa relação? | verbo de dizer → oração infinitiva (capítulo 28) |
| 3. Formas | Que tempos e modos a construção pede? | "viria" é posterior ao dizer → infinitivo futuro ventūrum esse |
| 4. Palavras | Que palavras latinas dizem isso, com que regência? | lēgātus, rēx, veniō, mox, dīcō |
| 5. Ordem e conferência | Como um romano ordenaria a frase? Todas as concordâncias estão certas? | Lēgātī rēgem mox ventūrum esse dīxērunt. (ventūrum concorda com rēgem) |
O passo 1 é o mais importante e o mais esquecido. O português e o latim raramente dizem a mesma coisa com a mesma estrutura: "disse que" não é dīxit quod, "para ver" não é vidēre, "depois de ouvir" não é post audīre. Só quem pergunta "que relação é esta?" chega à construção latina.
Toda a sintaxe das partes II e III serve agora ao contrário. A tabela reúne as estruturas portuguesas mais frequentes e as construções latinas que as exprimem; os exemplos são originais e cada linha remete ao capítulo onde a construção foi estudada.
| Em português | Em latim | Exemplo |
|---|---|---|
| "disse / sabe / julga que…" | oração infinitiva (cap. 28) | Nūntius dīxit hostēs adesse. O mensageiro disse que os inimigos estavam ali. |
| "para / para que…" (finalidade) | ut / nē + subjuntivo; relativa final; ad + gerundivo; causā + genitivo (caps. 31 e 33) | Vēnērunt ut auxilium peterent. Vieram para pedir ajuda. |
| "mandou / pediu / exortou que…" | ut / nē + subjuntivo; com iubeō e vetō, infinitivo (caps. 28 e 33) | Cōnsul cīvēs ōrāvit nē urbem relinquerent. O cônsul pediu aos cidadãos que não deixassem a cidade. |
| "tão… que…" (consequência) | tam, ita, tantus… ut / ut nōn (cap. 33) | Tam fessī erant ut ambulāre nōn possent. Estavam tão cansados que não podiam andar. |
| "depois de fazer", "feito isso", "tendo feito" | ablativo absoluto; particípio conjunto; cum + subjuntivo (caps. 29, 30, 34) | Hīs rēbus cognitīs, dux profectus est. Conhecidos esses fatos, o general partiu. |
| "é preciso / deve-se…" | perifrástica passiva com gerundivo (cap. 31) | Lēgēs servandae sunt. As leis devem ser respeitadas. |
| "perguntou quem / se / por que…" | interrogativa indireta (cap. 35) | Rogāvit quis vēnisset. Perguntou quem tinha vindo. |
| "se…", "embora…", "porque…" | condicionais; concessivas e causais (caps. 36 e 37) | Quamquam aeger erat, labōrābat. Embora estivesse doente, trabalhava. |
Este ponto merece destaque, porque o português (e o inglês) exprimem a finalidade com um infinitivo: "vieram para pedir". O latim clássico não faz isso. Allen & Greenough são categóricos: a finalidade nunca se exprime pelo infinitivo simples, salvo em expressões idiomáticas e, raramente, em poesia (§ 533). As alternativas são muitas, e escolher entre elas é questão de estilo:
O português diz "tendo ouvido", "depois de ouvir", "ouvido isso". O latim não tem particípio perfeito ativo (só os depoentes o têm: hortātus, "tendo exortado"). Bennett resume as soluções (§ 356.2): o particípio perfeito de um depoente, o ablativo absoluto ou uma subordinada (cum, postquam, relativa). Há uma condição para o ablativo absoluto que o português não ensina: o seu substantivo raramente designa alguém ou algo mencionado na mesma oração (A&G § 419, nota). Se a pessoa reaparece como objeto do verbo principal, use o particípio conjunto:
| Latim | Comentário |
|---|---|
| Cīvēs, cōnsule audītō, domum rediērunt. | Certo: o cônsul não volta a aparecer na oração principal. "Ouvido o cônsul, os cidadãos voltaram para casa." |
| Dux, mīlitibus convocātīs, eōs laudāvit. | Evite: os soldados são retomados por eōs na mesma oração. |
| Dux mīlitēs convocātōs laudāvit. | Melhor: particípio conjunto, concordando com o objeto. "O general reuniu os soldados e os louvou." |
A ordem latina é livre no sentido de que as terminações, e não a posição, dizem a função (capítulo 2). Mas não é arbitrária. Na frase neutra, o sujeito vem primeiro, depois os complementos, e o verbo fecha a oração (Bennett § 348; A&G § 596; Ravizza n. 491): Magister puerīs fābulam nārrat. Qualquer desvio dessa ordem chama a atenção para a palavra deslocada, que vai para o início ou para o fim (Bennett § 349; A&G § 597; Ravizza n. 492): Fābulam magister nārrat, nōn carmen, "é uma história que o professor conta, não um poema". Escrever em latim é, portanto, escolher a ênfase pela posição, como o português faz com a entonação ou com "é… que".
Algumas regras de colocação valem quase sempre. Os advérbios precedem a palavra que modificam (valdē dīligēns, Bennett § 350.6); as preposições precedem o seu caso, mas um adjetivo pode vir antes delas: magnā cum cūrā (Bennett § 350.7b). As palavras que retomam a frase anterior vêm no começo da nova frase (§ 350.9), e é por isso que o latim gosta tanto do relativo de ligação do capítulo 16: Quae cum rēx audīvisset, rīsit, "quando o rei ouviu isso, riu".
Num período com subordinada, a palavra que serve de sujeito (ou de objeto) às duas orações fica antes de ambas (Bennett § 351.2), e as subordinadas de tempo, causa, condição e concessão costumam vir antes da principal (Bennett § 351.3; Ravizza n. 493). O resultado é o período latino típico: o sujeito abre, as circunstâncias se encaixam no meio, e o verbo principal fecha o pensamento.
Compare com a ordem portuguesa, "Quando os soldados viram que os inimigos se aproximavam, correram às armas": aqui o sujeito entra na subordinada. Em latim, Cum mīlitēs hostēs appropinquāre vīdissent, ad arma cucurrērunt não é errado, mas a ordem com Mīlitēs à frente é a mais natural, porque mostra desde o início de quem se fala nas duas orações. Bennett chama a essa preferência unidade de sujeito (§ 351.1).
Um texto latino raramente começa uma frase sem algo que a ligue à anterior: um conectivo, um relativo de ligação, um demonstrativo. Ao escrever, faça o mesmo. E respeite a posição de cada conectivo, porque vários deles são pospositivos: nunca abrem a frase (Bennett § 350.8; A&G § 599.b; Kennedy § 400, nota 3; Ravizza n. 491).
| Conectivo | Sentido | Posição |
|---|---|---|
| itaque | por isso, e assim | 1º lugar |
| igitur | portanto, então | em geral 2º lugar; nunca junto de et, -que, atque, neque (Bennett § 344.2) |
| nam | pois, é que | 1º lugar |
| enim | pois, com efeito | 2º lugar (3º depois de est: ita est enim) |
| sed | mas | 1º lugar |
| autem | por sua vez, porém | 2º lugar; põe em contraste a palavra anterior |
| tamen | contudo, mesmo assim | em geral depois da palavra enfatizada, mas pode abrir a frase (Bennett § 343.1f) |
Nam e enim dizem o mesmo, "pois", e diferem só na posição: Nam pluit = Pluit enim. O mesmo vale, em parte, para itaque e igitur: itaque narra a consequência ("e assim"), igitur tira uma conclusão ("portanto").
Um decalque é a cópia de uma estrutura de uma língua em outra. Quem escreve latim a partir do português tende a reproduzir, sem perceber, hábitos que o latim não tem. Os mais comuns são estes.
O latim não tem artigo. "O rei" é rēx, "um servo" é servus. Não use ille para "o" nem ūnus para "um": ille rēx é "aquele rei" (ou "o famoso rei") e ūnus servus, "um só servo". Quando o português "um" quer dizer "um certo", o latim tem quīdam: viātor quīdam, "um viajante (que não preciso nomear)".
O português usa "que" para quase tudo. O latim tem uma construção diferente para cada função, e a primeira tarefa é descobrir qual é:
| "que" português | Função | Em latim |
|---|---|---|
| "o livro que li" | pronome relativo | liber quem lēgī |
| "disse que viria" | conteúdo de uma fala ou pensamento | oração infinitiva: dīxit sē ventūrum esse |
| "pediu que viesse" | ordem, pedido | ut + subjuntivo: rogāvit ut venīret |
| "tão alto que…" | consequência | tam altus ut… |
| "maior que o pai" | comparação | quam (ou ablativo): maior quam pater, maior patre |
| "temo que venha" | temor | nē + subjuntivo: timeō nē veniat (capítulo 33) |
O caso mais traiçoeiro é o segundo. Dīxit quod hostēs venīrent é um decalque do português; no latim clássico a fala relatada vai em oração infinitiva: dīxit hostēs venīre. A construção com quod ou quia existe, mas é do latim tardio e cristão (capítulo 28); se você está escrevendo latim clássico, evite-a.
O latim só usa o possessivo quando ele é necessário para a clareza ou para a ênfase (Bennett § 243.1). "Marco ama a sua mãe" é simplesmente Mārcus mātrem amat; de quem mais seria a mãe? Mātrem suam só se houver contraste ("a própria mãe, não a de outro"), e então o possessivo tende a vir antes do nome (§ 243.1a).
Quando o possessivo é necessário, o "seu" português esconde três palavras latinas diferentes, como você viu no capítulo 14. Suus refere-se ao sujeito da oração (ou, numa subordinada, ao sujeito da principal: Bennett § 244; A&G §§ 299–301); eius e eōrum referem-se a outra pessoa; e, no português do Brasil, "seu" muitas vezes quer dizer "de você", e então é tuus (ou vester).
| Latim | Português |
|---|---|
| Mārcus Iūliam et patrem suum vīdit. | Marco viu Júlia e o seu pai (o pai de Marco). |
| Mārcus Iūliam et patrem eius vīdit. | Marco viu Júlia e o pai dela. |
| Librumne tuum attulistī? | Você trouxe o seu livro? (o livro de você) |
| Decalque | Latim idiomático | Por quê |
|---|---|---|
| Vēnit vidēre amīcum. | Vēnit ut amīcum vidēret. | a finalidade não se exprime por infinitivo (A&G § 533) |
| urbs dē marī | urbs maritima | o latim evita locução prepositiva presa a um nome; prefere adjetivo ou genitivo (Bennett § 353.5) |
| Ītalia ducem benignē accēpit. | Ītalī ducem benignē accēpērunt. | não é erro, mas o latim é menos ousado que o português em personificar: prefere as pessoas às abstrações e aos nomes de lugar como sujeitos de ações humanas (Bennett § 353.3) |
| pugnāre lībertātī | pugnāre prō lībertāte | "lutar por, em defesa de" é prō + ablativo, não dativo (Bennett § 358.1) |
| Imperāvit ut mīlitēs veniant. | Imperāvit ut mīlitēs venīrent. | depois de um tempo passado, o subjuntivo vai para o imperfeito (sequência dos tempos, capítulo 34) |
Um último cuidado, de estilo mais que de gramática: o latim é mais concreto e mais exato no número que o português. "Os germanos cuidam do corpo" é corpora cūrant, no plural, porque cada um tem o seu (Bennett § 353.1); "todas as coisas estão perdidas" é omnia, neutro plural, onde o português diz "tudo" (§ 353.2).
Toda língua tem combinações fixas que não se traduzem palavra por palavra: em português "tomar uma decisão", "prestar atenção", "fazer as pazes". O latim tem as suas, e usá-las é o que mais distingue um latim natural de um latim decalcado. Aprenda estas como unidades, com a regência:
| Expressão | Literalmente | Sentido | Exemplo original |
|---|---|---|---|
| grātiās agere + dat. | render graças | agradecer | Deīs grātiās agimus. |
| poenās dare | dar (pagar) as penas | ser punido | Prōditōrēs poenās dedērunt. |
| in animō habēre + inf. | ter no espírito | ter a intenção de | In animō habeō Rōmam vīsere. |
| operam dare + dat. | dar trabalho | dedicar-se a | Studiīs operam dā! |
| cōnsilium capere | tomar um plano | decidir | Dux novum cōnsilium cēpit. |
| certiōrem facere (dē) | fazer mais certo | informar | Cōnsulem dē adventū hostium certiōrem fēcit. |
| iter facere | fazer caminho | viajar, marchar | Exercitus per Alpēs iter faciēbat. |
| proelium committere | juntar o combate | travar batalha | Cum Gallīs proelium commīsērunt. |
| bellum gerere | conduzir a guerra | fazer guerra | Rōmānī multa bella gessērunt. |
| sē recipere | receber-se de volta | retirar-se | Hostēs in silvās sē recēpērunt. |
Repare em certiōrem facere: o adjetivo concorda com a pessoa informada (cōnsulem … certiōrem; para várias pessoas, certiōrēs). E em poenās dare: o sujeito é quem sofre a pena, não quem a aplica.
A primeira frase da Guerra da Gália é um pequeno manual de composição. Leia-a pensando não no que ela diz, mas em como César escolheu dizê-lo:
| Palavra | Dicionário | Análise | Função |
|---|---|---|---|
| Gallia | Gallia, -ae (f.), Gália | nominativo singular | sujeito |
| est … dīvīsa | dīvidō, -ere, dīvīsī, dīvīsum, dividir | particípio perfeito passivo com est | predicado: "está dividida" (estado) |
| omnis | omnis, -e, todo | nominativo singular feminino | concorda com Gallia: "no seu conjunto" |
| in partēs trēs | pars, partis (f.), parte; trēs, tria, três | in + acusativo plural | resultado da divisão: "em três partes" |
| quārum | quī, quae, quod | genitivo plural feminino | relativo; antecedente partēs: "das quais" |
| ūnam | ūnus, -a, -um, um | acusativo singular feminino | objeto de incolunt (subentende-se partem) |
| incolunt | incolō, -ere, habitar | presente, 3ª pessoa do plural | verbo, dito uma vez e subentendido duas |
| Belgae | Belgae, -ārum (m. pl.), belgas | nominativo plural | sujeito de incolunt |
| aliam | alius, -a, -ud, outro | acusativo singular feminino | objeto de incolunt subentendido |
| Aquītānī | Aquītānī, -ōrum (m. pl.), aquitanos | nominativo plural | sujeito de incolunt subentendido |
| tertiam | tertius, -a, -um, terceiro | acusativo singular feminino | objeto de incolunt subentendido |
| quī | quī, quae, quod | nominativo plural masculino | relativo sem antecedente: "(aqueles) que"; sujeito de incolunt subentendido e de appellantur |
| ipsōrum | ipse, ipsa, ipsum | genitivo plural masculino | "deles próprios", liga-se a linguā |
| linguā | lingua, -ae (f.), língua | ablativo singular | meio: "na língua" |
| Celtae | Celtae, -ārum (m. pl.), celtas | nominativo plural | predicativo de quī |
| nostrā | noster, -tra, -trum, nosso | ablativo singular feminino | subentende-se linguā: "na nossa" |
| Gallī | Gallī, -ōrum (m. pl.), gauleses | nominativo plural | predicativo de quī |
| appellantur | appellō, -āre, chamar | presente passivo, 3ª pessoa do plural | verbo da relativa: "são chamados", fecha a frase |
Seis lições de composição saem desta frase. (1) Não há um único artigo, e nada falta. (2) César não começa uma frase nova para cada parte: o relativo quārum pendura as três partes na primeira oração. (3) O verbo incolunt aparece uma vez e serve aos três membros, cada um reduzido a "objeto + sujeito" (ūnam … Belgae, aliam Aquītānī, tertiam quī…): é a economia que o capítulo 40 chamou de zeugma no sentido amplo. (4) Onde o português traduz com a passiva ("é habitada pelos belgas"), César usa a ativa com o objeto à frente; ao escrever, não transforme automaticamente em passiva o que o latim diz melhor na ativa. (5) "Na língua deles" não é suā nem eōrum, mas ipsōrum, "deles próprios", o genitivo de ipse, que sublinha o contraste com nostrā (compare Bennett § 243.3). (6) O verbo vai para o fim de cada oração: est … dīvīsa abre a principal com uma ordem enfática (est logo depois do sujeito), mas incolunt e appellantur fecham as suas.
Erro: Exprimir a finalidade com o infinitivo: Vēnērunt petere pācem ("vieram para pedir a paz").
Por quê, e como evitar: O latim clássico não usa o infinitivo de finalidade (A&G § 533). Use ut + subjuntivo (ut pācem peterent), uma relativa final (quī pācem peterent), ad + gerundivo (ad pācem petendam) ou causā (pācis petendae causā).
Erro: Traduzir "disse que" por dīxit quod ou dīxit quia.
Por quê, e como evitar: No latim clássico, a fala e o pensamento relatados vão em oração infinitiva: dīxit hostēs adesse. A construção com quod/quia é do latim tardio e cristão (capítulo 28); use-a só se estiver imitando esse latim.
Erro: Pôr um conectivo pospositivo no início: Enim mīlitēs fessī erant; Autem puella cantat; ou juntar et igitur.
Por quê, e como evitar: Enim, autem, igitur (e vērō, quoque, quidem) nunca abrem a frase: vêm depois da primeira palavra (Bennett § 350.8; A&G § 599.b). Escreva Mīlitēs enim fessī erant, Puella autem cantat. E igitur nunca vai junto de et (Bennett § 344.2): use itaque ou só igitur.
Erro: Usar suus para todo "seu" (ou eius quando o dono é o próprio sujeito).
Por quê, e como evitar: Pergunte de quem é a coisa. Se é do sujeito, suus; se é de outra pessoa, eius / eōrum; se "seu" quer dizer "de você", tuus. Mārcus Iūliam et patrem eius vīdit = "o pai dela"; com suum seria o pai de Marco (capítulo 14; Bennett § 244).
Erro: Encher a frase de possessivos e de artigos disfarçados (ille, ūnus).
Por quê, e como evitar: O latim não tem artigo e só usa possessivo por clareza ou ênfase (Bennett § 243.1). Ille rēx ūnum servum suum vocāvit vira Rēx servum vocāvit: tudo o que se perdeu estava sobrando.
Erro: Esquecer a sequência dos tempos: Imperāvit ut veniant.
Por quê, e como evitar: Depois de um verbo principal no passado, o subjuntivo da subordinada vai para o imperfeito (simultaneidade ou posterioridade) ou para o mais-que-perfeito (anterioridade): imperāvit ut venīrent (capítulo 34). Confira sempre o tempo do verbo principal antes de escolher o da subordinada.
Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.
Verta para o latim: "Os camponeses foram à cidade para comprar trigo." Vocabulário: agricola, -ae (m.), camponês; oppidum, -ī (n.), cidade; eō, īre, iī, itum, ir; emō, -ere, ēmī, ēmptum, comprar; frūmentum, -ī (n.), trigo.
Finalidade: a compra é o objetivo da ida. Logo, nada de infinitivo (emere), por mais natural que pareça em português (A&G § 533).
Quatro, todas corretas: ut frūmentum emerent (ut + subjuntivo); quī frūmentum emerent (relativa final); ad frūmentum emendum (ad + gerundivo concordando com frūmentum); frūmentī emendī causā (genitivo do gerundivo + causā). Com verbos de movimento há ainda o supino: frūmentum ēmptum (capítulo 31).
"Foram" é passado (perfeito iērunt), tempo secundário; a compra é posterior à ida, e por isso o subjuntivo vai no imperfeito: emerent (capítulo 34).
Sim: com nomes comuns de lugar, o movimento para dentro se diz in + acusativo, in oppidum. Só nomes de cidades (Rōmam) e domum dispensam a preposição.
Agricolae in oppidum iērunt ut frūmentum emerent. Alternativa elegante, com a finalidade à frente do verbo: Agricolae frūmentī emendī causā in oppidum iērunt. O verbo principal fecha a frase; a final com ut costuma vir depois dele (Bennett § 351.3).
Verta: "O general soube que os inimigos tinham atravessado o rio. Por isso reuniu os soldados e proibiu-os de sair do acampamento. Temia, pois, que os inimigos atacassem o acampamento à noite." Vocabulário: dux, ducis (m.), general; cognōscō, -ere, cognōvī, ficar sabendo; trānseō, -īre, -iī, atravessar; flūmen, -inis (n.), rio; convocō, -āre, reunir; vetō, -āre, vetuī + ac. e inf., proibir; excēdō, -ere + abl., sair de; castra, -ōrum (n. pl.), acampamento; vereor, -ērī, temer; noctū, à noite; oppugnō, -āre, atacar.
Um verbo de conhecimento: oração infinitiva. "Tinham atravessado" é anterior a "soube": infinitivo perfeito trānsīsse (forma contraída de trānsiisse). Dux hostēs flūmen trānsīsse cognōvit. Há dois acusativos com o mesmo infinitivo, o que Bennett desaconselha por ambiguidade (§ 357.2); aqui o sentido resolve, porque um rio não atravessa inimigos. Se os dois fossem pessoas, use a passiva.
"Por isso" narra a consequência: Itaque, em primeiro lugar. Em vez de dois verbos coordenados, subordine com um particípio. O ablativo absoluto mīlitibus convocātīs seria pouco elegante, porque os soldados são o objeto de vetuit (A&G § 419, nota); use o particípio conjunto: Itaque mīlitēs convocātōs castrīs excēdere vetuit.
A frase explica a anterior: enim, na segunda posição, ou nam, na primeira. "Temia que…" é uma oração de temor: nē + subjuntivo, no imperfeito porque verēbātur é passado (capítulo 33). Verēbātur enim nē hostēs noctū castra oppugnārent.
Dux hostēs flūmen trānsīsse cognōvit. Itaque mīlitēs convocātōs castrīs excēdere vetuit. Verēbātur enim nē hostēs noctū castra oppugnārent. O sujeito (dux) é dito uma vez e continua nas frases seguintes, sem pronome (capítulo 8); cada frase começa ligada à anterior; nenhum verbo fica fora do fim da sua oração.
Alternativas também corretas: Nam verēbātur nē…; Cum dux hostēs flūmen trānsīsse cognōvisset, mīlitēs convocātōs… (fundindo as duas primeiras frases num período). A versão em três frases é mais próxima do original e igualmente latina.
Faça por escrito ou em voz alta; abra "Ver resposta" só depois de tentar. A explicação da resposta faz parte da lição.
Diga que construção latina a frase pede e verta-a. Vocabulário: altus, -a, -um, profundo; emō, -ere, comprar; capiō, -ere, cēpī, captum, tomar; fugiō, -ere, fūgī, fugir; habitō, -āre, morar; crās, amanhã; forum, -ī, foro; adveniō, -īre, advēnī, chegar; lēgātus, -ī, embaixador.
Oração infinitiva: Mīlitēs dīxērunt flūmen altum esse. O predicativo altum concorda com flūmen, neutro, no acusativo.
Finalidade: Pater fīlium in urbem mīsit ut librōs emeret. Alternativas: quī librōs emeret; ad librōs emendōs; librōrum emendōrum causā. Nunca librōs emere.
Ablativo absoluto: Urbe captā, hostēs fūgērunt. A cidade não reaparece na oração principal, por isso a construção é natural.
Perifrástica passiva com dativo de agente: Patria nōbīs dēfendenda est. Literalmente, "a pátria deve ser defendida por nós".
Interrogativa indireta, com subjuntivo e sequência secundária: Puerum rogāvī ubi habitāret. Rogō leva a pessoa no acusativo; "ele" não se traduz.
Condicional de futuro, com futuro perfeito na prótase (capítulo 36): Sī crās vēneris, forum vidēbimus. O português "vier" corresponde ao latim "tiver vindo".
Cum histórico com mais-que-perfeito do subjuntivo: Cum Caesar advēnisset, Gallī lēgātōs mīsērunt. Alternativa: Caesare adveniente (ablativo absoluto, "enquanto César chegava").
Ligue ou corrija as frases, pondo o conectivo indicado no lugar certo. Vocabulário: lūdō, -ere, brincar; domī, em casa; pluit, chove; vincō, -ere, vīcī, vencer; fessus, -a, -um, cansado; redeō, -īre, rediī, voltar; pauper, -eris, pobre.
Puerī lūdunt; puellae autem legunt. Autem vem depois de puellae e é essa palavra que ele põe em contraste com puerī.
Domī manēmus; pluit enim. ou Domī manēmus; nam pluit. Enim em segundo lugar, nam em primeiro.
Hostēs fugiunt; vīcimus igitur. (ou itaque vīcimus). Igitur tira a conclusão e fica em segundo lugar.
Mīlitēs enim fessī erant. Enim é pospositivo e nunca abre a frase.
Igitur não se combina com et (Bennett § 344.2). Escreva Rōmam igitur rediit ou Itaque Rōmam rediit.
Pauperēs erant; laetī tamen vīvēbant (depois da palavra enfatizada) ou tamen laetī vīvēbant. As duas posições são possíveis (Bennett § 343.1f).
Cada frase latina é correta na morfologia, mas copia o português. Reescreva-a em latim idiomático e explique. Vocabulário: afferō, afferre, attulī, trazer.
Rēx servum vocāvit. Sem artigos: ille é "aquele" e ūnus, "um só". Se "um" quiser dizer "um certo", servum quendam.
Nūntius dīxit hostēs venīre. Fala relatada = oração infinitiva no latim clássico.
Mārcus mātrem amat. O possessivo é óbvio e sobra (Bennett § 243.1). Mātrem suam só com ênfase ou contraste.
Mārcus Iūliam et patrem eius vīdit. Suum remeteria a Marco, o sujeito; o pai é de Júlia, outra pessoa: eius.
Librumne tuum attulistī? O "seu" brasileiro aqui é "de você", segunda pessoa: tuus. (Sem ênfase, basta Librumne attulistī?)
Vēnit ut amīcum vidēret (ou ad amīcum videndum; ou o supino amīcum vīsum). Finalidade não é infinitivo.
Imperāvit ut mīlitēs venīrent. Verbo principal no passado → imperfeito do subjuntivo. Com imperō, a pessoa costuma ir no dativo: Mīlitibus imperāvit ut venīrent.
Verta usando a expressão idiomática da seção 5. Vocabulário: prōditor, -ōris, traidor; vīsō, -ere, visitar; Alpēs, -ium (f. pl.), Alpes; adventus, -ūs, chegada.
Deīs grātiās agimus. Grātiās agere pede dativo da pessoa a quem se agradece.
Prōditōrēs poenās dedērunt. Ativa em latim, passiva em português: quem "dá as penas" é quem as sofre.
In animō habeō Rōmam vīsere. Rōmam sem preposição, por ser nome de cidade.
Cōnsulem dē adventū hostium certiōrem fēcit. Certiōrem concorda com cōnsulem.
Rōmānī cum Gallīs proelium commīsērunt.
Studiīs operam dā! (a uma pessoa) ou operam date (a várias). Dativo daquilo a que se dedica.
Verta cada frase. As respostas dão um modelo e comentam as alternativas. Vocabulário: discipulus, -ī, aluno; dīligēns, -entis, diligente; brevis, -e, breve; hortor, -ārī, hortātus sum, exortar; pūniō, -īre, punir; oppidānus, -ī, habitante da cidade; relinquō, -ere, relīquī, abandonar; obses, -idis, refém; concēdō, -ere, concessī, conceder.
Magister discipulōs dīligentēs laudat. Ordem neutra: sujeito, objeto, verbo. Dīligentēs discipulōs também é possível, com ênfase no adjetivo ("os diligentes").
Scīmus vītam brevem esse. Sujeito "nós" na terminação; oração infinitiva com predicativo no acusativo.
Cīvēs, cōnsule audītō, domum rediērunt. Alternativa: Cīvēs, cum cōnsulem audīvissent, domum rediērunt. Domum sem preposição. O sujeito comum (cīvēs) abre o período.
Dux mīlitēs hortātus est nē hostem timērent. Pedido negativo: nē; imperfeito do subjuntivo depois do perfeito hortātus est.
Servī fūgērunt nē pūnīrentur. Ou, com idiomatismo: nē poenās darent. Finalidade negativa: nē, nunca ut nōn.
Oppidum, cum dēfendī nōn posset, oppidānī relīquērunt. Oppidum é sujeito da subordinada e objeto da principal, por isso abre o período (Bennett § 351.2), e o pronome "a" desaparece. Alternativas: Oppidānī oppidum, quod dēfendī nōn poterat, relīquērunt (causal com quod e indicativo, capítulo 37).
Lēgātī dīxērunt Gallōs obsidēs datūrōs esse, sī Caesar sibi pācem concessisset. Discurso indireto (capítulo 38): a principal vai para o infinitivo futuro; a condicional, que no discurso direto teria futuro perfeito (sī … concesserit), passa ao mais-que-perfeito do subjuntivo (se a fala direta tivesse o futuro simples, sī … concēdet, o indireto teria sī … concēderet, também correto); "lhes" é sibi, reflexivo indireto, porque se refere aos que falam.
Verta o parágrafo inteiro, ligando as frases. Vocabulário: viātor, -ōris, viajante; ignōtus, -a, -um, desconhecido; perveniō, -īre, pervēnī, chegar; nox, noctis (f.), noite; caupōna, -ae, estalagem; caupō, -ōnis (m.), estalajadeiro; quaerō, -ere, quaesīvī, procurar; arbor, -oris (f.), árvore; dormiō, -īre, dormir.
Modelo: Viātor quīdam ad urbem ignōtam pervēnit. Cum iam nox esset, caupōnam quaesīvit. Caupō autem dīxit nūllum locum esse. Itaque viātor sub arbore dormīvit. Comentário: quīdam traduz o "um" de alguém que entra na história (sem ele, Viātor também é correto); "como" causal-temporal com cum + imperfeito do subjuntivo; autem em segundo lugar marca a troca de sujeito para o estalajadeiro; "não havia lugar" vai em oração infinitiva (nūllum locum esse ou locum nōn esse); itaque abre a consequência, e o sujeito viātor precisa ser repetido porque o último sujeito era caupō. Nenhum artigo, nenhum possessivo.
Os Exercitia Latina II de Ørberg trazem exercícios de produção em latim graduados pelos capítulos de Roma Aeterna. Para imitar, leia César (seleções da Guerra da Gália) e as vidas de Cornélio Nepos, prosa clara e de períodos bem construídos, e copie para o seu caderno as soluções que quiser reutilizar; o Laelius de Cícero mostra a mesma língua num registro mais cuidado. O capítulo VIII de Bennett, "Hints on Latin Style" (§§ 352–359), é uma lista curta e prática dos pontos deste capítulo. Use o Lewis & Short para conferir cada palavra que tirar de um dicionário português-latim.
Hans H. Ørberg
Caderno de exercícios para Roma Aeterna. Livro comercial da Hackett Publishing; aqui, apenas a referência oficial.
Gaius Iulius Caesar
Seleções dos livros I, IV, V e VI da Guerra da Gália (a campanha contra os helvécios, a travessia para a Britânia, o cerco ao acampamento de Cícero, os druidas), com macrons, vocabulário corrente e notas em inglês. A porta de entrada clássica para a prosa autêntica.
Cornelius Nepos
Todas as vidas de Nepos (edição Fleckeisen, 1886): Milcíades, Temístocles, Alcibíades, Catão, Ático e outros. Sem notas; para continuar Nepos depois de Aníbal.
Marcus Tullius Cicero
O diálogo sobre a amizade, completo, em latim (texto da edição Loeb de 1923). Prosa filosófica de Cícero mais serena que a dos discursos; sem notas, com análise de palavras ao clique.
Charles E. Bennett
Gramática de referência compacta (1918), em inglês, com macrons: sons, flexões, sintaxe, prosódia. Mais curta e mais fácil de consultar que Allen & Greenough; cabe num leitor de EPUB.
Charlton T. Lewis e Charles Short
O grande dicionário latino-inglês de 1879, integral e pesquisável, ligado a cada palavra dos textos do Perseus. Verbetes com etimologia, sentidos e exemplos de autores. Continua sendo a referência gratuita mais completa.