Elementa Linguae Latinae·Parte III · Lectio·Capítulo 38·90 minReportar problema

Ōrātiō oblīqua

O discurso indireto

Como o latim relata a fala de alguém sem citá-la: as afirmações principais passam ao acusativo com infinitivo, as subordinadas ao subjuntivo, as ordens ao subjuntivo (com nē), as perguntas ao subjuntivo ou ao infinitivo; as pessoas, os pronomes, os advérbios e os tempos mudam de ponto de vista; as condicionais se reduzem a uma forma simples. No fim, o discurso de Divicō a César (Guerra da Gália 1.13–14) lido nas duas versões, indireta e direta.

Neste capítulo você vai
  • Reconhecer um trecho em discurso indireto, mesmo quando o verbo de dizer está longe ou apenas subentendido, e identificar o tipo de cada oração (afirmação, subordinada, ordem, pergunta real ou retórica).
  • Transformar o discurso direto em indireto e o indireto em direto, aplicando as quatro regras de modo e a sequência dos tempos.
  • Converter pessoas, pronomes, possessivos e advérbios (ego → sē, tū → ille, hīc → is, nunc → tum) e decidir a quem se refere sē num discurso relatado.
  • Pôr uma condicional em discurso indireto, inclusive a irreal do passado com -ūrum fuisse.
  • Ler e traduzir um discurso autêntico de César em discurso indireto, reconstruindo a fala direta que ele resume.
ōrātiō rēcta e ōrātiō oblīquaverbo de dizer expresso ou subentendidoafirmações principais: acusativo + infinitivosubordinadas no subjuntivosequência dos tempos no discurso indiretorepraesentātiōindicativo do autordiscurso indireto implícitoordens e proibições (nē, nēve)perguntas reais e retóricasmudança de pessoa: sē, ipse, ille, ismudança de advérbios: nunc → tumcondicionais no discurso indireto-ūrum fuisseCésar, Guerra da Gália 1.13–14análise de frase autêntica

Antes deste capítulo: Capítulo 28 (a oração infinitiva: acusativo + infinitivo depois de verbos de dizer e pensar) e capítulo 35 (a interrogativa indireta). O capítulo junta tudo o que você viu sobre o subjuntivo: as formas e os usos independentes (capítulo 32: jussivo, proibição, deliberativo), as orações com ut e nē (capítulo 33), a sequência dos tempos (capítulo 34) e as condicionais (capítulo 36). Os pronomes sē, suus, is, ille, ipse vêm dos capítulos 14 e 15, e os infinitivos e particípios futuros dos capítulos 27 e 29. · capítulo 14 · capítulo 15 · capítulo 27 · capítulo 28 · capítulo 32 · capítulo 33 · capítulo 34 · capítulo 35 · capítulo 36

  1. Duas maneiras de relatar uma fala
  2. Afirmações e subordinadas: o infinitivo, o subjuntivo e os tempos
  3. Ordens e perguntas
  4. Pessoas, pronomes e advérbios: tudo passa para a terceira pessoa
  5. Condicionais no discurso indireto
  6. César: Divicō responde a César
  7. Erros comuns
  8. Prática guiada
  9. Exercícios independentes
  10. Leituras recomendadas
  11. Créditos e fontes

Duas maneiras de relatar uma fala ⚑

Quem conta o que outra pessoa disse pode fazê-lo de dois modos. Pode citar as palavras tais como foram ditas, entre aspas: o mensageiro disse: "Os inimigos estão aqui". É o discurso direto, em latim ōrātiō rēcta. Ou pode incorporar a fala à própria narração, como uma oração dependente: o mensageiro disse que os inimigos estavam ali. É o discurso indireto, ōrātiō oblīqua (Bennett § 313). Repare no que o português muda nessa segunda versão: "estão" vira "estavam", "aqui" vira "ali", e, se o mensageiro tivesse dito "eu vi", o relato diria "ele tinha visto". Tudo passa para o ponto de vista de quem conta. O latim faz exatamente isso, só que de forma mais sistemática e por trechos muito mais longos.

Você já conhece as duas peças com que o latim monta o discurso indireto. A primeira é a oração infinitiva do capítulo 28 (Nūntius dīxit hostēs adesse): é a forma das afirmações. A segunda é o subjuntivo de subordinação, que você viu nas orações com ut e nē, nas orações com cum, nas interrogativas indiretas e nas condicionais (capítulos 33 a 36). O que este capítulo acrescenta é a regra que distribui essas peças: num discurso relatado, cada oração da fala original recebe o modo que corresponde ao seu tipo. Allen e Greenough (§ 577) resumem a ideia: a fala de outra pessoa é comprimida numa espécie de grande oração substantiva, a principal vai para o infinitivo e todo o resto vai para o subjuntivo.

As quatro regras do discurso indireto (Bennett §§ 314–316; Allen e Greenough §§ 580, 586, 588)
Na fala original (discurso direto)No discurso indiretoDiretoIndireto, depois de dīxit
Afirmação principal (indicativo)acusativo + infinitivoHostēs adsunt.hostēs adesse
Oração subordinada (qualquer modo)subjuntivo, pela sequência dos temposcastra quae vidētiscastra quae vidērent
Ordem (imperativo, subjuntivo jussivo)subjuntivo; negativa com nēManēte! Nōlīte timēre!manērent; nē timērent
Pergunta realsubjuntivoCūr fugitis?cūr fugerent?
Pergunta retórica (equivale a uma afirmação)acusativo + infinitivoQuid est turpius?quid esse turpius?

Veja as regras em ação num pequeno discurso inventado. Um general fala aos soldados; primeiro, as suas palavras exatas; depois, o mesmo discurso como um historiador romano o contaria:

Dux mīlitibus dīxit: "Hostēs adsunt. Castra quae vidētis hostium sunt. Manēte in locō! Cūr timētis? Sī fortiter pugnābitis, vincētis."
O general disse aos soldados: "Os inimigos estão aqui. O acampamento que vocês veem é dos inimigos. Fiquem no lugar! Por que vocês têm medo? Se lutarem com bravura, vencerão."
Dux mīlitibus dīxit hostēs adesse; castra quae vidērent hostium esse. Manērent in locō! Cūr timērent? Sī fortiter pugnārent, eōs victūrōs esse.
O general disse aos soldados que os inimigos estavam ali; que o acampamento que eles viam era dos inimigos. Que ficassem no lugar! Por que tinham medo? Se lutassem com bravura, venceriam.

Cada verbo mudou por uma razão: adsunt e sunt, afirmações principais, viraram infinitivos; vidētis, verbo de uma oração relativa, foi para o subjuntivo; o imperativo manēte virou manērent; a pergunta real cūr timētis? virou cūr timērent?; a condicional pôs a condição no subjuntivo e a consequência no infinitivo. E os tempos do subjuntivo são todos do imperfeito, porque o verbo de dizer, dīxit, é um tempo histórico (capítulo 34). Note ainda que vōs, implícito em vincētis, virou eōs: as pessoas também mudam, como você verá na seção 4.

Afirmações e subordinadas: o infinitivo, o subjuntivo e os tempos ⚑

As afirmações principais da fala original passam para o acusativo com infinitivo, exatamente como no capítulo 28. O tempo do infinitivo é relativo ao verbo de dizer (Allen e Greenough § 584): o infinitivo presente indica uma ação simultânea, o perfeito uma ação anterior, o futuro uma ação posterior. Como o infinitivo só tem esses três tempos, o perfeito representa qualquer passado do discurso direto: sē id fēcisse pode vir de faciēbam, fēcī ou fēceram (Bennett § 317.a), e é o contexto que decide se você traduz "que fazia", "que fez" ou "que tinha feito". O sujeito no acusativo pode ser omitido quando é o próprio falante e fica claro pelo contexto (Bennett § 314.5), e esse cai com frequência nos infinitivos compostos (factūrum por factūrum esse), como você viu no capítulo 27.

As orações subordinadas da fala original, sejam relativas, temporais, causais ou condicionais, passam todas para o subjuntivo, mesmo as que estavam no indicativo (Bennett § 314.1). O porquê é o mesmo de sempre: o subjuntivo marca que o conteúdo da oração pertence à fala relatada, e não à narração do autor. O tempo do subjuntivo segue a sequência dos tempos do capítulo 34, tomando como referência o verbo de dizer, e não o infinitivo de que a subordinada depende diretamente (Allen e Greenough § 585). Como quase sempre o verbo de dizer está num tempo histórico, o resultado é a tabela abaixo:

Os tempos no discurso indireto depois de um verbo de dizer no passado
Discurso direto (indicativo)Indireto: oração principalIndireto: oração subordinada (depois de tempo histórico)
presente: est, vidēmusinfinitivo presente: esse, vidēreimperfeito do subjuntivo: esset, vidērent
imperfeito: eratinfinitivo perfeito: fuisseimperfeito do subjuntivo: esset (Bennett § 319: sī hōc crēdēbās → sī hōc crēderēs)
perfeito e mais-que-perfeito: fuit, fueratinfinitivo perfeito: fuissemais-que-perfeito do subjuntivo: fuisset
futuro: erit, vidēbimusinfinitivo futuro: futūrum esse (fore), vīsūrōs esseimperfeito do subjuntivo: esset, vidērent
futuro perfeito: vīderimus(raro numa principal)mais-que-perfeito do subjuntivo: vīdissent (Bennett § 319.a)

Depois de um verbo de dizer num tempo principal (dīcit, "diz"), as subordinadas usam o presente e o perfeito do subjuntivo, e o futuro perfeito do direto vira perfeito do subjuntivo (Bennett § 319.a): dīcit sē, cum vēnerit, omnia nārrātūrum, "diz que, quando tiver chegado, contará tudo" (direto: cum vēnerō, omnia nārrābō).

A repraesentātiō. Nos discursos longos, César e Lívio muitas vezes conservam o presente e o perfeito do subjuntivo mesmo depois de um verbo de dizer no passado, para dar vivacidade ao relato, como se o leitor ouvisse a fala no momento em que é pronunciada. Bennett (§ 318) dá um exemplo tirado de César (simplificação de BG 1.14.6): Caesar respondit, sī obsidēs dentur, sēsē pācem esse factūrum, "César respondeu que, se lhe fossem dados reféns, faria a paz" (dentur, presente, depois de respondit). Ravizza (n. 490) chama isso de licença dos clássicos. Para quem lê, a consequência é simples: não estranhe um presente do subjuntivo num relato no passado, e traduza-o pelo tempo que a narração pede.

Há duas exceções úteis, porque o modo revela quem é responsável pelo que se diz. Uma subordinada que é explicação do próprio autor, e não parte da fala relatada, fica no indicativo (Bennett § 314.3; Allen e Greenough § 583). César conta que lhe foi anunciado que Ariovisto marchava para ocupar Vesôncio, e acrescenta por sua conta o que era a cidade:

Nūntiātum est eī Ariovistum ... ad occupandum Vesontiōnem, quod est oppidum maximum Sēquanōrum, contendere.
Foi-lhe anunciado que Ariovisto se apressava para ocupar Vesôncio, que é a maior cidade dos séquanos. (César, Guerra da Gália 1.38; o indicativo est é informação de César, não da notícia)

E uma relativa que, pelo sentido, é uma nova afirmação (quī = "e ele", "pois ele") pode ficar no acusativo com infinitivo, como se fosse principal (Bennett § 314.4). Ao contrário, o subjuntivo pode aparecer numa subordinada sem verbo de dizer, só porque ela exprime o pensamento ou a alegação de um personagem: é o discurso indireto implícito (Bennett § 323; Kennedy § 469). César escreve que exigia dos éduos o trigo quod essent pūblicē pollicitī, "que (como ele lhes lembrava) tinham prometido oficialmente" (1.16): o subjuntivo diz que a promessa é invocada por César diante dos éduos, como argumento dele.

Ordens e perguntas ⚑

As ordens da fala original, seja no imperativo, seja no subjuntivo jussivo do capítulo 32, passam para o subjuntivo, sem conjunção, no tempo que a sequência pede: quase sempre o imperfeito, depois de um verbo de dizer no passado (Bennett § 316; Allen e Greenough § 588). A proibição leva nē, mesmo quando o direto tinha nōlī ou nōlīte com infinitivo, e uma segunda proibição se acrescenta com nēve (Bennett § 316.a; Allen e Greenough § 588, nota 2; Ravizza n. 489). O português traduz bem com "que" + subjuntivo: "que se lembrasse", "que não temessem".

Ordens: do direto ao indireto (depois de um verbo no passado)
DiretoIndiretoTradução do indireto
Reminīscere veteris incommodī!reminīscerētur veteris incommodīque se lembrasse do antigo revés (César 1.13; Allen e Greenough § 588)
Nōlī tuae virtūtī tribuere!nē suae virtūtī tribueretque não o atribuísse ao seu valor (César 1.13; Bennett § 316.a)
Fortēs este! Nōlīte locum relinquere!fortēs essent nēve locum relinquerentque fossem valentes e não abandonassem a posição
Eāmus!īrentque fossem (o subjuntivo exortativo também vira subjuntivo dependente)

As perguntas se dividem em dois grupos (Bennett § 315; Allen e Greenough § 586). A pergunta real, feita para obter uma resposta, vai para o subjuntivo, como uma interrogativa indireta do capítulo 35. Ariovisto, irritado com a presença romana, pergunta a César:

Quid sibi vellet? Cūr in suās possessiōnēs venīret?
Que pretendia ele? Por que vinha para as suas terras? (César, Guerra da Gália 1.44.8; direto: Quid tibi vīs? Cūr in meās possessiōnēs venīs?)

A pergunta retórica, feita só para dar ênfase e que equivale a uma afirmação ("quem acreditaria nisso?" = "ninguém acreditaria"), vai para o acusativo com infinitivo, como as afirmações: quid est turpius? vira quid esse turpius? (Bennett § 315.2). Allen e Greenough (§ 586) citam a resposta de César aos helvécios, que você lerá na prática guiada 2: num etiam recentium iniūriārum memoriam dēpōnere posse?, "acaso poderia apagar também a lembrança das injúrias recentes?". O subjuntivo deliberativo do direto (Quid faciam?, "que hei de fazer?") continua no subjuntivo, ajustando só o tempo: quid faceret? (Bennett § 315.3; Allen e Greenough § 587).

Um atalho prático. Kennedy (§§ 462–463) dá uma regra pela pessoa: perguntas na 2ª pessoa (dirigidas ao interlocutor: "por que vocês vêm?") vão para o subjuntivo; perguntas na 1ª ou na 3ª pessoa ("por que eu derramei meu sangue?", "acaso os inimigos sempre fugirão?") vão em geral para o infinitivo. As duas regras costumam coincidir, porque as perguntas dirigidas a alguém tendem a ser reais e as outras tendem a ser retóricas. Allen e Greenough (§ 586, nota 1) avisam que não há fronteira nítida: a escolha depende do ponto de vista do autor. Para ler, o que importa é reconhecer que um infinitivo depois de um interrogativo, num discurso relatado, é uma pergunta retórica.

Não confunda essas perguntas com as interrogativas indiretas do capítulo 35. Lá, a pergunta depende de um verbo de perguntar (quaesīvit quid vellet, "perguntou o que queria") e fica sempre no subjuntivo (Allen e Greenough § 586, nota 2). Aqui, a pergunta é uma frase independente do discurso original, posta no meio de um relato, e o ponto de interrogação continua no texto.

Pessoas, pronomes e advérbios: tudo passa para a terceira pessoa ⚑

No discurso direto, o falante diz "eu" e chama o interlocutor de "você"; no relato, os dois são terceiras pessoas, vistos de fora pelo narrador. Por isso os verbos de 1ª e 2ª pessoa vão para a 3ª (Allen e Greenough § 577) e os pronomes mudam sistematicamente. O princípio é este: o que se refere a quem fala passa ao reflexivo sē, suī, sibi e ao possessivo suus; o que se refere a outra pessoa, inclusive ao interlocutor, passa a is ou ille (Ravizza n. 486; Kennedy § 464). Os demonstrativos de proximidade (hīc, iste, "este, esse") e os advérbios que dependem do momento e do lugar da fala também se afastam, porque o "aqui e agora" do falante já não é o do narrador (Ravizza n. 487):

Mudanças de pessoa, de pronome e de advérbio (Ravizza nn. 486–487; Kennedy § 464)
Discurso diretoDiscurso indiretoExemplo direto → indireto
ego, nōs (o falante)sē, suī, sibi (e sēsē)Ego veniam. → sē ventūrum esse
meus, nostersuusPatria mea → patriam suam
tū, vōs (o interlocutor)ille ou isTē laudō. → sē illum (eum) laudāre
tuus, vesterillīus, eius; illōrum, eōrumAger vester → agrum eōrum
hīc, isteille, isHīc diēs → illum diem
nunc; etiam nunctum, tunc; etiam tumNunc pugnāmus. → sē tum pugnāre
hodiēeō diē, illō diēHodiē discēdam. → sē eō diē discessūrum
crāsposterō diēCrās veniet. → eum posterō diē ventūrum
herīprīdiēHerī vēnī. → sē prīdiē vēnisse
adhūcad id tempusAdhūc tacuī. → sē ad id tempus tacuisse

Os possessivos de 2ª pessoa podem passar também a suus quando não há ambiguidade (Ravizza n. 486.d), e um orador que relata um pensamento ainda presente pode conservar nunc, sobretudo em antíteses (Ravizza n. 487, observação). A tabela dá a tendência, não uma lei sem exceções.

O ponto delicado é sē. Você viu no capítulo 28 que, na oração infinitiva, sē e suus apontam para quem diz ou pensa: é o reflexivo indireto. No discurso indireto, a mesma regra vale para as orações subordinadas, e aí sē pode se referir a dois sujeitos diferentes. Como reflexivo indireto, sē e suus, dentro de uma oração dependente, apontam para o sujeito do verbo de dizer, cujo pensamento a oração exprime (Bennett § 244.1, II e 244.1.a; Allen e Greenough § 300): mē ōrāvit ut sē dēfenderem, "pediu-me que eu o defendesse". Mas o reflexivo continua podendo apontar para o sujeito da sua própria oração, como reflexivo direto (Kennedy § 465). Quando os dois sentidos competem, o latim usa ipse para designar o falante sem ambiguidade, sobretudo no nominativo e nas antíteses (Ravizza n. 486.a; Kennedy § 466). Um caso exemplar está no discurso de Divicō (seção 6):

nē ob eam rem aut suae magnopere virtūtī tribueret aut ipsōs dēspiceret
que não atribuísse por isso grande coisa ao seu próprio valor nem os desprezasse (César 1.13.4)

Quem é sujeito de tribueret e dēspiceret é César. Suae, reflexivo direto, refere-se a ele: "o seu (de César) valor". Para dizer "nós, os helvécios", que no direto seria nōs, César não escreve sē, que se confundiria com o próprio César, sujeito da oração; escreve ipsōs, "eles mesmos", que só pode ser os falantes. Ao ler, pergunte sempre: quem está falando, e quem é o sujeito desta oração? O reflexivo aponta para um dos dois, e o sentido decide.

Condicionais no discurso indireto ⚑

As condicionais parecem complicadas no discurso indireto, mas resultam apenas das regras que você já tem. A condição (prótase, a oração com sī) é uma subordinada: vai para o subjuntivo, no tempo que a sequência pede. A consequência (apódose) é a oração principal: vai para o infinitivo (Bennett §§ 319–321; Allen e Greenough § 589). Daí sai uma simplificação. A condição real no futuro, o "futuro mais vívido" (sī pugnābitis, vincētis), e a condição potencial (sī pugnētis, vincātis), que o capítulo 36 distinguiu, ficam idênticas no indireto, porque o infinitivo futuro serve às duas (Allen e Greenough § 589.a; Bennett § 320). Veja com um mesmo par de verbos:

Condicionais no discurso indireto: "se lutarem, vencerão" (modelo construído sobre Bennett §§ 319–321)
Discurso diretoIndireto depois de dīcit (tempo principal)Indireto depois de dīxit (tempo histórico)
Sī pugnātis, vincitis.sī pugnent, eōs vinceresī pugnārent, eōs vincere
Sī pugnābitis, vincētis.sī pugnent, eōs victūrōs essesī pugnārent, eōs victūrōs esse
Sī pugnāveritis, vincētis.sī pugnāverint, eōs victūrōs essesī pugnāvissent, eōs victūrōs esse
Sī pugnētis, vincātis.sī pugnent, eōs victūrōs essesī pugnārent, eōs victūrōs esse
Sī pugnāvissētis, vīcissētis.sī pugnāvissent, eōs victūrōs fuissesī pugnāvissent, eōs victūrōs fuisse

Só a última linha traz uma forma nova. A irreal do passado conserva a prótase no mais-que-perfeito do subjuntivo, que já era subjuntivo e não muda (Bennett § 321.B), e põe a apódose num infinitivo especial, formado pelo particípio futuro e fuisse: victūrōs fuisse, "que teriam vencido" (Bennett § 321.2.a). Na voz passiva, como não há particípio futuro passivo para isso, o latim usa a perífrase futūrum fuisse ut + imperfeito do subjuntivo: dīxit, sī id fēcissent, futūrum fuisse ut pūnīrentur, "disse que, se tivessem feito isso, teriam sido punidos" (Bennett § 321.2.b). A irreal do presente (sī pugnārētis, vincerētis) é rara no indireto e pode ser deixada de lado por enquanto (Bennett § 321.1.a).

Lēgātus dīxit, sī Rōmānī pācem facerent, Helvētiōs ibi mānsūrōs esse.
O embaixador disse que, se os romanos fizessem a paz, os helvécios ficariam lá. (direto: Sī Rōmānī pācem facient, Helvētiī ibi manēbunt.)
Dux dīxit, sī mīlitēs sē audīvissent, eōs vīcisse.
O general disse que, se os soldados o tinham ouvido, tinham vencido. (direto: Sī mē audīvistis, vīcistis: condição real no passado; mais-que-perfeito do subjuntivo pela sequência, infinitivo perfeito)
Dux dīxit, sī mīlitēs sē audīvissent, eōs victūrōs fuisse.
O general disse que, se os soldados o tivessem ouvido, teriam vencido. (direto: Sī mē audīvissētis, vīcissētis: irreal do passado)

Repare nos dois últimos exemplos: a prótase é a mesma (sī … audīvissent), e só o infinitivo da apódose mostra se a condição era real (vīcisse) ou irreal (victūrōs fuisse). Por isso, ao ler uma condicional relatada, olhe primeiro para o infinitivo.

Para traduzir. Leia a condicional relatada em duas etapas: reconstrua mentalmente o direto (qual seria a fala exata?) e só depois escreva o português com "disse que, se…, …". Para as futuras, o português usa naturalmente o imperfeito do subjuntivo e o futuro do pretérito: "se lutassem, venceriam".

César: Divicō responde a César ⚑

No ano 58 a.C., os helvécios, um povo da atual Suíça, migravam em massa para o oeste da Gália. César destruiu a parte deles que ainda não tinha atravessado o rio Arar (o atual Saône), mandou construir uma ponte e passou o rio com o exército num único dia, coisa que os helvécios tinham levado vinte dias para fazer. Assustados, eles mandaram uma embaixada chefiada por Divicō, um velho chefe que, meio século antes, tinha derrotado um exército romano comandado por Lúcio Cássio (bellum Cassiānum). O discurso de Divicō, todo em discurso indireto, é um modelo do gênero: tem uma condicional, ordens, uma afirmação, uma ameaça velada e o jogo de suus e ipse que você viu na seção 4.

Is ita cum Caesare ēgit: sī pācem populus Rōmānus cum Helvētiīs faceret, in eam partem itūrōs atque ibi futūrōs Helvētiōs ubi eōs Caesar cōnstituisset atque esse voluisset; sīn bellō persequī persevērāret, reminīscerētur et veteris incommodī populī Rōmānī et prīstinae virtūtis Helvētiōrum. Quod imprōvīsō ūnum pāgum adortus esset, cum iī quī flūmen trānsissent suīs auxilium ferre nōn possent, nē ob eam rem aut suae magnopere virtūtī tribueret aut ipsōs dēspiceret. Sē ita ā patribus maiōribusque suīs didicisse, ut magis virtūte contenderent quam dolō aut īnsidiīs nīterentur. Quārē nē committeret ut is locus ubi cōnstitissent ex calamitāte populī Rōmānī et interneciōne exercitūs nōmen caperet aut memoriam prōderet.
Ele tratou com César nestes termos: se o povo romano fizesse a paz com os helvécios, eles iriam para a região e ficariam onde César os tivesse estabelecido e quisesse que ficassem; mas, se persistisse em persegui-los com a guerra, que se lembrasse tanto do antigo revés do povo romano quanto do antigo valor dos helvécios. Quanto a ter atacado de surpresa um único cantão, quando os que tinham atravessado o rio não podiam socorrer os seus, que não atribuísse por isso grande coisa ao seu próprio valor nem os desprezasse. Eles tinham aprendido com seus pais e antepassados a combater pelo valor, mais do que a confiar no engano ou em emboscadas. Por isso, que não permitisse que aquele lugar onde eles tinham parado ganhasse o nome de uma desgraça do povo romano e do aniquilamento de um exército, ou lhe transmitisse a memória. (César, Guerra da Gália 1.13.3–5)

Vocabulário: agō cum aliquō, tratar com alguém; persevērō, -āre, persistir; sīn, mas se; reminīscor, -ī (depoente, com genitivo), lembrar-se de; incommodum, -ī, revés, derrota; prīstinus, -a, -um, antigo; quod, quanto ao fato de que; imprōvīsō, de surpresa; pāgus, -ī, cantão, distrito; adorior, -īrī, adortus sum, atacar; magnopere, muito; tribuō, -ere, atribuir; dēspiciō, -ere, desprezar; maiōrēs, -um (m. pl.), antepassados; dolus, -ī, engano; īnsidiae, -ārum, emboscada; nītor, -ī (com ablativo), apoiar-se em; committō ut, permitir que, dar ocasião a que; cōnsistō, -ere, cōnstitī, parar, tomar posição; interneciō, -ōnis, aniquilamento; prōdō, -ere, transmitir.

Agora o mesmo trecho reconstruído em discurso direto, oração por oração. A reconstrução é nossa (César não registra as palavras exatas, e é provável que nunca as tenha ouvido assim), mas cada mudança segue as regras das seções anteriores:

Divicō em discurso indireto (César) e em discurso direto (reconstrução)
Discurso indireto (César)Discurso direto (reconstrução)Regra aplicada
sī pācem populus Rōmānus cum Helvētiīs faceretSī pācem populus Rōmānus cum Helvētiīs faciet,prótase: futuro → imperfeito do subjuntivo (sequência histórica)
in eam partem itūrōs atque ibi futūrōs Helvētiōsin eam partem ībunt atque ibi erunt Helvētiīapódose: futuro → infinitivo futuro, sujeito no acusativo
ubi eōs Caesar cōnstituisset atque esse voluissetubi eōs tū cōnstitueris atque esse volueris;subordinada: futuro perfeito → mais-que-perfeito do subjuntivo (Bennett § 319.a); tū → Caesar
sīn bellō persequī persevērāretsīn bellō persequī persevērābis,prótase no subjuntivo; 2ª pessoa → 3ª
reminīscerētur et veteris incommodī …reminīscere et veteris incommodī …ordem: imperativo → subjuntivo
Quod imprōvīsō ūnum pāgum adortus essetQuod imprōvīsō ūnum pāgum adortus es,subordinada: perfeito → mais-que-perfeito do subjuntivo
cum iī quī flūmen trānsissent … nōn possentcum iī quī flūmen trānsierant … nōn possent,a relativa vai ao subjuntivo; a oração com cum já estava nele
nē … aut suae magnopere virtūtī tribueret aut ipsōs dēspiceretnōlī … aut tuae magnopere virtūtī tribuere aut nōs dēspicere.proibição: nōlī + infinitivo → nē + subjuntivo; tuus → suus; nōs → ipsōs
Sē ita ā patribus maiōribusque suīs didicisseNōs ita ā patribus maiōribusque nostrīs didicimus,afirmação: perfeito → infinitivo perfeito; nōs → sē; noster → suus
ut magis virtūte contenderent quam … nīterenturut magis virtūte contendāmus quam … nītāmur.consecutiva: tempo ajustado à sequência histórica
Quārē nē committeret ut is locus ubi cōnstitissent …Quārē nōlī committere ut hīc locus ubi cōnstitimus …proibição; hīc → is; perfeito → mais-que-perfeito do subjuntivo
… nōmen caperet aut memoriam prōderet.… nōmen capiat aut memoriam prōdat.completiva com ut: tempo ajustado à sequência

Repare na escolha de César. O discurso direto teria a força de um desafio pessoal; o indireto mantém a ameaça (a lembrança da derrota de Cássio, o lugar que poderia ganhar o nome de uma desgraça romana), mas a filtra pela voz do narrador, que é o próprio César. A resposta de César (1.14) também está toda em discurso indireto, e a de Divicō, que fecha a conversa, cabe numa frase:

Divicō respondit: ita Helvētiōs ā maiōribus suīs īnstitūtōs esse utī obsidēs accipere, nōn dare, cōnsuērint; eius reī populum Rōmānum esse testem.
Divicō respondeu que os helvécios tinham sido educados por seus antepassados de tal modo que estavam acostumados a receber reféns, não a dá-los; disso o povo romano era testemunha. (César, Guerra da Gália 1.14.7)

César tinha exigido reféns como garantia da paz. A réplica é curta e insolente: os romanos sabem disso por experiência, porque foram eles que, na guerra de Cássio, entregaram reféns aos helvécios. Leia o esqueleto da frase e depois a análise palavra a palavra:

responditverbo de dizertempo históricoHelvētiōsacusativosujeito do infinitivoīnstitūtōs esseinfinitivo perfeito1ª afirmaçãoutī … cōnsuērintconsecutivasubjuntivotestem esseac. + infinitivo2ª afirmação
Divicō respondit: [ita Helvētiōs … īnstitūtōs esse [utī … cōnsuērint]]; [eius reī populum Rōmānum esse testem].
César, Guerra da Gália 1.14.7, palavra a palavra
PalavraDicionárioAnáliseFunção
DivicōDivicō, -ōnis (m.), Divicão, chefe helvécionominativo singular, 3ª declinaçãosujeito de respondit
responditrespondeō, -ēre, respondī, respōnsum, responderperfeito do indicativo ativo, 3ª pessoa do singularverbo de dizer; tempo histórico, que fixa a sequência secundária
itaita (advérbio), assim, de tal modoinvariávelanuncia a consecutiva utī …
HelvētiōsHelvētiī, -ōrum (m. pl.), os helvéciosacusativo pluralsujeito do infinitivo īnstitūtōs esse
ā maiōribusmaiōrēs, -um (m. pl.), antepassadosā + ablativo pluralagente da passiva
suīssuus, -a, -um, seuablativo plural masculinoconcorda com maiōribus; reflexivo: os antepassados dos helvécios, sujeito do infinitivo
īnstitūtōs esseīnstituō, -ere, īnstituī, īnstitūtum, formar, educarinfinitivo perfeito passivo (particípio no ac. pl. m., concordando com Helvētiōs)verbo da primeira afirmação: "tinham sido educados" (direto: īnstitūtī sunt)
utīut / utī (conjunção)invariávelintroduz a consecutiva, correlata de ita
obsidēsobses, obsidis (m./f.), refémacusativo pluralobjeto de accipere e de dare
accipere, nōn dareaccipiō, -ere, receber; dō, dare, darinfinitivos presentes ativoscomplementos de cōnsuērint
cōnsuērintcōnsuēscō, -ere, cōnsuēvī, cōnsuētum, acostumar-se; no perfeito, "estar acostumado"perfeito do subjuntivo, 3ª pessoa do plural, forma sincopada de cōnsuēverintverbo da consecutiva (subordinada → subjuntivo); perfeito mesmo depois de respondit, como permite Bennett § 268.6
eiusis, ea, idgenitivo singular femininoconcorda com reī
reīrēs, reī (f.), coisa, fatogenitivo singular, 5ª declinaçãocomplemento de testem: "testemunha disso"
populum Rōmānumpopulus, -ī (m.), povo; Rōmānus, -a, -um, romanoacusativo singularsujeito do infinitivo esse
essesum, esse, fuī, serinfinitivo presenteverbo da segunda afirmação (direto: est)
testemtestis, -is (m./f.), testemunhaacusativo singular, 3ª declinaçãopredicativo do sujeito do infinitivo

Três coisas deste capítulo estão aqui. As duas afirmações de Divicō (Helvētiī īnstitūtī sunt; populus Rōmānus est testis) viraram acusativos com infinitivo, com o perfeito para o passado e o presente para o simultâneo. A consecutiva, subordinada, está no subjuntivo; o seu tempo, perfeito depois de um tempo histórico, é um uso das consecutivas que Bennett (§ 268.6) registra como raro em Cícero e frequente em Nepos e nos historiadores posteriores, quando o resultado é apresentado simplesmente como fato: aqui ele soa como se Divicō falasse em primeira mão, e de fato coincide com o que ele diria no direto. E suīs, numa frase que já não tem nenhum "nós", aponta para os helvécios, sujeito do infinitivo.

Resumo

No capítulo 39 você vai juntar tudo o que viu até aqui (particípios, ablativos absolutos, subordinadas e discurso indireto) num método para ler os períodos longos da prosa latina. E no capítulo 44 voltará a César, para ler um trecho maior da Guerra da Gália.

Erros comuns ⚑

Prática guiada ⚑

Resolvida passo a passo: leia a pergunta, tente responder e só então abra cada passo.

Prática guiada 1 · Do direto ao indireto

Ponha em discurso indireto, depois de Lēgātī Caesarī dīxērunt, a fala dos embaixadores: "Nōs pācem petimus. Sī nōbīs agrōs dabis, ibi manēbimus ubi tū volēs. Nōlī nōs dēspicere!" Vocabulário: petō, -ere, pedir; ager, agrī (m.), terra, campo; maneō, -ēre, mānsī, mānsum, ficar; dēspiciō, -ere, desprezar.

  1. Qual é o verbo de dizer, e que sequência ele impõe?
    Ver o passo

    Dīxērunt, perfeito do indicativo: tempo histórico. Os subjuntivos estarão no imperfeito ou no mais-que-perfeito.

  2. Como fica Nōs pācem petimus?
    Ver o passo

    É uma afirmação principal: acusativo + infinitivo. O falante (nōs) vira sē; o presente vira infinitivo presente: sē pācem petere.

  3. E a prótase sī nōbīs agrōs dabis?
    Ver o passo

    Subordinada: subjuntivo. O futuro, em sequência histórica, vira imperfeito do subjuntivo; nōbīs (os falantes) vira sibi; a 2ª pessoa vira 3ª: sī sibi agrōs daret.

  4. E a apódose ibi manēbimus?
    Ver o passo

    Principal: infinitivo futuro, com o sujeito sē: sē ibi mānsūrōs (esse). O particípio futuro vem do supino mānsum e concorda com sē, masculino plural.

  5. E ubi tū volēs?
    Ver o passo

    Subordinada: subjuntivo; o futuro vira imperfeito; tū, o interlocutor (César), vira ille: ubi ille vellet.

  6. E a proibição Nōlī nōs dēspicere!?
    Ver o passo

    Proibição: nē + imperfeito do subjuntivo. Para os falantes, sē seria ambíguo (o sujeito de dēspiceret é César, e sē poderia ser "a si mesmo"); use ipsōs: nē ipsōs dēspiceret.

  7. Monte a frase e traduza.
    Ver o passo

    Lēgātī Caesarī dīxērunt sē pācem petere; sī sibi agrōs daret, sē ibi mānsūrōs ubi ille vellet; nē ipsōs dēspiceret. "Os embaixadores disseram a César que pediam a paz; se ele lhes desse terras, ficariam onde ele quisesse; que não os desprezasse."

Compare o resultado com o começo do discurso de Divicō (seção 6): é a mesma estrutura, que você agora consegue produzir.

Prática guiada 2 · Uma pergunta retórica de César

Na resposta a Divicō, César pergunta (Guerra da Gália 1.14.3): Quod sī veteris contumēliae oblīvīscī vellet, num etiam recentium iniūriārum, quod eō invītō iter per prōvinciam per vim temptāssent, quod Haeduōs, quod Ambarrōs, quod Allobrogas vexāssent, memoriam dēpōnere posse? Vocabulário: quod sī, e se; contumēlia, -ae, afronta; oblīvīscor, -ī (depoente, com genitivo), esquecer; num, acaso (espera "não"); iniūria, -ae, injúria, ofensa; invītus, -a, -um, contra a vontade; temptō, -āre, tentar; Haeduī, Ambarrī, Allobrogēs, povos gauleses (Allobrogas é acusativo de forma grega); vexō, -āre, maltratar; dēpōnō, -ere, depor, abandonar.

  1. Qual é o verbo principal da pergunta, e em que modo está?
    Ver o passo

    Posse, infinitivo, depois do interrogativo num. Uma pergunta no infinitivo, num discurso relatado, é retórica: César não espera resposta; quer dizer "não pode esquecer". Allen e Greenough (§ 586) citam exatamente esta frase.

  2. Quem é o sujeito de posse?
    Ver o passo

    O falante, César, e o sē está omitido, como permite Bennett § 314.5. No direto: possum.

  3. Por que vellet, temptāssent e vexāssent estão no subjuntivo?
    Ver o passo

    São subordinadas (a prótase com sī e as orações com quod, "o fato de que"), e toda subordinada do discurso indireto vai para o subjuntivo. Temptāssent e vexāssent são formas sincopadas de temptāvissent e vexāvissent: mais-que-perfeito, anterioridade em sequência histórica.

  4. E eō invītō?
    Ver o passo

    Ablativo absoluto nominal (capítulo 30): "contra a vontade dele", isto é, de César. Aqui César se designa com is, e não com o reflexivo: o reflexivo indireto é a tendência, não uma obrigação, e o contexto deixa claro de quem se trata (Allen e Greenough § 300.b registram que is aparece, raramente, no lugar do reflexivo indireto). No direto: mē invītō.

  5. Reconstrua o direto.
    Ver o passo

    Quod sī veteris contumēliae oblīvīscī volō, num etiam recentium iniūriārum, quod mē invītō iter per prōvinciam per vim temptāvistis, quod Haeduōs, quod Ambarrōs, quod Allobrogas vexāvistis, memoriam dēpōnere possum? (Ravizza, n. 489, dá também velim para a prótase.)

  6. Traduza.
    Ver o passo

    "E, se ele quisesse esquecer a antiga afronta, acaso poderia apagar também a lembrança das ofensas recentes: terem eles tentado à força, contra a sua vontade, passar pela província, terem maltratado os éduos, os ambarros, os alóbroges?"

Exercícios independentes ⚑

Faça por escrito ou em voz alta; abra "Ver resposta" só depois de tentar. A explicação da resposta faz parte da lição.

Exercício 1 · Que tipo de oração?

No discurso indireto abaixo (original), classifique cada forma destacada (afirmação principal, subordinada, ordem, pergunta real, pergunta retórica) e dê a forma do discurso direto. Explōrātor nūntiāvit hostēs ad flūmen castra posuisse; eōs, quod frūmentum nōn habērent, mox discessūrōs esse. Quid dux exspectāret? Mīlitēs statim ē castrīs ēdūceret! Quem tantam occāsiōnem omittere? Vocabulário: explōrātor, -ōris, batedor; pōnō, -ere, posuī, pôr; mox, logo; exspectō, esperar; ēdūcō, -ere, conduzir para fora; occāsiō, -ōnis, ocasião; omittō, -ere, deixar passar.

  1. posuisse
    Ver resposta

    Afirmação principal: infinitivo perfeito, ação anterior. Direto: Hostēs ad flūmen castra posuērunt.

  2. habērent
    Ver resposta

    Subordinada causal (quod): subjuntivo imperfeito pela sequência histórica (nūntiāvit). Direto: quod frūmentum nōn habent.

  3. discessūrōs esse
    Ver resposta

    Afirmação principal: infinitivo futuro, ação posterior. Direto: mox discēdent.

  4. exspectāret
    Ver resposta

    Pergunta real, dirigida ao general (2ª pessoa no direto): subjuntivo. Direto: Quid exspectās? (Também se pode ler como retórica, com o sentido de "não há o que esperar"; o subjuntivo mostra que César, ou o narrador, a trata como pergunta dirigida ao interlocutor.)

  5. ēdūceret
    Ver resposta

    Ordem: imperativo → subjuntivo. Direto: Mīlitēs statim ē castrīs ēdūc!

  6. omittere
    Ver resposta

    Pergunta retórica (equivale a "ninguém deixaria passar tamanha ocasião"): acusativo quem + infinitivo. Direto: Quis tantam occāsiōnem omittit?

Exercício 2 · Do direto ao indireto

Ponha a fala em discurso indireto depois do verbo indicado, e explique cada mudança. Vocabulário: lateō, -ēre, esconder-se; trādō, -ere, entregar; fugiō, -ere, fugir.

  1. Nūntius dīxit: "Urbs capta est."
    Ver resposta

    Nūntius dīxit urbem captam esse. Afirmação: acusativo + infinitivo perfeito passivo, com o particípio concordando com urbem.

  2. Dux dīxit: "Hostēs, quī in silvīs latent, nōn pugnābunt."
    Ver resposta

    Dux dīxit hostēs, quī in silvīs latērent, nōn pugnātūrōs esse. A principal vai para o infinitivo futuro; a relativa, subordinada, para o imperfeito do subjuntivo (sequência histórica).

  3. Mārcus Iūliae dīxit: "Ego tibi librum meum dedī."
    Ver resposta

    Mārcus Iūliae dīxit sē eī (illī) librum suum dedisse. Ego → sē; tibi → eī ou illī; meum → suum; perfeito → infinitivo perfeito.

  4. Pater fīliō dīxit: "Venī crās!"
    Ver resposta

    Pater fīliō dīxit posterō diē venīret. Ordem → imperfeito do subjuntivo, sem conjunção; crās → posterō diē.

  5. Dux mīlitibus dīxit: "Nōlīte arma trādere!"
    Ver resposta

    Dux mīlitibus dīxit nē arma trāderent. Proibição com nōlīte → nē + imperfeito do subjuntivo.

  6. Dux clāmāvit: "Cūr nunc fugitis?"
    Ver resposta

    Dux clāmāvit: cūr tum fugerent? Pergunta real, de 2ª pessoa: subjuntivo; nunc → tum.

  7. Ōrātor dīxit: "Quis hōc crēdit?" (pergunta retórica)
    Ver resposta

    Ōrātor dīxit: quem hōc crēdere? Retórica = afirmação ("ninguém acredita nisto"): acusativo + infinitivo, e por isso quis vira quem.

Exercício 3 · Do indireto ao direto

Reconstrua a fala original e explique. Vocabulário: obses, obsidis, refém; reddō, -ere, devolver; obsideō, -ēre, sitiar; careō, -ēre (com ablativo), carecer de.

  1. Dīxit sē eō diē nōn ventūrum esse.
    Ver resposta

    "Hodiē nōn veniam." Sē → ego (expresso só pela terminação); eō diē → hodiē; infinitivo futuro → futuro do indicativo.

  2. Respondērunt sē, sī Caesar obsidēs redderet, pācem factūrōs esse.
    Ver resposta

    "Sī obsidēs reddēs, pācem faciēmus." O infinitivo futuro da apódose pede um futuro; a prótase no imperfeito do subjuntivo, em sequência histórica, pode vir de um presente ou de um futuro, e o futuro da apódose torna o futuro (reddēs) a leitura mais natural. Lembre que no indireto a condição real no futuro e a potencial se confundem: a potencial Sī obsidēs reddās, pācem faciāmus também é possível.

  3. Nūntius dīxit urbem, quam hostēs obsidērent, iam diū frūmentō carēre.
    Ver resposta

    "Urbs, quam hostēs obsident, iam diū frūmentō caret." Relativa: subjuntivo → indicativo; principal: infinitivo presente → presente do indicativo.

  4. Mīlitēs hortātus est: fortēs essent nēve locum relinquerent.
    Ver resposta

    "Fortēs este, nōlīte locum relinquere!" Dois subjuntivos sem conjunção, depois de um verbo de exortar: ordens. A segunda, negativa, liga-se com nēve.

  5. Lēgātōs interrogāvit: quid sibi vellent?
    Ver resposta

    "Quid mihi vultis?" Pergunta real no subjuntivo; sibi é o falante (reflexivo indireto) → mihi; os interlocutores → 2ª pessoa do plural.

Exercício 4 · Pronomes, possessivos e advérbios

Dê o equivalente no discurso indireto (depois de dīxit) e, no último item, converta a frase inteira.

  1. ego (o falante); meus
    Ver resposta

    sē (nos casos oblíquos suī, sibi); suus.

  2. tū (o interlocutor); vester
    Ver resposta

    ille ou is; illōrum ou eōrum (ou suus, se não houver ambiguidade).

  3. hīc locus; nunc
    Ver resposta

    is (ille) locus; tum. O "aqui e agora" do falante se afasta.

  4. hodiē; crās; herī
    Ver resposta

    eō diē (illō diē); posterō diē; prīdiē.

  5. "Ego vōbīs hodiē meum equum dabō."
    Ver resposta

    Dīxit sē illīs (eīs) eō diē suum equum datūrum esse. Ego → sē; vōbīs → illīs; hodiē → eō diē; meum → suum; futuro → infinitivo futuro concordando com sē.

Exercício 5 · Condicionais relatadas

Ponha em discurso indireto depois de dīxit e explique o tempo de cada verbo. Vocabulário: gaudeō, -ēre, alegrar-se; poenās dare, ser castigado; emō, -ere, ēmī, ēmptum, comprar; nāvis, -is, navio.

  1. "Sī venīs, gaudeō."
    Ver resposta

    Dīxit, sī ille venīret, sē gaudēre. Prótase: presente → imperfeito do subjuntivo; apódose: presente → infinitivo presente.

  2. "Sī hōc fēceris, poenās dabis."
    Ver resposta

    Dīxit, sī hōc fēcisset, eum poenās datūrum esse. Futuro perfeito → mais-que-perfeito do subjuntivo depois de tempo histórico (Bennett § 319.a); futuro → infinitivo futuro.

  3. "Sī pecūniam habeam, nāvem emam."
    Ver resposta

    Dīxit, sī pecūniam habēret, sē nāvem ēmptūrum esse. A condição potencial dá o mesmo resultado que a real no futuro: imperfeito do subjuntivo + infinitivo futuro (Allen e Greenough § 589.a).

  4. "Sī mē audīvissētis, vīcissētis."
    Ver resposta

    Dīxit, sī sē audīvissent, eōs victūrōs fuisse. Irreal do passado: a prótase não muda de tempo; a apódose vira particípio futuro + fuisse (Bennett § 321.2.a). Mē, o falante, vira sē; vōs, implícito em vīcissētis, vira eōs.

Exercício 6 · Leitura de César

Responda sobre o discurso de Divicō (seção 6) e sobre uma outra embaixada dos helvécios (César 1.7.3): … lēgātōs ad eum mittunt nōbilissimōs cīvitātis, … quī dīcerent sibi esse in animō sine ūllō maleficiō iter per prōvinciam facere, proptereā quod aliud iter habērent nūllum: rogāre ut eius voluntāte id sibi facere liceat. Vocabulário: nōbilissimus, o mais nobre; cīvitās, -ātis, povo, Estado; esse in animō (com dativo), ter a intenção; maleficium, -ī, dano; proptereā quod, porque; voluntās, -ātis, vontade, consentimento; licet, é permitido.

  1. Em 1.13.3, qual é o verbo que introduz o discurso de Divicō?
    Ver resposta

    Ita cum Caesare ēgit, "tratou com César nestes termos". Não é um verbo de dizer em sentido estrito, mas implica uma fala, e por isso tudo o que segue é discurso indireto (Bennett § 314.2).

  2. Por que reminīscerētur está no subjuntivo, e o que seria no direto?
    Ver resposta

    É uma ordem de uma oração principal: imperativo → subjuntivo (Allen e Greenough § 588). Direto: reminīscere, imperativo do depoente.

  3. No direto, que tempo correspondia a cōnstituisset (1.13.3)?
    Ver resposta

    O futuro perfeito cōnstitueris ("onde tu nos tiveres estabelecido"), que em sequência histórica vira mais-que-perfeito do subjuntivo (Bennett § 319.a).

  4. Em 1.7.3, a que se referem os dois sibi, e eius?
    Ver resposta

    Os dois sibi são os helvécios que falam, pela boca dos embaixadores (reflexivo indireto: o pensamento é deles). Eius é César, o interlocutor (tū → is).

  5. Por que habērent está no subjuntivo, e rogāre no infinitivo? Quem é o sujeito de rogāre?
    Ver resposta

    Habērent está numa subordinada causal dentro da fala relatada. Rogāre é a afirmação principal ("pedem"), com o sujeito sē omitido (Bennett § 314.5): os helvécios. O verbo de dizer é dīcerent, de uma relativa final ("que dissessem").

  6. Liceat é presente, depois de dīcerent. Como se explica?
    Ver resposta

    É a repraesentātiō: César conserva o tempo do discurso direto (rogāmus ut … liceat) para dar vivacidade (Bennett § 318). Traduza pelo passado: "pediam que lhes fosse permitido, com o consentimento dele, fazê-lo".

  7. Traduza 1.7.3.
    Ver resposta

    "… enviam-lhe como embaixadores os mais nobres do povo, … para dizer que tinham a intenção de fazer o caminho pela província sem causar nenhum dano, porque não tinham nenhum outro caminho; e que pediam que lhes fosse permitido fazê-lo com o consentimento dele."

Leituras recomendadas

O lugar natural para treinar o discurso indireto é César. As seleções comentadas da Guerra da Gália trazem a campanha contra os helvécios, com os discursos de embaixadores lidos neste capítulo; leia-os marcando, em cada frase, o tipo de oração e o modo. The Gate to Caesar apresenta o livro II em versão simplificada e original, e a comparação mostra como os relatos de batedores e embaixadores são postos em discurso indireto. Para continuar, o texto integral do livro I tem a longa troca de discursos entre César e Ariovisto (capítulos 34–36 e 43–45), quase toda em discurso indireto. Em Lívio, livro I, procure as falas dos reis e dos embaixadores. Para consulta, Allen e Greenough (§§ 577–593) e Bennett (§§ 313–323) tratam o assunto com muitos exemplos de César.

Etapa IV · Ad FontesDificuldade 3 · IntermediárioOriginal ÁudioCom notas

Commentarii de Bello Gallico (seleções)

Gaius Iulius Caesar

Seleções dos livros I, IV, V e VI da Guerra da Gália (a campanha contra os helvécios, a travessia para a Britânia, o cerco ao acampamento de Cícero, os druidas), com macrons, vocabulário corrente e notas em inglês. A porta de entrada clássica para a prosa autêntica.

Historiografia · Clássico · algumas semanas · Dickinson College Commentaries

Ler na fonte ↗ Áudio ↗
Etapa III · FundamentaDificuldade 2 · BásicoSimplificadoCom notas

The Gate to Caesar (De Bello Gallico II, simplificado e original)

Gaius Iulius Caesar (ed. W. C. Collar)

O livro II da Guerra da Gália apresentado duas vezes: primeiro numa versão simplificada, depois no original, com notas, exercícios e vocabulário (1891). A ponte perfeita entre os leitores graduados e César autêntico.

Historiografia · Clássico · algumas semanas · Project Gutenberg

Ler na fonte ↗EPUB na fonte ↗
Etapa IV · Ad FontesDificuldade 3 · IntermediárioOriginal ÁudioCom notasTexto na biblioteca

Commentarii de Bello Gallico (texto integral)

Gaius Iulius Caesar

Os oito livros da Guerra da Gália completos (edição Holmes, 1914), sem notas, mas com análise morfológica de cada palavra ao clique. Para continuar César depois das seleções comentadas. Gravação completa no LibriVox.

Historiografia · Clássico · alguns meses · Perseus Digital Library

Ler aqui: texto latino da edição de T. Rice Holmes (1914)

Etapa V · Auctores RomaniDificuldade 4 · AvançadoOriginalCom notasTexto na biblioteca

Ab urbe condita, liber I

Titus Livius

O livro I da história de Roma (Rômulo e Remo, os reis, Lucrécia), na edição Conway e Walters (1914), sem notas. Períodos mais longos que os de César; as lendas da fundação são o melhor ponto de entrada em Tito Lívio.

Historiografia · Clássico · algumas semanas · Perseus Digital Library

Ler aqui: texto latino da edição de Wilhelm Weissenborn e Hermann Johannes Müller (1884–1911)

Etapa III · FundamentaDidático

Allen and Greenough's New Latin Grammar (edição DCC)

J. H. Allen e J. B. Greenough

A gramática de referência clássica em inglês (1903), em hipertexto com os parágrafos numerados tradicionais: pronúncia, morfologia, sintaxe, prosódia. Os comentários do DCC remetem a ela em cada nota. Para consultar, não para decorar.

Gramática · Moderno (material didático) · consulta · Dickinson College Commentaries

Ler na fonte ↗
Etapa II · Primae FabulaeDidático

New Latin Grammar

Charles E. Bennett

Gramática de referência compacta (1918), em inglês, com macrons: sons, flexões, sintaxe, prosódia. Mais curta e mais fácil de consultar que Allen & Greenough; cabe num leitor de EPUB.

Gramática · Moderno (material didático) · consulta · Project Gutenberg

Ler na fonte ↗EPUB na fonte ↗
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Créditos e fontes

Autoria
Bibliotheca Latina. Conteúdo original com trechos de obras em domínio público; licença CC BY 4.0.
Fontes consultadas
  • New Latin Grammar, Charles E. Bennett (no catálogo) · domínio público · § 244.1 (reflexivos diretos e indiretos; 244.1.a o reflexivo indireto exprime o pensamento do sujeito da principal), § 268.6 (perfeito do subjuntivo como tempo histórico em consecutivas), § 313 (ōrātiō rēcta e oblīqua), § 314.1–5 (afirmações: principal no infinitivo, subordinadas no subjuntivo; verbo de dizer subentendido; indicativo nas observações do autor; relativa equivalente a et hīc; sujeito acusativo omitido), § 315.1–3 (perguntas reais no subjuntivo, retóricas no infinitivo, deliberativas conservadas; exemplo de César 1.44), § 316 e 316.a (ordens no subjuntivo; negação nē, com o exemplo de César 1.13), § 317 e 317.a (tempos do infinitivo; o perfeito representa qualquer passado), § 318 (tempos do subjuntivo pela sequência; repraesentātiō, com o exemplo de César 1.14), §§ 319–321 (condicionais dos três tipos no discurso indireto; 319.a futuro perfeito; 321.2 -ūrus fuisse e futūrum fuisse ut), § 323 (discurso indireto implícito)
  • Allen and Greenough's New Latin Grammar, J. H. Allen e J. B. Greenough (no catálogo) · domínio público · § 300 (reflexivo indireto), § 577 (natureza do discurso indireto; a pessoa do verbo se ajusta à nova relação), § 580 e 580.a (afirmações no acusativo + infinitivo; verbo de dizer implícito), § 583 e 583.a–b (subordinadas no indicativo quando são explicação do autor; relativa equivalente a demonstrativo), § 584 (tempos do infinitivo), § 585 (tempos do subjuntivo pela sequência), § 586 e nota 1 (perguntas reais e retóricas; o exemplo de César 1.14; não há fronteira nítida), § 587 (deliberativo conservado), § 588 e nota 2 (ordens; proibição com nē; exemplo de César 1.13), § 589 e 589.a (condicionais; desaparece a distinção entre as futuras), §§ 591–592 (subordinadas no subjuntivo por discurso indireto informal)
  • Kennedy's Revised Latin Primer, Benjamin Hall Kennedy (no catálogo) · domínio público · §§ 458–459 (ōrātiō oblīqua nos historiadores; afirmações no infinitivo), § 461 (ordens no subjuntivo), §§ 462–463 (perguntas de 2ª pessoa no subjuntivo; de 1ª e 3ª, em regra no infinitivo), § 464 (ego, meus → sē, suus; tū, vōs → ille), §§ 465–466 (reflexivo referido ao sujeito da própria oração; ipse para clareza), § 467 e notas 1–2 (subordinadas no subjuntivo; relativa explicativa no indicativo; dum com indicativo), § 469 (discurso indireto virtual, com o exemplo de César 1.16), § 470 (um discurso de César posto nas duas formas)
  • Gramática Latina, Pe. João Ravizza (no catálogo) · domínio público · nn. 484–485 (discurso direto e indireto; verbos introdutórios, inquam e aiō), n. 486 (pronomes: ego → sē, com ipse no nominativo e nas antíteses; tū → ille, is; hīc, iste → is, ille; possessivos), n. 487 (advérbios de tempo: hodiē → eō diē, crās → posterō diē, herī → prīdiē, nunc → tum), nn. 488–489 (principais: afirmações no infinitivo; ordens no imperfeito do subjuntivo, negação nē, nēve; perguntas de 2ª pessoa no subjuntivo, retóricas no infinitivo), n. 490 (dependentes no subjuntivo; sequência e licenças dos clássicos)
  • César, Commentarii de bello Gallico 1.7; 13–14; 16; 38; 44, Caio Júlio César (no catálogo) · domínio público · texto da edição de T. Rice Holmes (Oxford, 1914) na Perseus Digital Library, conferido também em The Latin Library (https://www.thelatinlibrary.com/caesar/gall1.shtml); os dois textos coincidem nos trechos citados; macrons acrescentados; a versão em discurso direto da seção 6 é reconstrução nossa, para fins didáticos
Para ir além
Commentarii de Bello Gallico (seleções), The Gate to Caesar (De Bello Gallico II, simplificado e original), Commentarii de Bello Gallico (texto integral), Ab urbe condita, liber I, Allen and Greenough's New Latin Grammar (edição DCC), New Latin Grammar (ver Leituras recomendadas acima).